Better Together
3 Dark Magic
Notas iniciais
Eu queria matar Rumpelstiltskin naquele exato momento. Meu sentimento por ele era apenas de ódio. Eu sabia que ele estava metido nisso de alguma maneira, eu sabia que aquilo não era eu, que ele me obrigou a fazer tudo isso. E eu dizia isso pra mim diversas vezes, como se eu precisasse acreditar para seguir em frente.
– E então, você gostou... – Ele fez uma pausa dramática. – de sua primeira experiência com as trevas?
Eu tenho certeza que nesse momento ele viu o quanto eu estava desesperada. Minha expressão facial foi a mais transparente que eu jamais fizera em toda a minha vida. Eu estava apavorada, eu queria a minha mãe e eu não sabia para onde correr. Todo lugar que eu ia, Gold estava lá, ele aparecia nos piores momentos ou até naqueles que eu nem estava pensando nele. Se Henry estivesse aqui ele iria olhar para mim e dizer que ia ficar tudo bem e eu ia apenas acreditar, a voz dele dizendo isso ecoaria na minha mente até tornasse uma lei pra minha vida. Foi então que eu me lembrei da vez que eu quase atirei em Lilly. Aquilo era ódio, eu queria mesmo atirar e acabar logo com tudo que tinha acontecido, mas Regina estava lá. Ela foi capaz de me entender e me fazer hesitar melhor do que meus pais, ela tinha um dom de controle sobre mim que na maioria das vezes eu achava que ela estava usando magia para controlar meus pensamentos, gestos e palavras. Regina acreditava em mim. Naquele momento foi importante ela me convencer de que eu era melhor do que aquilo, e que não valeria a pena. O mesmo para Henry, ele acreditava tanto em mim que qualquer coisa que ele dizia, eu tornava real e botava em prática, mesmo quando eu não concordava. E acho que foi assim que ele foi, aos poucos, conquistando o seu espaço no meu coração e mudando minha maneira de ver o mundo, junto com Regina. Meu sentimento por eles é algo que eu nunca soube explicar, e talvez eu ainda não saiba.
– Deixe-me em paz. Eu não preciso de você. – Eu andava em direção ao nada e Rumple vinha logo atrás de mim.
– Aquele carvalho à frente... Já passamos por ele três vezes. – Ele disse, e eu conclui que estava perdida, não era pra menos, uma floresta assim tão grande e diferente do mundo real. – Você está andando em círculos, querida. Eu posso ajudar, se você deixar.
– Não vou usar magia negra. – Eu estava resistindo bem, até então. Eu não queria destruir tudo logo agora.
– Não disse que você vai usar magia. – Enquanto ele falava eu olhava para os lados para ver se avistava algo. – Se quer encontrar Merlin, só precisa pedir, e você o encontrará.
– Ok. – Eu cedi. – Como eu o acho?
– Fico feliz que perguntou. – Eu não, pensei. – Há uma força mágica que pode levar você para onde você quiser. Se me permitir, posso mostrar onde encontrá-la.
– Estou escutando. – Eu queria achar Merlin logo, então achei que talvez pudesse ser uma boa ideia e concordei em saber.
– Excelente. Imagine um lago, uma árvore alta, de ramos baixos, que pairam sobre o lago. Acima, um lindo céu azul. – Eu já estava imaginando e prestando muito atenção em todos os passos. – Agora, desenhe na sua mente. Desenhe claramente.
– Certo, estou desenhando... – Minha fala foi interrompida por um teletransporte que fizemos para o lago. Eu fiquei impressionada e ao mesmo tempo muito irritada. – O que? Eu disse pra não usar magia!
– Eu não usei, querida. Você que usou. – Rumple disse, entusiasmado. – Parabéns para a sua primeira transportação mágica.
– Você me enganou. – Falei entre raiva e desespero por ter usado magia negra mais uma vez.
– Sim! Sou o Senhor das Trevas.
– Vá embora. – Eu estava com tanto nojo dele que eu poderia afoga-lo naquele lago ali mesmo mas eu, no fundo, achava que precisava dele.
– Acho que você não quer isso. Olhe... – Ele apontou para uma luz azul flutuante. – O fogo-fátuo. – Eu não fazia a mínima ideia do que se tratava, mas estava disposta a descobrir se ela me levasse ao Merlin. – Agora, se quer encontrar Merlin, você precisa pegá-lo.
