Between Friends

12 Capítulo 11 parte 2


POV On Lia

(Parte 2)

— Não Martin! – ele tranca as portas do carro.

— Você acha que eu sou idiota¿ – eu clico no botão e as portas se destrancam.

— Por favor Lia!

Esse “jogo” de saber quem é mais poderoso já esta me tirando do serio.

— Ok! Me leva logo pra casa antes que eu mude de ideia. – vejo que ele tem um sorriso no canto dos seus lábios.

Olho pela janela os casas e arvores pela rua, não penso em nada, só quero fazer algo para que isso passe mais rápido.

-Por que você não quis ficar comigo¿ — A voz dele cruza o silencio que estava dentro do carro.

-Oque¿ — me faço de tonta, pois não quero responder essa pergunta.

— Você tem namorado¿ — ele pergunta olhando para a rua, vejo que existe um certo incomodo, mas não ligo, só fico me perguntando como a minha casa pode ser tão longe.

-Oque ¿ Não! – eu respondo rindo.

-Então porque você não quis ficar comigo¿

-Por que eu não sou fácil assim – respondo agora olhando para ele, na verdade estou olhando para o piercing, parece que ele me puxa para um transe.

Ele ri e eu acordo, tomara que ele não tenha percebido.

-Por que você esta rindo¿ — eu pergunto, já estou ficando brava com esse PlayBoyzinho metido.

— Não sei! Acho que pra mim todas são fáceis – Quem ele pensa que é¿

— é por isso que você esta me levando em casa! – concluo – Pra me fazer ficar com você, só porque você é um bebe que não sabe receber um “não”. – ele fica serio, mas agora eu sei o que ele quer.

Olho perplexa para ele.

—PARA O CARRO! – eu falo rapidamente e abro a porta do carro.

—MAS QUE PORRA! VOCÊ É LOUCA! – ele freia, pego minhas sandálias e saio.

Quando piso com os pés descalços na calçada, percebo que estou a mais ou menos duas quadras de casa, o que é maravilhoso, por que para completar a desgraça começou a chover.

—LIA! Entra no carro! – Martin me companha com o carro os meus passos doloridos pelos sapatos.

—Não vou entrar Martin! Volta para sua casa! – eu grito, chegando ao fim da quadra com meus cabelos encharcados, no mínimo eu vou pegar uma pneumonia.

Martin segue me acompanhando, só que agora em silencio. Fico pesando como ele sabe onde eu moro¿ provavelmente minha mãe tenha explicado antes de me obrigar a ir com ele.

Quando chego à frente de casa meu vestido esta pesando uns 15 quilos a mais por causa da agua que ainda estar a cair e minha maquiagem esta escorrida pelo meu rosto.

Ouso a porta do carro abrir, tento achar a chave de casa o mais rápido que eu posso, mas quando eu a acho ela escapa de meus dedos, não consigo ver nada a rua esta escura, me agacho para tentar sentir alguma coisa com as minhas mãos, mas não sinto nada.

—Lia... – Martin que esta a alguns centímetros de mim, quando levanto, percebo que ele segura a chave da minha casa entre os seus dedos, eu a pego e agradeço de mal gosto, percebo que ele também esta encharcado por causa da chuva que pelo menos agora não passa de uma garoa.

Giro a chave e abro a porta, entro, mas quando eu vou fechar algo me impede.

—Lia, você não vai me convidar para entrar¿ Eu estou encharcado, não posso voltar para a festa desse jeito, meu pai me mataria. – consigo perceber pelo tem de voz que não é brincadeira – Por favor! – ele implora.

Eu abro a porta e agora com as luzes da casa eu consigo ver o Martin, e ele esta encharcado, como eu.

—Ok, mas você entra, se seca e sai. – ele concorda com a cabeça, e eu abro a porta para que ele possa entrar.

Faço sinal para que ele fique na sala, enquanto eu busco algumas toalhas para que ele possa se secar. Quando entro no banheiro, olho no espelho e para a minha surpresa não estava tão ruim, pego umas toalhas umedecidas e tiro a maquiagem que esta borrada, junto algumas toalhas secas, mas antes de ir para sala passo no meu quarto, fecho a porta, tiro o vestido e visto uma regata justa e um shorts jeans, passo no quarto do meu irmão – acho que deve servir – pego uma camisa.

