Beside You
1 By Her Side
Notas iniciais
Por volta das nove da noite, Reade foi preparado e encaminhado para a cirurgia. Tasha não podia fazer mais nada além de esperar. Já não estava tão preocupada, pois os médicos a asseguraram de que aquela seria uma cirurgia tranquila e os riscos de complicações eram poucos.
Enquanto seu amigo estava na sala de cirurgia, a latina foi tratar dos ferimentos causados pela explosão. Os cortes na cabeça de Tasha foram suturados por um jovem médico. Ele fazia seu trabalho em silêncio, estava muito focado no que fazia. Durante o procedimento a latina não parava de checar seu celular, na espera de alguma noticia vinda de Nas. Infelizmente, o que ela recebeu não eram boas notícias, mas sim o que já imaginava: o número de agentes mortos por conta da explosão aumentava cada vez mais.
Quando o procedimento finalmente acabou e Tasha já estava com seus ferimentos suturados, ela foi ao encontro de Kurt, que a esperava na recepção.
— Hey, alguma notícia? — ela perguntou referindo-se à Reade.
— Por enquanto nada. Acho que isso é um bom sinal. — Kurt respondeu e os dois concordaram. — Tasha, você pode ir para casa. Vá descansar um pouco.
— Acho melhor não. Eu quero estar aqui caso algo aconteça.
Kurt pôs a mão no antebraço da latina e disse:
— Tash, você deve estar cansada. Hoje foi um dia muito conturbado para todos nós. Você pode ir para casa. Os médicos disseram que a cirurgia pode durar muitas horas. — Kurt insistiu. — Sua casa fica aqui por perto. Quando eu tiver notícias, eu te ligo.
A latina pensou por alguns momentos. Ela realmente estava cansada e precisava de um banho, algumas horas fora do hospital podiam não fazer tanta diferença.
— Ok, você está certo. — ela disse colocando-se de pé. — Eu vou, mas eu volto daqui a duas horas. Por favor, me liga se qualquer coisa acontecer.
— Ok, Tasha. Fique tranquila, vai dar tudo certo. — Kurt disse amigavelmente pra a latina que sussurrou “eu espero que sim” antes de virar e se encaminhar para fora dali.
Ao chegar em casa a latina tomou banho, colocou roupas limpas e tentou descansar. Tentativa essa no qual falhou miseravelmente. Seu melhor amigo estava em uma cirurgia enquanto ela estava ali. Sem contar que ela não conseguia parar de pensar no momento em que o prédio explodiu. A cena repetia e repetia em sua mente. Tasha sabia que não podia fazer algo para mudar, ainda assim não conseguia relaxar.
Antes mesmo de cumprir o prazo de duas horas a latina já se encaminhava de volta para o hospital. Decidiu não chamar um taxi e optou por ir caminhando. Precisava de um tempo para organizar seus pensamentos.
Assim que chegara ao hospital avistou Kurt sentado em um dos bancos de madeira que ficavam de frente para o edifício.
— Novidades? — Tasha perguntou antes mesmo de sentar-se ao lado de Kurt.
— Por enquanto nada, mas assim que você saiu um dos cirurgiões me disse que o principal da cirurgia já tinha sido feito. O cirurgião plástico estava cuidando dele para não deixar muitas cicatrizes. —explicou. — Ele está bem, Tasha. — Kurt disse passando a mão no ombro dela.
A latina soltou um suspiro aliviado. Por mais que os médicos tivessem dito que seria uma cirurgia tranquila, ela não pode se deixar relaxar muito. Ela tentou, porém não conseguiu. Ao menos tudo estava certo agora e ela podia relaxar definitivamente.
— Eu vou buscar café, ok? Estamos precisando. — Kurt disse levantando-se.
Ela apenas levantou sua cabeça que estava apoiada em suas mãos e agradeceu com um pequeno sorriso.
Enquanto esperava Kurt voltar com o café, Tasha manteve-se observando a ala de emergência do hospital que se encontrava a poucos metros do lugar onde estava. Por não ser muito distante, a morena podia ouvir e observar a tudo o que acontecia. Os médicos estavam agitados. Pelo que ela pôde ouvir, eles estavam esperando por um paciente que havia sido baleado. Após alguns minutos de espera, uma ambulância chegou até o local onde os médicos se encontravam.
