Besides All Your Dreams
23 Not today but, tomorrow
Notas iniciais
– Pra fora Fabray, agora, ou eu irei te tirar do programa em seu ultimo ano! – doutora Kate disse pra mim e me encarou com os olhos autoritários.
Não tive outra escolha a não ser sair da sala e esperar pela minha irmãzinha. Mas antes disso eu disse: — Tudo bem, eu posso não operar, mas eu estou na sala, eu ainda estou aqui!
Me virei para sair da sala quando ouço os Bips de Ali diminuindo, olho para Rachel que estava parada na porta, os olhos dela estavam presos em Ali, de repente ela fecha os olhos e eu corro para perto dela, não podia deixar minha Rach desmaiar e cair no chão.
Passei meus braços pela cintura dela e gritei por uma maca, que logo veio. Coloquei Rachel em cima da mesma e a levei para um quarto.
–X-
Eu tinha checado a pressão de Rachel, e ela tinha caído, muito! Deixei-a deitada na cama e apliquei um soro para ela acordar sem se sentir mal. Me sentei na poltrona que tinha ao lado da cama.
Isso que estava acontecendo era demais, simplesmente tudo estava demais! Eu e Rachel tivemos uma briga estúpida e por causa disso Alice sobre um acidente de carro, não posso deixar de sentir que isso é culpa minha, se não fosse essa ideia ridícula de me casar logo com a Rachel e de ter tido aquela discussão boba, Ali estaria no MSG agora estaria arrasando e depois sairíamos para comemorar.
Encostei minha cabeça na poltrona e respirei fundo, ah Deus, como eu queria poder voltar no tempo e desfazer algumas coisas. Senti meu celular vibrando no meu bolso, pego ele e vejo que é Blake, droga! Eles devem estar achando que Ali está super atrasada, não devem saber do acidente.
– Alô – quando atendi o celular percebi o quando minha voz estava falha.
– Oi Quinn, desculpa estar te incomodando, é que esta quase na hora do show e Alice ainda não chegou e pra melhorar ela não atende o telefone e ta todo mundo tentando falar com ela, queria saber se ela está ai com você e com a Rachel, porque se ela estiver você pode falar pra ela vir agora pro Madison antes que Emma mate ela.
– Blake... hm, você está sentada? – bom, não existe jeito fácil de contar uma noticia dessas, digo eu sempre falo para os pais que seus filhos morreram ou que terão uma recuperação difícil e dolorosa, mas falar isso pra Blake, alguém que eu conheço e realmente gosto muito, que a namorada dela, que por acaso é minha irmã está em estado grave me deu um nó na garganta.
– Sentada Quinn? Como assim? – ela realmente estava confusa.
– Blake, Ali sofreu um acidente de carro, estou aqui com ela no New York Presbiteryan, ela acabou de ser levada para a cirurgia, eu não sei direito o que aconteceu com ela, o que me falaram foi que uma caminhonete bateu no carro dela e o mesmo capotou por diversas vezes; e agora ela está sendo operada e eu não sei como ela está porque eu não posso entrar na SO porque sou parente dela. – eu não percebi, mas enquanto falava as lagrimas rolavam por meu rosto e uma dor muito grande se instalava em meu peito. A linha estava muda, eu podia ouvir a respiração pesada de Blake.
– Quinn... e-eu, eu vou falar com todos aqui e irei voando para o hospital.
Dito isso ela desligou. Deus eu nunca havia me sentido com um peso tão grande nas costas como eu estou sentindo agora.
Deu uma olhada em Rachel e ela parecia calma, serena dormindo. Como sei que ela não vai acordar tão cedo resolvi me levantar daqui e ir dar uma olhada em Ali pela galeria, essa falta de noticia está me matando.
Enquanto caminhava pelos corredores brancos e que me pareceram tão assustadores do hospital, olhei em meu relógio que marcava quase oito horas da noite.
Cheguei no andar cirúrgico e perguntei a uma enfermeira onde a doutora Walsh estava operando e ela acho que não sabia de nada me disse que ela estava na SO 7. Rumei para lá rápido, sentei-me na galeria e pude ver minha irmãzinha sendo operada por minha “chefe” e minha melhor amiga.
– Tudo bem ai Fabray? – chefe Webber apareceu e sentou ao meu lado.
– Sim chefe. – eu disse não tirando minha atenção de cada procedimento que era realizado em Ali.
– Então é verdade o que os internos diziam, você é realmente parente de Alice Fabray. – como é? Aqueles internos andavam falando da minha vida para o chefe?!
