Between Light and Dark - Pride
14 John Shellwave
Notas iniciais
Os romanos acabaram tomando café da manhã com os quatro gregos.
– Campistas, hoje vocês estão liberados de suas atividades... — anunciou Percy.
O refeitório inteiro comemorou.
– … para nos ajudar a reconhecer os corpos e fazer duas pilhas: uma com os corpos romanos e outra, com os gregos. Podem começar agora. — completou Percy depois de um momento com um sorriso de satisfação no rosto.
O refeitório parou de comemorar e os campistas logo começaram a se retirar para fazer a tarefa resmungando.
– Mas antes que vão — disse Percy — quero anunciar que seis semideuses foram selecionados para fazer uma missão.
Todos se silenciaram.
– O que foi? Parece que viram um fantasma… — estranhou ele — Enfim, só que nessa missão, abriremos uma exceção. Os dois romanos, Nero e Henry, serão dois dos seis.
O caos se instalou no refeitório. Todos queriam ir para uma missão, ainda mais depois do que aconteceu no dia anterior. Além disso, estavam todos revoltados por mandarem dois romanos para uma missão do Acampamento Meio-Sangue.
– SILÊÊÊÊÊÊÊNCIO! — gritou Quíron que estava ao lado de Percy — Eles irão pois o Oráculo determinou e não quero saber de reclamações. Continue, Percy.
Percy esperou um instante para recomeçar a falar.
– Certo. Espero que não arrumem outra confusão, mas outros dois dos seis que irão são John e Sophie.
John sentiu que seria esmagado por uma multidão de semideuses raivosos e revoltados. Podia-se ouvir gritos de frases como: “isso é injusto” ou “eles mal chegaram”. John sentiu que esse não era um jeito bom de se começar.
– Pessoal, se vocês acham que a escolha é minha, estão completamente enganados — todos pararam para ouvir Percy.
– A escolha não foi dele, foi minha — disse Rachel Elizabeth Dare, o oráculo, que vinha por detrás de Percy.
Agora, a rebelião se concentrou em Rachel. Percy pareceu se irritar a níveis extremos.
– OK, CHEGA! — gritou ele. — OUÇAM A RACHEL E PAREM DE RECLAMAR!
Ninguém ousou se opor a Percy e o silêncio se instaurou.
– Tudo bem — começou Rachel — Vou falar os nomes de quem vai na missão.
A tensão que se instalou no pavilhão era palpável.
– John Shellwave, Sophie Highwind, Nero Shadowing, Henry Sunrise, Lauren Heronwood e Thomas Blackheart E — disse ela antes que todos pudessem falar algo — os escolhi porque tive uma visão de uma profecia que se concretizará em breve. Eles seis estavam na visão.
O refeitório permaneceu em silêncio depois daquela revelação. John viu que Lauren possuía um brilho estranho no olhar.
– Certo — disse Percy, quebrando o silêncio — O seis semideuses mencionados aqui devem arrumar suas mochilas para a missão e nos encontrar na Casa Grande em, no máximo, uma hora. Os outros estão dispensados para realizarem suas tarefas.
***
– Ei, como devo arrumar minha mochila? — perguntou John à Lauren após chegarem no chalé.
Ela hesitou.
– Ah, coloque só o que for necessário. Se não tiver mochila, tem algumas no armário — disse mordendo o lábio.
– O que foi? — John perguntou percebendo que algo estava errado.
– Ah, nada não — ela tentou disfarçar se virando para abrir seu armário.
John a pegou pelo braço e a fez ficar de frente para ele. Lauren mantinha a cabeça baixa e os olhos voltados para o outro canto do chalé. Então, John pegou seu queixo e a forçou a olhar para ele.
– Fala o que foi — exigiu.
Lauren não se sentiu incomodada pois sabia que faria a mesma coisa.
– É que... Eu nunca saí em uma missão antes — admitiu e logo se soltou dele abaixando a cabeça.
John não entendeu o que estava de errado.
– E...?
Ela estava confusa.
– Como assim? "E" o quê?
– Ué, que que tem você nunca ter saído em missão?
– Ah, é que quase todos no acampamento já foram pra pelo menos uma missão, mas o Percy nunca me escolheu pra nenhuma....
Ela parecia meio triste.
– Por quê?
O que era tristeza, logo se transformou em irritação, porém continuou olhando para baixo.
– Não sei, deve ser superproteção do Percy! Aquele idiota! Como se eu precisasse de alguma proteção!
De alguma maneira, ela voltou a ser a Lauren que John conhecera nesses dias.
