Notas iniciais
"Oh Lord, heaven knows We belong way down below"

Ruby levantou-se do colo da Dante rapidamente e sacudiu o braço de Taylor .

–Temos que ir Taylor.

–O que foi? –Resmungou Taylor.

Ruby apontou com a cabeça para a garota que usava uma flor nos cabelos.

Taylor encarou a mesma.

–Merda! –Taylor levantou-se de pressa. –Vem comigo. –Falou ela puxando Bill pelo braço que sem entender a acompanhou.

–O que esta acontecendo? –Perguntou ele enquanto seguia Taylor passar pelas pessoas que havia ali, logo atrás dele vinham Mike, Lucy, Ruby e Dante.

–Depois te explico. –Falava ela olhando pra trás.

O garoto de cabelos ruivos que entrara junto com a jovem olhava a procura de alguém, assim como a própria jovem.

–Emy, não é ela ali? –Falou o rapaz para a jovem.

–É! –Afirmou a jovem que ele chamara pelo nome de Emy. –Vêm. –Os dois saíram na direção no grupo de amigos que tentavam escapar.

–Eles nos viram! –Ruby disse, falando o mais alto que podia, já que o som abafava sua voz.

Taylor empurrava quem atrapalhasse seu caminho, continuava sempre andando muito rápido e ignorando todos os palavrões que direcionavam a ela, ela abriu a porta rapidamente, e saíram todos do bar.

–Alguém pode...

–Ainda não! –Falou Taylor interrompendo Bill.

–Nos dividimos aqui, me mandem mensagem depois. –Falou Ruby, eles saíram do beco onde estava à saída do bar e cada casal foi para um canto.

–Não se esquece de avisar! –Gritou Lucy para Taylor, ela e Mike seguiram em frente, enquanto Dante e Ruby entraram na avenida principal e Taylor puxou Bill rua abaixo.

–Eu quero saber o que esta havendo! –Exclamou Bill parando bruscamente.

–Droga! Já falei que explico depois! –Gritou Taylor.

–Fala de uma vez. –Insistiu Bill.

–Ela ta ali Will seu lerdo!-Gritou Emy ao vê-la, correndo para alcançá-la.

–Merda!- Deixa de ser idiota, ou você vem ou não me preocupo se te matarem! –Reclamou Taylor, Bill arregalou os olhos espantados, e assim que Taylor começou a correr passou a correr atrás dela.

O barulho de um tiro logo chegou a eles, logo seguido por um vidro quebrado, os tiros ficaram mais freqüentes, por fração de segundos, Bill conseguiu olhar pra trás e ver que os dois estavam aramados e atiravam.

–Vem! –Falou ele puxando ela e a fazendo virar uma esquina qualquer. –Por aqui!

–Pra onde...

–Sua vez de não fazer perguntas! –Ele retrucou. –Agora me segue.

Era uma leve decida o que os ajudou a correr mais rápido, Emy e Will ainda os perseguiam.

Bill corria puxando Taylor pelo braço e entraram em um das ruelas que ali havia, sem parar de correr, pareciam ter despistado os dois, por pouco tempo, logo o barulho de mais um tiro que por pouco não acertou a perna de Taylor os fez perceber que ainda estavam sendo seguidos.

E mais tiros os seguiam pelas ruelas, até que Bill a puxou novamente mudando seu trajeto, ele parecia ter certeza de onde ir, parou tão subitamente quanto mudará de caminho, e encostou-se na parede de uma das ruelas, a má iluminação ajudava a escondê-los, percebia-se que ambos ali tentavam manter a respiração mais silenciosa possível, toda tentativa de despistar Emy e Will eram bem vindas, e parecia ter dado certo.

–Os perdemos... –Resmungou Will parando ofegante enquanto apoiava-se nos próprios joelhos.

Taylor olhou cautelosamente e pode ver que Emy olhava para o fim da ruela, ainda com arma na mão.

–Culpa sua, devia te matar aqui mesmo! –Reclamou a garota de cabelos castanhos.

–Vá em frente. –Ele desafiou.

–Não ouse duvidar de mim. –Respondeu. –Vamos, eles não devem estar muito longe. –Disse ela, e os dois seguiram correndo.

