Notas iniciais
Olá bonitinhos, aqui iniciamos uma nova jornada. Essa história rodeia a minha mente há mais ou menos um ano, venho tentando escreve-la desde então. Porém, como todos já sabem, as vezes o jovem brasileiro gosta mesmo de adiar as coisas, aqui estamos nós. Finalmente, após tantos afazeres acadêmicos, a psicologia me deu uma trégua e eu finalmente estou postando. Beijinhos e apreciem.

GEORGINA

A tarde caía, era fim de expediente e o escritório ficava vazio aos poucos. O dia estava sendo longo, por isso resolvi ficar mais um pouco ali, sentada na minha poltrona, olhando os contratos que havia assinado.

— Senhorita Moore? — Filippa disse após bater na porta e receber minha permissão para entrar — Eu já vou indo, você deseja que eu faça algo a mais antes disso? — Filippa é minha assistente pessoal desde que eu entrei na Chanel, há três anos. Nós temos uma relação profissional próxima, mas algo nela me causa arrepios. Megan, minha melhor amiga, vive dizendo que devo demiti-la, que uma relação chefe-secretaria deve ter total confiança, mas eu não tenho coragem, porque sempre penso no impacto financeiro que isso teria na sua vida, logo, concluímos que eu definitivamente sou o terror do RH.

— Filippa, você pode só ligar para o sushi bar e pedir que entreguem dois temakis de salmão? Resolvi ficar mais um pouco — nesse momento a loira arqueou a sobrancelha e me encarou por alguns segundo, então a encarei de volta — Faça isso logo!

— Claro, chefinha — a outra saiu com um sorriso falso no rosto, dando mais uma vez indícios de que algo de errado havia ali.

Peguei o primeiro contrato e li novamente, eu estava fechando um acordo com uma indústria têxtil especialista em seda, era um ótimo negócio e eu estava orgulhosa por ter conseguido baratear tanto a matéria prima deles. Eu estava me adaptando bem na Chanel, as pessoas em geral daqui são simpáticas e divertidas, apesar de que algumas se dedicam a passar os dias comentando sobre as vestimentas alheias, para evitar tamanho constrangimento procuro me vestir bem sempre. O telefone toca, logo minha mente lembra-se do sushi bar, então me apresso a atender:

— Ei tampinha, venha jantar comigo — a voz masculina e divertida logo me tirou a ideia de rapidez do restaurante da mente, aquela voz era bem conhecida por mim, principalmente aquele "tampinha", que certamente me levaria a socar quem falasse, exceto se esse fosse o Nicholas.

— Boa noite, pois não? Aqui é a secretaria eletrônica da alta e bela Georgina Moore, no que posso lhe ser útil? — gracejei... Minha relação com o Nicholas era bem íntima, tanto que sempre me perguntam se namoramos ou somos irmãos, mas a resposta é sempre "Somos apenas bons amigos", clichê? Talvez, mas nós realmente somos apenas amigos, ou melhor, nós somos melhores amigos. Eu, Nicholas e Megan somos praticamente os três mosqueteiros.

— Como você é bobinha, Gi — Nicholas riu suave do outro lado da linha — Secretarias eletrônicas não mentem sobre o tamanho das donas.

— Hahaha bonitinho, muito engraçado — retruquei a acusação rindo — O que você manda?

— Vamos jantar? Separei um lugar especial aqui pra gente no restaurante — Nicholas é um bem sucedido chefe de cozinha/empresário, o seu restaurante se chama "D'Ângelo" e é especializado em comida italiana. Quando eu conheci o Nick o seu empreendimento ainda era apenas mais um restaurante em um bairro boêmio, e acredite, ele começou muito cedo no ramo, MUITO CEDO, mas o seu tempero logo fez sucesso, e o negócio começou a engrenar. Hoje, o Nicholas é conhecido como o melhor mestre cuca da cidade e para conseguir uma reserva noturna no D'Ângelo é necessário ligar com, pelo menos, três meses de antecedência.

— Que honra, quer dizer que eu tenho uma reserva no melhor restaurante do mundo? — provoquei, nós jantamos no seu restaurante com frequência, porém geralmente sempre estávamos acompanhados pela Megan e pelo Matt, que além de namorado da loira, ainda é irmão do Nicholas. Sempre é muito divertido, nós rimos bastante e bebemos além da conta, eles são a família que eu escolhi.

— Sabe qual a vantagem de ter duas melhores amigas mulheres? — Nicholas fez silêncio, provavelmente esperando que eu respondesse, mas não o fiz, esperei que ele continuasse, segundos depois de ter feito a pergunta — Porque eu sempre vou ser o melhor do mundo em tudo pra vocês duas.

