Notas iniciais
Sorry, sorry, sorry, demorei muito - acho que foram meses - pra postar o segundo capítulo. Sabem, minha inspiração se esgotou, reescrevi esse capítulo incontáveis vezes, porém finalmente consegui escreve-lo! É isso ai galerinha, boa leitura pra vocês, em breve estarei fazendo as fichas dos personagens.

Não sei bem a quantidade de horas que se passaram desde que saímos da escola. Era incrível o fato de Jared ter me arrastado até ali somente para "raspar a juba do leão" e mais incrível ainda era o simples fato de eu ter gostado. Era intrigante não ter mais toda a cabeleira anterior, porém era mais prático em todos os sentidos.

– Curtiu seu segundo presente? — ele perguntou um tanto distraído com as vitrines da loja de esportes do shopping de Port Angeles. Ele conseguia se distrair com tamanha facilidade que chegava a assustar.

– Curti muito, mano. — passei as mãos nos cabelos, agora curtos e um tanto arrepiados. — Vamos esperar meu pai aqui mesmo ou pegamos as bikes e passamos à tarde sem fazer nada?

– Você que sabe. Na verdade eu tava a fim de comer alguma coisa... — ele me olhou com um sorriso que conhecia há muito tempo.

– Comida mexicana? — perguntei.

– Opa, burritos!

Rimos durante um breve tempo. Nós dois tínhamos uma LONGA história com burritos, pois foi graças a um que nos conhecemos. Acho que tinha sido a uns nove ou dez anos quando brigamos pelo último burrito do refeitório da escola como dois animais selvagens que nunca viram comida. A partir do fim daquele dia Jay começou a se aproximar de mim, se tornando meu melhor amigo alguns meses depois.

A praça de alimentação não estava tão lotada, foi até bem fácil encontrar uma mesa. Jared voltou com uma bandeja com dois burritos e duas latinhas de coca-cola, repousando a mesma na mesa enquanto sentava.

– Então Vince, vamos bater um papo...

– Não to gostando muito desse seu tom de voz... — abri a latinha ainda sem tirar os olhos dele.

– Sobre você e a Sam...

– Não começa! — o interrompi rudemente.

– Sério Vincent. Não sente nada por ela? -Jared insistia sem tirar os olhos de mim.

– Você sabe que não. — levei o burrito até a boca, arrancando um grande pedaço. — Mas você e Lana já é outra história...

Jared ruborizou e voltou o olhar para a comida. Ele sabia que amava a Lana, porém não queria admitir para a ruiva, o que só piorava a situação. O cara popular que podia ter qualquer garota que ele quisesse estava "puff", apaixonado. E preferia guardar o sentimento para si próprio.

– Deixa a Lana fora desse papo, ta bem? — ele pediu, quase sendo perceptível o tom de súplica em sua voz.

– Okay, agora termine seu burrito...

Olhei para trás por um breve momento, analisando o ambiente com cautela. Aquela estranha sensação de estar sendo observado não havia me deixado por quase todo o trajeto e ali, na praça de alimentação de um shopping, me senti completamente exposto. Era como se vários olhares fossem dirigidos a mim, porém não conseguia distinguir nada suspeito. Pelo menos não até que distingui um fraco brilho vermelho vindo de um canto afastado.

– Me da um minuto... – levantei como se estivesse hipnotizado, me afastando de Jared antes mesmo que o loiro pudesse me acompanhar.

Não sei se foram meus olhos que estavam pregando peças, até poderiam ser, mas eu estava certo de ter visto algo. Mas não tinha nada ali que pudesse ter emitido aquele brilho. Olhei para os lados, sabendo que estava quase sozinho naquele corredor, passando a mão nos cabelos antes de dar meia volta. Com certeza eu estava enlouquecendo, alguma coisa estava me deixando altamente alerta o tempo todo.

Quando voltei para a praça de alimentação Jared continuava no mesmo lugar, mordendo o canudo enquanto me esperava. Levantou assim que me avistou, vindo em minha direção e estendendo minha mochila.

