Better Than Revenge
10 A Sós
Notas iniciais
Quando Damon saiu da tumba, sua cabeça estava a mil. As palavras de Katherine lhe perturbaram mais do que ele jamais admitiria. Ele pensara que Elisabeth se magoara por perder a oportunidade de um casamento, filhos, uma família amorosa como a de seus pais. Nunca imaginara, no entanto, que ela estivesse tão apaixonada por ele! Eles mal se conheciam, nem mesmo haviam conversado em particular uma única vez. Como alguém doce como ela poderia ter sentimentos tão fortes por ele?
Ele a encontrou sentada em um dos túmulos, sob uma árvore. Ereta, os olhos contemplavam o vazio. Parecia perdida nas próprias lembranças. Ele a viu segurar o medalhão pendurado na corrente em seu pescoço, e fechar os olhos. Lembrava dele. Tinha sido presente de seus pais, quando fizera 16 anos. Ficou surpreso por ela ainda o usar. Ele mesmo tinha poucos objetos de sua vida humana.
Lentamente, caminhou até parar a seu lado. Ela continuou com os olhos fechados e ele se sentou. Depois, passou a mão por sobre seus ombros, confortando-a.
“Foi mais difícil do que eu achei que seria” ela disse após um instante.
“Você foi mais corajosa do que eu achei que você seria” ele sorriu ao lembrar-se da forma como ela enfrentara Katherine.
Ela abriu os olhos e virou-se pra ele. “Obrigado por ter me segurado lá embaixo. Quando ela falou da minha família...” ele viu lágrimas em seus olhos.
“Eu sei, eu sei...” ele não queria que ela chorasse. Ela fechou novamente os olhos, as segurando dentro deles.
“Eu quase entrei lá! Eu quase a matei ali mesmo!” ela respirou fundo. Seu semblante mudou, de repente. Ela se soltou do abraço amistoso de Damon e se levantou. “Está ficando tarde. É melhor voltarmos. Além disso, Bonnie deve estar morrendo de tédio no seu carro.” Ela sorriu sem vontade. Damon entendeu que ela queria dar o assunto por encerrado.
“Tudo bem, vamos.”
“E aí, como foi?” Bonnie quis saber assim que chegaram ao veículo.
“A notícia ruim” informou Liz enquanto eles entravam no carro “é que ela não vai entregar a pedra de bandeja. A boa, por outro lado, é que eu vou ter uma desculpa para matá-la para arrancar a pedra das mãos mortas e frias dela!”
Bonnie notou as palavras ásperas de Liz e olhou Damon pelo retrovisor. O olhar dele dizia “Não pergunte”, e foi o que ela fez. Apenas pediu para ir pra casa. Cansada do silêncio, Liz ligou o rádio, onde uma música que ela gostava começava a tocar. Ela fechou os olhos e cantou junto a letra conhecida.
Smile (Charles Chaplin) Smile, though your heart is aching Smile, even though it's breaking When there are clouds in the sky — you'll get by If you smile through your pain and sorrow Smile, and maybe tomorrow You'll see the sun comes shinning through for you Light up your face with gladness Hide every trace of sadness Although a tear Maybe ever so near That's the time You must keep on trying Smile, what's the use of crying? You'll find that life is still worthwhile If you just smile That's the time You must keep on trying Smile, what's the use of crying? You'll find that life is still worthwhile If you just smile Smile, though your heart is aching Smile, even though it's breaking When there are clouds in the sky — you'll get by That's the time you must keep on trying Smile What's the use of crying? You'll find that life is still worthwhile If you just smile Smile
Em qualquer outra ocasião, Damon teria desligado o rádio e dito um bando de palavrões. Mas, naquele momento, a música pareceu apropriada. O consolo que Liz precisava. Ele a deixou relaxar e continuou a dirigir até a casa de Bonnie.
Chegando lá, Bonnie despediu-se de Damon e parou ao lado da janela de Liz. “Você está bem?” ela quis saber.
“Claro. Não se preocupe, Bonnie. Boa noite”
Damon esperou até que ela entrasse em casa para continuarem o percurso. Já estava conformado com o silêncio quando, após alguns minutos, Liz pediu.
“Será que você pode parar um pouco?”
Damon parou o carro no acostamento. Liz saiu com cara de que, se pudesse, estaria vomitando. Ela parecia enjoada, pálida, doente. Talvez estivesse apenas com fome. Ele saiu também e deu a volta no carro.
“Definitivamente, você não está bem. Você parece que vai desmaiar.”
“Vampiros não desmaiam, Damon. Pára com isso. Até parece que voce se importa!” ela falou, enquanto respirava com dificuldade.
