Better late than never
1 Oneshot
Notas iniciais
Essa oneshot aqui é pra você, Nanda, é sempre um prazer escrever sobre o nosso casal metáfora ♥
— Hey — Jane fala apressada, entrando na sala do Kurt, que está folheando alguns papéis. — como está tudo por aqui? — ela coloca um olhar suave no rosto e se senta na cadeira de frente para a mesa.
— Melhor impossível, acabei de terminar a revisão do relatório de hoje e a reunião com a gestão financeira vai ficar para amanhã. — Kurt termina de guardar os papéis em suas devidas pastas e encara a amada com um sorriso no rosto. — Temos o resto da noite só pra nós. — ele se apóia na mesa e se inclina, depositando um beijo na boca da Jane. Em resposta, ela coloca as mãos uma de cada lado do rosto dele, impedindo que eles fizessem qualquer outra coisa que não fosse se beijar.
— Bem que eu gostaria... — Jane fala mordendo o lábio inferior depois de separar sua boca do Kurt.
— Eu tinha esquecido completamente que íamos às compras hoje — ele fala depois de um tempo, lembrando o que eles tinham acordado na semana passada.
— Exatamente, e ainda temos que pegar o Anthony na casa do Ian — Jane lembra o marido. Desde que ela tinha voltado a trabalhar, Sarah e Ian se revezavam em quem cuidava da criança, o irmão da Jane ficava em maior parte, já estava a alguns meses nessa rotina, que por sinal, não havia reclamações de nenhuma das duas partes.
— Você liga pro Ian? Avisa que já estamos indo, eu só preciso guardar tudo aqui e te encontro no vestiário — Weller pediu, voltando-se para as pastas e organizando-as nas gavetas.
— Já estou ligando — Jane fala mexendo no celular e o colocando no ouvido enquanto sai da sala. — te amo — ela sussurra antes de sair, ganhando um sorriso do Kurt e um “eu te amo” de volta em resposta.
— também te amo, irmã — Ian sorri do outro lado da linha.
— Cala a boca, isso não foi pra você — Jane brinca enquanto se encaminha ao vestiário.
******
Como um casal recém casado e pais de um garoto de 16 meses, Jane e Weller ainda não conseguiam curtir sua rotina, então o único momento que eles tinham para fazer isso era algum como agora, que eles estavam esperando o Ian para irem num supermercado. A Locker Room nunca fora tão bem utilizada por dois funcionários quanto dessa vez.
Qualquer um ficaria morto de vergonha ao serem flagrados desse jeito no ambiente de trabalho, Jane sem a jaqueta, com as pernas enroladas na cintura do Kurt, as mãos dos dois percorrendo toda a área conhecida do corpo do outro e quase sem perceber, já não havia mais espaço entre o armário do Kurt e as costas da Jane. Eles com certeza estavam se divertindo. Mas quando quem entra sorrateiramente é Ian, Patterson e o pequeno Anthony, que passa a pular de felicidade no colo do tio, apenas por ver sua mãe e o seu pai novamente, Jane e Kurt apenas desgrudam as bocas e olham as 3 pessoas paradas do lado deles. Patterson demonstrando sua surpresa com timidez e Ian com um sorriso enorme no rosto, ele não perderia a piada.
— Oh, oi vocês dois — Patterson fala ficando vermelha.
— Que bela recepção, Wellers — Ian brinca, falando na mesma hora que a Patterson, eles trocam rápidos olhares e voltam a encara o casal na sua frente.
— Eu encontrei essas duas crianças perdidas no lobby, pertencem a vocês? — Patterson brinca, ganhando um olhar ofendido do Ian.
— Ei, cuidado como fala — ele a repreende.
— Por que eu deveria? Até onde eu sei você é uma criança — Patterson provoca o homem ao seu lado. Fazendo carinho nas costas do Anthony.
Patterson e Ian sabiam que se provocar não era o verdadeiro objetivo, mas como evitar ficarem conversando como se não houvesse mais ninguém no ambiente era algo que eles dois ainda não tinham aprendido.
— Mas eu sou, estou falando da honra desse homem aqui que você acabou de ofender — Ian faz cócegas na barriga do Anthon enquanto a criança se contorce, fazendo Patterson rir também.
