Between Life and Death

9 Capítulo 08 - Lake Manitoc, Wisconsin


No dia seguinte Sam já havia escolhido o próximo destino.

A estrada que levava para Lake Manitoc, em Wisconsin, era tranquila. O silêncio no Impala era quebrado apenas pelo ronco do motor e o som baixo da rádio, tocando uma música antiga que combinava com o humor melancólico do trio.

Katherine olhava pela janela, observando as paisagens passarem, enquanto Sam estava no banco de trás, mergulhado em seus pensamentos, e Dean, como sempre, dirigia, mantendo o olhar fixo na estrada.

Katherine sabia que a morte de Jessica ainda pesava sobre Sam. A perda recente e brutal de sua namorada o havia deixado em um estado de luto e raiva reprimida que ele não sabia como processar.

E, embora Sam fosse naturalmente reservado com suas emoções, era impossível não notar como ele havia mudado desde o incidente.

O caso que os trouxe até ali era simples à primeira vista: uma série de afogamentos misteriosos em um lago que não devia ter nenhuma corrente perigosa. Mas algo mais profundo estava à espreita, e todos sabiam que, quando se tratava de casos assim, o sobrenatural estava quase sempre envolvido.

Dean, quebrando o silêncio, olhou rapidamente para Katherine.

— Tudo certo aí atrás, Sammy? — perguntou ele, com a tentativa de sua voz soar casual, embora soubesse exatamente o que se passava na mente do irmão.

Sam, que estava com os braços cruzados e a testa franzida, apenas resmungou uma resposta.

— Tô bem.

Katherine lançou um olhar para Dean, que simplesmente deu de ombros, sem saber o que mais fazer. Ela sabia que Dean tentava ajudar da maneira que podia, mas Sam era fechado demais quando se tratava de expressar seu luto.

— Vai ficar tudo bem, Sam — disse ela suavemente, virando-se para ele. — Não tem nada de errado em ainda estar abalado.

Sam levantou o olhar para ela, seus olhos castanhos carregados de tristeza e raiva. Ele abriu a boca para responder, mas hesitou.

— Eu só… Não sei como lidar com isso, sabe? — Ele finalmente soltou, com a voz falha. — Tudo o que aconteceu com a Jess… Eu deveria ter sido capaz de protegê-la. Eu falhei com ela.

O peso da culpa em sua voz era palpável, e o coração de Katherine se apertou. Ela entendia aquele sentimento. Já havia vivido o mesmo inúmeras vezes.

— Não foi culpa sua, Sam — respondeu Katherine, com uma calma que contrastava com a dor que ela própria já havia sentido antes. — Aconteceu algo terrível, algo que estava além do seu controle. E, às vezes, a coisa mais difícil de aceitar é que nem sempre podemos salvar as pessoas que amamos.

Sam abaixou a cabeça, inquieto.

— Eu só… preciso colocar minha atenção em outro lugar — Sam falou, voltando seu olhar para a janela.

Dean olhou pelo retrovisor, mas preferiu se manter em silêncio. Ele sabia que, nesse momento, Katherine era a melhor pessoa para lidar com Sam. Ela sempre conseguia ver através da dor dos outros, talvez porque ela mesma tivesse enfrentado tantas perdas.


Lake Manitoc parecia calmo quando chegaram. As águas estavam tranquilas, refletindo o céu nublado acima, e a pequena cidade que cercava o lago dava a impressão de ser um lugar pacífico, onde tragédias como as que estavam investigando não deveriam acontecer.

Dean estacionou o Impala perto do píer, onde algumas fitas da polícia delimitavam a área de um dos afogamentos mais recentes. Eles saíram do carro e começaram a se aproximar da cena.

— Três afogamentos em menos de duas semanas, todos jovens, todos saudáveis, e nenhum sinal de luta ou ferimentos — explicou Dean enquanto caminhavam. — A polícia está confusa. Não há explicação natural.

Sam assentiu, ainda parecendo distraído, mas tentando focar no caso.

— Isso definitivamente tem o cheiro de algo sobrenatural — ele comentou, enquanto observava o lago à frente.

