Notas iniciais
Agora vai ficar beeeem legal :D Esse capítulo é mais empolgante, eu diria ;D

A sina de um coletor de almas é fruto de sua própria imprudência. Apenas quem tira sua própria vida pode ser obrigado a viver nessa profissão da morte pela eternidade. Apenas quem não deu valor a sua vida é condenado a coletar a vida dos outros. Passei muito tempo acreditando ser um castigo muito superior ao ato que eu mesmo havia ocasionado, mas talvez fosse apenas a medida certa. Quem determina o que fará quem após a morte eu realmente não sei. Se existe vida após a morte? Não posso dizer. Essa é a única vida que eu tenho, se é que pode ser chamada de vida. As lembranças de antes de morrer são vagas e parecem sumir as vezes. Faz cerca de trinta anos que eu estou morto. Talvez seja meio cético pensar assim, mas me acostumei tanto a assistir a morte, que já nem me importo mais. Retirei almas de crianças, homens, mulheres, idosos. Não faz diferença. Eu não escolho a morte nem a provoco. É apenas o destino delas. Eu apenas sei o que irá acontecer. O dia estava acabando e o vento que batia no topo do prédio Spencer Bussiness Center era frio. Eu sentava ali, olhando as pessoas como miniaturas se moverem de volta aos seus lares. O cabelo voava levemente e o sobretudo preto parecia como as asas escondidas de um anjo caído e condenado.

Só restava uma missão para ser terminada por esse dia, pelo menos, uma que foi pedido especificamente que eu coletasse. Isso é algo meio raro, um pedido desses. Normalmente quem coleta não faz a mínima diferença desde que seja feito. Levantei-me do meu posto de vigília e dei um pequeno passo à frente, o que seria um passo para morte para alguns, para mim era apenas mais eficiente do que escadas. Ao começar a cair do prédio, minhas asas negras se abriram, como um pára-quedas, fazendo uma aterrissagem perfeita e silenciosa. Caminhei entre as pessoas, indo até uma rua bem deserta e parei ao lado do poste, apenas esperando. Ela iria aparecer logo. A descrição diz morena, estatura mediana, por volta dos vinte. Cerca de dez minutos após, ela chegou à rua. Parecia uma garota normal, receosa de andar pela rua deserta, tanto que acelerou o passo. Ela não podia me ver ali, por isso eu fiquei parado bem perto de onde ela iria passar. Dois homens entraram do outro lado da rua, para onde ela estava indo. Mudaram de lado da rua, para ir para o mesmo da garota. É claro que eu sabia o que ia acontecer, mas um evento mudou tudo. Ao passar por mim, ela virou e me olhou nos olhos. Ela não tinha como saber que eu estava ali, certo? Como ela poderia ter me visto então? Isso não fazia sentido algum. Ela continuou olhando para mim até ter me passado e ver os homens à frente dela.

“Ei, boneca, vem cá. Vamos brincar” – disse um deles

“Fica longe de mim!” – ela tentou fugir, mas um deles a segurou. Vendo que ela não cederia fácil, decidiram partir para um método mais eficiente. A garota ficou paralisada quando viu o homem tirar a arma do casaco, apontando para ela. Diferentemente de todo o esperado, ela virou o rosto para trás, olhando para mim e dando um grito que pude sentir na alma, que eu nem tinha. Tudo aconteceu muito rápido, mas para mim foi como se em câmera lenta Eu estava tão perto que foi muito fácil para segurar o que segurava ela pelo ombro e o puxar para trás, arremessando-o longe. Num momento de ímpeto me postei na frente dela, olhando em seus olhos enquanto sentia a bala entrar em meu corpo. Ela era muito linda. Mais do que eu podia entender. Algo nela me chamava a atenção, me prendia. O modo como ela me olhava era diferente. Ela era diferente. O responsável pelo disparo saiu correndo quando viu que tinha acertado alguém. No momento em que recebi o tiro no lugar dela, o céu se abriu levemente e uma luz desceu por entre as nuvens em nossa direção. Eu sabia. Eu havia mudado o destino dela. Eu havia quebrado as regras. Pouco mais pude pensar antes de perder a consciência. Pela dor e o ferimento, eu estava visível novamente, numa forma fraca e humana.

Notas finais
Bom? Ruim? Reviews? *--*