Gayah é um mundo distante onde a magia ainda prevalece.

Existiam inúmeras espécies de dragões, desde os selvagens Wyverns até os majestosos Dragões alados, todos esnobes que matavam qualquer um que se opusesse ao seu reinado.

Os dragões reinaram por muito tempo abusando do poder e força sobre os habitantes naturais daquele lugar. Era um mundo selvagem, onde poucos elementais sobreviviam.

Diz a lenda que certo dia uma gloriosa guerreira, não se sabe qual era sua origem, apenas que seus olhos tinham quatro cores, uma cor de cada elemento, usou da magia selvagem para derrotar os dragões, domando-os.

Aos poucos a guerreira sem nome foi conhecida como “A Domadora de Dragões”, unificando toda Gayah. Foram anos de paz e harmonia.

Até que os Deuses decidiram dividir as pessoas por elementos.

As linhagens foram se formando junto com cada Reino elemental. E assim as guerras começaram. Regras foram impostas.

Os seres de diferentes elementos não podem mais se relacionar um com o outro, já que essa não é a vontade dos Deuses.

...



Berkana viveu toda a sua infância na Catedral de Sacerdotes. Para o Conselho Elementar era uma espécie de laboratório, as únicas pessoas com quem ela conviveu foram sua mãe e os sacerdotes, embora sua mãe fosse uma sacerdotisa também.

As poucas coisas que ela sabia, era porque escutava as conversas do sacerdotes, era o único jeito de aprender algo naquele lugar. Berkana sabia que sua mãe só estava ali porque não tinha para onde ir, consumida pela vergonha de ter infringido uma lei.

O pai de Berkana, Aodh, era o herdeiro do trono de fogo. E sua mãe uma sacerdotisa da água, Maureen. É por isso que Berkana vivia na Catedral do Conselho elementar. Porque a junção de dois seres de diferentes elementos não podia ser realizada, era proibido. Híbridos eram caçados pelo Conselho.

Ela estava ali para ser estudada e servia como base para a "aparição de uma nova espécie". Os outros híbridos viviam escondidos do Conselho, não eram bobos como os pais de Berkana que a entregaram de bandeja para o Conselho.

Berkana tinha uma aparência exótica, diferente de qualquer outro ser daquele mundo. Os olhos lilases, que representavam a fusão de dois elementos, a pele dourada como ouro, os cabelos brancos, tal como os elementais da água, herança de sua mãe. As orelhas pontiagudas que dava o ar de monstruosidade para sua existência.

A Catedral, era toda feita de pedras silenciosas, essas pedras bloqueavam todos os seres de usar sua magia, exceto os Nephilims.

Durante doze anos ela ficou lá, aturando xingamentos dos Sacerdotes e da própria mãe.

Quando completou doze anos, idade na qual os poderes de um elemental começam a se manifestar. A jovem foi levada à uma área livre de pedras silenciosas, a fim de descobrirem quais seriam seus poderes.

Naquele dia, Berkana estava descalça e por isso, quando deu o primeiro passo para longe das pedras silenciosas seu corpo todo tremeu como se tivesse levado um choque, o formigamento começou na nuca e desceu por suas costas, quando chegou às pernas, ela sentiu as mesmas ficarem bambas. O pedaço do chão em que estava se desfez. Ela ficou boquiaberta com a cena. "Aquilo não poderia ter sido eu, não, eu não..." Foi o que ela pensou. Deu o próximo passo e seu coração apertou. Havia acontecido o mesmo que no pedaço anterior...

Um dos Sacerdotes lhe jogou uma maçã, e quando ela tentou pegar, sentiu um líquido quente escorrer entre seus dedos, foi o que restou da fruta após se chocar com sua mão.

Berkana já havia entendido, era mesmo amaldiçoada, era a personificação do Caos, como os Sacerdotes falaram à sua mãe. Entretanto, aquilo não era o suficiente para eles, pois queriam vê-la sofrer,

Trouxeram-lhe um pássaro. Ela sabia para quê. Não poderia ser por um motivo diferente, mas ela não queria, o pássaro não tinha culpa. Todavia, por mais que ela recuasse, não tinha escolha. Os sacerdotes pousaram o pequeno pássaro em suas delicadas e esguias mãos, ela não pôde nem piscar para perder a explosão de sangue e entranhas que o pequeno animal havia virado.

A jovem ficou enjoada e os soluços de sua garganta se transformaram em um choro não tão pior quanto o de sua mãe, que gritava histérica, chegando a cair de joelhos e arrancar tufos de cabelos, alguns sacerdotes a levaram para dentro. Berkana não pode mais olhar para sua mãe.

Um dos sacerdotes colocou um colar com um pingente de pedra silenciosa no pescoço da jovem que nem se quer reagiu. Imóvel ela deixou que os sacerdotes a levassem novamente para a Catedral. Ela ouvia os gritos de sua mãe e sentia o coração doer a cada aumento de tom.

Mais uma vez a tracaram no quarto mais alto da torre. As janelas eram pequenas e tinham grades. Ela sentou-se na cama e suspirou. Olhou para a luz parcial que entrava pela pequena janela e sorriu de canto. Não havia nada que pudesse fazer para sair daquela situação. Ela sentiu as lágrimas quentes descerem pelo rosto.

Não ouvia mais nenhum movimento pelo corredor, ela deduziu que eles estavam em reunião. Ela pegou seus cabelos brancos e os trançou, formando uma enorme trança que poderia ser usada como corda, tentou pensar em algo mais não tinha como sair dali. Não era um conto de fadas.

Era real.

Ela sabia que logo eles entrariam no quarto e a levariam para enfiá-la uma agulha no canto dos olhos.

A única coisa que podia fazer era lamentar, mesmo sabendo seu futuro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.