Best Friend
5 Cinco.
Notas iniciais
Certo, vamos falar serio por um momento, quando eu decidi que iria falar com a Kia, sobre eu ser apaixonado por ela e essas coisa, eu não pensei em fazer isso realmente. Pelo menos não no dia seguinte a ter decidido alguma coisa. Era só um jeito pra me sentir um pouco mais tranquilo e bem menos idiota sobre toda essa situação. Tudo bem que eu não disse que sou apaixonado por ela, mas isso não faz a menos diferença, já que eu praticamente a agarrei no meio do cinema. Tudo bem, tudo bem, parei com o exagero e o melodrama.
Bom, o fato é que agora não tem mais volta agora. Não posso simplesmente chagar nela e pedir desculpas por ter a beijado e fingir que nada de mais aconteceu entre nós dois. Tenho certeza de que beija-la foi uma das melhores coisas que eu já fiz na minha vida. Na verdade, a melhor coisa que eu já fiz.
Mas é agora que todo problema começa. Eu a beijei, ela me beijou de volta, mais de uma vez, só pra lembrar. Foi tudo lindo e maravilhoso. Mas o que eu vou falar para ela amanhã? Eu tenho que simplesmente chegar na casa dela e fingir que não aconteceu nada? Ou quando eu vê-la tenho que cumprimenta-la com um beijo? E se ela me perguntar o que aconteceu? E se ela não quiser mais falar comigo? E se ela contou pros irmãos e eles tentarem me matar quando eu chegar lá amanhã? Putaquepariu! O que eu faço? O que eu faço?
Ichigo, cala essa boca grande, se concentra e para de drama. Você parece uma garotinha falando. Eae nunca ia deixar os irmãos dela baterem em você. Só vai até a casa dela e aja normalmente, como você sempre age quando está com ela, sem desespero.
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Só depois de muito drama e muitas perguntas sem nenhuma resposta em sua cabeça Ichigo conseguiu pegar no sono naquela noite. Mas antes mesmo que pudesse dizer que dormira por um tempo considerável, sua mãe entrou em seu quarto o chamando e abrindo as cortinas de sua janela.
- Que horas são, mãe? – ele perguntou entre um longo bocejo, passando a mão pelo rosto para tentar espantar o sono, e arrepiando ainda mais os cabelos bagunçados.
- Dez e vinte, meu amor – ela respondeu, agora indo até a cama do ruivo e puxando seu cobertor para dobrá-lo e guarda-lo no armário que ficava do lado oposto do quarto – O que você vai fazer hoje? – ela perguntou, virando para encará-lo, enquanto Ichigo ainda continuava deitado folgadamente na cama.
- Eu vou almoçar na casa da Rukia — ele respondeu, e de repente as cenas da noite anterior voltaram como um flash em sua cabeça – Você e o papai também vão sair? – ele perguntou, vendo que a mãe não estava exatamente vestida para ficar em casa.
- Vamos – ela concordou sorrindo feliz – Vamos a um restaurante italiano novo que abriu perto do escritório do seu pai, mas antes vamos passar na casa do Urahara, seu pai tem que entregar alguma coisa para ele – completou quando estava saindo do quarto – Mas se você quiser uma carona até a casa dela, nós te esperamos não tem problema.
- Não precisa não, mãe – ele respondeu ficando sentado na cama e olhando atentamente os movimentos da mãe – Eu vou andando mesmo, não tem problema.
- Tudo bem, querido. Só tome cuidado – ela falou, terminando de ajeitar os travesseiros na cama.
Ele finalmente se levantou completamente da cama e foi até o banheiro, quase que se arrastando. Fez toda sua higiene matinal e tomou um banho bem demorado. Preferia ir andando sozinho até a casa da baixinha. Pelo menos no caminho poderia ir pensando um pouco no que iria falar para ela quando chegasse lá, não que ele tivesse alguma noção do que falar depois que saiu do banho, mas pelo menos usou o tempo para tentar elaborar alguma coisa decente a se dizer.
Demorou um pouco mais do que o normal para decidir o que vestir, não que ele fosse muito vaidoso ou coisa parecida, só sentia-se um pouco nervoso e bastante indeciso naquela manhã. No fim acabou optando por sua calça jeans bem escura, que era sua favorita, seu Nike azul clarinho e uma camisa polo também azul do Chelsea.
Antes que tivesse terminado de se vestiu pode ouvir seus pais se despedindo dele lá da sala e saindo, ambos parecendo bastante animados.
