Notas iniciais
Demorou, mas saiu algo :D Espero que gostem!!!

A queda era rápida, mas sentia como se fosse em câmera lenta. Eu podia ver as lágrimas caindo do rosto de Yuri enquanto ela tentava me alcançar antes de chegarmos ao chão. Eu sabia que esse corpo fraco humano não agüentaria facilmente uma queda desse tipo e como tinha certeza que ela não agüentaria. Estendi a mão para ela, abrindo as asas de modo a aumentar a resistência do ar e diminuir a queda. Segurei-a assim que ela passou por mim, mais rápido em direção ao chão. No momento em que tocamos o chão, ela estava em meus braços, desacordada e ainda com uma lágrima a escorrer do rosto. Graças a ser um dia de semana o parque estava bem vazio e caímos atrás do brinquedo, não sendo vistos. Segurei-a forte contra meu corpo enquanto corria pelo meio da floresta e alçava vôo até o apartamento dela. Tentei protegê-la, mesmo que um pouco, com meu sobre tudo. Pousei do lado de fora da janela, na escada de emergência e, sem tempo para detalhes, quebrei o vidro da janela, abrindo-a e entrando com ela.

Deitei-a na cama no quarto dela, sentando-me ao seu lado e passando a mão levemente pelo seu rosto, afastando uma mecha de cabelo teimosa que estava ali. Eu estava muito confuso e não sabia o que pensar. Isso era muito além do impossível. Como ela poderia saber meu nome? Ia me levantar quando senti a mão dela segurar a minha levemente, quase que inconscientemente. Voltei-me para ela e os olhos continuavam fechados, mas ela parecia em algum tipo de pesadelo. Suas pálpebras se mexiam rapidamente e de tempos em tempos ela se mexia na cama. Aproximei meu rosto do dela, tentando ver se ela estava consciente e acordada. Eu podia sentir sua respiração em meu rosto e o calor de sua pele emanando em minha direção. Senti algo estranho, como se algo dentro de mim começasse a bater mais rápido e mais rápido. Coloquei a mão sobre meu peito. Por que ela fazia meu coração se comportar assim?Esse coração que estivera congelado e estático, somente sobrevivendo brevemente durante todos esses anos, agora parecia ter acordado de uma vez só.

“- Hide...”

Meu coração subitamente parou e senti como se o ar faltasse agora. Olhei para ela, assustado. Os olhos dela estavam começando a abrir e ela estava me olhando de olhos semi cerrados. Ela esticou a mão para passar em meu rosto, mas eu me afastei, ainda assustado.

Minha cabeça começava a doer novamente, eu sabia que aquelas visões estranhas iriam acontecer novamente e agora eu não tinha onde me apoiar. Eu comecei a recuar, quase tropeçando ao andar de costas. Yuri foi perdendo o foco e senti como se caísse de um abismo. Eu estava no apartamento ainda, mas algo parecia diferente. Yuri estava falando algo, mas eu não conseguia entender. Ela estava sorrindo e usava apenas uma camisa longa, segurava minhas mãos e ria. Ela se inclinou mais para frente, ficando na ponta dos pés e encostou seus lábios nos meus. Fechei os olhos instintivamente e quando os abri, ela não estava mais ali. Ouvi um grito vindo de cima e saí correndo, abrindo a porta e deixando-a assim mesmo, subindo as escadas para o terraço de três em três degraus. Quando abri a porta, Yuri estava em cima do muro do terraço, olhando para baixo.

“- Yuri..?”

Comecei a andar em sua direção, mas ainda estava há uns 10 metros de distancia quando ela se virou para me olhar. O rosto dela estava meio avermelhado e coberto de lágrimas. Ela possuía um corte na lateral do rosto e me olhava como se não pudesse me ver. Seu rosto estava inexpressivo e ela parecia fora de si. Ela fechou os olhos. Corri até perto da beirada, eu sabia que o que iria acontecer, mas algo me impediu de chegar até lá. Um tipo de parede invisível. Eu batia, chutava e me debatia e ela continuava lá.

“- YURI!”

Podia sentir lágrimas caindo dos meus olhos enquanto eu assisti ela se jogar do prédio. Me agachei no chão, perdendo o ar e com dificuldade para respirar. Meu grito de dor ecoou.

Um flash me despertou. Vi Yuri parada ao meu lado no chão. Fiquei olhando para ela sem dizer nada e sem reagir a nada do que ela parecia falar. Um zunido era tudo o que eu ouvia. Levantei aos poucos, vendo ela passar a mão pelo meu rosto e checar meu pulso várias vezes, olhando para mim, preocupada. Meu próximo ato foi o segundo que desencadeou todo o conflito que nos seguiu a partir daquele dia.

Eu segurei seu rosto e a beijei.

Notas finais
Bom? Bom? Espero que estejam gostando. Estou cheia de idéias para a história. Eu sei que cada vez as coisas ficam mais confusas, mas vocês vão ir juntando o quebra-cabeça aos poucos.
Reviews, pleeeease? *---* Ajudem essa autora aqui a continuar escrevendo