I've got another confession to make

I'm your fool

Everyone's got their chains to break

Holdin' you

Were you born to resist or be abused?

Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

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O sul da Louisiana era um lugar tranquilo. Havia muitas lagoas para a pesca de lagostim, o crustáceo símbolo do estado. No sul a vida era mais simples. Todas as pessoas se conheciam. Era como voltar à infância e reencontrar os amigos que jogavam bola com você na rua.

Bruce Banner estava gostando de passar uma temporada em Louisiana, apesar de não conhecer ninguém da pequena cidade de Lacombe. Bruce pensava que seria melhor assim. Ficar incógnito.

Era um tempo que ele queria para si mesmo, depois de tudo.

O cientista vendeu o automóvel que possuía, uma D20 ano 2009, e alugou uma cabana, perto de um dos lagos que circundavam toda a região. Ele acordava de manhã com a brisa matutina e o sol, a esquentar seu corpo.

Outra coisa que ele precisava, sentir calor.

Queria aquecer o corpo com o sol, já que aquecer o corpo com outro corpo era uma coisa um tanto difícil no momento.

Talvez ele jamais conseguisse, afinal.

Talvez ele jamais superasse o fato de não ter seu amor correspondido. Era irritante, o moreno pensava, querer tanto uma coisa, estar tão perto de consegui-la e, no fim, perceber que nunca a teve de fato.

E ter que dizer adeus sem nem ao menos ter dito que ficasse.

Bruce abriu as janelas e viu o dia amanhecendo. Uma nova alvorada; talvez significasse que ele devesse deixar as coisas para trás e retornar a vida que tinha. Mas não queria. Às vezes ele tinha vontade de se jogar no lago e morrer afogado, mas o “outro cara” apareceria para arruinar seus planos. Como sempre.

Banner escovou os dentes e tomou um café preto, sem açúcar. Depois saiu de casa, caminhando um pouco em volta do lago. O sol iluminando a água e a água refletindo o céu era um espetáculo bonito. Céu e terra se tocavam na imagem refletida na lagoa.

− Não deixa de ser um espetáculo um tanto melancólico proporcionado pela natureza. – disse, fazendo uma observação para si mesmo.

Sentou-se embaixo de uma castanheira e, sob sua sombra, se permitiu divagar sobre o rumo que sua vida estava tomando.

Não podia ficar afastado de tudo para sempre; mas não tinha vontade de voltar. De repente toda a sua força e raiva se esvaíram, e no fundo só ficou uma tristeza.

Tristeza por saber que ele e seu sentimento não foram capazes de conquistar aquele que era objeto de suas afeições: Tony Stark. Tristeza por ter tomado atitudes que por pouco não arruinaram a vida do bilionário e mais uma tristeza, talvez a maior de todas: ter que abrir mão do que sentia, para que Tony pudesse alcançar a felicidade para si mesmo.

− Mundo injusto esse, não? – disse enquanto pegava uma pedra do chão e jogava no lago.

− Talvez. Depende do ponto de vista.

Bruce estava tão absorto em seus próprios pensamentos que não percebeu quando Clint Barton se aproximou, sentando-se ao seu lado. Olhou para o loiro e já iria perguntar o que ele estava fazendo ali; mas desistiu. Não tinha como Clint não saber onde ele estava, ele era um excelente espião.

− Durante quanto tempo pretende se esconder de tudo, Bruce?

− Não sei, pensei em tirar umas férias permanentes do mundo. Quem sabe ir pra Marte, sei lá.

− Ah sim, muito engraçado. – respondeu Clint, sentando-se ao lado do cientista.

Bruce abriu os lábios para fazer a pergunta que não queria calar, mas desistiu. No fundo ele não queria saber como foi o casamento de Tony com Steve. Ele queria mesmo era esquecer que tudo aquilo aconteceu.

Ele ainda se lembrava da carta que escreveu e mandou para Steve, na base militar onde o loiro havia se apresentado após a saída dele dos Vingadores, há três semanas. Carta essa não muito longa, mas prática e direta: Bruce reconhecia que nunca teria o amor de Stark.

Foi duro, foi angustiante escrever meia dúzia de palavras para o rival, mas foi preciso. Pelo menos agora Tony não sofria mais a perda do seu amor.

Só Bruce.

− O casamento foi bonito, Bruce. Houve lágrimas de alegria entre aqueles dois. Coisa rara de se ver. – falou Clint, sem esperar a pergunta de Bruce, que o loiro sabia, talvez nunca viesse.

− Hum.

− Steve acabou voltando para nosso seleto grupo de super heróis também. Todos agradecemos porque Tony como líder era um fiasco, convenhamos. – Clint falava alegremente enquanto Bruce olhava para o lago. — Steve queria falar com você, mas não te encontrou lá. Então ele me pediu para te mandar um recado.