Quando saiu de casa, faltavam apenas alguns minutos para as onze horas. Fez o percurso até a casa dos Kuchiki o mais lentamente que conseguiu, pensando em como deveria agir ou o que deveria falar para a morena quando chegasse lá. Se Urahara ouvisse seus pensamentos naquele momento, com certeza iria rir muito da cara dele. Estava parecendo um garotinho de oito anos que achava a colega de classe bonitinha e ficava sonhando em segurar a mão dela.
Enfim, sem conseguir adiar mais, chegou à frente da casa de Rukia. Estava se sentindo um pouco mais calmo por causa da tranquila caminhada, mas seu coração ainda estava batendo totalmente descompassado em seu peito, fazendo-o confirmar a teoria sobre o garotinho de oito anos.
Tocou a campainha apenas uma vez, como se isso fosse lhes custar o dedo indicador, ou quem sabe o braço inteiro, e para seu espanto quem atendeu, apenas alguns segundos depois, foi a morena.
Se ele tinha achado que ela estava bonita na tarde anterior, hoje ele tinha certeza de que ela estava simplesmente maravilhosa. Usava uma saia jeans justa e escura, com alguns desenhos na barra e uma blusinha tomara-que-caia roxa, e seus cabelos, ainda molhados, estavam soltos, e assim como no dia anterior ela usava uma maquiagem levinha nos olhos, deixando-os mais brilhantes.
- Hey – ela falou, quando abriu a porta para ele, ficando levemente corada quando o encarou pela primeira vez.
- Hey – ele respondeu bobamente, se repreendendo mentalmente por não ter nada mais idiota para falar.
- Entra – ela falou depois que ficaram algum tempo se encarando parados, dando passagem para que ele entrasse – Você está um pouco atrasado, até mesmo Tatsuki já chegou – ela completou sorrindo animada, deixando o desconforto inicial de lado por alguns instantes.
Ele concordou com a cabeça, e entrou parando ao lado dela e em um assombro de coragem e determinação que ele nunca saberia de onde veio ele colocou uma das mãos na cintura da morena e depositou um beijinho rápido e delicado nos lábios, pegando-a totalmente de surpresa.
Os dois andaram em silêncio até a sala de estar, onde toda a família Kuchiki já estava reunida, os seis filhos mais novos e suas respectivas companheiras. A sala tinha uma cor viva, graças a presença de tantas cabeças. E assim que eles entraram na sala, viram Renji e Tatsuki vindo de mãos dadas em sua direção, os dois bastante risonhos e animados, como todos que estavam naquele cômodo.
- Oi Ichigo – falou Tatsuki sorrindo ainda mais para ele e o abraçando carinhosa e demoradamente – Eu não sabia que você ia vir hoje — ela completou, demonstrando sua surpresa.
- A Rukia me obrigou a vir. Ela até me ameaçou. – ele respondeu, entre divertido e sério, olhando para a baixinha que lhe lançava um olhar totalmente reprovador, ao que ele prontamente ignorou e voltou a olhar para Tatsuki.
- Então, que bom que você veio – continuou ela, ainda sorrindo – Me sinto um pouco deslocada no meio dessa família tão grande. Mesmo tendo algumas cabeças-morenas e até uma loira por aqui dessa vez.
- Se eu não estou enganada, Tatsk, há muito tempo você está louquinha para fazer parte do clã – retrucou Rukia maliciosamente e dando uma piscadela marota para a cunhada.
- Eu nunca disse que não queria fazer parte do clã, Ruki — ela respondeu frisando de um jeito engraçado a palavra 'clã' – Só disse que estou me sentindo um pouco deslocada por aqui. São duas coisas muito diferentes – ela completou sorrindo timidamente.
- Então você realmente quer ser uma Kuchiki, Tatsk? – perguntou o ruivo com um tom malicioso que ele quase nunca usava, mas que ele tinha aprendido muito bem vendo Rukia e até mesmo os gêmeos Kuchiki usarem tantas vezes.
- Ichigo, acho que isso não é você que tem que perguntar, né? – retrucou a morena, antes que Tatsuki pudesse dar sua resposta ao ruivo – Vamos deixar pelo menos isso para o Renji aqui fazer.
Renji, que até aquele instante apenas ouvia e observava a conversa entre a namorada, a irmã e o amigo arregalou os olhos, de susto e corou violentamente, arrancando sonoras gargalhadas de Ichigo e Rukia, e um riso contido de uma encabulada Tatsuki.
- Kia, querida, você pode vir me ajudar aqui na cozinha um minuto? – perguntou a Sra. Kuchiki que tinha acabado de se levantar do sofá onde estava sentada ao lado do marido para ir até a cozinha.
