Betrayed

9 Roda gigante


Notas iniciais
Esse capítulo ficou meio romântico, então me desculpem se vocês não gostam kkkkkk
Boa leitura!

Me arrependo profundamente de ter bebido tanto noite passada assim que abro os olhos, sozinha na cama, coberta até o pescoço. Sinto meu estômago revirar e corro para o banheiro, botando tudo para fora no momento em que alcanço o vaso. Esqueço o desespero de perceber que estou com roupas de moletom, o que significa que alguém me trocou enquanto eu dormia.

Solto um murmuro com pena de mim mesma e sento no chão frio. Minha cabeça lateja incessantemente e meus ouvidos estão com um zumbido. Minha garganta está doendo assim como meus pés, que estão cortados por eu ter andado descalça.

Noite passada parece um borrão imenso e confuso, como se eu usasse óculos e não estivesse com eles na hora em que tudo aconteceu. Mas me lembro claramente de um minuto antes de entrarmos em casa, quando eu caí. Sorrio automaticamente e inclino a cabeça para pensar.

Levanto-me depois de mais alguns segundos e sinto o estômago revirar mais uma vez, mas não vomito mais. Cambaleio e me apoio na pia para não cair. Ergo a cabeça e me assusto com o que vejo no espelho. De uma forma resumida, estou bem parecida com um panda drogado, com os olhos vermelhos, o lápis que escorreu e as olheiras.

Bufo e saio do banheiro. Desço as escadas morrendo de fome, mas mudo de ideia quando vejo Drake e Natalie sentados na mesa. Reviro os olhos e olho para o lado, vendo Max ainda esparramado no sofá com a boca aberta e dormindo. Uma perna dele está em cima do encosto e a outra no chão e seus braços estão abertos. Tenho vontade de rir com a visão.

— Está melhor? – Jack me pergunta surgindo do nada em uma voz gentil.

Minha cabeça apita de dor e eu levo uma das mãos até a têmpora.

— Por que está gritando? – pergunto com uma voz áspera.

Jack vai até a pia, enche um copo com água, pega uma aspirina na bancada e depois me estende tudo aquilo.

— Tome.

Agradeço e engulo o comprimido de boa vontade. Olho para o relógio e vejo que são três da tarde. Vou até Max e chacoalho o ombro dele.

— Acorda – chamo suavemente.

Ele suspira e fecha a boca, porém não acorda. Chacoalho mais um pouco até que ele arregala os olhos e olha para o lado como se estivesse sendo atacado.

— Quê? Ah... Oi, Jen – Max diz e sorri quando me focaliza. Sinto uma sensação boa com isso.

— Oi – respondo. – Temos que devolver a moto pro seu amigo, lembra?

— Ahã, claro – ele esfrega os olhos e se levanta. – Só vou comer alguma coisa antes.

Concordo e vamos até a parte da cozinha. Natalie me encara com uma expressão sentida e Drake abre a boca para me dizer alguma coisa. Dou as costas no último segundo e subo as escadas para trocar de roupa por uma menos amassada. Quando termino, Max e eu saímos e vamos até a moto. Ele me entrega um capacete.

— Então... Gostou da noite de ontem? – pergunta ele.

— Foi incrível – digo sorrindo. – Acho que nunca me diverti tanto num dia só, apesar de não me lembrar de muita coisa.

Ele parece murchar assim que digo a última frase e percebo o que fiz.

— Então você não lembra...? – Max começa, e eu me apresso em explicar.

— Disso sim.

— Que bom. Porque seria um saco se você realmente não lembrasse da melhor parte. – Ele se aproxima enquanto fala e me beija novamente, e eu retribuo animadamente. – Vamos?

Faço que sim com a cabeça e subimos na moto. Ele dirige mais devagar, agora respeitando as faixas e semáforos. Chegamos à casa de Caine depois de uns minutos e Max toca a campainha, sendo recebido quase na mesma hora pelo amigo.

— Até que enfim! Pensei que fosse roubar minha menina. E ainda estou esperando a gostosa que me prometeu.

Demoro para entender que Caine se referiu à moto ao dizer “minha menina”. Max ri e diz que fica devendo uma a ele. Despeço-me de Caine e nós dois demos meia volta para voltar para casa, mas Max faz um caminho diferente.

— Onde está indo? – pergunto franzindo a testa.

— Só me siga. Ainda não aprendeu a confiar em mim? – ele ergue uma sobrancelha de forma encantadora.

Portanto eu o sigo, apenas um passo atrás. Minhas pernas só não reclamam de dor de caminhar meia hora porque estou acostumada com isso. Alguns metros antes de pararmos, eu já posso ouvir o som de pessoas gritando, rindo e se divertindo. Pergunto-me aonde é que ele me levou quando ergo os olhos e vejo o letreiro brilhante de um parque de diversões e a cabine para compra dos ingressos logo em frente.

— Vamos a um parque de diversões? – pergunto o olhando maravilhada, vendo-o tirar a carteira do bolso.

— Sim — Max sorri. – Já esteve em um antes?

— Não – respondo, voltando a olhar para frente. – Eu... nunca tive a chance.

É por isso que estou tão encantada. Minha infância e adolescência foram basicamente tentar encontrar um lugar para dormir e algo para comer. Eu não tinha dinheiro nem como ir a lugares assim, embora eu sempre quisesse. É como se Max tivesse lido minha mente.