Felizmente, toda essa conversa deu tempo suficiente para que Jane e Weller curtissem a breve privacidade para se arrumar novamente. No fundo, o casal sabia que não demoraria muito tempo até que Patterson e Ian assumissem que estavam loucamente apaixonados, era visível até no jeito de sorrir dos dois, o que lembrava muito a Jeller quando seu relacionamento ainda estava no início.
— Você quer vir com a mamãe? — Jane se aproxima sorrindo e estende os braços para pegar o filho, que automaticamente se joga nos braços da mãe como se não a visse desde o século passado.
Se aproximando da esposa e do filho, Weller poderia novamente entender porque ele amava tanto sua vida, independente do cansaço e dos problemas, ele sabia que naquele sorriso enorme que o Anthony lhe dava, alí sim ele poderia encontrar a paz, era recompensador. O mesmo se pode dizer da Jane, que se tornava cada dia mais apaixonada por cada detalhe do seu bebê.
Enquanto os pais brincam e sorriem com as palavras que a criança já balbuciava, Patterson e Ian apenas observam as ações deles. Como os dois que mais participavam dessa família, a felicidade dos 3 também era a felicidade dos dois. Em algum lugar da mente deles, eles queriam ter uma família igual a essa, com filho, uma casa e até mesmo um cachorro. Eles apenas não sabiam que esse desejo só seria completo se estivessem na presença um do outro. Tanta era a sincronia que eles se olham no mesmo momento, algum coisa naquele olhar fazia com que os dois se alegrassem imensamente, sorrisos tímidos nasceram nos seus rostos e eles poderiam claramente dizer o que o outro pensava. Resultado de todas as noites que eles passaram conversando, fosse na cela ou por telefone nas noites em quando se sentiam sozinhos.
— Eu tenho certeza que esse sorriso no rosto da Patterson não é por causa do Anthony — Weller provoca, ele tinha apostado com a Jane, Patterson tomaria o primeiro passo em relação ao Ian, diferente de Jane que tinha convicção exatamente do contrário, confiava no irmão e que ele seria o único a tomar iniciativa.
— O que… — a voz do amigo tira Patterson dos seus pensamentos — claro que é por causa do Anthony, por quem mais seria, porque eu estaria sorrindo se não fosse por causa do Anthony? — Patterson fala apressada e Jane e Weller gargalham.
— Eu lembro quando vocês sabiam analisar o sorriso da Patterson — Ian fala em tom de falso lamento.
— E você sabe? — Patterson encara o homem ao seu lado, no seu rosto a surpresa misturada com a felicidade da possibilidade dele saber reconhecer seu sorriso.
— Claro que eu sei — ele fala um pouco mais sério e nesse momento até o Anthony encara o tio. — esse é aquele sorriso que você dá quando não quer dizer… — Patterson aguarda atenciosamente a continuação, até que ela vem. — “vamos parar de conversa e ir logo para o Whole Foods porque eu estou com fome” — Ian imita a voz da loira e ganha um murro no peito. Patterson gostaria de dar um tapa no rosto dele, bem na bochecha, mas ela não daria mais motivos para ele fazer piada com o tamanho dela.
— Eu só estou brincando — ele fala, observando a feição brava dela, passando um braço confortador ao redor do seu ombro e trazendo a loira pra perto, fazendo que ela encaixe sua cabeça no seu peito, claro que esse meio abraço dura poucos instantes até que Anthony comece a bater suas pernas e Jane o coloca no chão.
— Vamos lá, Tony, vamos investigar esse lugar — Patterson se separa do Ian e agarra a mão do bebê, o levando de volta pra área das mesas e de longe Jane e Weller a observam andar curvada e mostrando tudo para o pernas gordinhas ao seu lado.
— Cuidado com o meu sobrinho — Ian grita e Patterson lhe manda um “fica quieto” em resposta, ganhando um sorriso bobo do homem que a segue apressadamente.
Jane e Kurt passam esse tempo todo observando o que os dois fazem. — dois adolescentes apaixonados? — Jane indaga quebrando o silêncio.
— 17 anos, no máximo — Weller fala confirmando com a cabeça.
******
— Vocês vão agora? — Jane fala para Patterson e Ian, que estavam fazendo uma ficha de jogo em um dos computadores.
