Benjamin das águas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A um bom tempo atrás, uma certa jovem se mudou para uma casinha simples no “fim do mundo”, com o seu pai e a sua madrasta. Não era um lugar cheio de gente, de carros, de prédios. Era um lugar bem tranqüilo para se viver, mesmo que você não gostasse de seus vizinhos. A vista da janela da sala da casa era incrível, Leila podia ver a grande quantidade de mato, grama e barro ao redor de sua casa e no horizonte além do matagal, uma esplêndida represa azul e como o sol estava de rachar, a água emitia um brilho de chegar a causar cegueira, assim tanto quanto quando você olha o sol diretamente. Também, próximo á margem do rio, havia uma arvore bem grande, já bem velha, mas mesmo assim parecia resistir ao sol e as mudanças climáticas.
Leila saiu da janela de sua sala, entrou na cozinha, devagarzinho, apoiando a mão esquerda no canto da porta. A sua madrasta estava preparando o almoço, cortando as cenouras com certa vontade e certa pressa de preparar a comida.
- Eu to com fome.
- O almoço já vai sair, meu bem.
- Cadê o meu pai?
- Ele deve estar conversando com os nossos vizinhos. Eles são gente fina, sabia? Ouvi dizer que um deles tem um filho, quase da sua idade. Seria legal que vocês fossem amigos, não é?
Leila demorou para dar uma resposta e deu uma bufada.
- Você sabe muito bem que pra começo de conversa, eu queria ter ficado na cidade. Eu odeio o campo. É cheio de bicho, lama, e para piorar, aqui nem tem Wi-fi!!
- Então? Eu não disse que aqui seria um lugar bom pra você? Ai, você se desliga um pouco desse mundo virtual.
- AARGH! Que inferno!! Tô vendo que nada de legal vai acontecer nessa porcaria de lugar chato do caramba...
- Olha esse tom de voz...
- Tanto faz pra mim, o tom da voz, ou o uso das palavras...
E Leila voltou-se para a sala, e voltou a olhar pela janela. Desta vez, algo no cenário a deu um leve espanto. Ela podia ouvir um som bom parecido com o de uma flauta, um tanto mais agudo e sutil. Ao olhar com mais atenção a paisagem, pode ver a silhueta de alguém sentado ao pé da árvore, com instrumento de boca, pequeno. “Parece ser um menino...” pensou Leila “Talvez ele seja o filho do vizinho que a minha mãe disse... E ele ta usando um gorro nesse calor ou é impressão minha?”. Da janela, a única visão que se podia ter era de alguém, possivelmente do sexo masculino, sentado com algo levado á boca que possivelmente era uma flauta. “Mas, quem é ele?” Leila ficou intrigada enquanto ouvia a linda melodia, porém baixinha, daquele menino sentado no chão. Com esses pensamentos focados, nem notou a hora em que seu pai entrou pela porta da frente, olhando a filha concentrada em algo na janela.
- Filha, ta tudo bem?
- Ah, claro, pai. Tudo bem. Ah, eu também to com fome.
- Calma que o almoço já sai, e ai a fome vai embora.
Seu pai também era um cara bem simpático, moreno e inteligente, Leila gostava mais de seu pai do que de sua madrasta.
- Pai, eu queria saber, a gente tinha mesmo que vir pro meio do mato?
-... Sim? Qual é o problema? Você não gosta daqui?
- Nem um pouco. Aqui nem tem Wi-fi.
- Haha, sabia que era por causa disso. Mas, espere só, logo você vai gostar daqui...
“Não vou nada.” Pensou Leila, revirando os olhos, enquanto seu pai ia pra cozinha e ela se virava de volta para a janela. Olhou de novo para ver o menino tocando flauta. Ele já não estava mais ali. “Que estranho... Não, ele deve ter se levantado e ido pra casa enquanto eu não o via, só isso. Talvez ele tenha ido almoçar.” Pensou Leila.
- O almoço ta pronto!
- Já vou indo!
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