Best Part- Em busca dos sonhos!
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Vinte horas depois que sai da casa que vivi os últimos 11 anos, três aviões, dois ônibus e um táxi estava eu na cidade de São Vladimir, cidade essa que deu nome a Universidade. A imponente São Vladimir ficava afastada do centro, nas regiões montanhosas, tinha uma estrada de fácil acesso apesar de pouco movimentada.
Economizei até na pasta de dente para ter dinheiro suficiente para me manter nas primeiras semanas de aula. São Vladimir é uma Universidade centenária, rica em tradição e prêmios. A elite do país estuda aqui. Pouquíssimas vagas são destinadas a bolsistas. E ter 100% de desconto é um feito e tanto.
Anos de dedicação e sacrifício valeram a pena quando aquela carta dourada chegou. Me senti a Hermione Granger recebendo a sua carta de Hogwarts , uma simples "trouxa" conseguir um feito que poucos bruxos puro sangue conseguiram.
Meu sonho de me tornar uma grande neurocientista irá se realizar. Sei que apesar de tudo irei conseguir. E agora é o início da minha vitória.
Respirei fundo quando o táxi me deixou na entrada da universidade e desci do veículo com a minha mala e bolsa nas mãos. Ela era cercada por floresta e o ar parecia mais fresco, junto com uma temperatura mais amena me trazia uma sensação gostosa de conforto.
Era possível ver alguns carros bem caros estacionados e algumas pessoas circulando, alguns pareciam alunos e outros pais sorridentes por seus filhos estarem aqui.
Olhei para o céu e me perdi na imensidão daquele azul. Sorri vendo alguns pássaros passarem e pedi a mamãe que de onde tivesse me protege-se de todo o mal.
Arrastando aquela mala velha com o papel que me foi enviado pela Universidade constando meus horários e informações sobre meu dormitório tentei pedi orientações mas ninguém quis me ajudar.
Fui 100% ignorada e olhe que isso não era desconhecido para mim.
Duas horas depois, já passava do meio dia e o ar fresco já estava começando a me irritar, a umidade estava deixando meu cabelo castanho com um aspecto estranho, o suor já estava escorrendo pelas minhas costas. Os braços já estavam doendo de arrastar a mala para lá e para cá.
Aquele lugar parecia um labirinto e eu estava com fome. Muita fome. Não sou mais um ser humano quando estou come fome.
Num ato de desespero me joguei na frente de um garoto que passava despreocupado ouvindo música com seus fones pretos. Ele estava com roupas de academia, shorts pretos soltos, camiseta branca e tênis azul. O suor escória pela sua testa e suas bochechas estavam meio rosadas pelo exercício, acredito eu. Seu cabelo castanho escuro estava preso em um rabo de cavalo, não era longo mas chegava ao seu queixo. Ele era alto, bem alto, se for comparado aos meus 1:58 de altura, não sei talvez 1:90. Tinha um porte atlético mas nada exagerado.
Deu um pulo pelo susto que achei engraçado mas não sorri porque a fome já estava controlando metade do meu cérebro e a qualquer momento eu poderia me tornar uma zumbi e sair por ai dizendo:
—Eu quero cérebro!
—Oi, você pode me ajudar? Pedi, implorei, supliquei. Nem mais eu sabia. Só queria achar meu quarto e comer. Só isso! Nada mais! Coisas simples da vida.
Ele me analisou por segundos, seu olhar era curioso e surpreso talvez. Seus olhos castanhos tinham um tom bonito mas a sua expressão ia além do que eu poderia analisar.
Era como se ele não soubesse o que fazer comigo.
—Você sabe quem eu sou? Perguntou tirando os fones do ouvido. Eu não entendi a pergunta tão rápido como eu queria mas resolvi improvisar e rezar para que desse certo. Talvez fosse a fome.
— Desculpa minha falta de educação, me chamo Rosemeire Hathaway, mas pode me chamar de Rose.Sou nova por aqui, é meu primeiro dia e eu só queria saber se você pode me ajudar a achar meu dormitório. Sorri estendo a mão querendo parecer confiante e usar o pingo de educação que tenho.
Ele ainda me encarou , olhando para minha mão e eu já estava começando a achar que ou eu estava suja, com a roupa rasgada ou pisei em cocô de cachorro ou esse cara tinha sérios problemas. Que olhar engraçado! Bonito , bem bonito. Mas ainda sim engraçado. Será que ele tem algum toque e não gosta de contato físico?
—Dimitri, me chamo Dimitri Belikov. Pegou minha mão e apertou. Foi estranho porque senti um choque elétrico atravessar meu braço e atingir meu coração, que me fez soltar logo a sua mão e lhe oferecer o papel que estava nas minhas.
Ele o olhou por alguns instantes antes de falar.
—Seu apartamento fica no bloco F. Siga em frente, é um prédio azul claro. Me devolveu o papel e voltou a colocar os fones de ouvido e saiu como se nada tivesse acontecido.
— Obrigado! Falei mais com certeza ele não escutou pois já tinha voltado a correr.
Só me restou segui o caminho que me indicou achando esse primeiro contato um tanto quanto maluco.
Meu estômago roncou avisando que era hora de abastecer e resolvi pensar nas minhas prioridades e abstrair o que tinha acabado de acontecer.
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