— Ah sim...sim, nós já vamos — Ian responde depois de um tempo. Dungeons & Dragons era o jogo preferido dele, Patterson fez questão de ensiná-lo as técnicas com uma paciência inabalável, eles adoravam jogar essas partidas nos momentos livres. O Ian se descobriu um ótimo nerd, ainda não se sabe se foi pela influência da Patterson ou se ele sempre foi assim.
A essa altura do campeonato, Anthony já ia no terceiro sono, ainda nos braços da Patterson. Weller se aproxima dos dois, se estendendo para trazer a criança para o seu colo.
— Como Diretor Assistente eu terei que pedir que os dois saiam dessa máquina — Kurt sussurra num tom sério — agora. — Claro que Patterson sabia que não tomaria uma advertência por isso, mas ela estava realmente com fome.
— Nós terminamos isso outra hora, — Patterson salva a ficha e fecha a aba, se levantando rapidamente. — agora vamos, estou morta de fome. — ela diz e Ian se levanta com um sorriso no rosto.
— Eu disse a vocês... — Ian se gaba, confirmando que ele conhecia bem o seu sorriso, ganhando um olhar desafiador da Patterson. Eles seguem caminhando lado a lado, Weller com Jane e o Anthony na frente, guiando o caminho até o elevador.
Jane e Kurt ainda não sabem ao certo porque Ian e Patterson estavam indo com eles, mas eles estavam e ainda se divertiam vendo algo no celular no banco de trás, Anthony ainda dormia na cadeirinha. A cada sorriso que o irmão de Jane dava com a loira, Kurt a olhava, sabendo que Patterson estava fazendo piadas e consequentemente, dando o primeiro passo. Mas quando acontecia o contrário, era Jane quem sorria convencida.
Não demora muito até que eles chegam ao supermercado, era um lugar grande mas calmo que o casal adorava ir, tanto pela vasta diversidade de produtos orgânicos quanto pelas lanchonetes de dentro.
Weller é o primeiro a sair e Jane o segue, dando a volta para pegar o Anthony que já havia acordado mas ainda estava sonolento.
— O que você vez com ele o dia todo? — Patterson chama a atenção do Ian — ele está morto de sono — ela fala enquanto eles caminham para dentro do supermercado.
— Não sei, nós podemos ter passado o dia brincando com suas miniaturas de D&D — ele fala receoso, sabendo a bronca que ganharia.
— Você não fez isso, Ian — Patterson deixa os ombros cair como se estivesse imaginando os piores cenário para suas miniaturas, pelo que ela já tinha presenciado, Anthony adorava testar a resistência dos seus bonecos. — nunca mais ficamos jogando até tarde na sua casa.
— Não é pra tanto, você também deixou os seus dados — Ian acrescenta querendo rir. Ele amava tudo relacionado a D&D, claro que não deixaria seu sobrinho quebrar os materiais do jogo, mas ele tinha que admitir que adorava ver o quão nervosa a Patterson ficava.
— O que aconteceu com os meus dados? — Patterson pergunta assustada.
— Nada de relevante — Ian diz, apressando os passos para perto da Jane e do Weller, adentrando o supermercado e Patterson o segue.
— Você dormiu na casa do Ian ontem? — Kurt pergunta surpreso com a possibilidade. Bem que ele tinha percebido a Patterson mais agitada essa manhã.
******
Jane e Kurt estavam se encaminhando para a farmácia, precisavam comprar as fraldas que o Anthony mal usava, mas era bom guardar para o caso de um incidente. Enquanto isso, Patterson e Ian cuidavam do bebê, agora acordado e cheio de energia. — Espera — a voz de Patterson chama a atenção do Ian, que estava olhando algumas embalagens de salgadinhos nas prateleiras — Jane e Weller não estão colocando o Anthony para andar, não é?
Ian caminha para perto dela com a testa franzida. — Não sei eles, mas na minha casa essa criança conhece cada lugar. — ele diz, claro que não era inteiramente verdade.
— Eu estou vendo essas suas pernas gordinhas, Anthony. — Patterson fala para o bebê, fazendo cócegas nas dobrinhas das suas pernas — Não liga para o seu tio mentiroso.
— Hey! — Ian forja um tom ofendido, devolvendo uma embalagem no seu lugar.