— Hahaha, acho que a Megan não te acha melhor em tudo não — ri levemente, enquanto arrumava os documentos espalhados pela mesa, quando me toquei, em um susto, que já havia feito um pedido em um restaurante — Nick, acabei de lembrar que pedi dois temakis, não vou poder ir.

— Vai trocar o meu espaguete à bolonhesa? Tem certeza? — eu não podia deixar passar a comida do Nicholas, simplesmente porque eu tinha um orgasmo de sensações quando colocava a massa tão saborosa na boca — Dá um troco para o segurança pagar os temakis e faz o homem feliz, já pensou na alegria que ele vai ficar em comer algo gostoso nessa noite fria?

— Tem razão, daqui a pouco chego aí — desliguei o telefone e me apressei em arrumar a minha bagunça, o que levou aproximadamente dez minutos, logo após peguei a minha bolsa e desci os dez andares da empresa, o elevador abriu e logo eu estava na garagem subterrânea. Peguei meu carro, um conversível vermelho da Ferrari, sai em direção à rampa de acesso a rua e parei na portaria — Senhor Jordan? — chamei o segurança, Jordan Morgan é um homem bem bonito, é negro, forte e jovem, deve ter aproximadamente 32 anos; simpático e bem humorado, ele faz a segurança da Chanel há vários anos — O senhor gosta de temaki? — o moreno se aproximou de mim e sorriu sereno.

— Me sinto um velho sempre que escuto um "senhor" — sorri constrangida com a gafe — Me chama só de Jordan.

— Haha, desculpa foi por impulso — me redimi — mas então, gosta?

— Vai me convidar pra sair? Porque se for isso, aviso logo que sou difícil — o moreno brincou, tentando me deixar constrangida, mas em troca recebeu o meu silêncio e uma cara de "O que foi que você disse?", então pude ver o homem mudar de expressão rapidamente e perder o molejo — Me desculpe, foi só uma brincadeira — hesitou passando a mão no cabelo — sabe como é, né? O dia inteiro aqui, sozinho — continuei olhando pra ele, mas agora um leve sorriso apareceu nos meus lábios, era engraçado ver um homem tão grande constrangido — Gosto sim.

— Aah, ótimo — abri minha bolsa e retirei de lá três notas de dez dólares — Daqui a pouco vai chegar um pedido aí, pague com esse dinheiro, jante e tenha uma boa noite — entreguei o dinheiro pro Jordan e sorri, ele então assentiu com a cabeça e agradeceu, logo após, parti com o carro rumo ao D'Angelo.

NICHOLAS

Uma hora após, Georgina chega ao meu restaurante, ela estava trajando um belo vestido branco, decotado no busto, e justo na cintura, o que valorizava bem o desenho perfeito do seu corpo.

— Demorou Georgina Moore, quase cancelo a sua reserva — disse enquanto a morena se aproximava sorridente. A Georgina é o tipo de mulher que eu definitivamente não me envolveria, primeiro porque é a minha melhor amiga, segundo porque é uma pessoa imprevisível. Uma vez ela cismou que a sua irmã, Anna, estava usando drogas, então tivemos que atravessar o oceano rumo a Holanda, ao chegarmos em Amsterdã, Georgina se certificou que a Anna estava muito bem encaminhada e sem uso de drogas ilícitas, então voltamos no dia seguinte. Resumindo: É cilada, Bino.

— Desculpe, o trânsito estava caótico — suspirou a morena, logo após depositou um beijo na minha bochecha e procurou a mesa que havia guardado — Você tinha dito que tinha reservado uma mesa especial — Georgina me olhou confusa, porque o restaurante estava completamente lotado, como sempre, não havia sequer uma cadeira disponível — Mas onde?

— Como você é principiante — sorri alto e peguei a sua mão, nós percorremos o longo caminho por entre as mesas, passamos então pela porta de entrada da cozinha, lá vários pratos estavam sendo finalizados, era um orgulho ver uma equipe tão dedicada ao trabalho. Após atravessarmos a cozinha, abri a porta de saída, que dava acesso a uma área de lazer exclusiva do restaurante. Sobre o longo gramado havia uma mesa e duas cadeiras, uma toalha de renda cobria a superfície da mesa, um candelabro iluminado por velas dava um toque clássico ao ambiente. As velas, a luz da piscina e a lua eram a iluminação presente ali, o que seria um ambiente romântico demais e digno de uma noite intensa de amor, se não fosse o fato de que tudo aquilo era pra minha melhor amiga.

