Between Guns
1 A Missão: Parte 1
Notas iniciais
BOA LEITURA O/
P.O.V N.
Quatro palavras expressam meus mais profundos sentimentos agora : Puta dor de cabeça, sei que xingar é feio mas... Quem liga? Eu que não ligo!
Abro os olhos com dificuldade mas me arrependo amargamente, a claridade bate em meu olhos e juro que quase vi Jesus. Quase...
—Porcaria...- digo xingando a luz excessiva que quase me cegou e logo crio coragem para me levantar daquele chão estranho é um tanto fundo.
Apoio minhas mãos no solo e elas afundam. Areia. Simplesmente odeio areia, não dá sustentação para nada, e se cair essa porcaria te deixa todo arranhado, sem contar que gruda no cabelo e só sai depois de muito esforço.
Depois de algumas vezes caindo eu finalmente consigo me levantar, olho para baixo e vejo que minha roupa está um pouco rasgada e estou com alguns arranhões mas o pior é minha dor de cabeça,aparentemente, infindável.
“ Mais uma ressaca? Nem me lembro de ter bebido ontem...” Penso mas logo reprimo esses pensamentos,geralmente eu não bebo em missões e pelo que me lembre, ainda que muito pouco, ainda estou em missão.
Olho para a direita e não enxergo nada além de dunas de areia e um monte de areia, olho para a esquerda e a paisagem é a mesma. “Mas que meda,será que eu vim parar em um deserto...? Não é possível!” Me sinto até o homem de ferro quando acorda após seu avião ter sido destruído, porém há uma sutil diferença: não sou o homem de ferro.
—AAAAAAAAAAAAAAAARGH!- grito gastando todo o oxigênio que tenho e caio dramaticamente no chão de novo. Levanto rapidamente e chuto um pouco de areia, minha vontade é de explodir este deserto completamente, mas não tenho um meio para isso então o que me resta é poupar minha preciosa energia e começar a andar por aí até achar a civilização. Não é um bom plano mas eu que não vou ficar como uma otária sentada nesta areia quente e esperar um príncipe encantado vir me salvar, já passei dessa época.
Muito bem, até onde eu me lembre – modéstia à parte minha memória é um tanto excelente, certo.. Talvez nem tanto já que nem me lembro como vim parar aqui mas vamos ignorar isso – estou na Síria a mando de meu honrado chefe Steve Patterson para resolver um problema com um carregamento de armas que os Estados Unidos – meu adorado país – enviou para os Sírios, mas parece que a mercadoria não chegou, foi roubada por uns malditos terroristas, esses babacas matam pessoas inocentes e acham que isso é válido e pode ser aceito pela sociedade, tudo em nome de Alá... Simplesmente para mim isso é algo irracional e inaceitável, se eu colocar a mão em algum desses idiotas...
Antes de vir para cá eu tive uma aulinha sobre a Síria,eu realmente achei bem entediante, mas sabia que poderia precisar de alguma informação então deixe-me pensar... Deserto... Síria... Humm... Calma,se eu seguir para o norte eu vou chegar em uma cidade,ah viado,sou um gênio mesmo!
Começo à andar debaixo de um sol escaldante,mas fazer o quê? Não tem uma árvore aqui para ser minha sombra então o jeito é andar e pegar um bronzeado grátis,cortesia de algum filha da puta que me jogou neste deserto!
[quebra de tempo de duas horas]
Sede.Sede.Muita sede. Só consigo pensar em água,uma bela e grande quantidade de água gelada e refrescante descendo por minha garganta e apagando esse meu fogo. Devo ter caminhado alguns quilômetros mas mesmo assim sinto que estou longe de encontrar algum sinal de civilização ou de uma simples gotinha de água.
Não sei o que aconteceu,mas sei que de um segundo para outro eu caí de cara no chão,e sinto que dei uma bela ralada na minha cara,não duvido que vou ter uma cicatriz boladona no meu rosto. Olho para trás e vejo um cacto,até pequeno e sem muitos espinhos mas mesmo assim essa caralha me fez cair... Já disse que odeio desertos? É,eu os odeio!
Ando mais um pouco e logo avisto casas e alguns prédios. Rakka. Finalmente,civilização,pessoas,nada de areia,terra firme,água. Dou uma pequena corrida e logo chego à cidade,quase dou um beijo no vendedor que está em uma barraca vendendo umas coisas bem esquisitas,deve ser um tipo de miçangueiro oriental...
Comprei uma garrafa – um litro enorme – de água e juro que esvaziei aquilo em menos de 3 minutos,sim, isso parece cientificamente impossível,mas eu estava morrendo de sede...