— Mulher de identidade não identificada, tem aproximadamente 30 anos. Ferimento de entrada única no espaço intercostal da esquerda, sem ferimento de saída. Sofreu uma parada cardíaca a caminho daqui, mas conseguimos a trazer de volta. — um dos paramédicos explicava a um dos médicos, enquanto removia a paciente de dentro da ambulância.
Tasha já estava se preparando para sair dali quando percebeu talvez conhecesse aquela paciente. Seu coração falhou uma batida quando percebeu que conhecia aqueles cabelos loiros. A latina teve a total certeza de quem era quando viu que a mulher vestia uma blusa social azul com listras brancas. Aquela paciente inconsciente e ensanguentada era Patterson.
Tasha não pensou duas vezes antes de correr até onde Patterson estava sendo levada. Quando se aproximou mais teve total certeza de que aquela era sua amiga.
— Patterson? — a latina disse com a voz embargada. — O que aconteceu? — ela perguntava para um dos paramédicos que tentava a afastar de perto da maca.
— Senhorita, eu preciso que você se afaste e deixe os médicos fazer o trabalho deles. — o mesmo paramédico disse com a voz calma, enquanto segurava Tasha. — Ela foi baleada. Você a conhece?
— Sim, nós trabalhamos juntas, ela é minha... amiga. — Tasha respondeu enquanto observava os médicos a levar para o interior do hospital. — Onde vocês a encontraram? Quem atirou nela?
Antes que o jovem moço pudesse responder Kurt chegou fazendo perguntas. Ele logo esclareceu que eram agentes do FBI e que Patterson também era. Assim o paramédico explicou tudo o que sabia a eles. Aparentemente Patterson foi encontrada em um apartamento no Queens e um homem havia ligado pedindo por socorro.
Tasha olhou de forma atônita para Kurt, quando percebeu que o homem que morava no Queens provavelmente era Borden, o psicólogo que trabalhava com eles e que atualmente namorava Patterson. Não era possível, não podia ser ele.
Weller e Zapata entraram no hospital, junto ao paramédico, para conseguir novas informações. Um dos médicos explicaram que o caso de Patterson era grave e que ela precisaria de cirurgia com urgência.
— Tasha, eu preciso ir até o prédio saber o que está acontecendo e quem fez isso. Você fique aqui e me mantem atualizado. — Kurt ordenou.
— Quem você acha que fez isso? — Tasha perguntou com a voz embargada.
— É o que eu quero descobrir. — Kurt respondeu. — Eu vou descobrir. — ele disse antes de ir embora, deixando a morena ali na recepção do hospital, sentada no banco de espera totalmente em choque com o acontecimento dos últimos minutos.
Momentos depois, Tasha foi notificada por um enfermeiro que a cirurgia de Reade havia sido finalizada e que tudo ocorrera bem. A latina se sentiu menos tensa depois dessa notícia e logo pediu para ver seu amigo.
Assim que entrou no quarto do hospital encontrou Reade não tão acordado. Os médicos haviam avisado a ela que isso aconteceria pelas próximas horas. Ainda assim era bom ver que seu melhor amigo estava bem.
— Hey. — Tasha falou baixo se aproximando do leito. — Os cirurgiões disseram que tudo correu bem. Como você se sente?
— Bem... — Reade respondeu com os olhos entreabertos por conta das luzes. Ele olhou em volta, observou as agulhas que estavam em seus braços e respondeu. — Eu estou bem... Eu sou um bom partido.
Tasha não pode deixar de rir de seu amigo.
— Bem, eu acho que isso é a morfina falando. — ela brincou. — Eu estava preocupada.
— Eu sei. — Reade respondeu. — Obrigada por isso. — ele disse sorrindo amigavelmente para Tasha, que retribuiu.
Zapata pensou em contar para Reade o que havia acontecido enquanto ele estava na cirurgia, mas hesitou. Ele precisava de descanso, não de novas preocupações.
