Best & Beyond
3 Quinta-Feira
Notas iniciais
-XX
Look da Luna: http://www.polyvore.com/fly/set?id=87010860
Quinta, 22 de Agosto.
– Mamãe, eu tô bem! – Falei mais uma vez sendo esmagada por uma mãe completamente chorosa.
– Você verificou se lá tem internet e sinal pro celular? Eu preciso saber se vou conseguir falar com a minha bebê a qualquer hora do dia!
– Eu não estou indo pro fim do mundo, eu estou indo pra LONDRES! É óbvio que tem internet, mãe! – Eu ri.
– Não sei, Luna, não sei... – ela começou a chorar, e eu acho que ia começar a chorar também... – Filha, você tem certeza de que quer ir?
– Mãe, não começa – mordi os lábios. – Por favor...
– Ai, Luna April... – e mais um abraço, cacete! – Liga assim que você chegar, se não gostar deles pega o primeiro avião de volta pro Brasil, o primeiro!
– Prometo – respondi meio abafada.
Já havia me despedido do meu pai de manhã, ele não era fã de despedidas longas nos aeroportos com todo mundo olhando, minha mãe em contrapartida se pudesse iria pra Londres comigo – coisa que graças a Deus foi proibida pelo meu pai. Não é que eu não estava triste, é óbvio que eu estava! Meu quarto, meus pais e minha gata estavam sendo deixados no Brasil, porém eu estava indo viver um sonho que eu tenho desde menina e eu não deixaria ninguém se colocar no meu caminho. Arrumei minha roupa e peguei minhas malas, o número do meu vôo foi chamado e o frio na barriga apareceu, eu nunca tinha andado de avião e agora eu ia passar mais de 10 horas com a bunda colada numa cadeira a trocentos mil pés de altitude!
– Me liga?
– Ligo, mãe, por favor, não fica paranóica! – Eu sorri e dei um beijo em sua bochecha.
– Te amo, minha menina, estamos muito orgulhosos de você!
– Eu também amo vocês – sorri.
Passei pelo portão de embarque, entrei no avião (segunda classe, é óbvio) coloquei meus fones, fechei meus olhos e tentei dormir.
Doze horas depois – Sexta-feira, 23 de agosto.
– Com Licença? Senhorita, já chegamos. – Uma aeromoça me balançava levemente.
– Hum?! – Perguntei grogue.
– Já aterrissamos. – Ela respondeu. Olhei ao redor e percebi que todos os assentos já estavam vazios.
– Ah... Obrigada. – Agradeci. Me levantei, coloquei meu casaco e peguei minha bolça e minha bagagem de mão e sai do avião.
Peguei minhas malas onde continham todas as roupas do meu armário (eu não tinha muitas roupas) e sai andando pelo aeroporto de Heathrow sem direção. O que não foi uma escolha muito sensata já que aquele lugar era imenso. Em menos de 10 minutos eu estava totalmente perdida. Desisti quando encontrei um Starbucks, e decidi pedir ajuda e comprar um café.
– Boa tarde, o deseja? – Uma garota mais ou menos da minha idade que era a atendente do balcão me perguntou.
– Um cappuccino de canela, Por favor. – Pedi.
– Só isso? – Perguntou enquanto registrava o pedido.
– Sim. – Respondi e paguei. Após alguns minutos ela me entregou o meu pedido. – Com licença – chamei antes de ir embora. – Poderia me informar como eu encontro a saída para um ponto de táxi?
– Ah, claro. – ela sorriu. – Quando sair da loja é só virar a esquerda e quando chegar à área B-16 vire a direita, você vai sair direto no por=nto de táxi.
– Obrigada... – comecei a dizer e me toquei que não sabia o nome dela. – Eleanor. – Terminei depois de olhar no crachá dela.
– De nada. – Ela sorriu pela última vez e eu sai da lanchonete. Fiz como Eleonor havia dito e virei á esquerda quando sai. Andei um pouco pela ala B, me encontrando quando percebi que estava na área B-15. Já havia avistado a placa do B-16 que ela falou quando bati em alguma coisa e cai, derrubando tudo que segurava, inclusive o cappuccino, que cai todo em cima de mim.
– Ah, merda! – gritei alto o bastante para só as pessoas bem perto de mim escutassem.
– Desculpa. – Um garoto de cabelos cacheados falou e estendeu a mão para mim, me fazendo perceber que havia sido nele aonde eu havia esbarado.
– Tudo bem – respondi mesmo que a definição do que eu estava sentindo não era “bem”. – foi minha culpa. – Analisei minha nova macha que estava situada bem no meio da minha blusa cinza, e fechei meu casaco logo em seguida. Olhei de novo para o garoto e vi que ele estava recolhendo as minhas malas.
– Aqui. – Ele sorriu me entregando as malas. E que sorriso, com covinhas e tudo! Fala sério, a única pessoa na vida que eu já conheci que tem covinhas era a minha melhor amiga, Beatrice. E bem ela não tem lindos olhos verdes como o cara na minha frente.
– Hum, valeu. – Respondi depois de alguns segundos de pensamentos nublados. “Você nunca mais vai ver ele, você nunca mais vai ver ele...” repeti o mantra em minha mente.
– A suas ordens senhorit... – o garoto foi cortado por um grito atrás de mim.