Eu o olhei querendo saber onde ele queria chegar com aquela conversa: — hm, sim chefe, eu sou irmã dela, na realidade sou prima, mas somos muito próximas então, nos tratamos como irmãs.
– Doutora Perilla já deu conta da perna quebrada e do ombro deslocado de sua irmã, agora Elise está cuidando dos ferimentos internos enquanto Walsh e Lopez tentam dar um jeito para que ela se estabilize para que possam seguir com a cirurgia sem outra parada.
– Outra parada chefe, quantas ela já teve? – isso realmente me preocupou, se Ali não estabilizasse a cirurgia ia ficar mais arriscada e eles teriam que fecha-la e continuar quando ela estivesse em uma situação melhor.
– Bom, contando com a que ela teve no PS, foram três. – chefe Webber era o melhor chefe que alguém poderia ter, mas quando fazíamos burrada ele estava lá, pronto para nos corrigir, e acho que era por isso que ele era meu grande exemplo.
– Mierda – Santana disse e eu voltei minha atenção de volta para a cirurgia de minha irmã – mais sucção aqui por favor – os batimentos de Ali aceleraram e depois voltaram ao normal.
Soltei a respiração que nem sabia que havia prendido e sai de lá, ver tudo aquilo e não poder fazer nada para ajudar está me matando aos poucos.
Caminhei até a sala de espera e fiquei lá, como todo familiar faz.
– Fabray, Alice Fabray! – eu ouvi alguém dizer e virei minha cabeça pra trás, era Blake com tio Robb, tia Liza e Emma.
Meus olhos se cruzaram com os olhos vermelhos de minha tia e eu corri para abraça-la. Meu tio se juntou ao abraço e eu pude ver que eles estavam chorando, muito.
Nos separamos e nos sentamos, Blake se sentou ao meu lado e me olhou como se estivesse procurando um jeito de me perguntar algo. Eu arranhei a garganta e falei:
– Ela ainda está em cirurgia. Na verdade fazem – olhei no relógio que marcava dez horas e quarenta minutos – três horas e alguma coisa que ela está em cirurgia, e um procedimento de emergência como o de Ali pode demorar um pouco porque foram muitas contusões e fraturas.
– Ai meu Deus, minha filinha, minha pequena Alice, por que senhor, por que?! – titia disse e começou a chorar, meu tio a abraçou e ficou em um choro silencioso.
– Ela vai ficar bem não vai Quinn, ela tem que ficar bem – Blake disse e colocou as mãos no rosto, ela estava quebrada. – ela me disse que vamos ficar juntas pra sempre e o nosso pra sempre nem começou, ela não pode me deixar Quinn.
Eu não tinha o que falar pra ela naquela hora, eu não sabia o que pensar agora. Dei um meio abraço em Blake, senti que ela estava precisando disso e sussurrei um “vai ficar tudo bem” pra ela.
Passado um tempo apareceu um policial e falou algo com a mulher da secretaria que apontou na nossa direção.
– Hm, com licença, vocês são os Fabrays? – eu fiz que sim com a cabeça e ele continuou – Sou oficial Roggers e recolhemos essas coisas do carro da senhorita Alice – me entregou um saquinho preto.
– Muito obrigada – eu disse e ele saiu.
Dei uma olhada dentro da pequena sacolinha preta e lá tinha alguns cd’s, um boné dos Yankees, o iphone de Ali meio quebrado e uma caixinha azul com uma fita branca em volta. Deus, então era realmente fato, Alice ia pedir Blake em casamento e Deus, eu impedi que isso acontecesse, se minha irmã morrer a culpa vai ser inteiramente minha.
Me levantei e fui correndo para o banheiro, chegando lá me tranquei em uma das cabines e chorei, chorei até as lagrimas não caírem mais de meus olhos, e a dor em meu peito ficar tão grande a ponto de eu chorar em seco, pois não haviam mais lagrimas.
Sai da cabine passei uma água em meu rosto e meu olhei no espelho.
– Vai dar tudo certo Quinn, Alice vai sair dessa e vocês ainda vão rir lembrando essa história – eu disse a mim mesma.
Voltei para sala de espera e me sentei ao lado de Blake novamente, ela já havia se recomposto um pouco, ela olhou ao redor como se estivesse procurando por alguém e disse: — cadê a Rachel?
Não que eu tivesse esquecido de minha namorada, mas com tudo o que eu estou na cabeça não quis voltar para o quarto onde ela estava, não queria ver a minha Rachel chorando, e acho que depois do papel ridículo que eu fiz essa tarde ela não vai querer me ver também.
