Bet Me or Love Me
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Eu te odeio – falou a pequena mulher fuzilando Polly com os olhos.
– Ai meu deus! Qual é o máximo que ele pode fazer? Contar para os amigos?- Polly ria da cara da amiga.
– E se ele pensar que eu sou lésbica?- ela falou enquanto colocava seu sutiã, não se importava em ficar nua na frente de Polly – Meu deus! E se eu não conseguir um homem por causa disso? Se eu ficar pra titia por sua causa eu juro que quando eu morrer vou ao seu asilo te assombrar!
Deli praticamente pulou dizendo a ultima frase, Polly apenas soltou uma gargalhada enquanto colocava a saia de cintura alta.
– Esqueceu que eu também estou fachada de lésbica? Vamos estar juntas no asilo amiga – falou Polly.
Deli espreitou os olhos, depois se olhou no espelho, apalpou seu corpo, as mãos nos seios firmes.
– Você acha que eu estou gorda?- perguntou a mais baixa preocupada enquanto olhava o reflexo de seu quadril no espelho.
– Olha, se eu fosse homem – disse Polly, depois acrescentou – ou lésbica, eu te pegaria.
– Meu deus! Eu estou gorda! Olha só o tamanho da minha bunda! Eu estou com celulite?- ela praticamente teve um leve surto analisando seu corpo, até que Polly passou por ela e lhe deu um tapa no quadril.
– Pare de drama – disse a mulher – Você está linda. Quer que eu chame o Patrick aqui para te dizer isso?
Deli arregalou os olhos e corou.
– Estou brincando – disse Polly preparando-se um café – Onde tem os filtros para café?- perguntou ela – Onde esta a térmica? E o café em pó?
– Estão no armário abaixo da...- Deli foi interrompida.
– Ah, eu não quero. Se vista, vamos passar em algum lugar pegar um café – disse ela voltando para o quarto e colocando uma blusa.
– Sabe que a saia de cintura alta não aparece com o jaleco não é?
– Mas quem disse que eu vou ficar com o jaleco o tempo todo?- perguntou Polly abotoando a blusa.
– O que? Quem é?- perguntou Deli colocando as mãos na cintura e batendo um dos pequeninos pés no chão.
– Ninguém – disse Polly, depois riu – Estava brincando. Mamãe quer almoçar comigo hoje e você sabe como ela é... Devia usar isso ou aquilo – Polly imitou o tom de voz da mãe, depois fez uma careta enquanto colocava a blusa por dentro da saia – Eu odeio saias de cintura alta, eu não tenho corpo para isso, meus quadris são muito largos e minha cintura é fina, me faz parecer gorda essa saia.
– Ah, você está ótima – disse Deli colocando sua calça e seus tamancos de salto baixo.
As amigas passaram numa cafeteria no caminho e pegaram dois expressos, dirigindo então para a escola.
*
Patrick estava sentado em um dos sofás da sala dos professores quando Deli e Polly chegaram. Juntas.
Patrick não queria nem pensar no que havia acontecido na noite anterior depois que ele parou de olhar pela janela. Mas ele não conseguia evitar não olhar para ela, ela era tão linda. E sexy. O jaleco escondia todas as curvas que a mulher possuía, mas os seios fartos ainda se destacavam, assim como a volta do quadril, o resto a calça jeans encobria. Os cabelos cor de cobre lhe davam um ar provocante, mas não do jeito que ela prendia as duas mechas presas atrás e a franja solta. Não. Quer dizer, ficava bonito sim, mas ela ficava extremamente provocante quando o usava completamente solto, meio bagunçado até, combinava com o lápis de olho que usava e o batom em tom avermelhado escuro em seus lábios. Aqueles lábios, tudo que Patrick queria era poder beijá-los, aqueles lábios perfeitos, dignos de uma deusa.
Deli ficava completa, na verdade, parcialmente inocente, naquelas roupas comuns, vestida como uma simples professora, parecia uma fada, que de jeito algum conseguia ser tão provocante quanto estava na noite passada e, se Polly não estivesse lá também, talvez Patrick tivesse acreditado que fosse outra pessoa.
Ela olhou rapidamente para Patrick, seu rosto corou e ela se sentou ao lado de Polly.
*
– Deli eu não acredito que você fez isso – disse Mary inclinando-se no grupo das professoras amigas, ou seja, Polly, Deli e Mary mesmo – Você parece tão inocente.