— Acho melhor eu deixar você descansar. Você precisa. — Tasha falou. — Eu vou continuar aqui pelo hospital, mais tarde passo aqui. — dito isso se despediu e saiu do quarto, o deixando sozinho.
De volta à recepção nada havia mudado. Tasha tentou conseguir novas informações sobre a situação de Patterson, mas ela ainda estava na cirurgia. Duas horas se passaram e tudo o que ela havia recebido foi uma ligação de Kurt, confirmando que Patterson havia sido baleada na casa do Dr. Borden. Aparentemente todas as evidências também apontavam que ele foi o autor do disparo e que havia fugido. Kurt e Nas também estavam trabalhando com a teoria de que ele estava relacionado com a Sandstorm. Todos estavam surpresos. Nunca imaginariam que ele seria capaz de tal coisa. Eles precisavam de mais respostas.
Ainda na sala de espera Tasha estava irrequieta. Nenhum doutor havia aparecido para notificar Tasha sobre o estado de Patterson, e isso a estava deixando extremamente ansiosa. Já havia perdido a conta de quantos copos de café havia tomado nas últimas horas. O suspense estava a matando. O que ela estava sentindo não era nada parecido com o que enfrentara há algumas horas. Quando Reade foi encaminhado para sua cirurgia, ele estava bem. Por mais que estivesse nervosa, sabia que tudo acabaria bem. Os doutores haviam confirmado isso a ela. Entretanto, aquilo era diferente. A sensação era diferente. Patterson foi levada para a sala de cirurgia às pressas. A situação dela parecia grave.
A morena olhou pela enésima vez para o relógio que estava na parede. Faltavam poucos minutos para 5h da manhã. A espera já estava quase a enlouquecendo quando ela viu uma doutora saindo da área restrita por onde haviam levado Patterson. A latina logo se levantou quando percebeu que a mulher estava caminhando em sua direção.
— Olá, eu dou a Dra. Rorish e eu fui a cirurgiã responsável pela cirurgia da agente Patterson. — a mulher se apresentou de forma simpática. — Apesar de ter sido uma cirurgia extensa, tudo correu bem. Felizmente conseguimos retirar a bala sem comprometer qualquer órgão. — a doutora explicou com uma voz tranquilizadora. Conforme ouvia aquelas palavras, Tasha sentia como se um enorme peso fosse retirado de seus ombros. — A paciente ainda está desacordada, mas está bem. Em breve-- — antes mesmo que a doutora pudesse completar a fala, a latina a abraçou em forma de agradecimento.
— Quando eu poderei vê-la?
— Ela está sendo levada para a sala do pós-operatório nesse momento. Assim que for possível eu pedirei para alguém levar você até ela.
— Muito obrigada. — Tasha agradeceu e sorriu novamente para a doutora que retribuiu e caminhou de para fora dali.
Agora mais aliviada, Tasha pegou seu celular para informar Kurt da situação.
— Kurt, eu acabei de falar com a cirurgiã responsável pelo caso dela. Patterson acabou de sair da cirurgia e aparentemente tudo correu bem. — a latina explicou com um tom de felicidade na voz.
Foi possível ouvir o suspiro aliviado de Kurt.
— Que bom. Estou menos preocupado agora. — ele fez uma pausa. — Nós ainda estamos fazendo as buscas, não posso ir até aí agora. Você quer que eu mande alguém para você poder ir embora?
— Não, não precisa. Eu vou ficar aqui com ela. — Tasha esclareceu. — Não se preocupe.
— Ok. Se você precisar de alguma coisa me avise, por favor.
Alguns momentos após desligar o telefone e voltar para a sala de espera, uma jovem enfermeira acompanhou Tasha até o quarto de Patterson. Ela estava desacordada e parecia mais pálida que o normal.
A morena puxou uma cadeira para perto do leito de Patterson e esperou para que ela despertasse. A enfermeira havia avisado a ela que poderia demorar a acontecer, então era preciso paciência.
Saber que Patterson estava ali e que estava bem, já era reconfortante o suficiente. As últimas horas foram conturbadoras, mas agora tudo estava bem. Tanto Reade, quanto Patterson estavam bem. A única coisa que faltava era descobrir o que havia acontecido com Patterson.
— Você é o infiltrado...
