Better start running
1 Prólogo
Ouvi um rugido profundo rasgar o silêncio. O som parecia ainda mais perturbador na escuridão da noite.
Arin parou. Olhou para a escuridão logo à frente e fez uma careta.
–O que está fazendo? –Eu perguntei exasperado.
Ele apenas gargalhou alto.
–Já estão aqui. –Respondeu em um tom esganiçado. –Não adianta mais correr.
–Você ficou louco? –Tornei a gritar. –Vamos morrer!
–Não, não vamos. –Arin tentou parecer confiante, mas seu olhar aterrorizado o traiu. –Vamos lutar.
Olhei para ele indignado. Tentei rir, mas o som saiu rouco e desesperado.
–Lutar? –Questionei, ainda ofegante pela corrida. –Eu?
Olhei para meu próprio reflexo no vidro do shopping. Para começar, eu era magrelo demais. Os braços e pernas finos também não me tornavam o mais indicado a uma luta. Estava ainda mais patético que o normal naquela noite em particular. Meu cabelo estava mais enrolado do que o de costume; Tinha as laterais raspadas enquanto o resto caía para frente quase me tapando os olhos. Meu uniforme faltava dois ou três botões; A camisa branca e azul estava agora mais bege do que qualquer outra coisa.
Eu encarava meu reflexo em temor e confusão.
Alguns minutos de corrida e já sentia o pulmão em chamas; era quase certo que não duraria sequer um minuto lutando contra bestas demoníacas.
Olhei novamente para Arin buscando algum conforto. Não obtive algum. A melhor descrição que me vinha à mente para ele era a de um urso estranhamente fofo, o que não era nada bom. Arin definitivamente não parecia intimidador. Fala sério! Por que eu não podia ter um guardião, ou seja lá o que fosse, um pouco mais intimidante e assustador?
–E o plano B? –Perguntei. –Nós temos um, certo?
–Ah, claro. O plano B é virar comida de monstro.
Oh, ok. Eu inspirei fundo, na esperança que o ar frio da noite fosse me trazer alguma coragem. Não trouxe. Abotoei o que ainda restava de minha camisa, tirei o cabelo do rosto, e disse:
–Ok. Vamos lutar, então.
Arin sorriu.
–Estamos ferrados.
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