– Certo. Então é por isso que você estava emocionada quando a Rachel falou seu nome? — disse ele se lembrando dos olhos brilhantes de Lauren no momento em que o oráculo tinha dito seu nome.
Ela levantou a cabeça subitamente. Ela estava... Corando?
– Emocionada?
– Sim. Você parecia estar prestes a deixar algumas lágrimas rolarem.
– O QUÊ? DE ONDE TIROU ISSO? — ela gritou do nada. Geralmente Lauren era pálida, assim como John, mas agora estava da cor de um pimentão.
John começou a rir.
– DO QUE VOCÊ ESTÁ RINDO? NÃO HÁ NADA DE ENGRAÇADO AQUI!
John a puxou para um abraço.
– Certo, certo — ele disse.
Ela surpreendentemente retribuiu o abraço com compaixão.
Então ela lhe deu um puxão na cueca.
– AI! — exclamou ele.
– Vamos lá! Comece a arrumar a mochila antes que eu faça de novo!
– Sim, senhora! — respondeu ele rapidamente se virando para pegar uma mochila no armário. — Qual é a sua?
Havia duas mochilas ali. Cada uma de uma cor. Achando que Lauren ia querer a preta com lilás, pegou a preta com laranja que já parecia meio cheia.
– Essa aí que você pegou — respondeu ela.
– Mas a outra é mais feminina.
– Mas é lilás. Odeio lilás e roxo.
– Mas...
– Sem "mas"! Minhas coisas já estão dentro da laranja.
John abriu a mochila e viu tudo o que é necessário para uma viagem: roupas, roupas íntimas, filtro solar, um saco de dormir, spray inseticida, um cantil de néctar e alguns livros.
– Caraca! — ele exclamou — Você deixou isso pronto desde quando?
– Desde que vocês chegaram aqui. Senti que iria precisar. E eu é que não vou arrumar tudo de novo!
– Mas essa aqui é muito feminina!
– Problema seu!
John odiava esse tipo de resposta pois não sabia como rebatê-la. Então praguejou mentalmente e começou a arrumar suas coisas baseado no jeito que Lauren fez em sua mochila. Ela o ajudou enquanto explicava o porquê do lugar de cada coisa na mala, coisa que John pensou que só garotas precisavam saber, então nem prestou atenção.
– Vamos? — disse ela quando acabaram.
– Sim.
Eles chegaram na Casa Grande junto com Sophie. Assim que entraram na varanda, Percy os recebeu se levantando. Ele estava sentado em uma mesa com Quíron e outro homem um pouco mais velho que vestia uma camisa de oncinha — que ressaltava sua barriga grande -, bermudas e chinelo. Eles estavam jogando cartas.
– Oi, gente — disse ele fingindo estar descontraído, mas seu olhar preocupado o traía.
Lauren também percebeu isso.
– Não é só a missão que te preocupa, não é?
Ele continuou sorrindo.
– Já já conversaremos sobre isso. Venham.
Percy os guiou até a mesa.
– Querem jogar pinochle? — perguntou ele.
O homem que estava se vestindo de uma maneira exótica finalmente percebeu a presença de John, Lauren e Sophie
– Olá, Loren. — ele disse e então olhou para John e Sophie — Peter Johnson, quem são esses?
Loren? Peter Johnson?
– Sr. D! — repreendeu Percy — Esses são John e Sophie, o filho de Poseidon e a semideusa ainda não reclamada que chegaram aqui acompanhados de dois romanos uns dias atrás.
– Ah, ok. — disse ele fingindo interesse e se voltando para o baralho em sua mão. Um trovão ribombou no céu e ele revirou os olhos. — Certo, certo. Sejam bem-vindos ao Acampamento Meio-Sangue, Johan e Soni.
– É John e Sophie — disse John.
– Tanto faz. Sejam bem-vindos.
– Obrigada — disse Sophie.
– Obrigado, senhor... — John ainda não sabia quem ele era.
Percy só se tocou disso naquela hora.
– Ah, desculpe. John e Sophie, esse é o sr. D, o diretor do acampamento.
– Certo. Sr. D... Significa alguma coisa?
O sr. D parou de ajeitar suas cartas e olhou fixamente para John.
– As mesmas perguntas que um tolo me fez há 20 anos atrás — disse ele apenas.
Percy parecia magoado.
– O sr. D irritou o pai dele tempos atrás, sentiu-se atraído por uma ninfa dos bosques que tinha sido declarada inacessível — disse Quíron.
Percy escancarou a boca.
