Notas iniciais
Desculpem-me pelo capítulo gigante, eu não sei controlar o tamanho ainda, mas eu vou progredindo. Espero que gostem!

Um chinelo passou voando perigosamente perto da cabeça de Soul. Com fones de ouvido e de pés para o ar, ele estava tirando um cochilo enquanto acalmava a alma com Metallica, e sentou-se abruptamente quando o chinelo bateu na parede a cinco centímetros de sua face.

Atordoado, ele já tinha uma certa noção de quem fez aquilo – também pudera, só havia uma opção – mas virou-se mesmo assim. Ao dar de cara com uma Maka furiosa, suas óbvias suspeitas se confirmaram e ele cerrou os olhos, resmungando.

– Você nem se mexeu! – Maka sentiu uma gota de suor deslizar-se no seu rosto e pescoço. Já deveria estar acostumada, mas o jeito desleixado de Soul ainda lhe fazia tremer de raiva. Virou o rosto, analisando o quarto. Roupas espalhadas nos cantos, folhas de partituras perdidas no chão, alguns sacos de salgadinhos vazios... Soul não havia mexido um dedo para arrumar aquele desastre.

Tirando o fone, Soul pôs-se a encarar sua artesã curiosamente, observando – pela milionésima vez – seu rosto vermelho pela raiva e sua boca se mexendo freneticamente, murmurando palavras de ódio. Ela ficava tão linda assim.

Soul cerrou os olhos e deu um tapa em sua testa, xingando-se mentalmente. De onde aquele pensamento veio? Ele se forçou a encará-la de novo, e percebeu que havia se passado por idiota ao ver a expressão de confusão e diversão nos olhos da parceira.

– Tentando evitar os meus livros, Soul? Eu sei que você tem uma Mini-Maka dando Mini-Maka-Chops em você no seu subconsciente, eu sei. – ela piscou para ele, brincando. Soul somente mostrou a língua a ela. – só não te dou uma Maka-chop desta vez porque você já foi estranho o suficiente. Agora, o que quer de almoço? Estamos sem carne, então será alguma coisa vegetariana.

Soul arregalou os olhos. Não era possível.

– Peixe? – ele arriscou. Maka somente meneou a cabeça em um sinal negativo.

– Peixe ainda faz parte da categoria carne, Soul.

Os instintos carnívoros de Soul se aguçaram, e ele se levantou em um pulo. Ele tinha que comer carne, de qualquer maneira. Bem, não exatamente, mas carne era um alimento quase que obrigatório em seu cardápio diário – e se de alguma forma o estoque de carnes acabou, então ele tinha que fazer algo a respeito. Mesmo que para isso ele tenha que vencer a preguiça que quase dominava seu corpo.

– ‘Tá de brincadeira, né? Eu vou lá comprar então.

Maka arregalou os olhos em surpresa e assentiu, enquanto o outro passava por ela indo em direção à porta. Eram raras as vezes que Soul se oferecia para ir comprar as coisas. Em geral, ela arrastava-o com ela ou o obrigava a ir no mercado sozinho ( que era o que ela estava planejando fazer ). Bem, aquele dia estava realmente incomum.

Nunca que ele, Soul Eater Evans, iria passar um almoço sem carne quando ele podia fazer algo a respeito. Nunca. Principalmente quando ele poderia ter seu peixe cru fresco. Soul lambeu os lábios e bateu a porta, saindo de vez do apartamento.

–x-x-x-

Soul caminhava sem pressa em direção à peixaria, observando as pessoas ao seu redor. Não havia nenhum conhecido, claro – todos estavam tendo aula. O sol estava quente e agradável no céu e uma ou outra brisa eventualmente bagunçavam seus fios prateados. Soul percebeu que não caminhava sozinho há muito tempo, e resolveu aproveitar as sensações.