- Claro, mamãe – ela respondeu ainda rindo bastante do embaraço do irmão, e foi atrás de sua mãe, na cozinha, seguida de perto por uma, ainda, embaraçada Tatsuki, deixando os dois garotos para trás.
- Estou vendo que daqui a pouco tempo teremos mais uma Sra. Kuchiki nessa casa — cantarolou Ichigo rindo do amigo que continuava completamente vermelho de vergonha.
- Cala essa boca, idiota – ele retrucou finalmente deixando o riso divertido escapar por seus lábios.
- Não está mais aqui quem falou, então – ele respondeu, levantando as mãos em sinal de rendição.
Depois que Rukia e Tatsuki tinham ido ajudar a Sra. Kuchiki na cozinha, logo foram seguidas pelas outras mulheres presentes na casa, deixando apenas os sete Kuchiki’s e Ichigo na sala de estar.
- Bom, agora eu estou começando a entender a Tatsk – comentou o ruivo, quando percebeu sua situação – Estou realmente me sentindo deslocado por aqui. E começando a ficar com medo – completou.
- Achei que você já tinha se acostumado com isso — Ichigo pode ouvir alguém falar atrás de si, e quando se virou viu os gêmeos, mais não saberia distinguir quem falou com ele – Isso deveria ser normal pra você, já que é tão amigo da Kia – completou.
- Não que eu ache que a nossa irmãzinha realmente precise disso – falou o outro gêmeo.
Ichigo não respondeu nada, apenas revirou os olhos demoradamente. Com isso ele já estava quase acostumado: o ciúme dos irmãos de Rukia com ele, e olha que eles nunca tiveram nada. Com certeza esse ciúme ficaria pior agora que eles tinham…, hum, alguma coisa. E assim que esse pensamento passou em sua cabeça Ichigo estancou em seu lugar, ficando quase branco. E se Rukia tivesse dito alguma coisa para um dos irmãos dela? Aí sim ele estaria muito ferrado.
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- Vocês dois ainda não cansaram de aporrinhar o Ichi não? – perguntou Rukia, que tinha acabado de chegar até o ruivo e os irmãos – Mamãe está chamando para almoçar.
Assim que ouviram a palavra almoçar todos deixaram suas conversas imediatamente de lado e levantaram-se indo para a cozinha. A mesa tamanho família dos Kuchiki ocupava mais da metade da espaçosa cozinha. Byakuya sentou-se em uma das pontas da mesa, e em frente dele sua esposa, os outros foram rapidamente se acomodando em volta da mesa. Ichigo acabou sentando-se ao lado de Rukia e de frente para Renji que estava sentado ao lado de Tatsk.
O almoço feito pela matriarca da família estava simplesmente delicioso. Tinha tanta coisa sobre a mesa que Ichigo duvidava que conseguisse provar um pouquinho de cada coisa antes de ficar completamente cheio, opinião que não parecia ser compartilhada por Renji, que tinha colocado uma generosa porção de tudo que estava ao seu alcance em seu prato.
- Deixe um pouco de comida para as outras pessoas, Renji – falou um dos irmãos dele, que Ichigo reconheceu ser Zaraki que estava sentado ao lado da esposa, uma bela francesa que ele conhecera há dois ou três anos atrás, durante uma das viagens de verão da moça pela Inglaterra.
O almoço se estendeu alegremente por mais de uma hora, todos comendo e conversando sem parar. Em pouco tempo Ichigo já se sentia mais à vontade e conversava animadamente com Zaraki, o mais velho dos Kuchiki, sobre os gêmeos e o visível sucesso dos dois na loja.
Depois que todos terminaram de almoçar, a maioria voltou para a sala de estar, apenas a Sra. Kuchiki, Rukia e a esposa de Zaraki ficaram na cozinha, ajudando a matriarca com a enorme quantidade de louça suja sobre a pia.
Depois de uns quarenta minutos todos já estavam novamente reunidos na sala, à maioria escutando uma historia contada pelos gêmeos, que faziam todos que ouviam gargalharem, até mesmo a Sra. Kuchiki, que desistira dos olhares de repreensão e passara a se divertir com as maluquices dos dois filhos.
Assim que Rukia voltou para sala, ela andou até onde Ichigo estava conversando animadamente com Zaraki. Ela se aproximou deles, tentando não chamar muita atenção e se colocou ao lado de Ichigo, que estava displicentemente encostado na parede oposta à porta. Ela não prestou muita atenção na conversa entre os dois, ficou apenas observando o ruivo, que tinha um sorriso feliz e simpático no rosto e parecia totalmente confortável em estar ali no meio da sua enorme e barulhenta família.