– Sim — confessou sr. D — O pai adora me castigar. Na primeira vez, proibição. Horrível! Dez anos absolutamente terríveis! Na segunda vez... Bem, ela era mesmo linda, não consegui ficar longe... Na segunda vez, ele me mandou para cá. Colina Meio-Sangue. Acampamento de verão para moleques como vocês. "Seja uma influência melhor", ele me disse. "Trabalhe com os jovens em vez de arrasar com eles." Ah! Que injustiça!
– Ei! — exclamou Percy — Isso foi EXATAMENTE o que vocês me disseram quando cheguei aqui.
– Também foi EXATAMENTE a mesma coisa que me disseram! — disse Lauren.
– E vocês acham que vamos reinventar um discurso a cada vez que um semideus iniciante vem aqui? — disse o sr. D. Ele ponderou um pouco antes de continuar — Peter Johnson, as crianças ainda falam "fala sério"?
– Acho que sim — Percy respondeu.
– Então fala sério! Não temos paciência e nem tempo para isso, meninos.
Percy continuou emburrado, mas permaneceu quieto.
– Espere — disse John — Seu pai te colocou aqui? Seu pai é Zeus?
– Eu sabia! — exclamou Sophie — Você é Dionísio, certo?
– Não, não. — zombou o sr. D revirando os olhos — Sou Afrodite, não está vendo?
– A mesma brincadeira... — resmungou Percy.
– De qualquer forma, seus amigos já estão chegando. Vamos nos juntar a Rachel lá dentro. — disse Quíron que moveu a cadeira de rodas.
Ainda era estranho para John o fato de Quíron ser metade humano e metade cavalo branco e que espreme magicamente essa metade cavalo em uma cadeira de rodas normal quando lhe era conveniente. Ele não estava acostumado a isso, afinal.
Os outros três semideuses chegaram e todos se dirigiram à sala da Casa Grande.
John achava a Casa Grande um tanto quanto peculiar. Por fora parecia apenas uma mansão antiga pintada de azul-claro com acabamentos em branco. A varanda que a rodeava possuía espreguiçadeiras e uma mesa de cartas, além de sinos dos ventos.
Porém por dentro, parecia um pouco assustadora. A sala de estar parecia ter sido construída no meio de uma floresta tropical. Parreiras tomavam conta das paredes e do teto. Sofás de couro ladeavam uma lareira de pedra que estava apagada por ser verão. Em um canto, um velho fliperama de PacMan fazia barulhos e piscava. Várias máscaras se encontravam nas paredes — as de sorriso/choro do teatro grego, máscaras venezianas com plumas e narizes pontudos, entre outras. As vinhas se retorciam por suas bocas e pareciam línguas de folhas. Algumas máscaras possuíam cachos de uva saindo pelos olhos.
O que John mais achou estranho foi uma cabeça empalhada de um leopardo no alto da lareira. Parecia muito real e seus olhos pareciam acompanhar os movimentos de Nero e Henry. Até que o bicho rosnou e Nero, Henry, John e Sophie deram um pulo.
– Seymour! — repreendeu Quíron — Nero e Henry são romanos mas são amigos!
– Adoro Seymour por sempre saber quem são os romanos! — disse o sr. D enquanto acariciava o queixo do bicho.
Quíron remexeu no bolso lateral de sua cadeira de rodas e pegou um pacote de salsichas. Jogou uma para o leopardo que a agarrou e lambeu os beiços.
– Foi muita sorte eu tê-lo achado em um brechó de Long Island! Fiquei estarrecido ao ver que alguém fora capaz de empalhar o meu animal sagrado. Por isso lhe devolvi a vida. Ficar preso numa parede é melhor que nada! — gabou-se o deus — E vocês não acham que essa decoração é o máximo? Eu mesmo que fiz.
– Por que será que isso não me surpreende? — disse Nero revirando os olhos.
O bom-humor do sr. D se esvaiu.
– Não zombe de mim, romano! Tem sorte por eu aceitá-lo no Acampamento. Agora se me dão licença, tenho uma reunião com... Bem... Umas garotas.
E nisso o deus se desfez em confete. Quíron suspirou ruidosamente enquanto Percy se dirigia ao canto da sala para pegar uma vassoura para varrer aquilo.
– Enfim, semideuses. — disse Quíron ficando sério — Os chamamos aqui pois temos algumas coisas a contar a vocês. Mas não sou a melhor pessoa a lhes anunciar isso. Percy, traga Rachel aqui, por favor?
– Claro. Ela deve estar na cozinha. — disse Percy que desapareceu por uma porta no outro canto da sala.