– Isso é bullying – disse Deli.
– Ta, ta, tanto faz. Ela fez, ele olhou até o final e um pouco mais – disse Polly colocando a mão na frente da boca para abafar a risada.
– Vamos no banheiro? Pelo menos tem um pouco mais de privacidade – disse Mary olhando ao redor, vendo que havia alguns professores do sexo masculino interessados. As três concordaram e retiraram-se da sala dos professores.
*
– É serio isso cara?- perguntou Aaron se inclinando para ouvir mais – Um strip-tease? A Deli?
– Sim cara – disse Patrick – Mas não espalha, acho que ela não sabe que eu vi tudo. Tudo mesmo.
– Ela parece tão... Sei lá – disse João – Ela é gostosa sim, mas, ah, sei lá, vocês entenderam, é só olhar pra ela.
– De “inocente”- Patrick enfatizou a palavra, fazendo aspas no ar com os dedos – ela só tem o rosto, vão por mim. E quase nem isso, se ela colocar o mesmo batom vermelho que estava ontem e soltar o cabelo...
– Mas e aí? Você viu tudo mesmo? Cara, deve ter sido uma tortura ver e não poder tocar – disse Aaron.
– Não, ela tirou a calcinha e logo se vestiu com um robe, não deu pra ver nada – disse Patrick.
*
– Conta tudo Deli – disse Mary fechando a porta do banheiro enquanto Polly checava por baixo das portas se havia alguém.
– Polly – ela resumiu em uma palavra – Ela apostou comigo, e eu perdi. Foi o castigo. Era ela ou eu a fazer o strip-tease.
– Você apostou com a Polly?- perguntou Mary – Menina como você é burra! Polly você nem deu um aviso?
– Eu dei um aviso – Polly se livrou da culpa – Eu falei: Deli eu to te avisando. Eu nunca perco uma aposta. Mas ela disse: Então você vai aprender a perder. Apostamos o strip-tease pro vizinho, que “por acaso”- Polly fez aspas no ar com os dedos – era Patrick.
– E agora?- perguntou Mary.
– Acho que ele pensa que não sei que ele viu tudo – falou Deli.
– E se ele contar para mais alguém?
Polly bateu as palmas de suas mãos com força uma na outra como se tivesse uma idéia.
– Por que a gente não faz isso de novo?- ela quase pulou de entusiasmo.
– Você ficou louca?- Deli arregalou os olhos, molhou uma de suas mãos na torneira e esfregou pela testa de Polly.
– Ah, vai ser divertido – disse Polly livrando-se das mãos de Deli – Mas não pode ser na sua casa. Quem mais é vizinha de um professor daqui?
Mary olhou para baixo e mordeu o lábio inferior.
– Sou vizinha do Aaron – disse a mulher mais velha baixinho.
– Pimba!- disse Polly – Já temos a casa, mas precisamos fazer isso num dia que todos, ou pelo menos Patrick, estejam lá.
– E o João – Deli acrescentou com um sorriso malicioso para a amiga.
– E o João – Polly acrescentou sem prestar atenção nas palavras, então sua ficha caiu – O João?
Pela primeira vez na vida de Deli ela pode apreciar a expressão envergonhada de Polly, suas bochechas coradas. Ela saboreou um pouco mais aquele momento antes de falar.
– Isso mesmo, se tiver que estar o Patrick, vai estar o João, ou eu não vou – ela se fez imperativa, cruzando os braços e fechando os olhos, empinado o rosto.
– Chantagem – disse Polly espreitando os olhos.
– Você não é a única que sabe jogar aqui “colega”- Deli enfatizou a ultima palavra.
– Vocês duas são terríveis – disse Mary puxando as duas pelos braços – Agora vamos, precisamos ficar atentas as conversas para descobrir quando os amigos vão se reunir e onde.
As três amigas voltaram para a sala e sentaram-se próximas, mas a uma distancia que ninguém desconfiaria, do grupo de amigos que conversava entusiasmadamente.
*
– Muito bem – disse Aaron – Vocês gostam de poker?
– Claro – disse João e Patrick confirmou com a cabeça.
– Ótimo. Vão lá em casa hoje e vamos jogar um pouco e beber muito – Aaron riu.
Aaron concordou imediatamente, Patrick tinha receio de perder outro espetáculo, mas concordou mesmo assim.
Fale com o autor