“Eu já disse que você precisa aprender a ver o meu lado bom.” Ela se curvou para frente e Damon pos as mãos em sua cabeça. Ela parecia febril.
“Você está me assustando. Eu nunca vi vampiro ficar doente.”
“Vampiros não ficam doentes, mas bruxas ficam.” Ela levantou o rosto e ele viu que ela parecia começar a melhorar. Mas continuou lhe segurando, agora pelos ombros.
“Como assim?”
“Meu lado bruxa está adormecido, mas está aqui em algum lugar” Ela tentou sorrir. “Eu não tenho me dedicado muito aos feitiços desde que deixei Klaus. Meu corpo só reclamou um pouco.”
Ela se encostou no carro e olhou pra dentro por cima do ombro. “Agradeça aos céus eu não poder vomitar, senão seu carro estaria estragado.”
Ele simplesmente acenou, confirmando. Também se encontou e esperou até que ela se recuperasse totalmente.
“Você está com fome?” Damon ergueu uma sobrancelha. “A bruxa e a vampira mantém a mesma dieta?”
“Não” Liz deu um leve sorriso. “Eu preciso de comida do mesmo jeito que preciso de sangue. Só o meu metabolismo é um pouco diferente.”
“Diferente como?”
“Não acho que você precise saber quantas vezes eu vou ao banheiro, Damon!” ela relaxou e riu. Ele a sentiu mais leve. Olhando-a agora, podia se lembrar da jovem que conhecera no passado. Ele a encarou por alguns segundos, até que ela desviou o olhar.
“Como Klaus sabia que você não perderia suas habilidades de bruxa despois da transformação?”
“Ele não sabia. Por isso eu passei cinco anos treinando e praticando. Quando ele achou que eu estava pronta, decidiu tentar.” Ela viu curiosidade nos olhos de Damon, mas ela não queria contar mais nada. Não pra ele. Não naquele momento. Ela resolveu mudar de assunto. “Eu realmente estou com fome. Ou melhor, a bruxa em mim está” ela bateu de leve na barriga e os dois riram.
Elisabeth nunca tinha estado tão próxima a Damon. Nem mesmo tinham conversado por tanto tempo. Mas ela não queria se iludir. E não queria quebrar a promessa feita, a tanto tempo, junto aos corpos de sua família. “Todos eles vão pagar. Eu juro que vou fazer com que todos eles paguem pelo que fizeram a vocês. Eu prometo!”
Foi a voz de Damon que lhe tirou dos devaneios. “E o que você comer, princesa?” ele perguntou com aquele sorriso sedutor. “Hoje, seu desejo é uma ordem!”
Em outros tempos, toda aquela atenção teria lhe deixado encantada. Mas ela mudara. Ela decidiu que não permitiria que ele se aproximasse. “Você pode ir pra casa. Eu vou procurar um lugar pra comer e pra passar a noite.”
“Como você mesmo diz, uma coisa de cada vez. Mas você não está com tanta sorte. Não vai se livrar de mim tãoo fácil.” Ele abriu a porta e vez uma reverência enquanto ela entrava. Ela gargalhou.
“Você não tem jeito mesmo, hein?”
“É só parte do meu charme!” ele disse com o sorriso sem vergonha, galante, que ela conhecia de outros tempos. Ele lhe olhou nos olhos e ela se perdeu naquele azul.
Decidiram parar e comprar uma pizza, mas pediram pra viagem. Damon dirigiu até em casa de bom humor. Liz parecia mais relaxada, e apesar de uma ou outra resposta atravessada, ela se mostrava uma excelente companhia.
Chegando na mansão, foram direto para a cozinha. Liz pegou pratos e talheres e Damon abriu uma garrafa de vinho.
“Você vai comer também?” Liz quis saber.
“E por que não?” Damon serviu duas taças.
“Será que a gente pode comer no jardim? A noite está tao agradável” Pediu ela. Na verdade, só não queria ficar com aquela sensação de falta de ar que tivera enquanto estava no carro com Damon. Ele parecia ocupar todos os espaços.
Como ele não se opôs, ambos caminharam até o jardim. Damon voltou pra pegar a garrafa de vinho e quando voltou trouxe tambem o celular. “Stefan mandou uma mensagem. Vai passar a noite na casa da Elena.”
Elisabeth então lembrou-se de checar o próprio telefone, esquecido em algum lugar dentro da bolsa. “Rose também mandou. Vai passar a noite procurando o fornecedor. Ele tem hábitos norturnos.”
Elisabeth viu o exato momento em que o sorriso se formou nos lábiois de Damon. Ele nem tentou disfarçar. “Parece que vamos ter a casa toda pra nós essa noite.”