–Vem. –Sussurrou Bill puxando Taylor pelo braço, eles seguiram pela mesma ruela onde estavam escondidos, cautelosos e atentos a qualquer barulho.

–Não pare de correr, e me siga. –Bill disse, e antes mesmo que Taylor pudesse responder já estavam correndo por mais uma rua escura e deserta.

–Ali!Vamos Emy! –Gritou Will.

Os dois atiravam contra Bill e Taylor, ela não percebeu quanto tempo levou para percorrer aquela rua tão de pressa, e quando se deu conta ela e Bill estavam entrando em algum lugar que ela desconhecia.

–Estamos seguros. –Murmurou Bill sentando-se no chão e soltando um suspiro aliviado.

–Certeza? –Taylor o questionou, ela apoiava-se a uma coluna e respirava ofegante.

–Absoluta.

Ela se recompôs, olhando a sua volta e reparando no ambiente ao seu redor.

Havia grandes arcos dourados que sustentavam o teto, nele havia pinturas de santos e anjos, seus olhos percorreram as grandes colunas, onde havia esculturas de pequenos querubins. A pouca luminosidade vinha de fora pelas vidraças, todas desenhadas com imagens sagradas.

Taylor havia se encantado com a bela arquitetura do lugar, vez ou outra se ouvia o eco de asas de alguns pássaros que provavelmente dormiam ali, batendo em algum lugar lá dentro, ela caminhava calma entre os bancos simples do lugar, parou então de frente ao que seria o altar, aos fundos dele havia uma cruz cravejada a ouro com a imagem de Cristo crucificado, Taylor deu a volta no altar e caminhou até os pés da cruz.

Próximo a ela estava outra imagem, de uma santa, Taylor encarou a escultura fielmente detalhada com detalhes dourados em sua roupa, ela observou o olhar da santa, triste, ela podia sentir a tristeza daquele olhar, tanto quanto a tristeza que Taylor guardava com sigo. Por segundos aquele olhar lhe causou arrepios e um inexplicável cheiro de rosas recendeu o lugar.

–É bonito. –Sussurrou ele próximo a ela.

–É sim. –Respondeu Taylor ainda encarando a imagem. –Mas acho meio perturbador.

–Por quê? –Perguntou Bill.

–Não sei. –Ela cruza os braços e olha pra ele, o garoto ruivo que acabara de conhecer, e que acabara de lhe ajudar. –Elas mostram tanto... –Taylor pausou a busca da palavra apropriada.

–Sofrimento. –Bill completou.

–É. — Murmurou ela.

–Será que agora você pode me explicar o que foi tudo aquilo? –Falou Bill se encostando a uma coluna logo atrás dele. Taylor fixou os olhos no chão e permaneceu em silencio. –Taylor?

–Não posso... –Murmurou.

–Não pode? Taylor confie em mim, o que foi isso? –Insistiu Bill.

–Não insista.

–Insistirei se for preciso, Taylor, eu me arrisquei pra te ajudar, ao menos seja grata. –Falou ele, de braços cruzados a encarando.

–Não pedi que me ajuda-se. –Reclamou ela no típico tom de sempre.

–Não seja ingrata. –Ele retrucou, Taylor bufou sentando-se em um dos bancos de madeira que havia no altar, de pernas e braços cruzados. –Vai bancar a criança? –Taylor o ignorou. –Ok, eu corri risco por uma louca que acabei de conhecer, e não tenho nem ao menos satisfações do que acabou de acontecer... Foi bom te conhecer também, mas agora pensarei mil vezes antes de ajudar uma ‘donzela em perigo’. Bill saiu, descendo os degraus do altar e caminhando até a porta.

–Espera! –Taylor gritou. –Droga... –Murmurou logo em seguida, Bill parou e continuou encarando a porta com um meio sorriso no rosto. –Eu explico apenas quem eles são e o que querem comigo, mas não estou disposta a aprofundar o assunto, o que eu te responder vai ter que ser o suficiente. –Bill virou-se, sem esconder seu meio-sorriso.

–Então fale. –Disse ele.