– Está num quarto, ela desmaiou e eu dei um remédio pra ela dormir, essa situação foi demais pra ela. – Blake me olhou com os olhos compreensivos e disse:
– Onde ela está? Quero ficar com ela.
Eu a levei até o quarto onde Rachel estava e como eu já esperava ela ainda estava dormindo, tão calma e tão serena quanto antes.
Eu me encostei na cama de Rachel e fiquei mexendo em seus cabelos, Blake sentou na poltrona e ficou lá, com olhar perdido na janela.
–X-
– Quinn – Rachel disse acordando aos poucos e me encarando.
Eu estava chorando, tinha me deitado ao lado de Rachel na cama e Blake estava dormindo.
– Rachel, meu amor me perdoa, isso é tudo culpa minha, o acidente de Ali, e-eu não queria ter tido aquela discussão com você e se eu não tivesse me alterado um pouquinho Ali não teria se distraído brigando comigo e ela não teria tirado a atenção da estrada e... – minhas lagrimas me interromperam e Rachel me abraçou forte.
– Isso não é culpa sua Quinn, não é culpa de ninguém se um idiota bateu no carro de Ali, e se culpar não vai mudar os fatos da coisa. Meu amor olha pra mim – ela disse levantando meu rosto – eu te amo, te amo mais do que qualquer coisa e vendo essa situação, digo nossa vida pode ir a qualquer minuto e eu não quero ficar sem você nunca mais, você é meu tudo, e sem você eu vou me sentir vazia outra vez, sem você nada vai fazer sentido, eu sei que agora não é o momento, mas se você realmente quiser oficializar as coisas e ainda querer se casar comigo, eu aceito, quero passar o resto da minha vida ao seu lado e pode ser do seu jeito.
– Rachel... eu... – eu realmente não sabia o que dizer, quer dizer, eu sei que esse não é o momento e eu nem ao menos pedi Rachel em casamento, mas isso já bastava, ouvi-la dizer que quer passar o resto da vida ao meu lado foi tudo pra mim.
A abracei for e dei um singelo beijo em nos lábios dela. Nos separamos e ela ficou olhando pelo quarto, seus olhos pararam em Blake por uns segundos e depois voltaram para a sacola preta que jazia no em cima da cama esquecida.
– O que é isso? – ela disse apontando pra sacola.
– Um oficial troce, são as coisas de Ali que estavam no carro. – eu disse me esticando um pouco alcançando a sacola que estava nos pés da cama.
– Uau, eu... eu vi ela com todas essa coisas hoje a tarde – Rachel disse enquanto analisava as coisas de Alice.
– São as coisas dela? – Blake disse se levantando da poltrona, Deus eu nem percebi que ela tinha acordado.
– São sim – Rach disse se levantando da cama e indo para perto de Blake – e eu acho que você deveria ficar com elas.
Dito isso Rach entregou a sacola nas mãos de Blake que as olhou rapidamente. Ela parou e pude sentir sua respiração tinha parado também. Eu me levantei da cama e segurei a mão de Rachel que ainda estava parada em frente a Lively.
– Ela... ela ia me propor?! – ela disse não segurando as lagrimas, enquanto eu lutava fortemente para segurar as minhas – ela ia me pedir em casamento, oh meu Deus, por favor, não tira a minha Alice de mim, nos estávamos tão felizes – ela disse e levou a pequena caixinha ao peito e segurou firme em seus dedos – lute por nos bebe, lute pra ficar aqui comigo.
– Vem, vamos voltar para a sala de espera e bem... esperar por noticias de Ali – Rach disse e estendeu a mão para Blake.
Voltamos para a sala nos sentamos com os outros e eu notei que Emma, a agente de Ali estava um pouco mais distante, com os olhos vermelhos e no telefone com alguém.
Passaram cinco horas que Ali estava em cirurgia, eu já não estava mais aguentando de tão agoniada que estava, eu precisava ir até a galeria só pra dar uma checada na minha irmã.
Quando me levantei e dei alguns passos, vi Santana e Kate saindo do elevador com a roupa azul da cirurgia e semblantes cansados. Elas olharam uma para a cara da outra e depois me encararam, ai Jesus, ai vem coisa.
– Senhores – doutora Walsh cumprimentou meus tios com um aceno de cabeça.
– Oh doutora, por favor diga de uma vez, como está a minha filha? – meu tio disse.
Eu me sentei ao lado de Rachel e ela apertou a minha mão, é ela estava tão nervosa quanto eu.
