Notas iniciais
Desculpa pela demoraaaa >< Estive muito ocupadinha, mas esse capítulo ficou muito mara *O* Me empenhei bastante em fazer algo bem legal :D
Espero que gostemmm

Ela dormia profundamente, como se nada pudesse perturbá-la, como um sono de criança: pacífico e sereno. Uma mecha do cabelo caía por cima de sua face e era possível ver o início de uma marca na bochecha que estava apoiada sobre o caderno aberto. Não eram nem oito da manhã ainda, mas eu podia ter certeza de que ela não dormira muito e talvez essa ansiedade por respostas a colocou a fazer algo mais “produtivo”. Pelo jeito a solução que ela encontrou foi estudar. Peguei um dos livros que estava em cima da mesa e dei uma folhada. “As relações da mente humana e as reações biológicas”. Bem, era provável que ela fosse algum tipo de médica, ou pelo menos estava estudando para ser isso.

Fazia completo sentido se fosse parar para pensar. Fora ela quem cuidara de mim quando eu estava entre esse mundo e o outro. Coloquei a mão sobre o lugar onde a bala antes estava e parecia que podia sentir a dor novamente. Pela minha mente se passou o olhar de Yuri quando me viu atingido. Ela se mexeu subitamente na mesa como se tivesse me ouvido falar o nome dela. Levantou a cabeça e me olhou muito abruptamente, que eu dei um passo para trás.

“- Você voltou.”

A voz dela era sonolenta e eu podia ver claramente a marca da espiral do caderno em seu rosto.

“- Cadê meu café? Você tem brownies? Você tem cara de quem tem brownies. “

Olhei para ela sem entender muito bem o que ela queria dizer com isso e tentei pensar o que era aquilo. Provavelmente algum tipo de comida.

“- Não tenho brownies.”

“- Por que está escondendo os brownies?”

Ela se levantou e veio em minha direção com passos incertos e a segurei quando ela oscilou a cair, caindo no chão com ela. Quando fui perguntar se ela estava bem, ela estava dormindo em meu colo já. Fiquei um pouco assustado por aquele momento extremamente aleatório que acontecera ali. Será que isso seria..

“- ... Sonâmbula?”

Segurei ela em meus braços e a levei até que eu supus ser o quarto dela pela coloração rosa e os produtos aparentemente femininos na mesinha em frente à um espelho. A cama era de casal e tinha um dossel com uma cortina presa em cada um dos mastros ao redor da cama. Puxei as cobertas e a deitei lá, fechando a porta levemente.

Vi uma luz piscando no computador em um dos quartos em que passei e entrei nele para ver o motivo de tal. Liguei a tela e encontrei muitas fotos e artigos sobre anjos e demônios. Parece que não foi só com as relações da mente humana que ela estava ocupando seu tempo. Fechei todas as janelas abertas. Não entendia por que ela queria tanto saber mais sobre mim. Eu não era algo bom, eu não possuía essa parte. Independente do que acontecera aquela infortuna noite no beco, eu nunca repetiria isso por algum humano e talvez nem por um dos meus. Abri a página principal e digitei uma pesquisa. Eu realmente não sabia o que fazer com todo esse tempo que eu tinha agora. Eu não ousaria desafiar o que aquela garotinha me falara, pois, por algum motivo, ela conseguira ser mais convincente do que muitas ordens que eu recebera até hoje. Parecia que eu podia confiar nela mesmo sem saber o que ela era.

O barulho da porta abrindo me deixou mais atento. Depois de um certo tempo vi Yuri aparecer na cozinha com o cabelo muito bagunçado e em sua face ainda era possível perceber que estivera dormindo até agora.

“- Já são dez horas da manhã. Eu dormi tanto assim?”

Por algum motivo parecia que essa pergunta não fora feita para mim porque quando ela me viu parado ali na cozinha, ela parou de andar e ficou parada me olhando, um pouco assustada.

“- Você está aqui.”

“- É muito rude de minha parte isso? Se preferir posso sair.”

“- Eu pensei que tinha ido embora por causa do que houve na outra noite. Aquilo das asas do mau e da voz malvada. Faz algum sentido?”

“- Faz todo sentido. Voltei durante a madrugada.”

Ela chegou mais perto, mas tomando um certo espaço de distância entre nós. Medo?

“- Que cheiro é esse? Você está cozinhando?”

Não sei se deveria me sentir ofendido pelo tom do comentário ou se aquilo significava a total incapacidade da raça masculina de fazer algum tipo de comida.