Eu não pensei duas vezes, fui atrás da luz desesperadamente. Eu não sabia quanto tempo eu ainda tinha e precisava ser o mais veloz que eu pudesse para achar o homem que tiraria todo esse mal de mim. Eu não confiava muito no “meu” Rumple, mas eu sabia que ele estava dizendo a coisa certa, e com toda a sede de descobrir como vou sair dessa, fiz o que ele mandou. A luz estava indo rápido demais e eu pulando por todas as raízes e troncos e desviando de árvores para alcança-la. Eu já não aguentava mais, quando de repente apareceu uma pessoa encapuzada na minha frente, pegou a luz azul e colocou dentro de sua bolsa. Como ousa? Eu a vi primeiro. Eu não sabia o motivo dessa pessoa querer essa luz, mas meu motivo era muito mais importante. Ela me viu, e eu tive que gritar que parasse, mas ela não parava. E a magia de novo. Quando minha mão foi à frente num gesto de desespero para alcançar a pessoa, a mesma veio para trás, e caiu de costas no chão. Eu me senti mal por ter feito aquilo, mas eu precisava muito achar as respostas pra todas as minhas perguntas e se a luz azul iria me ajudar, eu precisava dela mais que nunca.
– Afaste-se, mocinha. – Uma linda menina de cabelos ruivos cacheados, olhos verdes e nariz em pé apontou uma flecha em minha direção. – Minha pontaria é boa, não me teste.
– Eu não ia tentar machucar você. – Falei com toda a sinceridade do mundo.
– Então, aquilo foi apenas uma pancada mágica de amor? Já conheci muitas bruxas. Reconheço uma quando vejo. – Talvez essa tenha sido a pior coisa que eu ouvi até agora, depois que virei a Senhora das Trevas. Eu não tava gostando nada disso, mas tive que ser simpática.
– Não, eu não sou uma bruxa. Fui amaldiçoada com magia negra.
– E a diferença é...?
– Quero me livrar dela. – Falei, mas eu falei pra mim, não pra ela. Eu falei, me convencendo de que era isso que eu queria. Meu rosto mudou, instantaneamente. – O fogo-fátuo é a única maneira.
– Quer se livrar dela?
– Desesperadamente. – Eu olhava fixamente pra bolsa da ruiva, desejando-a intensamente.
– Certo. Sei qual é a sensação. Ser amaldiçoada é um destino terrível. – Ela parecia sincera. – Fique feliz por não ter virado um urso. – Fiz uma cara de quem não tinha entendido a piada interna e ela continuou. – Deixe pra lá. Eu gostaria de ajudar você, mas preciso do fogo-fátuo para meu reino e minha família. Então... – Ela parou por uns segundos como se tivesse pensando um jeito de conquista-lo legalmente. – Acho que terá que lutar comigo por ele.
– O que? – Ela tinha jogado o arco e a flecha no chão e agora estava com os punhos fechados perto do rosto, mostrando que queria lutar mesmo. Eu não queria fazer isso, eu sabia que iria machuca-la e eu não ia deixar isso acontecer.
– Lutarei justo se você lutar. – Insistiu. – Sem magia.
– Gosto da coragem dela. – Rumple apareceu, e eu já imaginaria que ele iria. – Quebre o pescoço dela.
– Não vou lutar com você. – Preferi não dar ouvidos a ele.
– Não vai? – Ela se surpreendeu.
– Por que não? – Rumple queria que eu lutasse e a matasse, eu não ia o dar esse gostinho.
– Com magia ou não, eu estarei entrando na escuridão, e eu não farei isso. – Ela me olhou com cara de espanto. – Vá, pegue-o, e siga seu caminho. É seu.
– Não bata em mim de surpresa.
– Não vou bater. Apenas vá. – Sabia que não era propício ao momento, mas meus pensamentos chegaram a não querer machucar o rosto completamente perfeito dela.
– Obrigada. Eu sou Merida. – Ela deu um sorriso que me contagiou por dentro. Mas por fora, eu era a mesma.
– Emma. – Respondi, evitando olhar diretamente.
– Sua situação não está boa, não é, Emma?
– Eu diria que não.
– Não seria justo deixar você. Posso ajudar. – Ela parecia completamente disposta a isso.
– Acho que não. – Eu sabia que não.
– Talvez eu possa. Não sabe muito sobre o fogo-fátuo, não é? Eles nascem em um lugar mágico... – Ela explicou de onde ele vinha, e disse que assim que o usasse me daria para eu fazer o que fosse preciso com ele. Achei simpático da parte dela. E ela seguiu em frente. Fui atrás para saber no que ia dar, mas não conseguia pensar em mais nada além de que o tempo passa muito rápido quando você está com pressa e atrasada.
E então eu continuei minha jornada, agora com uma companhia que não era só ilusão. Eu estava me sentindo mais segura. Eu, por um lado, gostei de ter deixado Merida guiar-nos, mas por outro, eu estava com medo do que eu teria que fazer para conseguir o fogo-fátuo. Nós estávamos andando há um tempo, e eu estava exausta. Deduzi que ela também e propus uma pausa, mas ela não quis, insistiu que continuássemos.
– Não tenho tempo para ser lenta. – Ela disse enquanto cortava uns galhos a nossa frente.
– Por que está com pressa? Por que você precisa do fogo-fátuo? – Perguntei, realmente interessada.
