Beta

4 Tinta


Acordei todo dolorido por causa da poltrona, ela é confortável mas não é um bom lugar para dormir, tinha um bilhete em cima da mesa.

"Sant vi que você estava muito cansado,

cobri você para não pegar um resfriado.

Voltei para meu alojamento.

Obrigado. Cely"

Deixei bilhete em cima da mesa, e fui para o refeitório, Carl já estava me esperando.

Sabe é bem difícil ser um adolescente de 16 anos em uma base cheia de cientista por onde você olha para um lado e da para ver eles estudando você como se fosse um rato de laboratório.

Eu e Carl nos sentamos na mesa de sempre, a que fica mais longe de todos cientistas e outros soldados.

Estávamos comendo tranquilamente quando vi que Carl olhava para cima da minha cabeça como um bobo, e senti uma cutucada no ombro.

–Bom dia Sant, eu vim agradecer pela noite ontem.-Falou Cely.

–Bom dia Cely, não precisa agradecer.-Respondi, olhei para Carl e ele continuava com olhar de bobo.- Você conhece o Carl?

–Não- estendeu a mão, sorrindo- prazer, meu nome é Celestia mas pode me chamar de Cely, sou a parceira de Sant.

–O prazer é todo meu, Carl atirador de elite ao seu dispor.

–Sant, temos treinamento as nove, não se atrase.- avisou Cely e foi embora.

–Você não me disse que sua parceira era a Celestia! E o que vocês fizeram ontem a noite quero cada detalhe.

–Que diferença faz ser a Celestia? E não fizemos nada ontem só conversamos.

–A Celestia é a melhor jogadora de MMORPG! Como você não conhece ela?!

–Ah é verdade já ouvi falar dela.-respondi e voltei a comer.

–Que sorte a sua cara.

Fui para o treinamento as nove em ponto, Cely e Nina já estavam a minha espera.

–Primeiro-Sargento!-Exclamou Nina- O que você fez com minha garota de ouro ontem?!

–Da onde você conseguiu essas informações?-perguntei olhando para Cely.

–Bem, eu estava contando só que você chegou bem na hora que eu ia dizer que só estávamos conversando.-Disfarçou Cely.

–Ata, que seja. Vamos ao treinamento.-falou Nina.-Hoje vocês vão entender como cada um luta. Preparados?

–Prontos!-falamos ao mesmo tempo e Cely virou para mim e deu um sorriso, retribui.

Corremos e entramos eu em Thunder e ela no Arno.

–Cely eu esqueci de perguntar seu Arno tem algum nome?-perguntei pelo sistema de comunicação entre os Arnos.

–Por enquanto, ainda não... me ajuda a escolher depois?

–Sim, posso te ajudar-respondi.

Nos já estamos fora do galpão e começo a voar, Cely me segue, começo a explicar como eu luto e ela me explicou o modo dela que não era muito diferente do meu, conseguimos combinar vários combos e estratégias de combate. Ela é incrível, consegue executar os golpes mais difíceis fazendo parecer fácil, acho que só ganhei dela porque ela realmente estava despreparada, se eu tivesse dado bobeira acho que não estaria mais aqui.

Quando terminamos o treinamento foi ate o galpão para pensar em um nome para o Arno dela.

–O que você acho que ficaria legal?-perguntou ela.

–O meu se chama Thunder que é trovão em inglês, o seu poderia fazer uma combinação com o meu como Ray ou Cloud e nos podemos fazer uma pintura bem legal nele.

–Ray é legal, vai ser Ray então.- Falou ela com um grande sorriso no rosto que eu simplesmente acho perfeito.

Fomos almoçar, Carl ainda não tinha terminado o treino dele então almocei sozinho como antigamente, isso era bem difícil de acontecer.

Quando terminei de almoçar Cely me chamou para ajudar ela a pintar o Ray, já que não tinha nada para fazer, fui.

Ela tinha pego vários potes de tinta em spray de varias cores diferentes.

–Que cor você quer pintar ele?-Perguntei.

–Não sei, eu gosto bastante de azul e de roxo.

