Between Love And Hate

4 Can You Show Me To The Party?


Notas iniciais
Os reviews lindos que eu recebi me animaram e resolvi postar hoje mesmo, haha.
Boa leitura

Axl’s POV

Após alguns minutos esperando na sala, Taylor desceu as escadas vestindo uma camiseta branca com a escrita “New York City”, a qual era comprida o suficiente para não sabermos se ela estava usando um short por baixo, cinta-liga e meias com desenhos na vertical, salto alto e jaqueta de couro. Seus cabelos estavam soltos e seus lábios vermelho sangue, o que fez sua boca ficar muito convidativa. Ela sorriu angelicalmente – coisa que não combinava com ela, e aquilo foi assustadoramente sexy.

– Onde querem ir, rapazes? – Ela perguntou quando já estávamos em seu carro.

– Onde você nos levar. – Duff respondeu por todos.

– Ótimo. – Ela deu partida no carro, e ligou o rádio, no qual tocava Dirty Deeds, do AC/DC. Aumentou o volume.

Depois que saímos da parte mais movimentada da cidade, entrando no subúrbio, a garota começou a dirigir como uma fugitiva da polícia.

– Eu não quero morrer. – Steven choramingou.

– Cala a boca, baitola. – Xinguei, apesar de estar com uma pontinha de medo. Mulheres não são muito confiáveis no volante, e digo isso por experiência própria.

– Mas que merda, já disse para não me chamar assim, sem Mr. Brownstone pra você! – Ele cruzou os braços como uma criança.
Grande merda, eu podia conseguir heroína sozinho.

Mais alguns minutos de terror, e a loira estacionou na frente de uma casa branca com janelas amarelas.

– Daqui vamos a pé, suckers. – Ela falou desligando o carro e puxando o feio de mão.

– Por quê? – Jack se pronunciou.

– Porque outra pessoa vai nos acompanhar,e se fôssemos de carro ela teria que sentar no colo de algum de vocês, e a única pessoa que pode fazer sexo no meu carro sou eu. – Ela piscou para ele e desceu. Bufei, e todos saímos do veículo.

Fomos até a entrada da residência, e Taylor bateu na madeira branca da porta. Após ouvirmos passos se aproximando, uma loira gostosa abriu a porta, vestindo um roupão lilás. Ela viu Taylor e arregalou os olhos.

– TAYLOR! – Puxou-a para um abraço. – Meu Deus, que saudades! Olha só para você... – Segurou-a pelos braços, a analisando. – Está tão...Loira. – Fez careta. – Como você está? Quando voltou? Onde está morando? O que faz aqui? – A loira falava sem parar, dava até medo.

– Ok, Susan, pode respirar agora. – Taylor interrompeu. – E respondendo suas perguntas: estou ótima, voltei fazem dois dias, estou morando com Ben, Mark e Jamie num bairro legal aqui em L.A.

– Hmm. E esses bonitões? Não me diga que os trouxe para uma orgia aqui em casa. – Ela olhou maliciosamente para nós, especialmente para Duff, que correspondeu da mesma forma.

– Não desta vez. Vim por outro motivo.

– Que seria... ?

– Can you show me to the party? – As duas trocaram um sorriso sapeca.

– Já volto. – Susan fechou a porta.

– Okay, não entendi porra nenhuma. – Falei.

– Nós vamos á uma festa, Rose. – Taylor respondeu cruzando os braços.

Caralho, ouvir ela falando meu sobrenome naquele tom sarcástico e esnobe era realmente excitante.
Acho que ela percebeu a luxúria em meu olhar, e sorriu levemente.

– Algum problema, Rose? – Ela perguntou, enfatizando a última palavra, com seus olhos passando pelo meu corpo. Deu uma bela encarada para o meio de minhas pernas, e meus braços á mostra. Mordeu o lábio.

– De jeito nenhum. – Dei um sorriso sacana. Ela passou a encarar a porta.

– Sinto a tensão sexual no ar. – Steven sibilou.

– Tensão é apelido. – Duff comentou.

– Pelo jeito tensão é a única coisa que tem de sexual por aqui. – Momsen disse, e me lançou mais um olhar. Dei uma risada de leve. Ela estava totalmente tentando me provocar. Confesso que se continuasse dessa maneira, iria conseguir, e provavelmente me deixar maluco. Mas eu a faria ceder, mais cedo ou mais tarde.

Alguns instantes depois, Susan saiu de sua casa vestindo um short jeans de cintura alta extremamente justo, uma blusa preta de mangas compridas colada ao corpo e botas pretas.