– HARRY! – Eu me virei e vi um garoto vindo em nossa direção. – E ai, cara? – O garoto que carregava somente uma mochila, daquele tipo que usamos para acampar, deu um abraço masculino no “Harry”.
– Lou! Eu estava indo encontra você, mas eu acabei esbarrand... – Eu pude perceber que Harry ia se virar para se referir a mim, mas antes dele terminar eu já estava virando correndo o corredor direito da área B-16 e quase passando pela porta automática.
A viagem tinha sido absurdamente longa e agora eu sei bem o que dizem sobre ‘fadiga de viagem’. Agora eu me sinto cansada,suja, enjoada, morrendo de vontade de me jogar na cama que eu nem sei como que é e sem vontade nenhuma de conhecer pessoas novas, então sim, eu dispenço ser apresentada para o tal Lou e para o Harry, que é um “meio-conhecido”.
Os britânicos falam rápido demais, enrolados demais e correm demais! Já fui empurrada umas cinco vezes, e quando falo palavrões em português ficam me olhando com cara feia, QUAL O PROBLEMA? Meio emburrada consegui chegar até um taxi vago táxi; um cara meio rechonchudo, careca, branco demais, mas que parecia amigavel abriu a porta pra mim (lado OPOSTO do qual estou acostumada no Brasil) e educadamente com um sotaque absurdo perguntou qual o endereço. As horas que gastava diariamente vendo Harry Potter, Nárnia e ouvindo The Beatles me ajudaram bastante a entender o sotaque britânico – ninguém nesse mundo fala mais enrolado do que Rupert Grint! Dei pra ele um papel com o endereço e ele sorriu dizendo que o local era bem próximo. Houve aquela conversa de ‘você é de onde?’ e ele me contou que tinha uma filha que estuda no mesmo colégio para onde eu iria entrar e que ela tinha a mesma idade que eu, e, quando de por mim, já estava de frente com um prédio absurdamente enorme que parecia um castelo medieval, lotado de adolescentes na frente.
– Prédio Mountbatten ? – Ele sorriu pra mim apontando para um prédio que só dava para ver um pedaço, pois fica atrás da escola (mas dava para ver um pedaço mesmo estando na frente dela).
– Acho que é esse mesmo – suspirei. – Quanto fica?
– Nada não, criança, não vou ser o primeiro a extorquir seu dinheiro – ele riu. – Só tome cuidado com os taxistas, tudo bem?
– Desculpe senhor – eu disse. – Tem como me dar então o seu telefone? Caso eu precise de alguma coisa...
– Pensei que nunca ia perguntar – ele sorriu e me entregou seu cartão. – Me chamo Jeff Calder. Esse é o telefone de minha casa, às vezes estou no serviço e não posso usar celular enquanto dirijo, pode falar com minha esposa caso precise de algo. Ela se chama Meg.
– Obrigada, Jeff – sorri absurdamente aliviada, primeira amizade, yay! – Tenha um bom dia.
– Bom dia, criança, boa sorte.
Finalmente saí do táxi com minhas malas e bolsa. Caminhei lentamente pela multidão adolescente captando cada objeto, cada folha, flor e pessoa que passava na minha frente. Qualquer detalhe era essêncial, eu queria me lembrar de tudo para contar em detalhes para minha família como foi minha chegada em Londres. Havia pessoas de todos os tipos e roupas e gêneros, estava me sentindo nas nuvens! Fui tão acostumada a estudar com só um tipo de gente que ver tanta variedade no mesmo lugar me deixava um pouco atordoada. Fui andando devagar e notei alguns sorrisos amigáveis no meu caminho, pessoas me olhando de forma curiosa e outras que simplesmente viraram a cara. Deve ser minha calça jeans rasgada, tênis all star, camiseta cinza e meu cabelo mediano arrumado-bagunçado, é, dever ser a minha aparência, eu nunca fui muito comum mesmo.
Cheguei ao meu quarto depois de passar por uma boa vistoria. Eu ia ficar no terceiro andar, um quarto duplo com vista para o campus. Assim que eu abria a porta dava de cara com o que parecia ser uma sala de estar media (não era enorme, mas também não era minúscula, na verdade é muito aconchegante) no lado direito havia uma estante encostada na parede com uma TV e alguns DVDs na frete havia uma pequena mesa de centro de madeira e uma sofá e ao lado do sofá uma mesinha de telefone e uma janela imensa. Ao lado esquerdo tinha uma mini cozinha (dividida da “sala” por uma grande mesa de granito) com um micro ondas, uma pia, armários e coisas desse tipo e também tinha duas portas, entrei na primeira e era um pequeno banheiro e a outra era um quarto duplo muito grande, com camas de solteiro grandes e com janelas acima de cada cama. Em um lado estava todo decorado, com a estante, quadro de recados, armário e escrivaninha cheios, e com uma fofa cortina vermelha e o outro lado que ficava perto da porta estava branco e sem graça.
Coloquei minhas malas no lado sem graça do quarto, que é o meu, obviamente e me joguei na cama – que estava sem lençol – e acabei ficando por lá. O cheiro de mofo era perceptível e meu nariz começou a coçar, mas quem se importa? Eu finalmente estava onde eu queria, onde eu pertencia. Eu estava em Londres!
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