— Vem, eu vou colocar você no chão. — Patterson o tira com cuidado de dentro do carrinho, o colocando no chão. As pernas dele fazem automaticamente um movimento típico dos passos. O garoto não podia se segurar, estava louco para ser livre.
— Patterson, ele pode derrubar algo. — Ian conhecia o sobrinho, sabia que correria o mais longe que pudesse e consequentemente acabaria se segurando em algo indevido.
— Ele não vai, eu vou ficar perto del--- é nesse momento que o bebê faz verdade dos pensamento do tio, apressando seus passos em direção ao corredor seguinte.
— Anthony! — Ian grita enquanto corre ao lado da Patterson atrás do bebê. É claro que ele estava se divertindo, sua gargalhada enquanto fugia dos dois adultos poderia ser ouvida a metros de distância.
— Fugitivo entrando no setor 7 — Paterson brinca e Ian a segue.
— Copiado — os dois se jogam no chão no mesmo momento, impedindo os próximos passos da criança, que cai nos braços da loira, rindo como se tivesse acabado de viver sua maior aventura. Ainda bem que o lugar está vazio, ou com certeza, os 3 ganhariam olhares críticos dos outros clientes.
— Você me cansou, baixinho. — Patterson diz, se encostando numa pilastra no meio do corredor.
— Sabe o que eu mais sentiria falta? — Ian começa, é a sua vez de chamá-la, ganhando um olhar surpreso e ao mesmo tempo, atencioso. — Momentos como esse, nós três aqui no chão do supermercado. — ele sorri ao finalizar, e não estava mentindo, sentiria mesmo a falta dessas situações em que ele poderia esquecer de todos os problemas.
— Falta? Porque você sentiria falta de nós? — Patterson força um sorriso, imaginando que o homem sentado à sua frente estaria brincando.
— Eu estou pensando em fazer uma expedição pela África, durante 18 meses — Ian fala como um sussurro audível, um peso recai nos seus ombros e então nos da Patterson — tem esse programa e eles nos proporcionam conhecer a história do país, ajudá-los no que puder.
— Mas e… e o FBI, você tem nos ajudado muito. — ela gagueja, ele não poderia ir embora desse jeito, não fazia sentido.
— Eu sei — ele coloca um olhar doce no rosto, prendendo seus olhos verdes nos azuis — mas a América está muito bem servida com a Special Agent e Gnomo Clérigo nas horas vagas, Patterson. — ele sorri timidamente.
— Você é importante, Ian. — ela sentia a necessidade de dizê-lo isso. Não só para os casos, mas pra mim também. Patterson queria gritar para que ele pudesse finalmente tirar essa ideia da cabeça.
— É, agora eu sei, — algumas lágrimas parecem querer pular dos olhos dele, mas não chegam a cair. Ver a dor nos olhos dela o fazia se sentir ainda mais culpado. — e agradeço a você por isso.
— Isso é uma despedida? — ela procura ainda mais seus olhos, seu subconsciente ainda clamando por uma resposta negativa.
— Não é. — ele a acalma, apoiando seu braço na frente do corpo, se aproximando mais dela e do sobrinho. — Até porque estamos no corredor do enlatados, eu acho que conseguiria fazer uma despedida melhor.
******
Eles já tinham finalizado as compras e estavam numa espécie de praça de alimentação que tinha no lugar. Enquanto Jane e Ian compravam a comida, Patterson e Weller estavam sentados em uma mesa. Era palpável a ansiedade da loira, ela estava em um estado de transe desde que Ian havia lhe dito que viajaria para África, ela sentia um peso esmagando seu coração, como um medo que ela nunca sentira antes. Ela apenas sabia que não poderia perdê-lo.
— Você teria algo contra se eu fizesse parte, mesmo que indiretamente, da sua família? — Patterson puxa assunto depois de um longo silêncio encarando o celular, ela sabia que Weller captaria a ideia, mas precisava do seu aval, tanto como chefe quanto como amigo. — Quero dizer, isso poderia atrapalhar o meu julgamento, certo?
— Patterson, o que você quer dizer com “parte da minha família” — Weller fala desconfiado mas mantendo um tom sério, ele sabia muito bem do que se tratava.
— Indiretamente. — Patterson frisa.
