Best Days

1 Melhores Dias


Duas horas já haviam passado. Eu conseguia ouvir toda a movimentação que faziam dentro do quarto com as grandes portas brancas fechadas. Estava tão nervoso que mal conseguia respirar, e talvez fosse esse o motivo para terem me expulsado do recinto.

Woodwork observava enquanto eu andava de um lado para o outro. Nossa reunião havia sido interrompida quando America começou a sentir dores mais fortes. Estava na hora, finalmente, de um dos momentos mais importantes da minha vida. Eu seria pai. Em dobro.

Eu ainda conseguia me lembrar claramente do dia em que America, mais uma vez, iluminou minha vida, há oito meses atrás, no dia do meu aniversário. Ela me levou até o jardim, ao nosso banco, e me deu o melhor presente que eu poderia receber.

– Você precisa relaxar, Majestade – Woordwork me despertou do transe.

– Não é assim tão fácil, sabendo que ela está sofrendo. – Retruquei.

Ele suspirou e se recostou, com os braços cruzados atrás de sua cabeça, na parede mais próxima.

– Eu sei como é, foi terrível quando Kile nasceu. Tudo que eu queria era poder sentir toda a dor no lugar de Marlee.

Eu me lembrava do dia em que Kile nasceu. America estava extremamente feliz por Marlee, fez questão de segurar sua mão e cuidar dela durante o parto. Havia algo nos homens de Illéa que fazia com que não fôssemos capazes de observar nossas amadas durante o parto, era doloroso demais. Então, Woodwork, Aspen e eu esperávamos do lado de fora, mais uma vez, por mais um nascimento no palácio.

– Só espero que seja um pouco mais fácil do que parece quando chegar a vez de Lucy – Aspen suspirou.

Aspen e Lucy haviam encontrado uma linda casa fora do palácio há poucos meses atrás, e como havia prometido, foi um presente meu e de America. Lucy engravidou não muito depois disso, e agora eles esperavam uma menina.

Sentei-me no amplo banco de madeira escurecida ao lado das portas, com os cotovelos sobre os joelhos e a mãos apoiadas na cabeça.

– Isso é torturante – Exalei.

Ouvia o relógio tiquetaqueando infinitamente. America soltava gritos abafados ocasionalmente, e, a cada grito, meu coração afundava. Tudo que eu conseguia pensar era ‘Acabe logo, por favor’.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, ouvi um choro baixo de bebê e meus olhos imediatamente se encheram d’água. O primeiro dos gêmeos havia nascido. Não sabíamos ainda o sexo das crianças. America e eu preferimos ser pegos de surpresa. Eu esperava ansiosamente ouvir meu segundo filho vir ao mundo.

Quando Marlee finalmente abriu as portas, levantei-me de um salto, apressando-me quarto adentro. Lucy segurava uma das crianças e a mãe de America, a outra. Corri até a cama e peguei as mãos de America, que estava com os olhos vermelhos de choro, o cabelo e o rosto cheios de suor. Ela sorriu para mim, e eu depositei um beijo leve em sua testa.

– E então? – Consegui perguntar.

– Uma menina e um menino, Majestade. – Foi Lucy quem respondeu, entregando-me uma linda menininha, MINHA linda menininha.

Segurei-a com todo o cuidado, enquanto Magda me entregava meu outro filho, meu menino. Eu estava com todo o meu mundo em meus braços naquele momento. Olhei para America, sem conseguir segurar minhas lágrimas de felicidade. Seu rosto, apesar de cansado, era a coisa mais linda que eu já havia visto.

Entreguei nossos filhos a ela, que os segurou delicadamente. Olhei em volta do cômodo, procurando minha câmera.

– Aqui, Majestade – Aspen disse, entregando-a a mim.

Eu precisava registrar esse momento para a eternidade. Minha linda mulher e minhas lindas crianças. Click, click, click. Essas seriam as melhores fotos da minha vida.

– Maxon, venha aqui, entregue a câmera à Marlee, tire uma foto conosco – America pediu.

Fui de encontro à minha família, coloquei a mão levemente sobre a cabeça de minha filha, sorrindo de orelha a orelha. Eu ouvia, ansiosamente, os clicks da máquina, até que, finalmente, eles pararam.

– Minha pequena Amberly e meu pequeno Shalom Schreave. – America disse, beijando cada uma de suas cabeças.

Os nomes de nossos pais. Eu não conseguiriapensar em uma forma melhor de chamá-los. O pai de America foi um grande homem, e minha mãe, uma grande rainha. Eu não poderia estar mais orgulhoso.

– Queria que nossos pais pudessem tê-los conhecido. – Suspirei.

– Eu também, meu amor. Até consigo imaginar sua mãe fazendo deles as crianças mais mimadas da face da Terra – Ela riu.

Concordei com um aceno de cabeça. Eu me sentia grato. Grato por ter uma família linda, um casamento feliz, e bons amigos.

Eu achava que o dia em que America havia dito ‘sim’ fosse o mais feliz da minha vida, mas nada se compara ao dia de hoje. Tudo que eu podia desejar era que minha vida continuasse sendo uma sucessão de novos melhores dias. Eu era, nesse momento, completamente e irremediavelmente, o homem mais feliz e sortudo do planeta.

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