- A Rukia também acha, não é mesmo, nanica? – ela pode ouvir Ichigo perguntar, tirando-a de seu estado momentâneo de transe.
- O quê? – ela murmurou, tentando lembrar-se do que os dois estavam conversando quando ela se aproximou, e tentando adivinhar se deveria ou não concordar com Ichigo mesmo sem saber do que eles estavam falando.
- O filme que nos vimos no cinema ontem, Kia – ele repetiu a pergunta pra ela, devagar, enquanto a garota ainda o olhava um pouco aérea, totalmente perdida na conversa – Você não achou o filme muito bom?
- Ah. Claro! – ela concordou animada, quando a ficha caiu – Foi realmente muito bom! Doses certas de ação, suspense e mitologia grega! Muito bom mesmo. Mal posso esperar pela sequencia!
Mais assim que ela terminou de respondeu para os dois o acontecimento do dia anterior voltou a sua cabeça como um raio. Ela beijara seu melhor amigo! E não tinha sido só uma vez. Tinha passado a noite anterior inteira, e até mesmo parte da madrugada relembrando as cenas no cinema e na porta de sua casa tentando entender o que acontecera, mais não conseguia achar nenhuma explicação plausível. E pra completar, tudo ficou muito mais confuso quando abiu a porta de casa para o ruivo, e no lugar de receber um 'Oi' animado, recebera um 'Hey' tímido e inseguro de Ichigo, acompanhado de um selinho.
- Você está legal, Kia? – ela ouviu Zaraki perguntar preocupado, balançando uma das mãos na sua frente, tentando conseguir algum sinal de que a baixinha ainda estava naquele planeta.
- Eu estou ótima, Zaraki, não se preocupe comigo – ela respondeu, tentando manter sua voz o mais firme possível, mesmo não tendo muita certeza do que acabara de falar para o irmão mais velho.
Mas Ichigo tinha um pouco de noção do que fizera a Kuchiki ficar perdida em seus pensamentos, ou achava que tinha. Provavelmente ela deveria estar se perguntando por que, diabos, ele a beijara no dia anterior. E bom, essa era uma pergunta ele já tinha uma resposta pronta e muito boa, pelo menos ele achava que era, mais não sabia se teria coragem de dá-la para a morena.
- Hm, Ichigo? – ela chamou o ruivo, a voz falhando um pouquinho em sinal de incerteza – Vamos até lá em cima? Tenho que te mostrar aquele trabalho que agente tem que entregar amanhã. – ela completou, tentando a todo custo manter a voz o mais firme possível.
Ela lançou um olhar bem significativo para o ruivo e ele rapidamente entendeu que não tinha trabalho nenhum para fazerem. Ela só queria falar com ele, só isso. Ele concordou com a cabeça, nervoso, e os dois deixaram o irmão mais velho dela para trás, que parecia ligeiramente desconfiado de alguma coisa, já que também tinha percebido a troca de olhares entre a irmã e o ruivo.
Os dois subiram as escadas da casa dos Kuchiki em silêncio. O quarto da garota ficava no ultimo andar da grande casa. Na verdade aquele lugar era para ser um sótão, mais quando a garota fizera dez anos e se cansara de dividir seu quarto com Renji, decidiu transformar aquele lugar em seu próprio quarto.
Ichigo ainda se lembrava muito bem de quando ajudara Rukia a arrumar aquele lugar, há quase sete anos atrás. Os dois, muitas vezes auxiliados por Renji e os gêmeos passaram algumas tardes muito divertidas lá em cima, limpando cada cantinho do lugar, pintando as paredes com um tom clarinho de roxo, cor favorita dela, colando alguns pôsteres de bandas e atores que a garota gostava, organizando a extensa coleção de livros dela em ordem alfabética.
E mesmo tendo ajudado a morena com aquele lugar, já fazia algum tempo que não entrava lá. A cama de solteiro, com lençóis roxos continuava exatamente no mesmo lugar. Os pôsteres ainda existiam, só que agora eram de bandas mais atuais e os atores tinham sido esquecidos há bastante tempo. A única mudança drástica desde que Rukia começara a usar o lugar como um quarto fora na parede do lado esquerdo, que antes tinha uma grande estante com os livros da menina, meticulosamente arrumados, e agora era preenchida com uma escrivaninha grande, da mesma cor da cama, onde ficava o radio e o computador, e acima da escrivaninha, um grande mural de fotos, a maioria da morena com a família e algumas com os amigos na escola, todas presas com imãs de carinhas felizes e borboletas, e os livros, agora em numero muito maior, ocupavam uma estante em cima da cabeceira da cama.
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