— Indiretamente — e Weller repete, esperando algum tipo de explicação mais clara.
— Eu não sei, eu não… sei. — ela bufa. Estava cansada de sentir medo e com ele, finalmente conseguia ser alguém mais livre. O receio de se envolver romanticamente com mais alguém era o que a consumia.
— Algo que você não saiba, fale mais sobre. — Weller provoca, vendo a amiga lhe dar um olhar cansado, como se realmente não conseguisse explicar. — só fala, Patterson, faça a sua coisa — ele se referia a ser verdadeira e sempre debater até achar uma solução.
— Quando eu vi você e a Jane hoje, como eu venho vendo todos os dias dos últimos anos, — ela começa, colocando a mão na têmpora e fechando brevemente os olhos, a preocupação era notável — era como se finalmente, depois de tanto tempo, eu quisesse entrar de cabeça em algo com alguém que me faça perder o ar sempre que estamos juntos, que me faça rir até a barriga doer ou apenas que fique próximo, sem dizer nada, apenas para estar lá, sabe? — ela finaliza com um sorriso tímido, como se Weller fosse um mero ouvinte e ela estivesse convencendo a si mesma da sua realidade. — Não é prematuro, é? — ninguém espera começar a namorar com alguém que pensa automaticamente em construir uma família. Ela mesma não era uma adepta desse tipo de assunto, nem gostava de falar sobre. Mas parecia certo.
— Com certeza não, mas depende da pessoa em questão. — Weller a indaga e ela não demonstra qualquer preocupação. Exatamente como se no fundo, ela soubesse que ele também a desejava na mesma medida.
— Como foi para você? — ela pergunta e Weller fica confuso.
— O que? — ele se ajeita na cadeira. Tinha certeza que ela não precisava da sua autorização para fazer qualquer coisa.
— Perceber que não conseguia viver sem a Jane. — ela diz e Weller relaxa novamente. Ele sabia exatamente quando aconteceu, por mais que não tenha uma data exata.
— Foi no momento que eu percebi que sem ela, eu me afundava em uma bagunça, ela me força a ser uma pessoa melhor todos os dias sem nem mesmo se esforçar para, eu também a transformo e de algum modo, nós nos ajudamos a ser melhor. — ele fala sinceramente, prestando atenção em como a Patterson se concentra nas suas palavras.
— Você sabe, — ela fala depois de um tempo — depois de tudo que eu passei, chega um ponto que não esperamos mais ninguém chegar e a nossa realidade não pode ser mudada. — Patterson encolhe os ombros e é a vez do Kurt prestar atenção ao que ela diz. — Todas as sombras que juntamos durante a nossa vida, é como se nada disso realmente importasse porque na verdade, temos um ao outro e isso se tornou suficiente.
— O Ian é aquela pessoa para você, não é? — claro que Weller queria ajudar a amiga, mas ele também faria o que pudesse para que Patterson desse o primeiro movimento. Não que houvesse perdedores em sua aposta com a Jane. Mas seria proveitoso se ele ganhasse.
— Tem sido durante os últimos meses. — Patterson assume, mais para si mesma do que para o homem na sua frente, no fundo ela sempre soube que não demoraria muito até depender fortemente do sorriso dele, aliás, de tudo que o envolvia. — O que eu faço se ele lembrar de algo que o faça desistir de tudo?
— Eu fico feliz que está finalmente se abrindo. — Weller assume, colocando um sorriso orgulhoso no rosto. — As lembranças... isso não é um problema quando a realidade dele faz qualquer coisa que venha do passado parecer desnecessária, — Patterson parece estar confusa. Ela participou de todas as descobertas que Ian fez sobre o passado e 90% das vezes ela acabava por trazer ele de volta ao real. Era um buraco escuro e por mais que ela não soubesse o que mais sairia, ela estava preparada para ajudá-lo a lidar.
— Sabe, no início foi difícil pra mim aceitar que estava totalmente entregue a alguém, isso nunca tinha acontecido, mas eu me apaixonei pela Jane, não pela Remi e as coisas ruins que ela fez. — Weller usa seu próprio exemplo para ajudá-la. — Pode ter certeza, há uma divisão que eu sei que a Jane nunca gostaria de cruzar novamente. — Weller diz, repetindo o que a Jane sempre falou — O Anthony, eu, o Ian, o team, nós ajudamos a trazer o melhor dela. Esse lado é imutável para os Krugers, eles sabem valorizar quem os ajudam, e você esteve lá quando ele precisou. — Weller diz sinceramente. Vamos, Patterson, tome a iniciativa.