Quase tinha esquecido da sensação de liberdade que as brisas proporcionavam. Fechou os olhos por um segundo para senti-las batendo em seu rosto, ignorando o sentimento de imbecilidade que se espalhava em seu peito. Quem em sã consciência faz isso em plena rua? Soul resolveu esquecer tudo e se concentrou somente em olhar para onde estava andando enquanto sentia o calor do Sol em sua pele.

Certo, talvez o Sol não estivesse tão agradável assim. E talvez sua caminhada não seja tão gostosa quanto ele estava achando. Sua pele estava ardendo, gotas de suor se formando em sua testa. Aonde estavam aquelas brisas mesmo ? Soul, então, tentou se distrair mais uma vez, admirando as árvores de Death City, que ficavam lindas naquela hora do dia. Pronto, ele tinha conseguido. Sua caminhada estava gostosa e relaxante novamente, e até as brisas voltaram.

Claro, isso não iria durar muito. Ele era Soul Eater Evans, afinal, e a sorte o odiava.

– SOOOOOOOOOOOOOUL!

Ele levantou os olhos e encontrou um vulto roxo vindo em sua direção muito rapidamente. Suspirou, e deu um passo para o lado, deixando-a abraçar o vento. Blair não tinha jeito mesmo. Ao menos ele já estava acostumado aos seus ataques.

Bem, a não ser quando ela resolve apelar. ‘Mas aí,’ sua consciência fala, “é culpa da testosterona.” É um pensamento reconfortante, realmente.

– Sai daqui Blair, eu tenho que comprar o bendito peixe. Pra mim.

Blair fez um muxoxo de descontentamento, e transformou-se numa gata novamente para subir em Soul, acomodando-se em seus ombros.

– Você é tão rude comigo, Soul...

– Qual é, eu aposto que você já roubou uns peixes daquele cara. Pare de me enrolar.

– ...

Soul parou em frente à peixaria e pediu por 10 peixes frescos, ignorando os relances constantes de preocupação do vendedor para a gata em seus ombros. Ela já havia passado por lá esta manhã, ele agora tinha certeza disso. Bem, isso significava que Blair já tinha comido seus peixes, então ele podia ficar com todos os dez para ele. Maka não se importaria em doar seus peixes para ele, certo? Ela odiava peixe, de qualquer maneira...

Soul fez uma anotação mental para passar na quitanda na volta. Iria comprar algumas frutas e verduras para Maka. Assim ele evitaria um Maka-chop por ter comprado só peixes, pelo menos.

Ele foi retirado dos seus pensamentos com uma cauda roçando seu pescoço. Blair era um caso perdido mesmo.

– Soul... ? Eu preciso falar com você..

– Diga, Blair.

– Quero que você faça um acordo comigo.

Soul franziu a testa, preocupado. Blair não era do tipo de fazer acordos. Ele pegou a sacola com os peixes e agradeceu o vendedor com um aceno, caminhando de volta para as ruas de Death City. Blair estava aprontando alguma, com certeza.

– Que tipo de acordo?

– Um acordo muito, muito interessante. – Blair ronronou em seu pescoço, ansiosa. Seu otp estava em suas mãos, agora era só uma questão de tempo.

Por outro lado, Soul estava cada vez mais temeroso. Coisas interessantes, na língua de Blair, significavam coisas pervertidas ou dramáticas. Ele tinha um mau pressentimento quanto a isso.

– Não me enrole, Blair. Diga logo, que acordo é esse?

– Soul... eu quero que você e Maka sigam uma lista de afazeres, por cinco dias.

Soul virou a cabeça, tentando encarar a gata. Ela pirou de vez, ou o quê?

– E por que raios eu faria isso? Tenho cara de idiota?

– Tem, mas isso não vem ao caso. E eu tenho algumas fotos guardadas comigo. Seria uma pena se alguém as divulgasse, certo?

Ele estancou no lugar, o sangue fervendo em um segundo.

Gata maldita” ele pensou. Bem, no máximo, ela teria algumas fotos bem íntimas dele, mas nada que ele não consiga lidar. Soul tinha várias fãs irritantes por aí – ainda mais depois que se tornou o último DeathScythe – e ele sabia que elas tiravam fotos dele de qualquer jeito. Não seria nada muito novo, então.