– Meus irmãos foram sequestrados pelos clãs unidos do meu país. Apenas três pequenos e inocentes meninos. – Eu olhava pra ela, mas meu olhar desceu, num gesto de solidariedade. Ela precisava do fogo-fátuo pelo mesmo motivo que eu. Família. Ela continuou andando e eu fui atrás dela. – Selvagens.
E então ela me contou a história. O pai dela havia sido um Rei e quando ele morreu os clãs não a aprovaram de ser Rainha por que, segundo ela, os homens de seu reino não achavam que uma mulher poderia liderar. E eu a respondi dizendo que nem no meu. Eu nunca entendi muito bem essa lógica. Em todos os orfanatos que eu fiquei eu era claramente a mais forte entre meninos e meninas, mas eles sempre achavam que eu era inferior por eu ser mulher. Eu nunca gostei muito de brigar, e sempre tentava ficar na minha, mas quando a raiva subia eu ia atrás deles como um cão sai à caça, e isso não saía nada bem. Lembro de uma vez que eu fui bater em um menino por que ele dizia que ele iria ter muitas mulheres e que todas iriam trabalhar pra ele e fazer as vontades dele. Eu não concordei e ele me provocou cada vez mais com seus argumentos machistas, e ele me provocou tanto que eu tive que fechar os punhos e levar toda a minha força no rosto dele. A minha mão doeu, e como doeu, mas a minha honra como mulher tinha me mostrado que eu havia feito a coisa certa. Mas na verdade, não. Logo após o ocorrido eu fui expulsa de lá, e a partir dali a maioria dos orfanatos não queriam me aceitar pois me achavam muito violenta. Eu superei, comecei a me virar sozinha e olhar para aquela cena de novo me fazia, cada vez mais, não depender de ninguém pra sobreviver. E é assim desde então.
– Eu vou salvá-los, não importa o preço. – Foi a parte que eu conseguira ouvir, Merida estava disposta a arriscar tudo para salvar a sua família, assim como eu. Eu gostava dela, gostava mesmo. – Se é guerra que os clãs querem, é guerra que eles vão ter.
Assim que ela virou para nós seguirmos nosso caminho, tropeçou em uma pedra e caiu. Eu estava certa, nós não podemos continuar, o cansaço havia nos consumidos. E nós ficamos por ali mesmo, pegamos qualquer coisa para colocar no chão e deitarmos. A noite estava linda, a lua estava cheia e eu estava desejando o Granny’s como nunca imaginei. Já estava noite e nada de Regina ou Henry ou Hook aparecer, talvez eu estivesse apostando todas as minhas fichas neles e não conseguisse aceitar que eles ainda não haviam arranjado um jeito de me encontrar, ou me tirar dali. Eu estava errada de pensar desse jeito, seria muito egoísmo da minha parte querer que a vida de todos parasse para que eles ajudassem a minha a seguir, mas eu precisava de algo pra me fazer continuar, e eu me foquei em que eles iriam estar se esforçando do outro lado para me encontrar também. E eu fechava os olhos, abria os olhos, olhava se Merida estava bem, olhava a volta para ver se não havia ninguém, me revirava quando Rumple apareceu.
– Não consegue dormir? – Eu me assustei. – Não se preocupe. Senhores das Trevas não precisam dormir. – Me virei de novo mas ele insistiu. – É por isso que giro palha. Passa o tempo. Precisa de um passatempo. Algo para livrar a mente das coisas terríveis que fará. Você gosta de tricô?
– Se não percebeu, – Eu falei, desejando intensamente que ele sumisse. – estou fazendo o bem aqui. Estou ajudando Merida. Após ela usar o fogo, será a minha vez.
– O fogo não é um brinquedo que dá pra partilhar. – Eu fiquei assustada e rapidamente comecei a prestar mais atenção ao que o ex-Senhor das Trevas falava. – Ela não pode simplesmente dar a você. A pessoa que sussurra para ele se torna seu dono para sempre.
– Se eu deixá-la usar, nunca poderei usá-lo? – A duvida pairava a minha mente.
– Não enquanto o coração dela bater. – Eu não queria acreditar nisso.
– Você quer que eu o pegue.
– Quero que se porte como a Senhora das Trevas. – Ele disse, quase que gritando.
– Você sabia disso, por isso me levou até ela. – Agora eu estava querendo desesperadamente mata-lo, diria que até com magia negra, se fosse preciso. – Queria que eu traísse Merida. – Eu disse, num último suspiro.
Eu estava desesperada, e ele havia sumido. Eu queria matar Rumpelstiltskin naquele exato momento. Meu sentimento por ele era apenas de ódio. Eu sabia que ele estava metido nisso de alguma maneira, eu sabia que aquilo não era eu, que ele me obrigou a fazer tudo isso. E eu dizia isso pra mim diversas vezes, como se eu precisasse acreditar para seguir em frente.
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