— Eu tenho que me deixar ser feliz, — ela sacode a cabeça levemente, colocando um sorriso no rosto — e para isso o Ian precisa continuar aqui em Nova York. — Patterson fala decidida e Weller não se perdoa enquanto a incentiva.
— Exatamente, e você precisa dizer isso a ele.
******
— Então é sério, você está pensando mesmo em ir para a África? — Jane retoma o assunto que eles conversaram no telefone mais cedo.
— Considerando seriamente a ideia. — Ian fala distraído, se focando na fila que parecia interminável.
— Mas o que acontece com o que você faz aqui? — Jane indaga o irmão — com a Patterson e o FB--
Ele parece mais distraído que o normal, e a Jane sabe que quando ele faz isso, algo está errado.
— Ian. — ela chama sua atenção, seu tom de voz é suave, afinal, a reação dele quando ela falou o nome da Patterson indicava que esse era exatamente o assunto que ele estava tentando fugir.
— Eu não posso correr o risco de machucá-la, Jane, — ele assume com o terror refletido nos olhos, agora enfrentando o olhar intenso da irmã. Ele não conseguiria fugir desse assunto nem que pudesse. — eu era uma pessoa horrível, parte de mim ainda carrega esse instinto e por mais que ela já tenha dito um milhão de vezes que eu não sou mais o antigo roman... — Ian fala rapidamente, finalizando ofegante. — eu ainda estaria a colocando em perigo, eu não posso conviver sequer com a ideia de perdê-la. — Jane sabia muito bem como era se sentir assim, mas ela também sabia que conviver com esse medo não era a melhor forma de superar, ela sabe que não estaria aqui hoje se não tivesse arriscado tudo pelas pessoas que ama.
— Você está vendo essa criança no meu colo? — Jane pergunta, apontando para o Anthony que descansava em seus braços. — Eu tenho muito medo por ele. Todos os dias. Mas também sei que faria de tudo para mantê-lo seguro, seja da sandstorm ou de um machucado no joelho, — e ela falava sinceramente, não mentiria para o seu irmão. Estava no sangue, afinal. — independente do quão mal eu fui. — ela conclui, percebendo que Ian encara o Ian, novamente distraído.
— E aquele homem alí? — ela aponta para Weller que está um pouco mais atrás, numa mesa com a Patterson. — Eu seria capaz de ir contra tudo para sempre tê-lo comigo, na nossa casa e bem. — ela ganha um sorriso do Ian. Ele sabia que Weller e Jane eram apaixonados, ele amava ver a irmã feliz e amava ainda mais, ver o fruto desse relacionamento.
— Você se sente assim com a Patterson e não é algo de outro planeta, — ela suaviza o tom de voz, trazendo mais diversão — é apenas algo extremamente confortador e que te dá uma enxurrada de felicidade.
— Você está certa, — Ian fala se convencendo — eu não posso ir para a África. — Jane respira aliviada assim que ele fala. Afinal, ela nunca gostaria de perder uma aposta para o Weller. — Lá não teria os olhos dela sempre intensos, não iria ter o seu sorriso para iluminar o que parecer escuro, não teria como observá-la dormir e ver como a respiração dela se acalma conforme o tempo passa, também não teria sua voz apressada e como ela fica ofegante quando finaliza uma frase. — Ian está encantado, fala como se estivesse lembrando de cada detalhe da pessoa que tinha convivido durante os últimos anos. — Eu não poderia ver a expressão empolgada no seu rosto sempre que ela faz uma nova descoberta nas tatuagens. — ele finaliza com um sorriso, colocando também um sorriso no rosto da irmã. Se eles dois lembravam Jane e o marido no início do relacionamento? Não, pelo menos não que os dois fossem assumir.
— Meu deus, você está muito apaixonado mesmo. — Jane diz depois que o Ian sai do transe, ele ainda mantém a felicidade estampada no seu rosto.
O Anthony teria primos novos mais rápido do que ele imaginava.
Notas finais
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