Besta Demoníaca
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que essa história esteja melhor que a anterior.
E se acharam melhor ou pior, COMENTEM, por favor!
A titia aqui agradece!
Obs: Esta história é de autoria da minha cachola, então qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência! (ou não #mwahaha)
Boa leitura! o/
Já teve aquela estranha sensação de que tem alguém te observando? E que esse possível observador está bem atrás de você? E você entra em súbito pânico, com medo de olhar para trás e levar um susto mortal?
Pois bem. Algumas vezes, ocasiões como essa não acabam muito bem.
A história que contarei realmente aconteceu. E serve de aviso para aqueles que não acreditam em demônios. Criaturas sinistras e horripilantes vagam pelo mundo dos humanos, acredite. Porque eles acreditam em você. Se tem nervos fracos, pare agora. Não vai querer saber o que acontece aqui. Não há final feliz. Não há contos de fadas. Nada além do mais puro e primitivo terror.
Pare agora.
Eu avisei.
Certa vez, tarde da noite, estava eu conectada às redes sociais; e numa específica, conversava descontraidamente com uma amiga, da faculdade, muito querida. Para preservar sua identidade seu nome nesta história será Tábatha. Aliás, para manter total anonimato, todos terão pseudônimos.
Muito bem. Tábatha estava muito contente. Havia conseguido nota máxima numa prova dificílima do curso ao qual pertencia.
– Dá para imaginar? Ninguém mais conseguiu tirar essa nota! — estava radiante. Mesmo estando a quilômetros de distância, mesmo computadores estarem nos separando, sua felicidade era quase palpável.
– Meus parabéns, Tatha! Essa é minha amiga!
Foi então que percebi, algum tempo depois, que havia algo errado. Dez minutos haviam se passado e nenhuma resposta de minha amiga. Achei aquilo estranho. Pois Tábatha não costumava demorar a responder. E sempre se despedia antes de desconectar-se do bate-papo virtual.
– Tatha? — chamei.
Mais quinze minutos.
– Tábatha? – insisti.
Pensei em ligar para sua casa. Mas já passava da meia-noite.
– A família dela me xingará até a oitava geração, se eu ligar... – pensei. Até porque, devia ser nada além de minha imaginação. Já estava tarde, eu já devia estar com sono. Ela poderia ter dormido, sentada!
– A quem quero enganar? Ela está eufórica demais pra dormir, assim, de repente, numa cadeira desconfortável, de frente para um computador. – ponderei novamente. Mas por outro lado, ela poderia simplesmente estar conversando com muitas pessoas ao mesmo tempo. Afinal, eu não era sua única amiga. Sim. Era isso. Ela queria contar aos quatro ventos que havia tirado dez naquela bendita prova. – Calma. Você está se preocupando demais.
No entanto, quando minha preocupação já se parecia cada vez mais com uma simples paranoia, Tábatha finalmente se manifestou. E não da forma que eu esperava.
– ALICE, SOCORRO! – “gritou” ela, pelo bate-papo. Gelei.
– Calma. Respire. – tentei tranquilizá-la. – O que houve?
– Tem alguma coisa na janela do meu quarto!
– Como é que é?! – só pode ser brincadeira. É isso. Ela está pregando-me uma peça. – Pare de graça, Tábatha. Não tenho medo dessas coisas, você sabe.
– Não estou brincando! – ela insistiu. – Por que acha que demorei tanto para responder?! Quando ouvi o barulho, congelei na cadeira!
– Mas o que é? – tentei então tomar controle da situação. Se ela estivesse de brincadeira... Ela que me aguardasse na faculdade no dia seguinte... – Quero que me diga exatamente o que está acontecendo.
– Não sei o que é! Acha realmente que eu, sozinha, iria até a janela para ver o que é?! – ela parecia indignada. – Ficou louca?! Só sei que estou ouvindo um barulho na minha janela! E estou com medo de olhar para trás e ver o que é, e levar um susto, e morrer de ataque cardíaco! – sim, ela estava ficando fora de controle.
– Tudo bem. Calma. Por favor. Por que não chama um dos seus irmãos? Ou seus pais? Eu certamente não posso ajudar nesse quesito, não acha?! – tentei brincar para acalmá-la.
– Não quero acordar meus pais. Já estão dormindo. Sabe que eles têm de acordar cedo para trabalhar. – minha amiga choramingou. – Se não for nada, ficarei de castigo até o fim da vida!
Bom, isso sim era um incentivo forte o suficiente para ficar quieta e enfrentar o problema sozinha. Era angustiante ver Tábatha de castigo, pois seus pais costumavam proibi-la de assistir às suas séries favoritas por dias — semanas, dependendo da gravidade da “infração”. E a questão era que Tábatha era tão viciada em séries que durante todos os castigos que tive a infelicidade de acompanhar, fui obrigada a ver minha amiga sofrer de abstinência. E pode acreditar. Não é uma cena bonita. Nessas ocasiões, são muitas lágrimas para pouco rosto.
– Tudo bem, pais fora de cogitação. Mas e seus irmãos? Nenhum deles pode te ajudar?!