Duff assoviou discretamente.

Começamos a caminhar pela rua.
Jack caminhava na frente, com aquele ar superior, idiota. Steven e Duff caminhavam quase ao seu lado, conversando sobre algo que com certeza não me interessava, eu estava atrás deles, e as duas loiras um pouco atrás de mim.

Susan não calava a boca, e Taylor mantinha silêncio.

– Não tive notícias suas desde a morte da Angel. – Comecei á prestar atenção. – Ah, me desculpa, você não gosta de falar sobre isso, não é? – Taylor suspirou.

– Quem é Angel? – Perguntei, diminuindo o passo, até ficar entre as duas.

– Era uma amiga nossa. – Susan respondeu medindo a expressão de Taylor.

– Como ela morreu? – Fiquei curioso. Queria saber coisas sobre minha vizinha.

– O que isso te interessa, Axl? – Perguntou ela, irritada.

– Só curiosidade. – Dei de ombros.

Taylor bufou, e começou a caminhar mais rápido, juntando-se aos que estavam mais á frente.

– Ela levou um tiro na cabeça. – Susan falou. – As duas era bem próximas. Angel era uma menina muito religiosa, e passou muita fé para Taylor, a fortaleceu. Mas seu pai a obrigou a se prostituir. Taylor deu muito apoio á ela, soube que até fez programas no lugar dela quando um cliente á espancou e ela não pôde trabalhar. – Suspirou contando a história. – Mas ela se envolveu com drogas, e um traficante a matou. Taylor viu tudo.

Cruzei os braços, pensativo. Talvez Taylor tivesse motivos para ser do jeito que era.

Por algum estranho motivo, tive vontade de confortar minha vizinha. Devia ser pena, não sei.

– Estamos chegando. – Susan avisou.

Chegamos em frente á única casa daquela rua deserta. Podia-se ouvir um som alto vindo de lá.

Entramos facilmente assim que Susan falou com um cara grande e tatuado que estava perante a porta de entrada.

Lá dentro estava cheio. Haviam luzes verdes e vermelhas piscando freneticamente. Era uma sala bem grande, haviam cerca de setenta pessoas ali, todas de diferentes estilos. Muitos punks, góticos, rockeiros, e algumas pessoas apenas vestidas socialmente. Havia alguns sofás ou poltronas, onde pessoas se agarravam, ou simplesmente descansavam. Alguns drogados cheirado ou injetando nos cantos, e o resto dançando ao som de Fits Like a Glove, do Kiss.

Começamos a nos animar. Duff sumiu com Susan, Jack se misturou á multidão, e Steven olhava em volta, provavelmente em busca de alguém para comer. Já Taylor aceitou a bebida que um cara com um moicano verde enorme a ofereceu. Depois de alguns goles ela tirou a jaqueta, jogando-a numa poltrona a qual tinha duas garotas se beijando, e se juntou á massa de pessoas que dançavam.

Ela parecia se sentir bem ali, no meio de tanta gente, apenas se deixando levar pela batida. Movia seus pés e quadris no ritmo da música, com a cabeça prendida para trás, olhos fechados e um pequeno sorriso nos lábios. Sorri ao ver a cena.
Mal percebi que agora ela me encarava. Deu um sorriso malicioso, e virou-se, e segurando os cabelos, desceu até o chão, e subiu lentamente. Se virou novamente, estava de novo com os olhos fechados, e quando os abriu, eles olharam diretamente para mim. Passou a língua pelos lábios vermelhos e começou a mexer-se mais devagar.

Não pude controlar meus impulsos, e caminhei em direção á garota que estava mexendo com meus instintos. Porém, no caminho, algum filho da puta esbarrou em mim, fazendo com que Taylor saísse do meu campo de visão. Só não soquei ele porque estava determinado á caminhar até aquela garota, carregá-la até um quarto e possuí-la. Mas ela já não estava mais lá. Bufei.

Parti irritado atrás de uma bebida e sexo.

Taylor’s POV

Me escorei na parede e ri.
Axl parecia um tanto perturbado enquanto caminhava em minha direção. Eu sabia o que ele pretendia, e ainda bem que aquele cara esquisito esbarrou nele, dando-me uma chance de fugir, pois sabia que se ele seguisse adiante eu não me controlaria.

Ri de novo. Provocar ele seria mais engraçada do que eu esperava.

Peguei mais uma bebida do cara que as distribuía.

– Vai devagar, gata. Estão batizadas com ecstasy. – Ele avisou piscando.