—Aqui! – eu entrego as toalhas e a camisa do meu irmão – trouxe uma camisa, se você quiser se trocar, tem um banheiro no final do corredor.

— Ok! – ele diz e quando eu espero que ele ande até o banheiro, eu paro com a sena que vai me marcar para toda a vida, Martin começa a tirar sua camisa, botão por botão, não sei reagir a isso, por isso só fico lá parada que nem uma tonta, tentando fingir que olhar para o teto é melhor que olhas um cara sem camisa, quando ele termina de tirar a camisa, consigo ver com clareza seus músculos e braços tatuados, faço cara de “vejo isso todo o dia” enquanto ele bota a camiseta que eu lhe entreguei, me segurando para não pedir que ele fique sem ela mais um pouco, para que eu possa apreciar a vista, mas não eu tenho que me controlar.

— Aonde eu posso botar¿ — eu não consigo processar muito bem, eu desvio o olhar dos seus braços e coço a cabeça, tentando disfarçar o vermelho no meu rosto.

— É...Ah, eu vou estender – eu pego a camiseta da sua mão, mantendo uma distancia segura, olho para cima, para sua boca, ele brinca com o piercing, sei que ele fez isso de proposito e agora eu fico mais irritada.

Viro e vou em direção a cozinha, acabo batendo o meu joelho machucado no banco do bar que divide a cozinha do resto da sala.

— MERDA! – eu grito, e me apoio no banco pra não cair no chão.

— Lia! – Martin chega ao meu lado, mas eu ainda estou com raiva dele, por isso boto a mão em seu peito nu para que ele não chegue mais perto, ignorando o calor da sua, eu me levanto.

— Eu estou bem – eu falo apoiada em uma perna só.

— Você não esta nada bem, Lia! Olha seu joelho – eu olho para o meu joelho e o machucado que já estava quase curado, agora jorrava sague da forma mais dramática possível, até parecia que o universo estava jogando contra mim.

Ele pega a camiseta molhada da minha mão e bota em cima do banco onde eu estou apoiada, depois ele passa para o outro lado e joga o meu braço sobre seu pescoço e eu sem poder reagir me apoiei e ele me levou até o sofá, demorou um pouco, mas quando cheguei, eu me desvencilhei e me joguei nas almofadas.

Fiquei olhando para o meu joelho ensanguentado, com o meu orgulho matutando na minha cabeça, não ia pedir ajuda. Vejo os pés de Martin se afastando e então voltarem , e ele se ajoelha e encosta uma toalha molhada, e eu recuo, e boto minha mão na dele tentando afasta-la, mas então ele me olha nos olhos, mas eu logo desvio o olhar, vejo que agora ele esta com o cabelo mais seco e com a camiseta do meu irmão .

—Desculpa – Eu digo olhando para as minhas mãos.

— Já falei que não precisa pedir desc...

— Só termine isso, por favor! – eu peço e ele olha para o meu joelho que agora já não sangra mais e volta a passar a tolha, limpando. Consigo ver em seus gestos que tinha ficado chateado com a minha resposta.

Mas não posso me entregar. Não posso me dar mais ao luxo de gostar de alguém, não agora, agora preciso estudar, me formar e depois eu me resolvo, pode ser o pensamento mais antigo que já se existiu em uma menina de 16 anos em pleno o século XXI, mas fazer o que ¿

Quando o Martin termina de limpar o machucado, eu me levanto e pego a toalha da sua mão, sem dizer nada e vou ate a cozinha, mas dessa vez tomando mais cuidado pra não me bater em nada. Chego no tanque onde eu tento limpar um pouco do sangue da toalha e depois a estendo e aproveitando e fazendo o mesmo com a camisa do Martin.

— Desculpa pelo jeito que falei... – eu falo quanto me sento ao seu lado e dessa vez engulo o orgulho e olho em seus olhos, que agora estão escuros — Tu só queria me ajudar, desculpa.

