Between Tears And Smiles
21 Família
Notas iniciais
Douglas
O sol incomodo já estava me tirando do sério. Quando levantei da cama, percebi que estava suando demais e pequenos tremores percorriam o meu corpo. Outro pesadelo. Outra noite sem dormir. Flashs, gritaria, terror. Os tremores estavam aumentando, respirei fundo tentando me controlar. Uma dor angustiante parecia dilacerar meus ossos. Me sequei e vesti uma roupa qualquer, arfando. Encolhi-me no chão do quart lutando contra os gemidos de dor. Apenas um nome me vinha á mente.
– Pai – arfei entre dentes e mesmo baixo tive certeza de que ele me ouviu. Em menos de um segundo ele estava ao meu lado, seus braços me envolveram e ele me abraçou.
– Controle-se filho. Pense em coisa boas, nas maiores alegrias de sua vida. Respire fundo, não se esqueça de quem você é. – segurei em seu braço buscando apoio, respirei o mais fundo que pude tentando relaxar e então uma voz de mel ecoou pela sala.
– Você consegue Dô, não desista. – procurei por Gabi e a encontrei abraçada á minha mãe, seus olhos como sempre mostravam confiança.
– Ela confia em você. Eu confio em você, filho. – aos poucos os tremores foram se acalmando, mas meu pai permanecia abraçado a mim.
– Por que isso está acontecendo comigo? – suspirei, esses ataques estavam tornando-se frequentes demais.
– Conosco – Gabi corrigiu quase em um sussurro e... Eu pude ouvir?
– Gabi... – deixei em aberto e ele me encarou.
– Diz, por favor, que você falou alto o suficiente para que eu pudesse ouvir? – ela se encolheu.
– Eu mal mexi os lábios Dô. – legal. Agora minha audição também está a mil por hora.
– Vocês estão mudando. Alguma coisa está fazendo seus genes se alterarem. – tio Scott comentou e meu peito se apertou. Vampiros?
– O que pode causar isso, Scott? – de repente um estalo em minha cabeça me fez erguer os olhos, assim como Gabi.
– Nossa família. – todos nos encararam.
– Por que acham isso? – mamãe perguntou confusa.
– Os pesadelos. São sempre com a nossa família. Rostos novos, que não conhecemos mas que nos sentimos obrigados... – ela parou. — A defendê-los. – então era por isso? Meu pai e tio Scott trocaram um olhar significativo e depois suspiraram.
– Parece que os laços de nossas famílias são indiscutivelmente fortes. – isso não me surpreendeu, mas outra coisa me fez tremer.
– Esses pesadelos, os meus descontroles, os poderes de Gabi evoluindo... É um mecanismo de defesa. Estamos ficando mais fortes para podermos defendê-los.
– Eles estão em perigo, pai – Gabi gemeu encolhendo-se e por incrível que pareça ninguém pareceu surpreso.
– Vocês também sentiram não é? – perguntei, sem ânimo.
– Sim. – minha mãe falou, sem emoção. Que ótimo. As coisas estavam ficando cada vez melhores. Suspirei pesadamente e me levantei, indo de encontro á Gabi. — O que vamos fazer? – ela aninhou-se em meus braços.
– São nossos primos, nossa família. Precisamos saber o que está acontecendo. Precisamos ajuda-los. – tia Leah arfou. Tenho certeza de que eles tentariam nos persuadir a deixar essa ideia de lado, deixar para lá. Mas uma coisa estava bem clara nesse momento: nossos poderes estão crescendo, nós estamos mudando e contrariando todos os estudos e suposições feitas por nossa família: isso está acontecendo sem haver nenhum vampiro ou ser que represente perigo, perto de nós. Estamos mudando por que nossa família precisa de nós e como é que podemos ficar aqui? Parados, sem fazer nada?
– Nós temos que ir até eles, pai. Não podemos abandoná-los.
– Douglas, Gabi as coisas não são assim tão fáceis... – ele me encarou por um minuto e vi toda a angustia em seu olhar – Nem sabemos se vocês realmente vão ser... Normais, de certa forma.
– Não vamos saber se não tentarmos.
– Dô, entenda que vocês ainda não estão em condições de... – pela primeira vez, em muito tempo, levantei minha voz para a pessoa que mais amo no mundo: meu pai.
– Essa. É. Uma. Escolha. Nossa – ele me encarou com o olhar magoado e eu me matei mentalmente por ter feito aquilo.
– Ok crianças. Vamos ligar para Carlisle e ver se realmente existe algum perigo – minha mãe tentou soar descontraída, mas todos tínhamos certeza de que aquela ligação não era para saber de nada e sim avisar que estávamos indo, pois HAVIA SIM perigo. Todos saíram do quarto, apenas eu e Gabi ficamos ali.
– O que você acha que está acontecendo? – eu dei de ombros a sua pergunta.
– Não sei, só sei que não é nada bom.
– É. – ela ficou em silencio e então meu estomago roncou, um pequeno sorriso se fez em seu rosto.
– Alguém está com fome. – e do nada uma bandeja com um café da manhã completo se materializou em minha frente.
– Seu dom evoluiu muito, nem precisa mais fazer esforço. – ela sorriu
– O seu também evoluiu que eu sei – sorri em resposta e toquei em um copo de vidro que automaticamente transformou-se em ouro maciço.
– Uau. Você é uma verdadeira fonte de tesouro hein priminho? Pode transformar em qualquer material?
– Posso transformar em pedra, cristal, diamante, ouro, prata, areia... Qualquer coisa. – seus olhos brilharam de empolgação e uma ruguinha surgiu em sua testa. — Será que é assim com humanos ou imortais, também?
– Não sei, nunca testei. Seria útil. – ela se encolheu
– Não quero uma guerra, mas se tivermos de lutar é isso que vamos fazer, não é? – segurei sua mão com firmeza.
– Sim, é o que iremos fazer priminha. Juntos, não importa o que aconteça.
–Juntos. Gabi Nós ficamos ali até que mamãe subiu e sentou-se ao nosso lado.
– Tem certeza de que querem mesmo fazer isso? – seus olhos estavam angustiados, retorcidos de dor.
– Temos — afirmamos com convicção e ela assentiu como se não esperasse outra resposta.
– Bem, então acho melhor arrumarem as coisas. Alex e Scott foram providenciar as passagens – ela levantou-se e seguiu em direção á porta.
– Porque meu pai apenas não nos teletransporta até lá tia? – eu sabia a resposta para a pergunta de Dô.
– Todos precisamos de um tempo para assimilar a idéia Douglas, não se apresse meu anjo. – ela saiu do quarto sem nos responder uma coisa.
– Vamos, ainda falta algo – puxei Dô pelo braço.
– Mãe o que exatamente está acontecendo? – ela se encolheu.
– Os Volturi encontraram um novo pretexto para condenar nossa família e dessa vez tem alguém com muito poder ao lado deles.
– Quem? – eu não tinha certeza de que queria ouvir a resposta, mas mesmo assim perguntei.
– Alguém que não sabemos quem é, mas nutre um grande ódio de nossa família. Não eram precisas mais palavras. Novamente alguém tinha algo contra nossa família e já queria tirá-la de nós antes mesmo de que possamos conhecê-la.
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