Tasha teve seus pensamentos interrompidos pelos balbucios de Patterson. A morena se aproximou quando percebeu que ela estava despertando e que o ela estava começando a acordar.
— Ei, sou eu Tasha. Você está no hospital agora. — a latina explicou para Patterson que ainda tentava acostumar seus olhos com a claridade da sala. — Você passou por uma cirurgia e está bem agora.
— Tasha, o Borden é o infiltrado. — a loira murmurou para Tasha.
— Eu sei, Patterson. Nós sabemos o que aconteceu. — ela fez uma pausa. — Kurt e Nas já estão atrás disso. Você só precisa descansar agora, ok?
Patterson estava lutando contra o efeito dos remédios para se manter acordada, o que estava sendo muito difícil.
— Eu fui tola por ter acreditado nele, Tash. — Patterson disse com a voz embargada. — Devia ter ido com calma. Eu sabia que não devia ter me apaixonado por ele com tanta rapidez. — ela fez uma pausa e uma lágrima rolou pelo seu rosto.
— Ei, você não foi tola. — Tasha disse enquanto segurava a mão da loira. — Você não podia imaginar que isso iria acontecer. Nenhum de nós podia. Estamos tão surpresos quanto você. — ela esclareceu enquanto limpava a lágrima do rosto da loira. — Como você descobriu que era ele?
— Foi por acaso. Eu fui até o apartamento dele e o vi com o anel que a Jane havia me mostrado há alguns dias. Foi aí que eu liguei tudo. Ele estava dando informações nossas para eles. — Patterson fez uma pausa. — Borden me usou... Ele me usou para conseguir informações.
— Ele enganou a todos nós, Patterson. — a latina disse acariciando o dorso da mão de Patterson. — Não se preocupe, nós vamos encontrar ele.
A loira esboçou um meio sorriso para Tasha, que retribuiu.
— Agora que você está acordada, eu preciso avisar ao Kurt. — a morena explicou enquanto levantava da cadeira. — Eu já volto.
Assim que deixou o quarto de Patterson, Tasha ligou para Kurt e contou as notícias a ele. Contou que Patterson estava bem e relatou tudo o que ela havia dito sobre Borden.
Após a ligação Tasha voltou para o quarto. A loira aparentava estar perdidas em seus devaneios enquanto olhava pela janela do quarto.
— Kurt e Nas ficaram feliz por você estar bem e disseram que assim que possível eles virão te visitar. — Tasha anunciou enquanto se aproximava do leito novamente.
— Como o Reade está? A cirurgia dele foi bem? — a loira perguntou após alguns momentos de silêncio.
— Sim. Assim como a sua, tudo ocorreu bem. — Tasha explicou. — Ele está descansando agora.
— Você não deveria estar com ele agora?
— Reade está bem. Além do mais, você precisa de companhia mais do que ele. — a morena respondeu com um sorriso amigável e Patterson retribuiu. — Vocês dois me assustaram muito ontem. Foram muitos sustos para um dia só. Eu vou precisar adiantar minhas férias depois de tudo o que aconteceu. — Tasha disse sorrindo para a loira que fez o mesmo, mas logo colocou a mão em cima da barriga e fez uma expressão de dor.
— Nada de risos. — Patterson disse para latina, que concordou e acariciou seu rosto.
— Você quer que eu vá embora? Você realmente precisa descansar.
— Não, fica aqui, por favor. Eu preciso de companhia. — Patterson pediu com um sorriso fraco e a latina retribuiu.
— Já que você insiste... — Tasha disse enquanto puxava a cadeira para mais perto do leito e entrelaçava seus dedos nos dela.
Por ali as duas ficaram, esperando por novas notícias. Esperavam para que algo acontecesse, até que ambas deixaram que o cansaço causado pelas últimas horas as vencessem.
Tasha dormiu ali mesmo, na cadeira um tanto desconfortável que estava ao lado do leito de Patterson. Enquanto descansavam, não se soltaram. Tasha continuou a segurar a mão de Patterson com delicadeza. Era uma forma de assegurar à sua amiga de que ela não iria a lugar algum. Ela permaneceria ali. Ao seu lado.
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