– Vamos lá seu estranho. Vamos logo pra sua casa. – ele já estava andando antes mesmo de eu por a mochila nas costas, porém o alcancei com alguns passos rápidos.

– Ei cara, não ficou chateado com o que eu falei né? – perguntei.

– Não to chateado. Só quero sair daqui.

– Tudo bem então.

Minha atenção foi desviada quando um homem que aparentava ter uns trinta anos passou por nós. Não, o cara não estava mal vestido nem nada do gênero, mas seu rosto... Meu Deus, eu precisava estar alucinando!

Seu rosto havia passado de humano para o de um animal em questão de segundos. Devo ter parado no lugar, pois Jared chamou meu nome umas cinco vezes antes de eu voltar para a realidade. Seu rosto exibia preocupação, mas eu ainda estava atento ao homem.

– Vincent, pelo amor de Deus, qual é seu problema hoje? – ele perguntou sem tirar os olhos de mim.

– Nada. – balancei a cabeça e apertei os olhos com força antes de abri-los novamente. – Nada, eu só achei que vi uma coisa...

– Sério irmão, você anda muito estranho hoje. – ele pôs a mão em meu ombro, porém o afastei com um empurrão.

– Já falei que to bem! – trovejei, correndo para fora do lugar.

Passei pelas portas do shopping como se fosse um foragido da polícia, me dirigindo para o local onde havia deixado a bicicleta. Minha visão estava turvando como se eu estivesse alucinando – provavelmente estava – o que me fez cair de joelhos no chão por um breve minuto. Minha respiração estava entrecortada e pesada, come se eu estivesse tendo um ataque de pânico. Levantei com certa dificuldade, pegando a bicicleta e me pondo a pedalar com velocidade em meio a carros, sendo xingado em diversas ocasiões. Não sei como não bati ou cai da bicicleta naquele estado, só queria chegar em casa e me trancar em meu quarto, esperando que isso passasse.

Após uns vinte minutos cheguei a velha cabana como se estivesse bêbado. Choquei-me contra a porta quando a tentei abrir, caindo no chão e dando de cara com Saphira. A pantera se assustara com minha chagada repentina e agora se aproximava de mim com os pelos das costas eriçados. Ignorei sua presença, agarrando o corrimão da escada e subindo com dificuldade até meu quarto, o trancando assim que passei pela porta. Joguei minha mochila em qualquer lugar, me dirigindo até o banheiro logo em seguida.

Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer, não me importando com a roupa completamente encharcada grudando em meu corpo. Trinquei o maxilar, batendo a cabeça na parede do Box, expirando com dificuldade.

“O último meio cernnuo”

“Desgarrado”

“Esquecido”

“Amaldiçoado”

“Última ameaça”

“Deve morrer para o bem de todos”

– AHHHHHHHHHHHH!

Esmurrei o espelho que tinha em meu banheiro com força, deixando cacos ensanguentados pelo chão. Não me lembro ao certo de ter me levantado, mas a dor latejante em minha mão só aumentava. O sangue quente e pastoso que escorria por meus dedos estava agora pingando no chão, enquanto eu fitava meus próprios olhos em um dos cacos quebrados. Brilhando, eles estavam brilhando...

“O último meio cernnuo, o último meio cernnuo, o último meio cernnuo... Acorde!”

– Vincent, acorde!

Ergui-me assustado, respirando rapidamente e com dificuldade. Meu pai estava parado acima de mim com uma expressão preocupada no rosto, Saphira logo atrás. Olhei para os lados percebendo que estava no chão, rodeado por cacos de espelho. Puxei o ar com força, voltando a respiração constante e repassando tudo o que havia acontecido antes de eu chegar ali. O homem com rosto de animal, o espelho se partindo, as vozes... Meus olhos.

Levantei de um rompante, quase escorregando em um dos cacos, porém meu pai me segurou antes que isso pudesse acontecer.