– Sentem-se — ofereceu Quíron.
Os seis semideuses sentaram-se nos sofás de couro em frente à lareira e após alguns instantes, Percy reapareceu pela mesma porta trazendo consigo Rachel que carregava... Um balde de pipoca?
– Oi, pessoal — disse ela. Estava usando uma calça surrada e rasgada, uma camiseta vermelha e botas. Todos manchados de tinta.
Ao perceber que os quatro novatos olhavam para suas roupas, ela explicou:
– Adoro pintar desde que tinha a idade de vocês. É mais por hobbie mesmo. Querem pipoca?
Lauren, Thomas e Henry aceitaram pegando, cada um, um punhado dos flocos de amido.
– Rachel, desembuche. — disse Lauren — Por que afinal estamos aqui?
O rosto de Rachel ficou sério. Seus cabelos, ruivos e cacheados, caíam-lhe sobre os ombros e uma mancha de tinta na camiseta ressaltava seus olhos verdes.
– Tudo bem. Como disse anteriormente no refeitório, tive uma visão que envolvia vocês. E não era lá uma visão muito boa.
– Ah tá — ironizou Nero — Achei que a visão fosse sobre nós seis comendo churros em um parque.
Todos o ignoraram.
– Rachel, conte-nos sobre a visão — disse Lauren curiosa.
Após Rachel descrever um cenário de caos e destruição, todos os semideuses ficaram com os olhos arregalados; era a mesma cena do sonho deles. Iriam contar a ela?
– Rachel... — começou Thomas.
– Sim?
– Bem, digamos que... Hm... Todos nós tivemos um sonho exatamente igual à visão que você acabou de relatar.
– Isso é verdade? — perguntou Quíron.
Todos assentiram.
Percy olhou para o centauro.
– É o que imaginávamos — disse.
– Sim — concordou Quíron.
– O que vocês imaginavam? — perguntou Lauren.
– Que vocês não estavam na visão aleatoriamente. Todos aqui foram devidamente escolhidos pelo destino para que cumprissem sua função. — explicou Quíron.
– Gente! — exclamou Rachel de repente — Está chegando!
Rachel dobrou o corpo para frente como se alguém a tivesse socado. Então ela se aprumou e seus olhos brilhavam com um tom verde, de serpente.
Quando ela falou, sua voz soava triplicada, como se três “Rachels” falassem ao mesmo tempo:
Vingadores lutarão por uma causa maldita
Seis semideuses darão uma resposta aflita.
Uma guerra auxiliará a destruição total
E monstros atenderão ao chamado divino afinal.
Com a ultima palavra, ela colocou a mão na cabeça e fechou os olhos com força. Quando os abriu novamente, parecia confusa.
John, assim como todos na sala, estava boquiaberto e com os olhos arregalados.
– Você está bem? — perguntou Sophie.
– Sim, relaxe. Já estou acostumada. — disse Rachel.
Todos pareciam atordoados. Até Quíron.
– Bem — disse Thomas — se isso não é um sinal, eu não sei o que é.
– Realmente. — disse Quíron — Não há dúvidas de que vocês são os seis semideuses da profecia. Mas vingadores? Que guerra? Monstros ajudando deuses? Não estou entendendo...
– Ninguém está, Quíron. — disse Percy — Mas uma coisa que aprendi com o Acampamento Júpiter é que não devemos tentar compreender as profecias antes de serem realizadas. Coisas ruins podem acontecer.
– Pode crer — disse Henry — Eles são muito temerosos em relação a isso.
– Mas Percy, você disse que tinha uma missão para nós. Qual é? — perguntou Lauren.
– Ah sim — disse Percy — Como vocês apareceram nas visões da Rachel e, bem, agora aparentemente aparecem na profecia, achamos melhor já os treinar para formarem uma equipe. Então temos uma missão um pouco arriscada para vocês.
– Qual é essa missão? — perguntou Henry.
– Noite passada, durante o ataque, conseguimos capturar um romano — disse Quíron.
– O quê? Sério? — perguntou Lauren.
– Sim. O torturamos até ele nos contar algumas coisas... Peculiares — respondeu ele.
– Sim — disse Percy — Ele nos disse que realmente houve um ataque grego no Acampamento Júpiter, que aconteceu por volta da mesma hora em que alguns romanos atacaram o Acampamento Meio-Sangue. Achamos isso bem estranho e ele ainda por cima nos relatou que havia cerca de 30 gregos no grupo. Como estávamos ainda com o tratado de paz, os romanos abriram os portões naturalmente, então os gregos atacaram. E agora percebemos que realmente muitos semideuses fazem falta aqui.