“-Seriam... Brownies?”

Agora sim eu poderia ficar assustado com a reação dela. Ela veio correndo para o meu lado e ficou quase colada em mim enquanto eu abria o forno e retirava uma fornada de brownies de chocolate do forno, desligando-o.

“- Eu pensei que fosse querer.”

“- Mas... Como sabia?”

“- Hm... Ontem você acordou subitamente e começou a me acusar de estar escondendo brownies de você.”

Acho que foi a minha naturalidade em contar esse fato um tanto quanto embaraçoso que fez com que ela ficasse extremamente vermelha e desviasse o olhar.

“- Devo supor que seja sonambulismo?”

Antes que ela pudesse responder ouvimos uma batida na porta. No mesmo instante deixei a bandeja de lado e me posicionei na frente dela, olhando para a porta e a mantendo atrás de mim. Uma segunda batida foi ouvida, dessa vez mais forte, fazendo a porta tremer. Pude perceber o susto que isso causou a Yuri, virei-me para falar com ela.

“-Estava esperando alguém, Yuri?” – andei até a mesa da sala lentamente com os olhos na porta.

“- Não atenda, por favor! É o meu ex. Ele é muito nervoso. Não quero falar com ele.”

Assenti com a cabeça uma única vez para ela e desembainhei a espada, mantendo-a atrás de mim enquanto abria uma fresta da porta. O homem do outro lado empurrou a porta com força, fazendo-a se abrir completamente e entrando e parando na entrada do apartamento, olhando para mim e para Yuri.

“- Já está com outro?! Não consegue manter essas pernas fechadas?! Sua vadia!”

“- Senhor, por favor, é extremamente rude de sua parte entrar sem permissão na casa alheia e insultar o anfitrião. Tenha modos.”

Ele veio até perto de mim, rindo debochadamente para mim. Pude ouvir os soluços de Yuri atrás de mim. Isso fez meu coração apertar e senti uma tristeza e uma súbita raiva me invadindo.

“-Vou-lhe mostrar meus modos, valentão.”- disse ele.

Ele veio para cima de mim com nada mais que seus punhos, provavelmente acreditando que isso bastaria para me derrotar. Pobre mortal. Segurei-o pelo pescoço com uma gravata e aproximei a lâmina da espada, até então escondida atrás de meu sobretudo preto, na garganta dele, fazendo-o parar por um momento.

“- Já passou dos limites. Saia. Agora.”

Soltei-o, empurrando-o em direção à porta.

“- Okay, cara. Estou indo.”

Típico da raça humana, assim que me virei para ver como estava Yuri, Min veio tentar me pegar desprevenido. Foi tudo muito rápido. Em alguns segundos me virei para ele, abaixando-me do suposto golpe que iria dar e cortando em suas costas um X ralo na pele das costas dele, que deixaria uma marca como lembrança, mas não uma cicatriz funda.

Ele se afastou rapidamente,caindo no chão perto da porta e colocando as mãos nas costas e vendo um pouco de sangue em suas mãos.

“-Você é louco! Eu só vim falar com a minha garota e você quase me matou, seu desgraçado!”

Andei até ele, segurando-o pela camiseta e falando perto de seu ouvindo.

“- Ela é minha garota agora.”

Joguei-o para fora do apartamento, fazendo-o cair no tapete de entrada. Segurei a porta para fechá-la.

“-Se preza pela sua vida, não volte. Da próxima vez eu irei matá-lo. Nunca mais faça ela chorar se quiser continuar vivendo.”

Fechei a porta com um estrondo e fui até a cozinha novamente, pegando um dos bolinhos de chocolate e provando um pouco.

“- Não quer provar os brownies?” – falei, de modo natural, como se nada tivesse acontecido.

Ela estava atônita. As lágrimas não caíam mais pelo rosto dela. Ela veio até onde eu estava e me abraçou com força. Fiquei alguns segundos sem saber o que fazer e então a abracei de volta, achando um pouco estranho aquele contato. Ela voltou a chorar, a cabeça encostada em meu peito nu por baixo do sobretudo. Apoiei minha cabeça sobre a dela.

“-Está tudo bem agora, Yuri. Ninguém mais vai poder te machucar. Eu estou aqui para te proteger.”

Notas finais
Reviews, pleeeeeeeeeeeeeeeeeease? Minha autoestima autoral tá lá no calcanhar do chinelinho TT-TT Ajudem-me a continuar escrevendo, meus leitores lindos *----*