–Que tal pintar raios roxos nele e pintar alguns detalhem em azul?

–Acho que vai ficar ótimo.

–Como vamos chegar lá em cima para pintar?

–Nos podemos usar as mochilas a jato.

–Nos não temos permissão para usa-las.-lembrei.

–Quem precisa de permissão, é só ir lá e pegar.

–Você esta me dizendo para desrespeitar as regras Segunda-Sargenta?

–Hum...estou.

–Como vamos pegar?

–Fácil, me segue.

Segui ela por vários corredores ate chegar ao sub-solo do galpão de armamentos, eu nunca tinha ido ate lá.

–Você já veio aqui antes?-perguntei.

–Sim, tenho muitas horas livres.

Continuamos o mais silenciosamente possível, se fossemos pegos naquele local íamos ter que lavar o fosso e isso não é legal.

Cely apontou para o outro lado do corredor e eu vi quatro pequenas mochilas a jato trancadas em um painel de vidro, que só abria com o cartão de um superior.

–E agora como vamos abrir o vidro? Senhora espertinha?-perguntei.

Ela levou a mão ao bolso e de lá tirou um cartão.

–De onde você conseguiu isso?

–Já disse tenho muitas horas livres.

Corremos pegamos duas mochilas e voltamos ao galpão sem sermos detectados.

–O que acha de ter parceira agora?-Perguntou Cely quando fechamos a porta do galpão de Ray.

–Nada mal.

Montamos em nossa mochilas pegamos ai tinta em spray e começamos a pintar, Cely fazendo raios em roxo e eu fazendo detalhes em azul. Faltava apenas os pés.

–Vamos devolver as mochilas antes que eles perceba que sumiram, os pés da para pitar sem a ajuda das mochilas.

–Ta vamos lá.

Corremos de volta ao corredor do sub-solo, botamos as mochilas bem a tempo de um cientista vir e pegar uma mochila.

–Essa foi por pouco.-comentei.

Voltamos ao galpão, e começamos a pintar os pés, o desenho ficou como um pé em chamas roxas e azuis ficou bem maneiro.

Deitei e fechei os olhos, quando abri Cely estava do meu lado e pintou meu braço de roxo.

–Ah é assim é!-Peguei o spray azul e o verde que estava no chão e comecei a pintar ela.

Ela correu e pegou um spray marrom e começou a me pintar, corremos e pintamos um ao outro ate que ficamos completamente coloridos. e tocou o sinal do jantar, e tivemos que ir pintados mesmo, caso o contrario ficaríamos sem comer e eu estava definitivamente com fome.

Quando entramos no refeitório, foi quando me senti o maior rato de laboratório do mundo, pois todos nos olhavam com cara feia e imaginavam o que tinha acontecido. Cely foi andando e vi Carl vindo na minha direção.

–Cara! O que houve com você?! Você ta parecendo um carro alegórico.

–Eu tava ajudando a Cely a pintar o Arno dela.-Expliquei quando sentamos.

–Você ta todo pintado, porque Celestia estava com você!Que sorte!!-Exclamou ele, quase gritando.

–Fala mais alto pro mundo inteiro ouvir.-Falei começando a ficar nervoso.

–Foi mal. Mas você tem muita sorte mesmo.

–Eu nem gosto dela direito. Foi só uma ajuda para minha parceira.

–Como você pode não gostar dela?! Você é maluco! Milhões gostariam de estar no seu lugar no momento.

–Então fala para esse milhões passarem o que eu passei!-Gritei para ele me levantando, agora realmente nervoso, olhei em volta e vi vários pares de olhos me olhando, incluindo os olhos grandes e cinza de Cely, e corri para meu alojamento.

Fiquei lá parado, sentado em uma poltrona olhando pro nada e pensando em Annie, me sentia ainda mais culpado do que nunca, se eu não tivesse deixado ela morrer não estaria aqui onde milhões gostariam de estar, estaria levando minha vida normalmente com minha prima. Sem perceber começou a cair lagrimas de meus olhos, era realmente difícil pensar em Annie.

Ouvi batidas na porta.

–Posso entrar?-Perguntou Cely.