– Minha resposta é não.

Blair arregalou os olhos, desesperada.

– Não?

– Não.

– Mas por quê? – a gata agora estava se mexendo em seu ombro, tentando encará-lo.

– Porque sua chantagem não funciona comigo. Não é como se fotos zoadas minhas fossem uma novidade.

Blair sorriu maliciosamente, suspirando. Era somente um pequeno mal-entendido.

– Nya... Mas aposto que seria uma novidade se uma certa Maka estivesse envolvida nas suas fotos “zoadas”, uh?

Soul sentiu seu sangue congelar. Não era possível, era? Aquilo havia acontecido naquela manhã, merda! Blair não era tão rápida assim, certo? Okay, Soul, blefe. Um blefe sempre resolve as coisas.

– Maka? Não é surpresa ela aparecer nas fotos, ela está sempre lá debochando da minha cara.

Ele viu o sorriso sinistro que Blair abriu e o pânico começou a se alastrar pelo seu peito. Calma Soul, não foi nada demais. Foi um acidente, só isso. Sem essa de entrar em pânico, isso não é nada maneiro.

– Ah, sim, mas eu tenho quase certeza de que ela não estava rindo. Seu amiguinho só não apareceu direito por causa dela, você sabe. – Soul cerrou os olhos, irritado.

– MERDA BLAIR! Você não tinha o direito de fazer isso! Não. Tinha. Vai pro inferno, está bem? Como raios você sequer viu isso?

– Gatos gostam de janelas, querido. E quando a porta do banheiro acidentalmente se abriu, eu estava lá na janela do quarto da Maka – que coincidentemente é em frente ao banheiro.

Soul respirou fundo e recomeçou a andar. Não era como se ele fosse morrer por causa desse acordo, certo? Na verdade, ele nem parecia tão ruim. Uma lista de afazeres? É, ele podia lidar com isso.

– Ok, Blair, eu topo o acordo. Mas você vai precisar falar com Maka, e eu tenho certeza que ela vai, no mínimo, te expulsar de casa.

A gata miou tão alto e tão agudo que Soul pode jurar que até o Shinigami ouviu. Suspirando, Soul caminhou de volta para casa com Blair rindo e ronronando em torno de seu pescoço. “Ah, não, Soul,” ela tinha dito, “Maka vai me amar depois dessa.” E Soul nada pôde fazer além de caminhar, pensando em como sua vida é desgraçada.

x-x

– BLAIR EU VOU TE MATAR.

Uma Maka furiosa pulou para a outra ponta do sofá, tentando pegar uma gata com pelos de coloração azul. Maka estava vendo tudo em vermelho e só soltava xingamentos pela boca, torcendo com todas as suas forças para que Blair morresse de uma forma lenta e dolorosa.

Blair, por outro lado, somente ria e encarava a garota de maria-chiquinhas à sua frente com um brilho desafiador nos olhos. Maka só não a acertava com tudo o que via pela frente pois Soul a segurava – com muito esforço, porque Maka tinha uma força descomunal.

– Soul, transforme-se. AGORA.

– Maka, pela milionésima vez, SENTA NO SOFÁ.

Ótimo, então Soul não iria ajudá-la. Melhor, assim ela iria estrangular Blair com suas próprias mãos. Gata dos infernos. Que tipo de manipuladora ela pensa que é? Não é uma questão de acordos, Blair. É uma questão de respeito. Invadiu a minha privacidade sem mais nem menos, e ainda quer chantagear? Tentando acalmar seus nervos, Maka conseguiu se sentar no sofá e encarar Blair. Ela era uma pessoa civilizada, certo? Ela consegue sentar e conversar, claro. Vamos, Maka, seja como Tsubaki ao menos uma vez. Calma e doce.