— Que lindo, Nick — Georgina disse ao caminhar lentamente em direção a mesa, a morena observava cada detalhe ali presente, e levando em conta a sua cara, ela realmente estava gostando de tudo aquilo — Tem certeza que é pra mim?

— Larga de bobagem, tampinha — passei a mão no seu cabelo, era incrível ver seus olhinhos brilhando tão intensamente — Eu vou pegar o espaguete, volto logo — e assim o fiz, cinco minutos depois voltei carregando na mão direita uma travessa de vidro o espaguete, na outra trazia uma garrafa de vinho do porto.

— Que delícia! — Georgina respirou fundo, inspirando o saboroso aroma que saía da travessa — Tava com saudade de comer aqui, sabe? A rotina do trabalho ta me deixando louca — ela mordeu os lábios pensativa. Era incrível ver como ela evoluiu nos últimos anos, era tão garota e agora vejo na minha frente uma mulher, uma linda mulher — Mas coloca logo aqui, porque eu não resisto a essa massinha tão gostosa — Georgina estendeu o prato e abriu um sorriso gigante, coloquei então a massa no seu prato e na sua taça coloquei vinho — Ta explicado como você consegue dormir com tantas mulheres — Georgina falou entre garfadas e gargalhou bastante após chegar a sua conclusão.

— O que você quis dizer com isso? Que vai dormir comigo essa noite? — provoquei e recebi um guardanapo na cara como resposta — To brincando, eu só faria isso tudo por três mulheres no mundo — dei um longo gole no vinho, que a propósito, estava maravilhoso — A minha mãe, você e a Megan.

— Nem pela Antonela D'Ângelo? — a morena provocou rindo, ela sabe que esse assunto é no minimo constrangedor pra mim. Antonela D'Ângelo foi a única mulher que ousou a me dar um fora, eu a conheci na Itália, enquanto fazia meu curso intensivo de gastronomia, isso a tornou especial pra mim, então, resolvi homenageá-la transformando o seu sobrenome em nome do meu restaurante.

— Não, nem pra ela — ri, ela é como um ícone pra mim, sua imagem passou a ser idealizada demais, leva-la pra cama acabaria todo o tesão da coisa — Você tem notícias da Megan? Não a vejo há três dias.

— Ela me ligou ontem, o John a levou pra mais um jantar beneficente, dessa vez no Texas — John Van Der Woodsen, governador do estado de Nova York e, nas horas vagas, pai ausente da Megan. A Megan cresceu rodeada de eventos sociais, para o seu total desprazer, os gestos de carinho do seu pai eram raros, pra falar a verdade eles se resumiam a comprar um pônei pra garota ou então um shopping completo da Barbie. Agora que ela é adulta, a relação dos dois se tornou ainda mais distante — Você sabe, né? Daqui a dois anos ele vai se candidatar a presidência, então já tratou de arrasta-la para eventos fora do estado, mas parece que ela voltou hoje no finalzinho da tarde.

— Ainda bem que ela tem o Matt — suspirei pesado, era triste ver uma menina tão bonita e alegre como a Megan crescer sem a mãe, quando eu a conheci sua mãe já havia falecido e o John já era um péssimo pai — É triste ter uma família desestruturada assim.

— É sim, mas é mais triste ainda não ter família, Nicholas — a morena refletiu, ela morava só em Nova York desde os dezenove anos, sua única família era a Anna, mas essa ainda estava na Holanda, o país de origem delas — Sabe, fico me perguntando se vou ficar velha, louca, solitária e com dezessete gatos.

— Hahaha — gargalhei ao ouvir aquilo — Enlouqueceu? — ri mais um pouco — Claro que não, você vai achar um cara legal e vai me presentear com muitos sobrinhos lindos, já que ter filhos não faz parte dos meus planos.

— Já desisti de achar um cara legal, Nick — a Gi suspirou, ela já havia se envolvido com vários caras, mas no fim das contas ela sempre descobria que o namorado era um canalha. O que me irrita bastante, porque ela é o sonho de qualquer cara, não falo isso só pela beleza dela, mas porque ela realmente é alguém fiel, doce, gentil e de um coração bom — Sabe, ontem eu vi o que é o amor verdadeiro — Georgina deu um longo gole no seu vinho — E estava bem ali, na minha frente, no olhar de um bebê para a sua mãe, foi incrível Nick, ele era tão pequenininho, tão indefeso, mas o seu olhar era tão terno — nunca vi a Georgina desse jeito, e olha que eu já a vi de todos os jeitos possíveis, mas dessa vez ela estava mais sensível do que o normal — Será que alguém vai olhar daquele jeito pra mim um dia?
— Não pensa nisso ainda, é muito cedo pra tanta cobrança — levantei da cadeira que estava sentado e me direcionei para perto da garota, estendi a mão, ela então a pegou e se levantou. Pude sentir a confusão que estava a sua cabeça através dos seus olhos — Você é muito nova, tem muita coisa ainda pela frente — abracei a morena e a confortei, logo após nós voltamos à bebedeira e a conversa a toa, foi uma noite divertida. Quando o relógio indicou meia noite, eu a levei pra casa e a coloquei pra dormir, presumindo que no dia seguinte a ressaca era certa para nós dois.