− Então foi por isso que você veio. Já estava imaginando o porquê de sua visita.

− Ele me mandou nessa missão de encontrar você só pra te mandar esse recado. O recado era: “Não deixe que a dor o impeça de enxergar o que existe de bom a sua volta”, ou algo assim, não lembro direito.

− É fácil para ele falar, já que ele está feliz no final, ao lado de quem ama.

− Pois é, bem, imagina que ele estava feliz antes e alguém meio verde foi se intrometer no meio da conversa. – cortou Clint. – Acho que está na hora de você tomar juízo, Bruce. Pense que o mundo é um imenso lago de lagostim; sempre vai ter um lagostim esperando por você, se continuar nadando até o outro lado.

− Mas que raio de comparação é essa? – perguntou Bruce, rindo.

− É só uma forma de fazer você enxergar que o que ficou para trás, está no passado. Você deve olhar para frente. E observar que a felicidade às vezes bate na sua porta.

− Sei, ela vai bater na minha porta se eu for muito paciente. Já ouvi tanto isso que estou cansado.

− Talvez não tenha ouvido o suficiente.

Bruce deixou de olhar o lago por um momento e voltou o rosto na direção de Clint. Ele era sempre tão centrado em tudo, mas agora parecia mais relaxado. Parando para pensar, Bruce nunca havia visto realmente Clint. O loiro usava uma camisa preta justa, uma calça jeans e um tênis. Simples assim.

Mesmo embaixo da sombra frondosa da castanheira, o rosto de Clint era banhado com alguns raios de sol que surgiam entre as folhas; hora estavam lá hora não estavam. Esse jogo de luz e sombra dava aos olhos de Barton uma coloração diferente do verde característico.

Bruce agora se pegava pensando em como seria a coloração daqueles olhos, visto mais de perto.

− Talvez – disse Bruce – eu precise ver mais e ouvir menos.

− Tem horas que sentir coisas novas também ajuda a esquecer das velhas. – disse Clint, agora olhando diretamente nos olhos castanhos do cientista.

O vento da manhã soprava ameno, apenas roçando as peles de ambos. Bruce sentia uma leve palpitação no coração. Respirou fundo, controlando a pulsação.

Mas adiantou pouca coisa. Talvez ele tivesse sido bem sucedido, se Clint não tivesse tocado sua nuca com a mão direita e os lábios em sua boca, obrigando Bruce a se aproximar mais do corpo do loiro.

Era diferente. Os lábios de Clint eram macios e Bruce estava precisando daquilo. De alguém que se importasse com ele, para variar. Separou os lábios e permitiu que suas línguas se encontrassem. O toque entre elas causava uma sensação diferente de tudo o que ele já havia sentido.

Não era como raios caindo do céu; era mais como um bote salva vidas jogado no mar, no meio de uma tempestade, para lhe salvar a vida.

E resolveu se agarrar a essa última esperança.

Bruce abraçou Clint e aprofundou mais o beijo. O loiro buscava cada canto oculto da boca do cientista, e que agora não estava mais com a mão apenas na nuca do moreno, mas escorregando a mesma pelo pescoço de Bruce, chegando até o colarinho, sentindo a pele quente do cientista se arrepiar.

Com algum custo se separaram, quando o ar começou a fazer falta e manter aquele abraço ficou difícil, devido à posição que se encontravam.

Bruce foi o primeiro a se levantar. Esticou o corpo e estendeu a mão para o outro, que ainda estava sentado.

Clint a segurou e se deixou ser içado por Bruce.

− Coisas novas, você diz. Talvez o Capitão esteja certo, afinal. – disse Bruce, convicto.

Clint sorriu, passando o braço por cima dos ombros de Bruce e andando ao lado dele em direção a casa. A ideia da visita havia saído da mente de Clint. Ninguém sabia que Barton estava na Louisiana. Clint jamais havia tirado os olhos e os ouvidos de Bruce, logo ele sabia de muitos detalhes do que havia acontecido com o cientista. Ele olhou para Bruce, que ajeitava os óculos e beijou a lateral do rosto do moreno.

− Sou eu quem vai curar você, Bruce. Jamais se esqueça disso.

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I've got another confession, my friend

I'm no fool

I'm getting tired of starting again

Somewhere new


Were you born to resist or be abused?

I swear I'll never give in

I refuse


Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?

Notas finais
Olá gente, tudo bem?

Então, como eu havia dito em DylmA, eu fiz algo para o Bruce, meu bebê verdinho e amado =*

Aqui ele não parece mais tão decidido; está mais introspectivo, a meu ver.

Gosto do Bruce dos dois jeitos ~mejulguem

Bjo =*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!