Beomgyu e Hueningkai - O Casamento não Desejado

1 Dak-ho ficou olhando para a carta algum tempo em silêncio


Dak-ho ficou olhando para a carta algum tempo em silêncio. Finalmente ele olhou com um sorriso no rosto para seu filho que assistia televisão.

“O que foi, pai?” perguntou Beomgyu não muito empolgado. Já o pai respondeu meio animado:

“Você se lembra daquele meu amigo de infância Kaleo que eu sempre falo? Então, ele finalmente vai voltar para Coréia. Ele e a filha dele.”

“A-a Nalu?” gaguejou Beomgyu. “A garota que você quer que eu me case?”

“Acho que você já pode chamá-la de noiva”, respondeu Dak-ho.

“Eu nem a conheço”, disse Beomgyu meio triste.

“Terão muito tempo para se conhecerem”, o pai respondeu com muita calma e serenidade, “pois eu mesmo conheci sua mãe um dia antes do casamento. E vocês têm um ano pela frente, pois se casarão somente quando terminarem a escola, para depois herdar essa academia de artes marciais.”

“E se eu não gostar dela?”, perguntou Beomgyu.

“Bem, talvez com o tempo aprende a gostar”, respondeu o pai meio incerto; "O amor pode ser treinado, assim como qualquer coisa do mundo ... vai amá-la um dia, sabe... e mais, um dia não conseguirá imaginar sua vida sem ela. Não foi isso que aconteceu comigo e com sua mãe?”

“Acho que sim, não sei”, respondeu Beomgyu.

“Bem, talvez o sentimento e o trajeto de vocês sejam diferentes", analisou o pai; “tudo que sei é que nossa família de Betas sempre se casaram com outros Betas. Todos casamentos arranjados e todos foram felizes na união.”

“Certo então” era palpável a mágoa na voz de Beomgyu. “Vou subir para fazer o dever de casa. Boa noite, pai”

Beomgyu deu um beijo no pai e saiu da sala.

Em um navio, atravessando o oceano Índico, Kai entrava no quarto do pai com passos pesados.

“Como assim eu estou noivo?”, perguntou com a respiração ofegante.

Kaleo, que estava sentado perto da janela, olhou-o com uma expressão de tédio e disse “Já conversamos sobre isso”, e Kai percebeu que, se era para sair daquela situação, ele precisava manter a calma. Assim respirou, sentou-se na cama e começou, bastante calmo:

“Pensei que a gente iria viajar por mais uns dois anos, para aperfeiçoar nossas técnicas de Kung fu”

“Bem, sim, esse era meu plano”, Kaleo disse. “Contudo, planos mudam conforme a sorte.”

Kai respirou fundo mais uma vez e disse com a voz serena, pra mostrar que mesmo sendo jovem podia ter uma conversa madura: “Já que estamos falando do meu futuro, o senhor poderia me dizer qual foi a sorte que me mandou para os braços de uma beta.”

Kai nunca chamava o pai de senhor. Oras chamava de velho, oras chamava de Kaleo, porém nunca de senhor ou pai.

“A verdade é que a falta de sorte tirou todo meu dinheiro” gemeu Kaleo "Faz meses que não tenho nada no Banco. Até a despesa dessa viajem quem está bancado é meu amigo, Dak-ho.”

“Eu consigo arrumar meu próprio dinheiro”, Kai pensou, “eu sou um ótimo lutador e conheço variados tipos de lutas!... Posso reabrir nossa academia em Seul” acrescentou em voz alta.

“Infelizmente não” lamentou Kaleo. “Antes de viajar pelo mundo para aprender novas técnicas de luta, eu deixei a academia sob o cuidado do seu padrinho, aquele desgraçado deu um golpe e conseguiu passar tudo para o nome dele”

Kai não pôde deixar de gemer, enquanto dizia: “Não quero me casar agora... e não posso abrir minha própria academia?.”

“As coisas não são tão fáceis. Para abrir uma academia precisa de dinheiro.”

“Bem, então eu arrumo outro emprego, com garçom, ou sei lá.”

“O dinheiro de garçom não dar uma boa qualidade de vida”, disse Kaleo. “E casamento é um ritual que todo mundo um dia tem que passar... se não for agora, será depois.”

“Quero que seja depois.”

“Não. Tem que ser agora”, disse Kaleo. “Não temos dinheiro, entende?”

“Não entendo”, disse Kai se levantando da cama com punhos encerrados. “Como conseguiu perder todo nosso dinheiro, seu velho estúpido?”

“Você acha que é barato viajar pelo mundo para aprender todos os tipos de lutas, sua criança mimada?” O rosto dele estava vermelho de raiva. “Eu faço isso desde que você era um feto dentro do ventre de sua mãe. Mas adivinhe: o mundo é muito grande e quase impossível conhecer todos países e tribos.”

“Vai à merda!” gritou Kai saindo do quarto e batendo a porta com força.

Notas finais
Espero que não tenha ficado confuso.. Também no spirit