– Se eu chamar o Saulo agora, só conseguirei ganhar chutes e socos. – era verdade. O segundo irmão mais velho de minha amiga tinha o péssimo hábito de encarnar Bruce Lee para afastar qualquer um que quisesse acordá-lo antes da hora certa (que também podia ser interpretado como: a hora que ele bem entendesse). – Se eu tentar acordar o Pedro, ele simplesmente não irá acordar. Você sabe que o sono dele é mais pesado que pedra. – que eufemismo bonito! Apesar de até ser justo, uma vez que o irmão mais velho de Tábatha sempre trabalhava até tarde da noite, chegando em casa apenas para tomar um banho, jantar e já cair dormindo, antes mesmo de tocar na cama. – O único que poderia vir me ajudar seria o Tito. Mas o quarto dele fica do outro lado da casa, e tem um corredor da morte na mais completa escuridão nos separando! – Meu Deus, como era dramática! E todo esse pânico já não deixava minha amiga pensar sensatamente. O mais novo da família muito provavelmente em nada ajudaria, uma vez que só tinha cinco anos! Se fosse um ladrão, o marginal fugiria por quê? Medo de bichinhos de pelúcia?!
– Ok, já entendi, é só você e Deus, agora. – e lembrei-me de algo que ela ainda não havia dito. – Que som está fazendo? Está tentando entrar no quarto? Tem certeza de que não é só o vento? Pode ser um galho da árvore que fica em frente à sua janela! – minha última tentativa.
– Não sei! Nem sei explicar que barulho é esse! Só sei que é assustador! E não pode ser galho nem vento, porque NÃO HÁ VENTO LÁ FORA! – mesmo não ouvindo sua voz, eu sabia que estaria subindo algumas notas agora. – Ah, Alice, o que eu faço?! Acho que essa coisa está entrando no meu quarto! Estou com medo de olhar para trás!
A essa altura eu já estava em pânico. Como eu poderia ajudar, estando tão longe?! Que bela amiga eu era. Sentada, no aconchego do meu quarto, enquanto minha amiga estava para ser morta, sei lá por qual criatura maldita que vaga pela noite, à milhas de distância. E eu não podia fazer nada!
– Tábatha, calma, vai dar tudo certo! Você tem que ficar calma! Que se dane o castigo! Vá chamar seus pais, seus irmãos! Chame o Papa! Mas vá agora! – Mas já era tarde, percebi.
Passaram-se cinco minutos.
Passaram-se dez.
Passaram-se quarenta minutos e nenhuma resposta de Tábatha.
Neste momento eu já estava chorando, pronta para pegar o telefone e discar seu número. Não queria saber quem iria acordar. Não queria saber quem ficaria de castigo. Só queria saber se minha amiga estava bem. Ou se eu teria que ir a um funeral nos próximos dias.
Disquei seu número, me atrapalhando com o aparelho. Estava tremendo. Foi Tábatha quem atendeu, no quinto toque.
– Oi, Alice... Pode ficar tranquila. Estou bem. Demorei porque, quando olhei para a janela, dei um grito tão alto que acordei todos na casa. Inclusive o Pedro. – Ui. Esse grito foi potente. — Estava ouvindo sermão e recebendo castigos esse tempo todo. Que droga, ficarei UM MÊS sem poder assistir às minhas séries! – Desabei na cadeira, aliviada.
– Ai, que bom que está bem! Pensei o pior, aqui! – disse, secando as lágrimas. – Mas, me diga: o que era, afinal? Uma criatura? Um ladrão? Fugiu? Vocês mataram? A polícia está a caminho?
– Ehr... Então, amiga... – estreitei meus olhos. Havia algo estranho ali. – Era... – Tábatha hesitou. – Olha, você precisa entender que o barulho era realmente assustador, e... e ela era realmente grande, e peluda, e horripilante! E... e...!
– Tábatha. – chamei, a interrompendo. – Apenas. Me. Diga. O. Que. Era. – disse bem devagar, tentando manter a calma. A essa altura já havia entendido que Tábatha havia feito todo aquele drama por uma coisa simples. Me preparei para a resposta, por mais ridícula que fosse.
Mas não esperava por aquilo que ela respondeu.
– Era... só... uma mariposa... – Tábatha respondeu, num fio de voz, claramente com medo de como eu reagiria. Não consegui responder. Fiquei petrificada, de olhos arregalados. Não era possível. Eu havia entendido errado. Era isso.
– Desculpe, Tha, mas pode repetir? Porque eu ouvi uma coisa completamente absurda, algo como “mariposa”... — Minha amiga se calou. Seu silêncio valeu por qualquer resposta desenvolvida numa redação. Voltou a falar tentando melhorar a situação, acrescentando:
– Mas, eu juro, ela era gigante! E tinha olhos vermelhos e demoníacos! E toda peluda! Tirei até uma foto!
Fechei meus olhos. Na mais completa paz. Uma certeza tomou conta de mim. Uma certeza tão forte, tão concreta, tão plena, que não pude deixar de sorrir para a parede à minha frente, admirando minha própria ideia.
– Alice? – minha amiga chamou, diante de meu silêncio prolongado. – Ainda está aí? – sua voz denotava apreensão. Ótimo. Era isso mesmo que eu queria.
– Deixa eu te dar só um aviso, Tatha, minha linda e querida amiga. – respondi, com a voz mais calma e carinhosa que consegui. Um sorriso macabro brincava em meus lábios. – A partir de amanhã, na faculdade, não olhe para trás. E não diga que não avisei.
Bom, parecia que eu realmente iria a um funeral nos próximos dias...
Notas finais
Gostaria muito de saber o que acharam, então, por favor, COMENTEM!
Comentar é bom e faz bem a sua alma e da titia aqui XD
Bjus ;*
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