Enquanto ando por aquela cidade observo um movimento um tanto afoito de alguns homens que se movem pelos cantos da ruas,os homens estão com um símbolo estranho e pequeno estampado em alguma parte de sua roupa,alguns carregam o símbolo nas blusas,outros em calças,ví um até em um sapato...
De poucos em poucos os homens iam entrando no beco. Pode ser até uma paranoia minha mas eu realmente acho que não tem algo “cheirando bem” nisso tudo,e não estou falando do perfume com cheiro de peido que esse povo usa,tem algo errado com aqueles homens,por que eles estão entrando em um beco em pleno dia?
Olho para outras pessoas,elas parecem tão ocupadas que não notam nada,já outras olham rapidamente para os homens estranhos do beco,porém quando os homens os encaram de volta as pessoas desviam o olhar e parecem amedrontadas. Tá aí,a confirmação que eu precisava. Esses caras são perigosos, e eu como uma boa agente tenho que detê-los!
Vou até um poste que tem uma caixa de correio perto,me abaixo e fico em um ponto cego deles. Mais homens continuam entrando naquele beco e uma coisa me vem à mente “aquele beco leva a algum lugar” porque não é possível que caiba tanto homem em um pequeno beco retangular...
Olho mais um pouco e percebo que tem dois homens na frente daquele beco,bem discretamente mas acho que eles devem ser uma espécie de guarda. Como uma policia pra criminosos,que irônico...
Estou abaixada faz uns 10 minutos e observo eles a mais tempo e juntando isso tudo não vi uma mulher entrar ali. Sou uma agente e sou mulher,duas razões para eles não me aceitarem ali. Mas é bom,assim fica mais interessante.
Ao lado direito do beco tem um prédio que parece residencial,não é muito alto,tem apenas 5 andares além de que parece dar uma visão perfeita do beco que tanto almejo bisbilhotar. Olho para os lados e ninguém parece notar minha presença. Saio disfarçadamente do meu cantinho de observação e me direciono ao lado esquerdo do prédio residencial que citei há pouco. Ao lado esquerdo há uma escada,provavelmente usada para os moradores escaparem de um possível incêndio,agora ela será usada para eu chegar até o topo do prédio,a escada me parece um pouco antiga e esta enferrujada e me dá um certo medo de escorregar nela e contrair um tétano.
Começo à escalar a escada,fazer o que né gente,isso é o meu trabalho então irei cumpri-lo. Ao subir vejo uma coisa viscosa na escada do quarto andar. Uma camisinha. Usada. Me pergunto que tipo de louco faria sexo a essa altura do solo. Peter Parker foi você?
Continuo a subir e logo chego ao terraço do prédio,está um pouco escorregadio então eu tenho uma hipótese bem óbvia : choveu há poucas horas. O que é até aceitável porque há poucas horas atrás eu estava desmaiada no meio do deserto.
Me abaixo e chego até a borda do telhado onde deito e fico olhando para baixo. Eu estava certa,eles não se reúnem no beco,no chão tem um piso falso,os caras estão tirando esse piso e estão entrando,mas não parece que tem uma escada que os ajuda a descer,será um tobogã?
Passam-se exatamente dez minutos então os “guardas” percebem que todos já entraram e aparentemente não tem mais ninguém para chegar então eles também entram na cavidade abaixo do piso falso e desaparecem. Essa é a minha hora de ser foda.
Me levanto e pulo,sim, pulo do quinto andar do prédio e caio com as pernas flexionadas no chão. Vou até o piso falso e o levanto. Olho para trás para conferir se não tem ninguém me seguindo e realmente não tem. Não sei porque mas estou meio paranóica de uns tempos para cá,ou pode ser um mau presságio,eu estou bem nervosa,sei que alguma coisa de ruim vai acontecer sinto isso em meu coração que vem batendo mais rápido faz alguns dias...
Entro na cavidade e minhas suspeitas eram verdadeiras. É um tobogã,os bandidos soa divertidos pelo menos. Abro as pernas para me manter no lugar que estou e coloco o piso falso.
No mesmo lugar,agora está tudo escuro. Fecho as pernas e desço o tobogã.
Ao chegar no final não vejo nenhum guarda. Isso não está confiável,eu vou me fuder bonito,certeza.
Olho para os lados saio do tobogã andando em direção à um corredor bem largo que está a minha frente. As paredes são feitas de concreto e aparentemente abafam o som. O que será que eles estão escondendo que é tão barulhento?
Continuo atravessando aquele corredor sem portas e incrivelmente quente,chego ao final e tem duas bifurcações,agora é aquele dilema : direita ou esquerda?
