Berlock Safe

7 Obrigatória


BS chega ao outro mundo, seu ponto inicial é em campo aberto, seu primeiro ato é.

— Resistência!

Berlock usa sua habilidade para evitar a parada cardíaca e logo sente algo em seu bolso. Ao checar, vê que é o papel com seus status que ele esqueceu de entregar para a Bra, com a pressão da conversa ele se esqueceu.

Ela também nem pediu de volta, o clima tenso e a pressa de iniciar as férias a fizeram esquecer desse detalhe, melhor para Berlock.

Por estar com eles, BS pode checar seu status sempre que quiser. Ele se pergunta se conseguiria guardá-los no bolso sem amassar.

Ao pensar nisso, os papéis se tornam mana e se fundem com a de BS. Ele percebe que pode invocar seus status quando quiser.

Essa pouca mana extra não é algo que ele consiga gastar.

No momento, ele tinha muitas perguntas. Nos jogos que jogou, ele já viu deuses trapaceiros ou sádicos. Nesses casos, outra entidade era responsável por intervir e ajudar o jogador.

BS estava ficando confuso com todos os acontecimentos repentinos recentes, o sentimento de surpresa e descrença com sua morte e a existência de seres divinos esmagam seu sentimento de luto.

Os trabalhos que fez enquanto morava com BA ajudaram a lidar. BS não ficava sentindo pena pelo ocorrido, a imagem de seus pais orgulhosos pelo que ele iria alcançar falava mais forte e o recluso decidiu ser mais forte.

Mas, com tudo isso acontecendo, fica difícil saber qual caminho tomar.

— Estou em um jogo só pode — BS comenta, considerando as reviravoltas fantasiosas até então.

"Está, mas em um real."

A janela de mensagens aparece mais uma vez.

— Quem é você? — Berlock pergunta em tom sério, ele sabe que agora não é hora para demonstrar fraquezas ou brincar.

"Pode-se dizer que sou o estagiário que errou na sua papelada."

— E se arrependeu e está ajudando?

"O erro foi proposital. Preciso de ajuda para algo, mas antes tenho que te ajudar a sobreviver."

— Sobreviver?

"Sua transição para esse mundo levou 4 dias no tempo da Terra, fiquei todo esse tempo ouvindo as reclamações e insultos da Bra, ela é minha chefe."

BS não diz nada em relação à Deusa, espera um momento e pergunta.

— A Bianca... como ela está?

"Está lidando. Ela recebeu a notícia no mesmo dia em que você morreu."

— Fico um pouco aliviado, toda a minha dívida foi para ela, vai precisar de uma mente forte.

"Não vamos perder mais tempo, preciso te atualizar de algumas coisas enquanto posso."

— Estou ouvindo — BS volta toda sua atenção para a janela de mensagens.

"Analisei a área ao redor, você está seguro. Não existem monstros por perto, vamos começar."

A Berlock é explicado que atualmente ele está em Pandora, um pequeno planeta usado para testar seres em Redenção.

Pandora é um planeta de origem artificial criado pelo Sistema dos Deuses Superiores, por isso tudo nesse planeta é regido pelos Adm e DI.

O problema de Pandora está na sua dificuldade, que está muito acima do normal, isso faz com que quase todos que venham para esse mundo morram antes mesmo de completarem 10 anos.

— Dá para se redimir com tão pouco tempo?

"Não."

— Então a maioria que vem para cá vai rapidamente para o esquecimento.

"Essa é a ideia."

— Como assim?

O "Estagiário" explica a existência dos Deuses Superiores, Inferiores e os Administradores, o sistema de Vida Livre, Redenção e Esquecimento.

— Você é um Adm, se trabalhar direito poderá se tornar um Deus. Mas se ficar ajudando os mortais assim, vai atrapalhar sua chefe. Como isso te ajuda?

"Me ajuda a te ajudar. Você começará a entender."

Ele explica que aos DI são permitidos fazer uma ou duas alterações nos mundos de Redenção, o problema começou quando perceberam que podiam usar isso a seu favor.