Ela tentou parecer não entender e começou a comer. Ele a imitou e passaram a conversar bobagens. Logo a pizza já estava no fim.
“Uma das vantagens de ser vampira” disse Liz enquanto se servia de mais vinho “é pode comer sem precisar se preocupar em engordar mais.”
“Como assim, mais?” Damon pegou a garrafa e os dedos dos dois se tocaram. Liz puxou a mão e voltou sua atenção para o prato.
“Por favor, né Damon. Não se pode engordar, mas também nao se emagrece. A não ser que eu perca um dos membros”
Ele percorreu lentamente o corpo dela com os olhos. Ela tinha o corpo pequeno, mais cheio de curvas. Não era alta e magra, como as mulheres com corpos de modelos com quem ele estava acostumado a se divertir, mas seu corpo era proporcional. O rosto era delicado, com olhos expressivos e lábios carnudos. Damon se pegou pensando que gosto teriam, se ele a beijasse.
Elisabeth mordeu o lábio inferior, algo que ele percebera que ela fazia quando estava desconfortável. “Está tarde e eu estou cansada. É melhor eu ir agora.”
“Nada disso!” Damon discordou veemente. “Você vai dormir aqui. Que tipo de homem eu seria se deixasse você sozinha, ao relento?”
“Você estaria apenas sendo você” ela retrucou.
“Você nao deixa passar nada, hein? Será que você nunca vai conseguir me perdoar?” Damon lhe pareceu sincero.
“Nunca é tempo demais pra quem tem a eternidade. O que posso dizer é que hoje você não está com tanta sorte assim.” Ela disse, enquanto sorria e pegava o último pedaço de pizza. Ele a esperou terminar de comer e lhe perguntou:
“Você não disse quem te ligou ontem a noite.”
“Como?”
“Se não foi a Rose, quem foi?” ele se inclinou e apoiou os braços na mesa, encarando-a.
“Uma amiga”
“E essa amiga tem nome?” ele insistiu.
“Tem, mas eu não vou dizer.” Ela deu de ombros. “Além do mais, saber quem foi não vai nos ajudar. A maior ajuda que ela deu pra vocês foi me chamar.”
“Se você diz” ele desistiu de insistir e lhe serviu mais vinho.
“Você está tentando me embebedar, Damon?”
“Sendo filha do seu pai, eu ia precisar de pelo menos de umas cinco dessas daqui” ele ergueu a garrafa. Ela sorriu, mas não por muito tempo.
“Você sente muita falta deles, não é?” ele lhe perguntou gentilmente.
“Todos os dias. Sabe, quando você é um vampiro e consegue camuflar certas emoções? Eu não consigo” ela suspirou. “Mas eu não me importo. Apesar de tudo, a saudade faz com que pareça que eles ainda estão vivos”
“Eu me lembro o quanto o seu pai te amava. Depois que nos conhecemos e eu passei a frequentar sua casa, ele me passou um sermão sobre como deveria tratá-la.” Ele sorriu. “Foi aí que você ganhou o apelido de princesinha.”
“Só você me chamava assim” Liz fez uma careta “Você e Katherine.”
“É verdade. Seu pai te chamava de ... como era? Era de... Lizzie!” A lembrança o suspreendeu. “Por isso você nao gosta que te chamem de Lizzie. Era assim que ele te chamava”
“Não só ele, minha mãe e meu irmão também.” Ela lhe sorriu. “Mas você pode me chamar de Liz, se quiser.”
“Eu ouvi você dizer pra Elena te chamar assim.”
“Eu gostei dela. Seu irmão tem sorte.”
“Ele sempre teve toda sorte” Damon desdenhou.
“Você se refere à Katherine?”
“Não, eu me refiro ao fato de que as mulheres sempre caem as pés dele, apaixonadas.” Ele tentou fazer graça.
“Talvez a culpa não seja dele. Talvez você não preste atenção o suficiente a sua volta, e desperdiçe o seu charme sempre nas mulheres que você não pode ter.”
Eles se olharam por um tempo que, para Liz, pareceu demais. Ela se levantou sem nem tocar no vinho que ele serviu. “Onde eu vou dormir?”
“Posso mesmo sugerir, princesa?” Ele deu uma piscadela sugestiva e Liz revirou os olhos.
“Não!” ela respondeu rápida. “Boa noite Damon”. Ela se virou e correu para dentro, mas não rápido o suficiente para que não pudesse ouvir a gargalhada de Damon.
Notas finais
P.S. acabei de assistir "The Sacrifice"... Estou tentada a criar uma cena só pro Damon poder dizer "get your ass out the door before I throw you over my shoulder and carry you out myself!" *suspiro*
Beijos!
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