Perfeito.
Acabei com o líquido contido dentro do copo em um gole só, e arranjei outro.

Em poucos minutos eu já estava voando, ao som de The Runaways.

Misturada á multidão, eu dançava, cambaleante, deixando-me sentir o compasso da bateria e o poder da guitarra.

Me senti em outro mundo. No meu mundo particular: sem realmente sentir alguma coisa, me permitindo, com uma sensação de leveza. Era praticamente um longo e intenso orgasmo, só que com um tipo diferente de prazer. E o melhor: eu estava em meio á várias pessoas que sentiam a mesma coisa. Naquele momento, ali, eu não estava sozinha.

Extravasei-me. Pude me libertar de todo aquele peso nas minhas costas, todos os sentimentos que tiravam-me o fôlego e me perturbavam o coração e mente.

Estava livre.

Duff’s POV

Soltei um último gemido de prazer, antes de tombar na cama, ao lado de Susan.

– Uau. – Ela disse ofegante, e me lançou um sorriso encantador. Ela era linda.

– Quero fazer isso mais vezes. – Eu falei, impulsivamente.

– Espere mais um pouco, ainda estou me recuperando.

– Não estou me referindo ao presente. – Eu estava com medo das minhas palavras. Elas saíram naturalmente, num ato impensado. Nunca me imaginei dizendo tal coisa para uma mulher.

– Como assim? Quer tipo...Uma companheira de fodas? – Ela riu da expressão.

– É... Mais ou menos isso. – Dei de ombros, sem tirar os olhos dela.

Eu me sentia...Hipnotizado. Não sei explicar, só sei que não queria tirar os olhos dela, muito menos me afastar.

– O que você fez comigo? – Pensei em voz alta, acariciando seu rosto.

Ela respondeu-me com um beijo molhado.

Axl’s POV

Voltei animado para a sala onde todos dançavam. Havia conversado por algum tempo com Stephanie, uma linda morena de olhos verdes. Ela era muito simpática e gostosa. Obviamente nós transamos, e ela me deu o seu telefone.
Mas eu não tinha certeza se realmente a ligaria, já que enquanto eu estava em êxtase dentro dela, pensava em minha vizinha que havia se insinuado para mim.

Tomei algumas bebidas, e ao analisar o local, vi Taylor, que dançava, ria e bebia. Ela parecia ainda mais feliz. Seus cabelos estavam bagunçados, alguns fios grudados em seu rosto por causa do suor que emanava de sua pele que estava levemente avermelhada. Reparei um chupão em seu pescoço. Não me senti confortável com o pensamento de algum cara chupando-a. Sua meia esquerda estava rasgada na área do joelho e seu batom estava borrado.

Acredite ou não, ela estava ainda mais sexy, selvagem.

Desviei os olhos da garota, e vi Steven beijando uma garota que parecia uma gigante perto dele, enquanto a prensava na parede.

Nem sinal de Duff, devia estar se esbaldando com Susan.

E o panaca do Jack, acabara de adentrar a sala, e ao ver Taylor, foi em direção á ela. Ao se aproximar da loira que estava de costas para ele, pôs a mão em sua cintura, e sussurrou algo em seu ouvido. Ela riu, e ele pegou sua mão, puxando-a para outro cômodo da enorme e rústica casa.

O ódio ferveu em minhas veias, e eu os segui com passos firmes e apressados. Ele a encostava na parede, beijando seu rosto. Ela estava sem reação. Aquilo me deu ainda mais raiva.

– Solta ela, Jack. – Eu disse, autoritário e bravo. Ele me olhou surpreso. Seus olhos estavam vermelhos e ele estava visivelmente chapado. E pior era que Taylor estava ainda mais, e ele queria aproveitar-se do estado dela.

– Ah, Rose...Pelo jeito eu escolhi bem a garota. Você está com ciúmes. – Ele deu aquele sorriso debochado e cínico.

– Cala a boca, olha o estado dela! – Apontei para Taylor, que escorada na parede, havia deslizado até o chão e tinha o olhar perdido.

– Foda-se o estado dela! Eu quero transar e aposto que ela também! – Ele falou mais alto.

Eu não disse nada, apenas o empurrei para o lado, fazendo com que se chocasse contra a parede. Ele então saiu cambaleando, e eu fui até a garota, abaixando-me em sua frente.

– Jack é um idiota. – Ela riu e me olhou. – E você também, Rose. – Soltou uma risada gostosa, e fechou os olhos.