Vamos até a cabine e ele compra os dois ingressos. Entramos no parque e eu vou direto até fila da montanha-russa. Esperamos vinte minutos e embarcamos no carrinho. Mantenho os olhos abertos o tempo todo quando o brinquedo começa a se mexer. Sorrio e olho para tudo a todos os momentos, e é simplesmente incrível.

Quando saímos, corro direto para outro brinquedo e passamos horas assim. Paramos para respirar um pouco e eu não paro de sorrir. Max ri da minha felicidade, mas eu não ligo. Ele para em frente a uma barraquinha.

— Vamos pegar algodão doce.

— Algodão doce? – pergunto. – É bom?

— Você nunca comeu um antes? – ele diz indignado.

Dou risada e respondo que não.

— Bem, então já está mais do que na hora de experimentar.

Ele pega dois brancos e me entrega um. Nos afastamos da barraquinha e eu arranco um pedaço do doce com os dedos. Vou levá-lo à boca e me dou conta de Max me encarando com expectativa.

— O quê?

— Quero ver sua reação – diz ele sorrindo.

Reviro os olhos e como o algodão doce. É uma delícia e eu pego mais um monte de uma vez. Voltamos a andar e Max diz:

— Me fale de você.

— Hum – penso. – O que quer saber?

— Não sei. – Ele dá de ombros. – Me conte da sua vida.

— Não é nada muito interessante – respondo. Faço um rápido resumo. – Fui abandonada nas ruas e Drake me achou quando eu ainda era um bebê. Nós crescemos e vivemos juntos desde então. Jack nos achou quando eu tinha dezesseis e cuida de nós até agora. Entrei no ramo dos mercenários por um acaso e depois disso vem o que está acontecendo agora.

Max abre a boca para fazer algum comentário, mas eu olho um ponto a nossa frente e exclamo:

— Ah, Deus, precisamos ir naquele!

Jogo o palito do algodão doce no lixo mais próximo e puxo Max pelo braço até a roda gigante. Ele também joga o palito dele no lixo e esperamos na fila. Quando chega a nossa vez, vou animadamente até o carrinho mais perto e espero a trava ser fechada.

A roda gigante começa a se mexer e eu sinto um frio na barriga. Ela vai devagar, e há somente eu, Max e mais seis pessoas, pois já é quase hora de o parque fechar. Não vi como o tempo passou, mas é possível ver o sol se pondo de onde estamos.

Sinto o tranco do nosso carrinho e inclino para frente. Nós paramos. E no ponto mais alto.

Max e eu olhamos lá embaixo, mas é difícil ver alguma coisa nitidamente. Depois de alguns segundos, um homem grita ao alto-falante. Isso não faz parte do brinquedo. Paramos porque houve um problema. Ele diz que vão tentar resolver isso o mais rápido possível e pede para que fiquemos calmos.

Os funcionários tiram quatro pessoas que travaram nos assentos mais baixos e Max e eu ficamos pendurados a dez metros de altura. Ele encosta as costas novamente e bufa. Volto o olhar para o chão.

— Você não está com medo? – Max me pergunta.

Encosto e também olho para ele.

— Não. Por que eu estaria? Assim posso passar mais tempo com você – deixo escapar e meu rosto esquenta. Ele sorri.

— Pelo menos há um lado bom.

Dou uma risadinha e um vento forte bate.

— Está com frio? – pergunta ele.

— Não, eu... – começo a responder e depois entendo que ele estava tentando ser fofo. Mudo de ideia. – Estou.

Max me abraça de forma protetora e eu encosto a cabeça no peito dele. Uma sensação boa se apodera de mim e eu fico feliz só por estar ali. Não queria que fosse diferente, de nenhum outro jeito.

— Do que você tem medo, Jen? – diz Max de repente.

— Por quê? – pergunto.

— Porque eu sou curioso – responde. – E quero te conhecer melhor.

— Insetos – digo, e isso me faz soar ridícula. Entretanto, é a única coisa em que consigo pensar.

— Só isso?

Não, não é só isso. Não sei se tenho coragem de dizer o que realmente me assusta. E também não quero dizer, não agora, quando tenho que continuar indiferente com ele. Meu silêncio deve dar alguma prova a Max, pois ele continua:

— É algo a ver com Drake, não é?

Assinto quase imperceptivelmente que me pergunto se ele viu.

— Tenho medo de perdê-lo.

Max fica quieto por um tempo considerável.

— E do que você tem medo? – questiono.

Ele dá uma risada seca.

— Você vai achar idiota.

— Como se você não tivesse achado eu ter medo de insetos.

— Certo, certo. Tenho medo de nadar.

Me afasto poucos centímetros para encarar seu rosto. Ele está falando a verdade.

— É sério? – confirmo, e ele faz que sim. – Alguma razão específica?

— Outra hora eu posso contar, mas não agora. Vai estragar o momento – diz Max, dando o assunto por encerrado.

A roda gigante recomeça a se mover e eu pego na mão de Max para sairmos. O gerente nos pede desculpas por todo o transtorno e blá blá blá. Como somos pessoas muito gentis, dissemos que está tudo bem e vamos embora, ainda de mãos dadas.

Em frente a porta da garagem, eu paro e o impeço de entrar por um segundo.

— Obrigada – digo. – Por hoje. Você não sabe o quanto significou. Eu me diverti muito.

— Não há de quê. É incrível te ver sorrindo.

Eu coro pela segunda vez naquele dia. Incrível é o que ele faz comigo, isso sim. Eu pareço uma adolescente apaixonada quando estou perto dele. Mas, de certa forma, é bom.

Então sorrio novamente e nos beijamos antes de entrar.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e não deixem de comentar :3