– Bom, a cirurgia foi um tanto quanto complicada, Alice teve três paradas e havia alguns fragmentos em seu abdômen, mas que conseguimos retirar todos e os danos internos não foram tão graves assim, a falta de estabilidade dela fez com a puséssemos em coma induzido para ver como o quadro dela vai ficar. – Santana disse seria encarando meus tios.
– E isso quer dizer o que? – minha tia disse.
– Quer dizer que só saberemos quais foram os verdadeiros danos desse acidente quando ela acordar – doutora Walsh disse.
– Podemos ver ela? – Blake perguntou.
– Sim, mas um de cada vez, doutora Lopez os levaram até o quarto da paciente. – doutora Walsh respondeu e se retirou.
Seguimos Santana até o andar onde ficavam os leitos particulares. Chegamos no quarto de numero 2267, ela abriu a porta e disse: — lembrem-se, um de cada vez.
Minha tia entrou primeiro, depois meu tio, seguido por Blake que ficou uns minutos a mais com minha irmã.
– Você vai ou eu vou? – Rachel disse, eu nem ao menos tinha notado que Blake havia saído do quarto.
– Pode ir Rach, eu vou depois.
Rachel entrou no quarto e eu me concentrei em Blake, eu não falava muito com ela, mas sentia que nesse momento precisava estar perto dela, consolar ela e sabe-se lá Deus o que mais.
Cheguei perto de Blake, passei meus braços por seus ombros e deu um abraço meio desajeitado em minha futura cunhada.
– Ela vai ficar bem Blake, você vai ver. E ela ainda vai rir de nossas caras quando acordar e nos ver assim – ela deu um sorriso torto e limpou as lagrimas.
– Você tem razão Quinn – ela disse fungando – ela vai ficar bem, e quando ela ficar bem, eu vou cobrar o melhor pedido de casamento de todos.
Eu sorri e depois nos despedimos, ela ia para o ap. de Ali que por acaso estava sendo meu e de Rach, disse que precisava dormir, mas que pela manhã já estaria aqui.
Rachel saiu do quarto com o olhar serio. Ela deu um suspiro pesado e fechou a porta atrás de si.
– Tá tudo bem amor? – eu disse chagando perto dela e a puxando pra sentar.
– Tá sim... é só que, eu ainda não acredito que tudo isso está acontecendo, parece que é só um grande pesadelo e a qualquer momento eu vou acordar e você vai estar na cama comigo e vamos fazer amor e depois ser interrompidas por uma Alice furiosa querendo dormir.
Eu sorri, era assim que eram as manhãs na nossa casa, e era simplesmente perfeito.
Eu tinha que ser forte, por mim, pelos meus tios, por Rachel e até mesmo por Blake. Deu um beijo calmo na minha Rachel, só para mostrar que estávamos acordadas e que isso tudo era real e a levei para a cafeteria, ele deveria estar faminta.
–X-
– Oi Ali, aqui estou eu mais uma vez... só queria te contar algumas coisas que andam acontecendo. Bem, você deve estar sentindo falta de Rachel não é? Pois é, depois de algumas discussões entre eu e ela, decidimos que ela ia começar os ensaios na Broadway porque como você diz, o show tem que continuar, ela não queria te deixar aqui, sozinha, mas eu disse que viria te visitar todas as tardes, afinal eu trabalho aqui. Eu só, só preciso que você acorde logo Ali... você precisa voltar logo pra mim, para seus pais, para seus amigos que estão aqui todos os dias para te ver, para seus fãs loucos que já invadiram o hospital para te ver – eu disse e sorri com a memória daquele dia – e especialmente, para a Blake! Ela é uma pessoa maravilhosa, não sei como você conseguiu ela, mas você conseguiu, e agora não pode deixa-la. Eu te amo Ali – eu disse e dei um beijo na testa da minha irmãzinha.
Estava me levantando para sair do quarto quando vejo Santana encostada no parapeito da porta. Ela me olha com aqueles olhos negros cabisbaixos, respira fundo e diz:
– Já faz um mês.
– Eu sei disso Santana, mas ela vai acordar, você vai ver, ela é uma Fabray. Nos nunca desistimos.
– Não estou dizendo que ela desistiu Q. e sim que... sei lá, um mês é muito tempo. Mas foda-se, a mini Sant vai acordar e ainda vai chutar muito esse seu traseiro branco e magro seu.
Eu sorri e a acompanhei, íamos fazer os pós-operatórios e como sempre Satan e eu ficávamos encarregadas dos internos mais lezados de toda New York. Isso era bom, me distraia um pouco da dor que havia em meu peito.
Deixe que mais um dia de trabalho tire essa angustia de mim e que a esperança que eu sinto não se pague, por que se não hoje, que ela acorde amanhã.
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