Vendo que Maka tinha se acalmado um pouco, Soul balbuciou qualquer coisa sobre ter esquecido de ir à quitanda e escapou daquela casa. Ele só voltaria daqui a uma hora, quando o clima já estivesse um pouco melhor. Bem, considerando o temperamento de Maka, talvez ele devesse voltar daqui a duas horas. Ou três.

Blair transformou-se em sua forma humana quando viu que Soul havia saído, e se aproximou de Maka com um olhar sério. Era a sua chance de falar com Maka com privacidade – uma conversa de garotas.

– Maka. – a loira a fitava intensamente, seus olhos raivosos jamais largando os de Blair. – Eu sei que você está odiando isso, e eu sei que eu não devia chantageá-los ( aliás, eu tenho mais arquivos para chantagear você ) mas eu tenho um motivo maior. Acredite.

Maka ergueu uma das sombrancelhas, duvidando seriamente do que a gata tinha dito. Um “motivo maior”? Peixe, né, só se for.

– É sério, não olhe para mim desse jeito. Por favor, Maka, eu não estou a fim de chantageá-la mais, mas eu consigo fazer isso se preciso.

– E que “motivo maior” seria esse, Blair? Não me venha com desculpas.

– O amor.

Maka a encarou sem piscar por alguns segundos, até que começou a gargalhar, incrédula. Ela enxugou uma lágrima de seu olho e fitou os olhos da gata, que permaneciam tão sérios quanto no início daquela conversa. Blair tem problemas mentais, concluiu. Não é possível que alguém seja tão maluco a esse ponto.

– Blair, você que me desculpe, mas eu não vou aceitar isso de jeito algum. Eu não sou cupido e nem você, então eu deixo o amor nas mãos dele, tudo bem? Poste essa foto aonde você quiser, eu já tenho haters de qualquer maneira.

Blair, vendo a reação da amiga, somente meneou a cabeça e suspirou em cansaço.

– Bem, desculpe-me Maka, mas eu tenho outras fotos.

Blair então mostrou à garota sua cartada final e a julgar pela palidez repentina no rosto de Maka, ela havia conseguido. Era golpe sujo, sim, mas ela não tinha outro jeito. E ela queria tanto que seu plano desse certo. Blair sempre consegue as coisas, ela lembrou a si mesma, de um jeito ou de outro.

– Tudo bem, Blair, você venceu. Dê-me esse maldito acordo.

Maka estava com a cabeça baixa, as bochechas fervendo. Por que Blair estava fazendo aquilo? Era tão cruel, até mesmo para uma “bruxa” como ela. Ela podia ver nos olhos da gata que ela realmente não queria chantagear, mas então por quê?

Sem outra escolha, Maka pegou o papel e o analisou. Aquela lista de afazeres incomodava o subconsciente de Maka, alertando-a. Ela pressentia que aqueles “afazeres” não seriam afazeres comuns, e era isso que a deixava mais irritada. Blair estava aprontando alguma, e ela não estava gostando nada.

Maka assinou o seu nome ao lado da assinatura de Soul, e devolveu o papel sem olhar para a gata.

– Blair. Eu exijo uma troca.

– Obviamente, Maka. Eu juro que não irei mostrar as fotos para ninguém, nem irei comentar sobre esse acordo com qualquer um ignorante a ele.

– Quero que sele esse seu juramento com magia. É o mínimo, Blair, por invadir minha privacidade.

Blair concordou e fez um feitiço. Repetiu suas mesmas palavras enquanto estava rodeada por abóboras fantasmagóricas e em seguida saiu pela janela, sem olhar para trás.

Maka caiu dura no sofá e respirou fundo. Mas que merda é essa agora?

Notas finais
Meu Deus, mais de 2.000 palavras! Desculpem se esse capítulo foi cansativo de ler, eu não podia cortá-lo em lugar algum hahaha Então, gostaram do rumo da história? Eu planejei coisas mais fluffys, embora eu acho que deixei a entender que seriam coisas mais, uh, quentes. Críticas, elogios, comentários são sempre bem-vindos! Muito obrigada a você, leitor, que chegou até aqui!