– O que ta acontecendo? Pai, o que ta acontecendo? – as palavras saíram da minha boca antes mesmo que eu pensasse em pronunciá-las. Estava confuso demais pra assimilar qualquer coisa.

– Eu não sei, Jared me falou que você não estava bem e que provavelmente tinha voltado pra casa. Encontrei seu quarto trancado quando cheguei.

Olhei para minhas mãos em dúvida. Lembrava-me de ter esmurrado o espelho, mas não conseguia assimilar a razão daquilo. Era como se eu não estivesse pensando, como se não estivesse no controle de meu corpo naquele momento.

– Último meio cernnuo...

– O que disse? – meu pai perguntou.

– Hã? – droga, eu tinha falado isso alto. – Ah, nada não... – menti, desviando o olhar para Saphira.

– Está bem... Lana e Jared estão lá em baixo. Quer que eu os mande embora?

– Não. – falei. – Já desço até lá, só me da alguns minutos.

Ele assentiu e saiu do quarto um tanto relutante. Saphira continuava parada próxima a porta do banheiro dirigindo suas grandes orbes azuis para mim antes de sair do lugar.

Voltei-me para o armário em baixo da pia, retirando dali algumas bandagens e remédios para que as feridas não infeccionassem. A dor era imensa, o que me fez segurar um grunhido antes de envolver a mão com faixas limpas. Para minha sorte meu sangue tendia a se coagular rapidamente, então não teria nenhum tipo de problema como “sangrar até morrer”.

Depois dessa pequena maratona tirei as roupas que estavam encharcadas as substituindo por uma bermuda e uma camiseta flanela de manga longa. Olhei-me brevemente em um dos cacos até finalmente constatar que meus olhos estavam “normais”. Nenhum brilho estranho, apenas o costumeiro prata e dourado que aprendi a conviver com o passar dos anos.

Me dei por satisfeito e sai do quarto, descendo as escadas logo depois. Jared estava sentado no sofá junto com Lana que parecia estar muito entretida com Saphira. A imensa pantera parecia gostar da ruiva, tanto que estava deixando a mesma acariciar sua cabeça. Ela voltou seu olhar para mim com um imenso sorriso.

– Olha só quem resolveu dar o ar da graça.

Sorri de volta para Lana. Eu a adorava, parecia até que ela era minha irmã, aquele tipo que te ajuda quando você faz muita burrada. Jared por outro lado me olhava com cara de deboche, o que me intrigou bastante.

– Então seu estranho, já ta melhor? – ele perguntou.

– Acho que sim... – respondi. – Cara, me desculpa por ter te empurrado mais cedo, não tinha sido minha intenção.

Ele ergueu a mão e sorriu para mim em seguida.

– Ta brincando? Vince, você não é de reagir. Fico até lisonjeado de ter sido o primeiro a experimentar sua ira.

Lana deu um soco em seu braço quando o loiro começou a rir. Saphira saiu da casa, se dirigindo a velha trilha que levava até o lago, deixando Lana com uma expressão de dúvida.

– Ela só gosta de ir até lá. – falei.

– Percebo. Você tem um gosto estranho pra seu bichinho de estimação... – Lana retrucou.

– Combina com ele. Esquisito. – Jared interveio.

– Beleza, já pode parar de me chamar assim seu lesado. Antes que eu te sirva de comida pra ela.

– Auto lá, eu só to brincando. Agora vem cá, curte teu aniversário com a gente.

Revirei os olhos, abraçando ambos com uma força exagerada. Apesar de estar bem ao lado dos dois os acontecimentos anteriores ainda estavam bastante atrapalhados em minha mente, as vozes principalmente.

“A última ameaça. Deve morrer para o bem de todos...”

Notas finais
O que acharam do capítulo? O que será que significam as vozes na mente de Vincent? Acompanhem, favoritem, deixem reviews. Façam de mim uma autora feliz!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.