Ouço um barulho de... Tiro...? O barulho veio da bifurcação direita,já sei meu destino.
Sigo a bifurcação até chegar em uma grande área.
Me escondo atrás de um dos carregamentos, o lugar estavam cheio deles, todos roubados. Bandeiras de vários países diferentes estampadas nas caixas, mas nenhumas delas é a que eu realmente procuro.
Depois de quase meia hora no mesmo lugar finalmente encontro o que procurava. Uma caixa de titânio com a bandeira dos Estados Unidos. Isso mesmo titânio, dizem que é pra ficar mais difícil de roubar, mas não foi bem isso que aconteceu né.
O carregamento foi levado mais adentro do lugar. Ah legal, não tem nada pra me esconder até chegar lá. O universo também não me ajuda.
—Hey você. -Sou tirada de meus pensamentos quando um homem chama minha atenção. Isso mesmo, me ajuda, olha só como eu sou sortuda. -O que está fazendo aqui?
—É que... Eu me perdi, vi alguns homens vindo pra cá e decidi segui-los. -Vocês não tem ideia da cara de cu que eu devo estar agora. O cara fica me olhando de cima em baixo e ia dando passos para trás. Amiguinhu, faz isso não.
—Americana. -Eu mereço. Comecei a correr como se tivesse nutella em promoção e parece que agora o mundo está conspirando ao meu favor. O ser humano inteligente vem correndo atrás de mim em vez de avisar os outros e nem faz questão de por a mão na arma. Babaca.
Não sei nem pra onde estou indo, mas ao longo do caminho pude perceber canos por todo o lugar, e assim eu chego á uma conclusão: Reserva de Gás. Esse lugar era utilizado para extrair gás natural. Hm... o que será que acontece se estourarmos um desses canos? A temperatura aqui em baixo já está bem alta, só precisamos de mais alguns graus celcis acima e boom! Uma pequena faísca de fogo é o suficiente.
Continuo com esse pensamento até dar de cara com o chão. QUEM FOI QUE COLOCOU ESSE CANO NO CHÃO?! Quer saber, to estressada, vou xingar bastante, foda-se a opinião dos outros.
—Achou mesmo que ia fugir pirralha? -Ele agarra meu pescoço e sorri. Ah não, pirralha? Isso não fica assim.
—Pirralha seu cu. -Eu chuto suas partes e ele cai de joelhos no chão, depois chuto sua cabeça e ele desmaia. Pediu por isso, não sou baixinha. Tá... talvez um pouco, mas ninguém me chama assim.
Vamos ver... Vasculho o corpo do homem e encontro uma Calibre .44 com 2 fuckings balas e um esqueiro.
O isqueiro é útil, mas o que diabos eu vou fazer com duas balas no cartucho? Oh... já sei. Bem, se eu não posso ficar com o carregamento, ninguém pode.
(Quebra de tempo uma hora depois)
Sim... uma hora depois e eu AINDA NÃO ACHEI O LUGAR DE ONDE VIM! Puta que pariu. Olha aí... desse jeito não da pra parar de xingar.
Com passos de zumbi finalmente chego ao lugar que estava, mas demorei tanto tempo que esqueci que eu deveria me esconder. Todos os homens pararam de fazer o que estavam fazendo e pegaram suas armas.
—Epa, epa... pera aí gente, eu tenho uma coisa a dizer. -Muitos ficaram curiosos e baixaram a guarda. -Vejo vocês no inferno otários. -Atiro no cano mais próximo, isso faz com que todos quebrem a posição de guarda, deixei o isqueiro no chão ao lado do furo e comecei a correr. Até porque se eu jogasse ia explodir tudo comigo dentro.
Corri até a entrada do tobogã e escalei -com dificuldade- e consegui chegar até a passagem secreta, deixo a tampa aberta mesmo, até parece que alguém ia me seguir a essa altura do campeonato.
Quando chego na saída do beco para a rua, eu paro de correr no mesmo instante e começo a andar normalmente, como se nenhuma explosão esteja prestes a acontecer.
Quando passo dois quarteirões, o lugar explode fazendo um enorme estrondo, as pessoas começam a correr desesperadas e eu continuando andando como se estive de bem com a vida.
Logo depois algo vibra no bolso da minha calça preta coladinha. Atendo a ligação e reconheço a voz logo de cara.
—“Senhora N.” -É o Presidente. –“Vá até o aeroporto de Rakka e pegue o próximo avião para os EUA. Tenho uma nova missão pra você.”
Notas finais
Desculpem estar sem capa, estou bolando uma agora.
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