Ele me analisa, deve estar procurando qualquer tipo de ironia, mas eu havia falado sinceramente, por mais que eu tivesse irada, não devia ter falado assim. Ele morte o lábio e então ele leva a sua mão até a minha, minha pele queima com o toque e meu coração acelera...

Ouso alguém na porta e tiro a minha mão da dele e então minha mãe entra.

—...ele é muito gentil, você viu como ele nos tratou... – ela gesticula – Oh! Olá Martin, o que esta fazendo aqui¿ — ela pergunta, mas esta bêbada para se importar que um garoto esta com sua filha a essa hora da noite.

— Ele já esta indo embora! – Eu respondo por ele. – Mãe como vocês vieram para casa¿ Você não estavam com o carro.

— Nós pegamos um taxi, e mesmo que estivéssemos com ele o seu pai não esta em condições de dirigi-lo.- ela explica e eu olho para meu pai, que esta com o blazer amarotado – e Augusto leva o Martin pra casa e depois traz o carro. – ela completa, meu irmão tenta, mas não consegue convencer ela a deixar ele ficar em casa.

Quando Martin se levanta para ir embora, estamos sozinhos de novo na sala, minha mãe, meu pai e minha irmã foram dormir e meu irmão foi para o carro esperar.

— Então tchau. – eu digo e dou um beijo na sua bochecha, pois não estou em plenos pensamentos pra chegar mais perto por mais tempo.

— Então...tchau – ele diz e enfia as mãos nos bolsos da calça ainda encharcada e vai embora. Quando vejo a porta esta fechada e eu estou sozinha, minha cabeça dizia que era pra mim ir dormir que amanha tudo ficaria bem e voltaria aos eixos, mas meu coração só queria poder beijar ele e tirar a sua camisa e poder ver de novo as suas tatuagens, quando me dou de conta já passou um tempo que estou parada ali, trato de ir pro quarto e me trocar.

Dormir foi difícil, parecia que seu cheiro estava em minhas roupas, e quanto mais eu negava mais ele vinha e me assombrava, mas uma hora meus olhos fecharam e os meus pensamentos sobre Martin Barcellos sessaram.

Acordo as 7 horas, infelizmente eu tenho que ir pra aula, mesmo com tudo que aconteceu ontem... mas eu não posso reclamar, estou louca pra contar para a Isa o que aconteceu ontem e ver como ela esta.

Me visto, penteio os cabelos e passo um pouco de maquiagem pra disfarçar as olheiras escuras embaixo dos meus olhos.

Quando desço, vejo que só o meu irmão está acordado.

— Bom dia – eu digo, pegando um pedaço do bolo que minha vó tinha deixado pra nós ontem.

—Bom dia – ele responde, concentrado em passar manteiga no pão.

—Pode me dar uma carona para a escola¿ — eu peço e ele me lança o olhar de “de jeito nenhum eu saio de casa”.

—Ahh, por favor! Eu não tenho quem me leve e já estou atrasada de mais para ir andando. – eu choramingo.

— Então é melhor correr! – ele diz com um sorriso nos lábios – eu não estou em condições de dirigir.

Olho para o relógio e são 7:25, 5 minutos para os portões se fecharem e leva uns 8 pra chegar lá, mas se eu correr acho que eu consigo em 5 minutos mesmo.

Meu irmão não queria me levar, as depois de olhar para a sua cara e ver que na verdade ele não tinha acordado, ele não tinha dormido desde o outro dia. Então como eu sou uma boa irmã, acho melhor deixar ele descansar mais.

Saio correndo com a minha mochila nas costas, parecia que eu tinha roubado um banco e estava fugindo de policiais armados... — Lia concentração! Se não vamos cair de novo- eu digo a mim mesma.

Corro por 2 quadras e estou morta, não aguento mais, deveria ter levado a academia mais a serio, mas agora eu só tenho 2 minutos e mais 3 quadras.

E eu chego, levando ficha por chegar atrasada, mas eu chego!

Antes de subir para a minha sala, passo pelo banheiro para arrumar o cabelo que esta todo embaraçado por causa da maratona de 5 quadras que eu percorri.