Bra, Ama e Soa são os Deuses Inferiores responsáveis por Pandora, suas alterações foram feitas com o intuito de incentivar o trabalho em equipe, ao menos foi isso que usaram como desculpa.

Bra, enquanto esteve com BS, falou que doenças dizimaram a população, isso ocorreu porque a alteração dos DI.

Soa mudou as doenças, essas não podem ser curadas por nada nesse mundo. Os animais e monstros propagam essas doenças.

Remédios, poções e antídotos apenas atrasam os efeitos, mas não curam.

Ama mudou os monstros que estão mais inteligentes e se adaptam na luta contra humanos. Sabem que doenças e venenos não possuem cura, então os usam contra as pessoas.

Os animais também se tornam monstros quando expostos a cargas de mana, sofrem a monstrificação e atacam uns aos outros e qualquer um que encontrarem

É arriscado deixar vários animais juntos, a grande concentração de mana pode afetar os bichos. Também é arriscado entrar em florestas ou montanhas.

Também roubam armas e sequestram humanos para atrair ou desencorajar outros, até mesmo os usam para desenvolver novas doenças ou descobrir pontos fracos. Além disso, consegue usar habilidades e magias.

— Essas mudanças não foram aleatórias. Me parecem específicas.

"E são. Esses inferiores miraram onde dói mais, na base de toda a Pandora."

Os pilares de trabalho em Pandora são conhecidos como Campos, Cidades e Minas.

Mexer com eles e romper as ligações que mantêm os humanos resistentes à hostilidade do Sistema e os Adm.

Os Campos são foco de trabalhos com animais, lavouras e ingredientes específicos para alquimistas e médicos.

As Cidades concentram guerreiros, aventureiros e trabalhadores que processam tudo que vem dos campos e das Minas. Isso possibilita a produção de ferramentas, armas e mantém o mercado.

Nas Minas, matéria-prima mineral e pedras de mana são coletadas.

Essa tríade deve trabalhar junta para se manter.

Com Ama alterando os animais, as fazendas foram atacadas de dentro para fora com as monstrificações. Pessoas foram devoradas assim como as plantações e outros animais.

Os que conseguiram fugir contraíram doenças nos ataques. Os refugiados foram para cidades que podem enfrentar monstros devido aos guerreiros e aventureiros.

Mas as doenças de Soa os consumiram e se alastraram rapidamente, muitas baixas em pouco tempo.

Tratamento com mana é o meio mais eficaz de desacelerar a propagação, mas muita é necessária, por isso as Minas se tornaram mais cruciais do que nunca.

Os monstros de Ama descobriram isso, se reuniram e invadiram as minas, matando todas que podiam lutar e obrigando os sobreviventes a ensinar como se usa as pedras de mana e a magia.

As minas foram tomadas por monstros que escavaram cada vez mais fundo para obterem mais poder, criando labirintos infestados de monstros que se tornaram poderosos e a coleta de recursos cessou.

"Não importa para onde olhe. Os humanos perderam. Não existe número suficiente para tentar uma luta."

BS compara as Minas atuais às Dungeons que são muito presentes em jogos e histórias de fantasia. Uma dúvida surge.

— Se tantos humanos morreram... e ainda morrem. Como ainda existem pessoas nesse mundo?

"O Sistema. Ele gera novos indivíduos sempre que o número fica baixo."

— Ninguém descobriu isso ainda?

"Esses são gerados fora do continente. Pandora é pequena, é apenas um continente e não um mundo inteiro."

— ...

"Os novos indivíduos que são gerados em navios fora do campo de visão de quem está no continente, recebem memórias personalizadas. Assim acreditam que são refugiados de uma grande guerra em outro continente."

— Acredito que as pessoas daqui já tentaram atravessar o mar.

"E foram dizimados por Krakens e Serpentes Marinhas, monstros colossais."

— O que os DI ganham com isso?

"Seguidores."

Reencarnados estão morrendo mais rápido e com mais frequência do que deveriam.

Não conseguem se redimir e são lançados ao Esquecimento, mas antes de serem apagados, os Adm dos DI marcam esses seres.

Quando uma nova vida surge no lugar de quem foi apagado, essa vida está marcada e, com isso, os DI podem entrar em contato com essa vida e convencê-la a segui-lo.

