Between The Bars
1 Prólogo
“Acorda, Alice. Acorda.
A vida não vai parar pra você. A vida não é obrigada a te dar nada. A vida nem se quer se importa com o que você pensa, sua idiotazinha de merda. Você não vale nem a merda de um cachorro. E como você acha que eu poderia olhar pra você com outros olhos? Você é uma Zé ninguém que implora atenção de todos. Que DÁ pra todos. Você nem se quer consegue enxergar isso, não é? Faça um favor pra você e pra todos: suma! Suma da minha vida. Suma dessa vida. Quem sabe assim você não pare de fazer merda”.
Alice andava no parapeito do terraço. Uma taça em uma das mãos e na outra uma garrafa de vinho. No pescoço uma medalha de São Bento que estava tão desgastada de ser tocada. Os dedos já estavam frios do inverno Londrino. A maquiagem borrada denunciava que o choro fora constante depois daquela despedida.
A cada passo, ela sentia que estava no seu limite. Teria coragem de fazer aquilo. Victor tinha acabado com ela com todas aquelas palavras. O ódio reprimido em seu coração havia se derramado em lágrimas. Todo o esforço que ela teve pra planejar o fim daquele dia fora em vão. Ela estava sozinha.
Sozinha novamente. Sozinha como sempre.
Desejou ter coragem pra finalizar tudo aquilo antes daquelas palavras que entraram em seu coração como uma lança. Se odiava com todas as forças por ter deixado tudo chegar naquele nível.
Bebeu mais um gole do líquido transprente que descia cortando a garganta.
De repente riu.
Riu de tudo que tinha acontecido com ela. Riu de como ela tinha sido tão iludida.
Riu da sua pobre vida, dos erros que cometera. Riu de felicidade porque toda aquela dor iria findar. Mais um passo ela estaria longe de todos esses problemas. Mais um passo ela estaria longe daquela vida tão dolorida. Mais um passo ela estaria na escuridão pra sempre.
Então deu o impulso para pular.
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