– Então queremos que vocês seis investiguem onde estão esses 30 campistas. Temos de saber o que aconteceu. Vocês terão de percorrer o caminho entre a Colina Meio-Sangue e Nova Roma procurando por diversos vestígios de semideuses: roupas, armaduras, armas, o que for. Toda noite vocês terão de nós enviar um relatório completo de como foi a busca.
Rachel, que já havia acabado com o balde de pipoca, tirou um pequeno saco de veludo verde do bolso. Lauren o pegou e parecia que havia diversas moedas dentro dele.
– Aqui estão alguns dracmas para o contato e dinheiro mortal para sobreviverem — disse Rachel.
– Certo. Acho que todos aqui entenderam — disse John- Certo, pessoal?
Todos assentiram.
– Fico feliz em saber que posso contar com vocês, crianças — disse Quíron
– Melhor nos apressarmos — disse Percy — Quanto antes vocês começarem, melhor.
– Sim. Vamos, crianças. Me acompanhem — disse Quíron.
Todos se levantaram e começaram a sair, menos Lauren.
– Vão na frente — disse ela — Quero falar com Percy.
John e Thomas estancaram no lugar enquanto os outros saíam. Lauren fez uma careta, mas os ignorou.
– Também queria falar com você — Percy declarou.
– Ok. Eu começo — disse Lauren. Ela olhou para o irmão com um olhar desafiador — Então dessa vez você não teve escolha em me mandar em uma missão, hein?
Percy ficou muito sem graça.
– Não sei do que está falando.
– Não sabe? Ah, qual é Percy! Eu sei que você nunca quis me mandar para uma missão! Só não entendo o porquê — mentiu ela.
Percy fechou os olhos e respirou fundo.
– Certo. Lauren, por favor entenda. Já perdi muitos amigos na vida. Zöe, Bianca, Charles, Luke, Michael, Frank... Até meu meio-irmão Tyson... — a voz de Percy falhou e uma lágrima escorreu pelo seu olho direito. Quando abriu os olhos, eles estavam vermelhos. — E agora também perdi Lian e Leith. Não quero te perder também.
Lauren correu até Percy e o abraçou. Ela estava chorando?
– Ok, tudo bem — disse ela.
Quando eles se separaram, Thomas estendeu a mão para Percy, que a apertou, e disse:
– Pode deixar que cuido dela, Percy.
Percy assentiu.
– Sei que posso confiar em você.
Ei! Estavam esquecendo de John?
– Pode contar comigo também, senhor.
Percy fez uma careta.
– Não me chame de senhor — ele disse e suavizou a expressão — Também sei que posso contar com você, John Shellwave, irmão — ele olhou para a janela — Melhor vocês irem. Os outros estão nos esperando no topo da colina.
Quando chegaram lá, Quíron repassou as instruções enquanto todos verificavam se faltava algo em suas mochilas. Ao fim disso, todos se despediram de Quíron, Percy e Rachel, o que não demorou muito.
– Tomem muito cuidado nessa missão. Parece que, de alguma forma, há mais monstros atacando os semideuses do que o normal. Fiquem alerta o tempo todo — recomendou Quíron.
Peleu, o dragão que protege o Acampamento, dormia enroscado no pinheiro do topo da colina. Suas escamas cor de cobre reluziam enquanto respirava profundamente.
Enquanto desciam a colina, John reparou que a beleza natural daquele lugar era exuberante. As árvores dali faziam sombra em praticamente toda a colina. Seus galhos balançavam conforme a agradável brisa soprava e pássaros cantavam em algumas delas. O céu estava azul, com poucas nuvens. Aquela pequena floresta cheirava vida.
– E aí, gente, estão animados? — perguntou Henry.
– Super! — respondeu Sophie.
– Nem tanto- disse Nero — Já fiz missões mais perigosas.
– Nero — chamou Lauren.
– Oi.
– Shiu.
Nero pareceu ficar zangado, mas calou-se.
– Eu estou animado — respondeu John — E você, Thomas?
– Também — respondeu ele.
– Certo! — comemorou Henry — E sinceramente acho que Quíron estava exagerando quando disse que os monstros estão atacando mais semideuses do que o normal. Já passamos uns 100 metros do pé da colina e não tem nenhum!
Infelizmente a predição de Henry não durou muito tempo. Cinco metros mais pra frente, dois enormes cães infernais pularam na frente dos semideuses.
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