Between Two Paths
9 Ciúme e Confissões
O laboratório estava quase vazio naquela sexta-feira à tarde. Daeron revisava alguns relatórios perto da bancada central, ajustando simulações e tomando notas.
De repente, a porta se abriu, e Coldy entrou com aquele sorriso largo e confiante que só ele sabia usar.
— E aí, Daeron! — chamou, jogando a mochila sobre o ombro. — Sobrevivi às aulas de hoje, e você?
— Estou… quase lá. — respondeu Daeron, sem olhar muito, concentrado no trabalho.
— Quase lá? — Coldy aproximou-se, vendo os monitores. — Relaxa, cara. A vida não é só trabalho e química, sabia?
Nesse momento, Derek entrou pelo corredor, cruzando o laboratório. Seu olhar encontrou Daeron, mas ao ver Coldy ao lado dele, o semblante mudou levemente. Um arrepio de ciúmes percorreu seu corpo, quase imperceptível, mas presente.
— Então esse é o famoso Coldy, certo? — Derek disse, a voz calma, mas com um toque de tensão.
— Isso mesmo! — respondeu Coldy, estendendo a mão para Derek com aquele sorriso aberto. — O cara que está sempre aprontando com Daeron.
Derek apertou a mão dele, mas não tirou os olhos de Daeron.
— Prazer. — murmurou, firme, e por um instante, Daeron sentiu o coração disparar.
— Ah, ele é só brincalhão. — disse Daeron, tentando desviar a tensão. — Nada demais.
Coldy, percebendo o clima diferente, deu um sorriso maroto.
— Relaxa, Derek. Não vou roubar seu estagiário. — brincou, provocando uma risada nervosa em Daeron.
— Hm. — respondeu Derek, o olhar fixo em Daeron por um instante que pareceu durar uma eternidade. — Só gosto de ter certeza de que ele está bem.
Daeron sentiu o rubor subir pelo rosto, e Coldy, rindo, percebeu a tensão:
— Tá vendo? Ele já gosta de você. — disse Coldy, piscando. — Mas calma, Daeron, você vai ver que ciúme de verdade é divertido.
Derek se aproximou, e Daeron deu um passo involuntário para trás, o coração acelerando.
— Ciúme…? — murmurou ele, quase sem ar.
— Um pouco. — Derek respondeu, a voz baixa e intensa, inclinando-se ligeiramente. — Mas não é nada ruim. Só… mostra que me importo.
Daeron engoliu em seco, sem saber como reagir. Por um instante, o mundo inteiro ao redor desapareceu: só ele, Derek e aquela sensação de proximidade que queimava dentro do peito.
— Eu… também me importo. — disse finalmente, quase num sussurro. — Mais do que deveria.
Derek sorriu, um sorriso lento, mas carregado de intensidade.
— É bom ouvir isso. — disse, tocando levemente o ombro de Daeron em um gesto discreto, mas suficiente para fazer o menor estremecer.
Coldy percebeu a proximidade silenciosa e riu baixinho, afastando-se com um gesto teatral.
— Vou deixar vocês dois conversarem. Mas olha, Daeron, não faça drama se ele não for nada como você pensa… ou melhor, faça sim! — disse ele, piscando antes de sair do laboratório.
Derek e Daeron permaneceram ali, lado a lado, sem se mover, apenas respirando juntos.
O toque no ombro parecia carregar mais do que simples cuidado — carregava atenção, afeto e uma tensão que só crescia entre eles.
— Sabe… — murmurou Derek, a voz baixa —, você é impossível de esquecer.
Daeron desviou o olhar, envergonhado, mas não recuou.
— E você também é… impossível de ignorar.
Um silêncio pesado, carregado de emoção, se formou. Nenhum deles precisava falar mais.
O toque, os olhares, a proximidade silenciosa diziam tudo: a tensão emocional estava prestes a se transformar em algo muito maior, algo que nenhum dos dois poderia mais negar.
Continua…
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