Katherine estava à frente, seus olhos fixos na água, sentindo algo estranho. Havia uma sensação no ar, algo pesado e sombrio, como uma presença invisível que observava de longe.

— Sentem isso? — ela perguntou, sua voz baixa.

Dean e Sam trocaram olhares. Eles não sentiam exatamente o que ela sentia, mas estavam acostumados a confiar nos instintos sobrenaturais de Katherine.

— O que você acha que é? — perguntou Sam, olhando para o lago.

Katherine suspirou.

— Não tenho certeza ainda. Mas a água... está diferente. Algo está mexendo com ela, como se tivesse uma presença aqui, esperando.

Dean bufou, mas não com desdém. Era mais a maneira dele de processar o perigo iminente.

— Ótimo. Um espírito vingativo ou coisa pior — ele disse, sacudindo a cabeça. — Melhor conversarmos com os locais e ver o que eles sabem.

Eles se dirigiram à delegacia local, onde foram recebidos pelo xerife Jake Devins, um homem de meia-idade, com expressão cansada e olhos cheios de preocupação. Os três estavam com seus melhores disfarces como agentes do FBI.

— Estamos lidando com uma situação complicada — começou o xerife, cruzando os braços. — Nunca tivemos algo assim aqui. Pessoas simplesmente se afogando em um lago tranquilo? Não faz sentido. E o pior é que não sabemos o que dizer às famílias.

Katherine se aproximou, tentando tranquilizar o xerife.

— Nós entendemos, xerife Devins. Já lidamos com casos estranhos antes. Por isso estamos aqui, para ajudar a encontrar respostas.

Dean acenou com a cabeça, exibindo seu sorriso de "agente do FBI" enquanto exibia suas credenciais falsas.

— Vamos precisar ver o local dos afogamentos mais de perto — acrescentou Dean. — E falar com os familiares das vítimas. Qualquer coisa fora do comum que eles possam ter notado pode nos ajudar.

O xerife concordou, ainda relutante, mas sem opções. Ele sabia que estava perdendo o controle da situação.

— Tem uma das famílias que mora aqui perto — disse ele. — A irmã de uma das vítimas, Will Carlton, está muito abalada, mas talvez ela possa ajudá-los.

Eles chegaram à casa dos Carlton, uma pequena residência à beira do lago. A jovem Andrea Carlton, irmã de Will, os recebeu com olhos vermelhos de choro e o olhar distante de quem estava lidando com uma dor insuportável.

Katherine foi a primeira a falar, sentindo o peso da perda de Andrea. Sabia que, de todos ali, Sam também carregava uma dor semelhante.

— Sinto muito pela sua perda, Andrea — começou Katherine, com uma voz suave. — Estamos aqui para entender o que aconteceu e talvez impedir que isso aconteça com mais alguém.

Andrea deu um pequeno aceno, limpando as lágrimas rapidamente.

— Obrigada. Eu... só quero saber por que isso aconteceu com o Will. Ele era um bom nadador, não deveria ter acontecido com ele — disse ela, sua voz falhando no final.

Sam, sempre sensível às emoções dos outros, deu um passo à frente.

— Você notou algo estranho antes de tudo isso? Algum comportamento incomum, ou talvez algo no lago?

Andrea hesitou, olhando para a água através da janela.

— Eu... Eu não sei. Têm histórias antigas sobre o lago, sobre ele ser... amaldiçoado. Mas sempre achei que fossem só lendas.

Dean franziu o cenho.

— Que tipo de lendas?

Andrea respirou fundo, parecendo incerta.

— Dizem que há algo no lago, algo antigo. Que ele atrai as pessoas para a água. Algumas pessoas daqui acreditam que seja um espírito, ou uma criatura... mas ninguém leva isso muito a sério.

Katherine trocou um olhar com Dean e Sam. A ideia de uma entidade que atraía suas vítimas para o lago fazia sentido. Um espírito de vingança poderia ser o culpado.

— Se houver algo de verdade nessas histórias, então precisamos descobrir a origem disso — disse Katherine. — Pode haver um padrão nos afogamentos, uma conexão entre as vítimas que pode nos dar pistas.