Quando chego na sala de aula, vejo que Isa estava guardando um lugar para mim, — ainda bem que ela sabe que eu sou dona de chegar atrasada – e quando eu me aproximo ela abre um sorriso de ponta a ponta.

— Onde você estava¿ — ele pergunta quando eu me sento na classe atrás dela.

—Em casa! – eu respondo, mesmo sabendo que ela não se refere a isso.

— Estou falando do fim de semana inteiro¿- ele responde como se já soubesse que algo muito bombástico tinha acontecido e ela precisava saber.

— Ah! É uma longa historia... – então eu começo a contar tudo, desde o “acidente” de bicicleta, até a hora que eu fui dormir no dia seguinte.

— Nossa! – ela exclama, realmente surpreendida. – Mas porque não ficou com o Sr. GDP¿

— Sr. GDP¿

— Sim! Sr. GDP, ou se preferir Sr. Gostosão de Piercing. – Não consigo não deixar de rir.

Luiza chega e se senta na minha classe.

—Então Lia, aquele garoto gato na festa é seu amigo, primo ou oq¿ — Já esperava esse tipo de conversa da Luiza, sabia que ela iria falar comigo uma hora ou outra, mas não achei que ia ser tão rápido.

— Que diferença faz¿ Tu já pegou ele mesmo... – eu falo dando de ombros.

— Eu sei... Só queria saber se quando eu e ele começássemos a namorar, eu seria sua parente.

— Deus me livre! – eu penso. – Não Luiza, ele não é nada meu. – respondo, pensado o quando ingênua ela é, achar que o Martin – quem tem uma enorme lista de garotas na cola dele – vai querer namorar com ela.

Mas não posso falar nada, conheço muito pouco a Luiza, pra julgar que ela não é legal – duvido que seja -, e conheço muito menos o Martin, que em menos de 5 horas se mostrou ser um cara galinha e muito mulherengo, mas talvez eles se mereçam e eu posso esquecer aquele corpo lindo e gostos...

—... acorda! – Isa acena para mim e eu volto para a terra.

Quando saio da sala de aula para ir pra casa, quem entra no meu caminho.

—Eu quero te convidar para ir passar o feriado na casa de campo dos meus pais – Luiza fala saltando do nada.

—desculpa Luiza, não sei se vai dar... – mesmo que eu queira umas feriazinhas, sei que tudo que a Luiza faz tem algo a mais por traz e não só um feriado na casa dos pais.

—Ah, mas a Isa vai ir...- ela fala.

—A Isa¿ — eu pergunto confusa.

— É... – eu olho para ela ainda não acreditando – Bom... se tu quiser ir me confirma por mensagem, que eu te mando o endereço.- ela termina.

—Ahh ok – eu respondo, provavelmente eu não vá, quero dizer tem 0% de chances de eu ir, mas preciso tirar a limpo essa historia da Isa revolver ir.

Quando chego em casa, mando uma mensagem para a Isa.

*Oi! Que historia é essa que você vai ir pra casa de campo da Luiza¿

Ela não me responde, provavelmente deve estar sem bateria.

Depois do almoço, estudo um pouco pra um trabalho do colégio, e ouço o meu celular vibrar.

Isa.

*Estou fugindo do Lucas!

*Hum... – Sei que essa enrolação dela com o Lucas já esta indo longe demais, por que ela simplesmente fala que não quer nada com ele¿

*Você vai ir¿

*Não! Tenho coisa melhor pra fazer do que passar o feriado com a minha querida amiga Luiza.

*AHH NÃO! Tu vai ir.

*Não vou não

*Ah, vai! Por mim... – Sei que ela esta fazendo uma chantagem emocional pesada, e sei que eu vou ter que ir.

*Ok! Vou te poupar do texto emocional lindo que você iria fazer pra mim.

*Que bom! Pelo menos vamos passar um tempo juntas...

* Ta bem! Eu vou dormir... bjos – eu me despeço dela e desligo o celular.

Quando já estou de pijama e pronta para dormir, mando uma mensagem pra Luiza.

*Eu vou ir

* Que bom Lia!!! Eu te mando o endereço amanhã. Beijinhos! Até Quinta.

Deito em minha cama e durmo.