Between Two Paths
7 Entre Olhares e Silêncios
O laboratório estava mais silencioso do que o normal naquela tarde.
Daeron revisava relatórios perto da bancada central, concentrado, quando percebeu Derek se aproximando. O diretor tinha o olhar ligeiramente fechado, a expressão séria, mas havia algo mais — algo que o fez enrijecer.
— Daeron… — começou Derek, a voz baixa, carregada de intensidade. — Posso te fazer uma pergunta?
— Claro… — respondeu o menor, ainda digitando, sem perceber a tensão no ar.
— Quem era aquele outro pesquisador com quem você conversou agora há pouco? — Derek perguntou, quase sem mascarar a pontada de ciúme.
Daeron parou imediatamente, o coração batendo mais rápido.
— Outro pesquisador? Ah… só o professor Carvalho. Ele precisava de algumas informações sobre o composto experimental.
Derek se aproximou mais, os olhos fixos nos dele, e Daeron sentiu o calor do corpo do outro invadindo seu espaço pessoal.
— Só isso? — Derek murmurou, os braços cruzados, mas o queixo ligeiramente inclinado, mostrando que cada palavra carregava mais do que a simples preocupação.
Daeron suspirou, tentando manter a calma.
— Sim, apenas profissional. — Ele levantou o olhar, encontrando os olhos escuros de Derek. — Não há motivo para ciúmes.
O moreno deu um passo adiante, aproximando-se o suficiente para que Daeron sentisse a respiração dele.
— Não é só ciúmes… — disse Derek, a voz baixa, intensa. — É que… não gosto da ideia de te ver tão próximo de outras pessoas assim.
Daeron sentiu o corpo reagir, o coração disparando. O queixo dele tremia ligeiramente, e a sensação de vulnerabilidade era estranha, mas não desagradável.
— Eu… eu não sabia… — murmurou, hesitante. — Eu não faria nada para te machucar.
Derek respirou fundo, controlando a intensidade que ameaçava transbordar.
— Eu sei. — respondeu, aproximando a mão e segurando delicadamente a do menor. — Mas às vezes, só às vezes, preciso que você saiba… o quanto você significa pra mim.
Daeron olhou para a mão que envolvia a sua. Um calor se espalhou pelo peito dele, e a tensão acumulada nos últimos dias finalmente encontrou uma saída.
— Derek… — disse ele, a voz quase um sussurro. — Eu… também sinto o mesmo.
Por um momento, o tempo pareceu congelar.
Eles permaneceram ali, de mãos dadas, olhando-se nos olhos, sem precisar de mais palavras. O mundo ao redor desapareceu.
Derek inclinou-se levemente, apenas o suficiente para encostar a testa na de Daeron.
— Você é… impossível. — murmurou, meio rindo, meio sério. — E completamente meu.
— E você… também é impossível. — Daeron respondeu, sorrindo nervoso, mas entregando-se àquele momento de proximidade.
Não havia pressa. Nem toque sexual explícito. Apenas olhares, respirações compartilhadas, mãos entrelaçadas e o calor de dois corpos que se reconheciam.
Era intimidade pura, intensa, emocional — mais poderosa do que qualquer gesto físico.
E, naquela pequena fração de tempo, ambos compreenderam algo:
não precisavam apressar nada.
A conexão, o vínculo, o afeto e a química que cresciam entre eles já eram suficientes para incendiar o coração.
Quando finalmente se afastaram, Derek manteve os dedos de Daeron entre os seus, guiando-o para fora do laboratório.
— Vamos embora? — perguntou ele.
— Vamos. — respondeu Daeron, com um sorriso tímido e seguro ao mesmo tempo.
E juntos, sob o brilho suave das luzes do laboratório, caminharam lado a lado, cada passo fortalecendo a tensão emocional que agora era impossível de ignorar.
Continua…
Fale com o autor