MATT

Megan, a minha namorada, morava em uma cobertura localizada na área com metro quadrado mais caro de Manhattan, em um prédio da Park Avenue, que nos dava uma vista privilegiada do Central Park. Entrei no prédio e cumprimentei o Sr. Smith, o porteiro, como faço todos os dias. Peguei o elevador e apertei o C, até lá foram vinte andares, três paradas e nenhum "boa noite" foi dado, nem por mim e nem pelos vizinhos. Devo admitir que os nova iorquinos são muito frios, bem diferente das pessoas de Nova Jersey, não que eu ache isso ruim, mas isso talvez seja o motivo pra tanta gente fria e solitária por aqui. Ao chegar à cobertura tão conhecida por mim, toquei a estridente campainha e esperei pelos próximos três minutos, até que a Dorota atendeu.

— Boa noite Dorota, a Megan tá por ai? — e antes que a senhorinha pudesse responder Megan já surgia pelo corredor que levava até a espaçosa sala, a loira estava usando um hobby preto de seda, este estava levemente aberto até o decote, o que a deixava extremamente sexy, principalmente porque seu cabelo estava solto e com ondas dignas de estrela de Hollywood.

— MATT — gritou Megan enquanto se aproximava de mim com um sorriso estampado no rosto — Você não sabe da maior...

— Isso pode esperar, amor? — interrompi apreensivo, a garota então me beijou calmamente e assentiu com a cabeça. Peguei sua delicada mão e a levei até a sacada, a loira estava com uma expressão confusa, mas serena ao mesmo tempo, enquanto eu estava suando frio, com as pernas bambas e o coração a mil, olhei então fixo pra vista que tínhamos. O céu estava estrelado, o que é quase um milagre, se levarmos em conta que a cidade de Nova Iorque ofusca as constelações e que os únicos seres brilhantes que costumamos ver no céu são os helicópteros e os holofotes.

— Você tá me assustando um pouco, Matt — suspirou apreensiva, foi quando me dei conta que havia ido ali para fazer algo importante e que havia deixado a minha namorada esperando, foi quando me virei novamente para Megan e a olhei bem fundo dos seus lindos olhos — Tá tudo bem com o Nicholas? Com a Georgina? Fala, amor.

— Megan, a gente namora há nove anos e eu me sinto um velho por isso – Sorri de lado ao ver a expressão confusa estampada no rosto de Megan, me aproximei dela então, buscando sentir aquele momento a cada respiração minha — Mas com certeza foram os melhores nove anos da minha vida – senti como se cada célula minha tremesse naquele momento, eu estava com medo? Mas por que medo? Nós estávamos juntos há tanto tempo, isso devia ser natural, não? Beijei a testa dela e dei um longo selinho antes de chegar ao ápice da conversa e me ajoelhar — Você aceita se casar comigo e passar o resto da vida me ouvindo roncar, me preparando chocolate quente nos dias frios, brigando comigo por causa da toalha em cima da cama, mas, acima de tudo, sendo amada, respeitada e cuidada por mim?

— Você tá brincando? — seus olhos pareciam uma explosão de fogos de artifício e ver aquilo me fez reviver os melhores momentos da minha vida, ver quem você ama feliz é uma sensação indescritível — É o que eu mais quero, desde os meus onze anos, pra ser mais exata — o rosto de Megan passou de pálido para "em chamas" em um piscar de olhos, seu olhar marejado não escondia a emoção, sua voz estava embargada, mas ainda sim fez questão de continuar — Eu aceito — disse por fim, antes de se jogar nos meus braços.

Notas finais
O tumblr da fic já foi criado, nele vocês podem conhecer mais os personagens e descobrir um pouco da sua história. Em breve o trailer de Best Mistake estará no tumblr. http://believe-bestmistake.tumblr.com/ Beijo bonitinhos, até o próximo capitulo. P.S: Não seja um leitor fantasma, comente, isso estimula o autor a escrever. Desde já, obrigada.