Eles se sentaram no chão, encostados a uma parede da igreja, Taylor respirou fundo, pensando numa forma de contá-lo apenas o necessário, pois ela não estava disposta a falar de seu passado.

–Eles são integrantes da máfia. –Disse ela.

–Máfia? –Espantou-se Bill. –E o que a máfia quer com uma adolescente?

–Sou o que resta pra pagar uma divida.

–Divida? Que divida? –Perguntava Bill.

–Esta querendo saber de mais, acho que já sabe o suficiente. –Respondeu ela se levantando, Bill a segurou pelo pulso.

–Não me vai dizer mais nada sobre isso? –Perguntou ele, ainda sentado.

–Nada. –Respondeu ela.

Bill a fitou por longos segundos.

–Gosta de bancar a misteriosa. –Falou Bill. –Mas você sabe muito bem que esse seu jeito é só uma maneira de enganar a si mesma.

–Deixe de ser estúpido. –Falou Taylor se soltando. –Você não sabe nada sobre mim. –Disse saindo de perto dele e girando a maçaneta de uma pequena porta.

–Sei que a máfia esta te procurando, e que você deve valer ouro. –Bill disse tranquilamente.

Taylor congelou.

–Então vá, me entregue... –Respondeu ela olhando por cima dos ombros com um sorriso malicioso no rosto. –Se for capaz. –Completou.

–Agora quem não sabe nada é você. –Disse ele.

–E quem disse que preciso, só tenho que saber da minha vida, a única coisa que sei é que, mais cedo ou mais tarde eles também vão vir atrás de você. –Taylor respondeu abrindo a porta, ela viu os olhos de Bill arregalar e ele levantar-se saindo atrás dela, a madrugada já estava acabando, e o dia começava a clarear vagarosamente, Taylor caminhava com as mãos no bolso da jaqueta, enquanto Bill corria para alcançá-la.

–O que quis dizer com: virão atrás de você? –Perguntou ele.

–Você ajudou uma fugitiva da máfia a escapar, eles vão te caçar.

–E você não sente uma mínima culpa pela minha morte?

–Não seja dramático Bill, você ainda esta vivo. –Falou ela rindo.

–Mas posso morrer, e a culpa é sua.

–Quem mandou querer saber de mais. –Ela retrucou, Bill permaneceu em silencio.


***

–Incompetentes!-Gritou o homem batendo com um das mãos sobre a mesa, Emy encolheu os ombros ao som da batida.

–Senhor, nos perdoe, mas ela estava acompanhada, havia um rapaz a ajudando. –Will tentou explicar.

–Não quero saber, o matassem, não importa for preciso fazer, apenas acabem logo com isso. –Ordenou ele, sua cadeira estava virada de maneira que Emy e Will não viam seu rosto, mas ele estava furioso, a sua volta havia mais alguns capangas, todos vestiam vestes escuras e as sobras tampavam suas faces, mas todos ali se conheciam.

–O que faremos com os amigos dela? –Perguntou Emy.

–Matem qualquer um que entrar no caminho. –Respondeu ele, um de seus capangas pareceu incomodar-se. –Algum problema Evans? –Perguntou o tal chefe o chamando pelo sobrenome e o encarando.

–Não. –Respondeu ele.

–Pois bem, da próxima vez, levem Evans junto com vocês Emy, quem sabe um assassino profissional faça o serviço que vocês não conseguem fazer.

–Sim senhor... –Murmurou Emy, ela e Will saíram da sala, junto com os outros.-Sabe que se disser que ele é seu irmão iremos o proteger. –Falou Emy enquanto caminhavam pelos corredores mal iluminados

–Não quero envolvê-lo nisso. –Respondeu o outro com seu tom de voz frio e baixo.

–Ele já esta envolvido. –Emy retrucou.

–Cuide da sua vida. –Disse ele seguindo o caminho oposto ao dela, sentia-se exausto, ao sair por uma porta que dava em um peco seus olhos tentaram em vão acostumar-se a luz, seus cabelos negros caindo sobre a testa que passou a latejar quase que instantaneamente, ele seguiu com passos largos até o outro lado da rua e entrou em seu carro, escuro onde estava protegido do sol.
Soltou um leve suspiro de quem se encontrava exausto e deu a partida saindo de lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.