– Você está bem? – Perguntei analisando-a. Parecia que ela desmaiaria a qualquer momento.

– Não, preciso de mais ecstasy. – Me olhou novamente, então percebi o quão próximos nossos rostos estavam. Ela parecia um pouco desesperada enquanto pedia pela droga, mas eu estava concentrado demais nos seus olhos para me preocupar com isso.

Eu nunca havia visto algo tão azul na minha vida quanto os olhos daquela garota.

– Rose! – Ela tentou estapear meu braço, me chamando a atenção.

– Porquê quer mais? – Perguntei saindo do “transe”.

– Porque eu estou me culpando novamente. – Ouvi uma ponta de dor na sua voz. Ela desviou o olhar.

– Culpando pelo quê? – Virei seu rosto pelo queixo, fazendo com que ela voltasse a me olhar nos olhos.

Ela suspirou. Sua respiração começou a ficar pesada e eu pensei que ela fosse começar a chorar.

– Pela vida que eu tenho. – Ela respondeu baixinho.

Taylor’s POV

MERDA!

Por quê eu falei aquilo para Axl? Por quê eu estava louca para desabafar, chorar e tirar aquele peso das costas? Por quê com ele?

Eu permanecia imóvel, mas internamente eu estava gritando de raiva e dor.

– Como assim? – Ele questionou, transbordando de curiosidade.

– Vá embora! – Grunhi sem forças, e tentei empurrá-lo, mas meu corpo estava mole.
Não era pra menos, eu havia ingerido uma grande quantidade de álcool, baseados, calmantes e ecstasy.

Fora maravilhoso quando eu estava no auge dos efeitos, mas agora, só me restava a zonzeira, moleza, dor no tornozelo torcido e os sentimentos ruins que estavam marcando presença em minha consciência pouco a pouco.

– Deixe de ser chata! – Ele reclamou. – Vou te ajudar, mas não vá se acostumando. – Deu um pequeno sorriso, e me pegou no colo.

Por mais que eu tentasse resistir e fazer com que ele me soltasse, não deu certo. O cara estava me segurando firme, e no momento eu não tinha condições de fazê-lo parar.

Ele subiu as escadas segurando-me fortemente contra seu peito. Sua respiração batia no meu rosto, e eu fechei os olhos, tanto para desfrutar da sensação em paz na minha cabeça, sem ter o perigo de encontrar aqueles olhos verdes intimidadores, quanto para diminuir os efeitos ruins que aquela subida estava causando em meu estômago.

Ele caminhou mais um pouco, e então eu estava deitada sobre algo macio. Minha respiração estava pesada. Aquele contato com Rose havia me deixado estranha.
Abri os olhos, e ele estava de pé, braços cruzados, me encarando.
Tinha uma garrafa de whiskey no criado mudo, a qual eu tentei pegar, mas Axl me impediu.

– Por que está fazendo isso? Para eu te fazer um boquete? Olha , pode esquecer...

– Cala a boca, Momsen. – Ele me impediu de terminar. Bufei.

– Que seja, mas eu preciso me drogar, tá legal? – Falei, e me sentei. O quarto com paredes brancas e móveis claros girou. Me deitei imediatamente. – Merda. – Dei um longo suspiro. – Será que você pode me conseguir alguma coisa? – Perguntei contragosto. Não queria a ajuda dele, mas pelo jeito, eu precisava.

Ele se sentou na beirada da cama.

– Você sabe que os seus amigos não concordam com isso. – Ele me olhou nos olhos, seu semblante parecia...Preocupado?

– E daí? E o que você tem haver com isso? – Me sentei, apoiando-me no colchão pelas mãos, para confrontá-lo. – Aliás, porque você está aqui, Axl? Por que você se importa?

– Porque eu sou assim. É isso o que eu faço, eu me importo com as pessoas. – Ele respondeu depois de um minuto.

Não soube o que falar. Aquela resposta meio que me deixou sem ação, e o meu estado também não ajudava muito.

– Mas eu não quero que você, nem meus amigos, nem ninguém se importe comigo. – Eu disse com a voz mais suavizada.

Continuamos com o olhar preso um ao outro. Seu semblante não demonstrava nada que eu conseguisse identificar, e quando eu percebi que não haveria resposta, me estiquei para pegar a garrafa de Jack Daniel’s no criado mudo.

Rose pareceu desistir – finalmente – e saiu do quarto como se nada tivesse acontecido.

Dei de ombros, e abri a garrafa, tomando o máximo que pude em um gole.