Andrea assentiu.

— Vou ajudá-los no que puder.

Sam observava Andrea com empatia, e Katherine notou como ele se identificava com a dor da jovem. Ambos haviam perdido alguém recentemente e estavam tentando lidar com o vazio deixado pela tragédia. Quando saíram da casa, Sam estava quieto novamente, perdido em seus pensamentos.

Katherine, que caminhava ao lado dele, decidiu falar.

— Sam, não é sua culpa o que aconteceu com a Jessica. E não é culpa de Andrea o que aconteceu com o irmão dela. Às vezes, coisas ruins acontecem com pessoas boas, e não podemos evitar.

Sam parou de andar e olhou para Katherine, seu rosto sombrio.

— Eu sei que você está certa. Mas é difícil aceitar. Eu só... Sinto como se tivesse falhado com ela.

Katherine suspirou, sentindo a dor de Sam de maneira quase física.

— Sam, eu entendo o que você está sentindo mais do que imagina. Acredite, já perdi pessoas que amava e, por mais que a dor nunca desapareça completamente, você precisa seguir em frente. E fazer o que é certo agora.

Sam assentiu lentamente.

— Talvez... Talvez caçar seja a única maneira de seguir em frente.

— Talvez — concordou Katherine. — Mas não deixe que isso consuma você. Eu já vi o que acontece quando deixamos a dor nos dominar, e não é um caminho fácil de sair.

Ele olhou para ela por um longo momento, tentando absorver as palavras. Era difícil admitir, mas Katherine estava certa.

A dor que ele sentia pela morte de Jessica estava lentamente o consumindo, transformando sua determinação em algo mais sombrio e perigoso. Sam sabia que, se não encontrasse uma maneira de lidar com isso, acabaria se perdendo, como tantas vezes já havia visto acontecer com outros caçadores.

— Obrigado, Kath — murmurou ele, sua voz suave. — Eu não sei o que faria sem você e o Dean agora.

Ela lhe deu um pequeno sorriso, um gesto de solidariedade que parecia dizer "Estamos todos nisso juntos". O vínculo entre os três era mais forte do que qualquer coisa, e Katherine sabia que, enquanto estivessem juntos, poderiam suportar as adversidades, mesmo as mais dolorosas.

Dean, que estava à frente observando o lago, virou-se e os chamou.

— Ei, galera. Acho que temos algo.

Katherine e Sam se aproximaram rapidamente. Dean estava de pé ao lado de uma marca de arranhão na madeira do píer, uma trilha de algo úmido que parecia levar direto para a água.

— O que você acha? — Dean perguntou, apontando para os arranhões profundos. — Isso não foi feito por um ser humano.

Sam se abaixou para examinar a trilha. Havia algo de errado. Era como se alguém tivesse sido arrastado para a água, mas não havia marcas de luta. Tudo parecia estranhamente... pacífico.

— Isso parece... errado — comentou Sam. — Quem quer que tenha sido levado não lutou. É como se simplesmente tivesse sido atraído para o lago.

Katherine sentiu um arrepio correr por sua espinha. Algo estava definitivamente errado naquele lugar.

Ela se ajoelhou ao lado de Sam, passando os dedos pelos arranhões na madeira. Havia uma leve sensação de magia no ar, mas não era bruxaria. Era algo mais antigo, mais sombrio.

— Pode ser um espírito de vingança — murmurou ela. — Algo que atrai suas vítimas para a água, onde elas se afogam sem resistência.

Dean balançou a cabeça, ainda observando o lago.

— Claro, isso faz sentido. Um espírito que está preso ao lago, provavelmente por algum evento trágico do passado. A questão é... quem ou o que é esse espírito?

Sam levantou-se, limpando as mãos.

— Se é um espírito de vingança, precisamos descobrir o que aconteceu para prendê-lo aqui. A única maneira de parar um espírito assim é resolver o que o mantém preso ou destruí-lo completamente.

Katherine assentiu, seu olhar fixo na água.

— Vamos voltar e pesquisar mais. Algo me diz que esse lago guarda segredos que ninguém quer lembrar.


Notas finais
Espero que tenha gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.