Dessa forma, Deuses Inferiores estão ganhando mais seguidores do que deveriam, isso às custas da chance de os mortais poderem se redimir e ascender.

— Por isso me ajudou — Berlock comenta enquanto se senta um pouco, diferente dos outros, ele vai entrar nesse abatedouro sabendo do que está acontecendo.

— Os DS, eles podem lidar com isso.

"Não irão se mover. Conversei com eles, isso é um problema para quem está se redimindo, então os mortais que resolvam."

— Estamos por conta própria.

"Me foi permitido ajudar na mesma medida que os outros Adm e DI atrapalham, não posso resolver tudo de uma vez, mas posso te orientar."

— Não vejo muito como poderia ajudar, se as pessoas daqui não conseguem fazer nada..., mas, elas não são reais.

"São. Pandora tem origem artificial, assim como tudo nesse lugar. Os seres vivos, apesar de serem gerados por um Sistema, são gerados com poder divino. Eles são como você, tão reais quanto, mas aos olhos dos DI são seres descartáveis."

BS olha ao longe. Pessoas estão sendo usadas e descartadas como se não valessem nada, e não valem para os inferiores. Ele se levanta.

— Se dermos um jeito nas alterações do DI, poderei continuar com meu objetivo da vida passada? Ter um negócio próprio, uma casa e uma esposa. Se sim, o que precisamos fazer?

"Não poderá. Mesmo que lide com as alterações, os DI poderão fazer de novo. Temos que matá-los, ao menos seus Arautos.

Eles foram criados a imagem e semelhança dos DI, por isso só pode existir um de cada, se os matar as coisas vão melhorar, os DI perderão a influência sobre Pandora."

BS tira uns minutos para processar tudo, o Adm espera até que ele diz.

— Matar... eu ia dizer que isso é demais, mas quantos já morreram... Por que eu?

"Selo de Morte. Foi por ele que você veio a Pandora sem que suas memórias fossem apagadas. Assim como usar o selo como pretexto para que você ganhasse uma habilidade, se tem habilidade, tem acesso ao Sistema."

— Não entendi totalmente.

"Para quem está em redenção em Pandora, o sistema só é liberado ao atingir 10 anos, porque é quando se ganha a primeira habilidade. Todos morrem antes disso e poderia ter sido o seu caso se não tivesse o Selo."

— Por causa dele, Bra me deu uma habilidade. Com uma habilidade, posso ver o sistema e, por tabela, você pode entrar em contato comigo.

"Exato. Os DI estão por aqui. Quando possível, entro em contato novamente, enquanto isso busque se fortalecer. Você jogou muito na vida passada, pense que é como aqueles jogos, mas sem vida extra."

A janela de mensagens se fecha.

Essa conversa mexe mais com a mente de BS, são informações demais para processar em um único dia.

Ele não pensa em algo como "Não quero participar disso." Esse mundo é um abatedouro. Se ele não quiser ajuda do Adm, será só mais uma vítima dos DI.

Se colaborar com o Adm, terá uma chance, já que ele conhece bem os esquemas, sem contar que podem haver aliados, pessoas que querem mudar o mundo para melhor, mas que ainda não sabem da verdade.

Seria seguro revelar algo assim?

— Não! Preciso primeiro entender como são as religiões por aqui. É bem possível que me tratem como ateu e me executem por isso, me ofereçam como sacrifício, me torturem...

Além de tudo, BS ainda precisará trabalhar, seu julgamento é inevitável assim como sua morte, o que contará é o que fez em vida.

— Preciso também aprender mais sobre as Minas, delas vêm as pedras de mana usadas em tratamento e também os monstros mais fortes, são uma fonte de interesse tanto para monstros quanto para humanos.

Sendo assim, a missão de BS é trabalhar e, enquanto isso, vai lidando com as alterações dos 3 DI que modificaram Pandora, atrair seus Arautos e matar um por um.

Berlock decide pensar mais sobre isso enquanto caminha, o Adm disse que não tem monstros por perto.

Em algum lugar, ele deve encontrar pessoas.