Benjamin das águas
4 Capitulo 4
Notas iniciais
A noite não teria perdoado-a, Leila não conseguia dormir e tudo por culpa daquele estranho garoto, Benjamin. Quem era ele? Quem eram seus pais? Será que aquele era mesmo o seu nome? E por que ele age tão estranho?
“Não saia de casa á noite. Jamais.”
Leila levantou bruscamente sendo acordada por um alto barulho de televisão, e alguns gritos de animação vindos da sala. “Será que alguém ligou a TV?... H’m, deve ser meu pai. É melhor eu ir dar uma olhada para ver se tudo está bem.” Pensou, um tanto feliz. Primeiramente, Leila contemplou o cobertor marrom felpudo sobre seu corpo, um tanto com a mente no vácuo, sem pensar em nada. Em seguida, puxou o cobertor para a sua direita e lançou as pernas para esquerda, sentando-se na cama. Ao lado, era o quarto de seu pai e de sua madrasta, simples e bonito. Á porta de seu quarto estava ali, á sua vista, que ia dar para cozinha. Leila levantou-se calmamente, contemplando a cor azul escuro de seu quarto. “M-Mas, era para estar tudo preto, não é? Por que está claro e eu consigo enxergar tudo, mesmo estando um tanto escuro?” pensou Leila enquanto caminhava cautelosamente, pé após pé, tentando focalizar-se nos sons ao seu redor, no máximo silencio. Quase nem respirava. Leila abriu a porta do seu quarto lentamente para não fazer nenhum ruído, por mais baixo que ele fosse e entrou na cozinha com muita calma. Seus olhos estavam atentos á tudo, á todos e á qualquer coisa que fizesse barulho, especialmente focados em direção á sala. Mas, quando seus olhos viraram em direção para a pia... Estava lá um estranho, e imediatamente Leila gritou: ”PAI!PAI! TEM UM ESTRANHO... UM ESTRANHO!! AQUI NA COZINHA!! PAI!!”. Seu desespero estava visível nos movimentos agitados de seus braços e respiração descontrolada, mas a sua voz não teria á entregado, pois nada que foi dito foi escutado. Então, Leila entrou em um silencioso pânico por algum tempo, mas depois ficou um pouco relaxada. O sujeito era um cara loiro, não tão alto e não tão baixo, de camisa verde escuro e uma bermuda marrom. Ele estava de costas para ela, sendo assim, seus braços estavam debruçados na beira da pia e ele parecia não vê-la ali. ”Q-Quem é você? O que faz aqui?” tentou dizer para o rapaz, mas a única coisa que aconteceu foi sua boca se mexer sem fazer som nenhum. “Não posso falar! Não sai nada! Mesmo que eu tente, eu não posso chamar por ninguém...”. Então, Leila se mexeu para frente na direção do estranho em sua pia, mas ouviu alguém chamar com uma doce voz.
– Oi tia!
Leila virou-se para a sua direita, e lá estava outro ser que não reconhecia. Era um garotinho, com um sorriso contagiante em seu rosto e com os olhos muito curiosos, que também pareciam bem felizes. Ele era bem branquinho, seu rosto era angelical. Seus cabelos lisos eram também loiros, e seus olhos estavam negros, mas com certeza eram de outra cor. Ele andou até Leila e lhe deu um leve risinho carinhoso. Estava usando um pijama macacão, da mesma cor da camisa daquele estranho, cujo ainda estava de braços sobre a pia. Mas, desta vez, podia jurar que ele virou a cabeça só um pouquinho para ouvir a conversa.
– Ei tia, que bom que você está aqui! Quer vir brincar comigo?
“Ah... Claro, por que não?” tentou dizer ao menino, mas lembrou-se de que não podia falar, o que fez o pequenino mudar a expressão feliz, para uma expressão de deboche, ainda com um largo sorriso. Então, Leila balançou a cabeça na vertical, fazendo um sim.
– Então, vamos! Não temos muito tempo!
E ele á puxou para dentro da sala, aonde tudo estava um azul escuro, exceto pela luz radiante da tela da TV, uma luz muito forte e intensa.
– Vamos jogar, tia! Estava esperando um segundo jogador!
“Estava...esperando?” disse Leila sem seus pensamentos atentos. “Quem é você? Qual é seu nome?” tentou dizer, mas fez uma expressão aflita, que o menino entendeu e deu uma risadinha novamente. Os dois sentaram-se no sofá, calmamente e o menino ofereceu um segundo Joystick para Leila. A tela permanecia em branco, mas parecia que o garoto ao seu lado, estava enxergando um jogo na tela. A jovem parecia não estar entendendo nada, mas entendeu com clareza os controles para jogar que o menino lhe dissera. “Ah, eu vou mesmo é apertar qualquer botão. Vai ver eu saio arrasando nessa.” Pensou Leila, e foi ai quando viu um vulto passando por de trás da TV e quase tomou um infarto. Era um homem, com um sorriso muito estranho no rosto, um pouquinho corcunda, dos cabelos lisos, curtos e castanhos claros. Ele balbuciou algo, que Leila não entendeu de primeira, era algo que soou como: “Aquele moleque, quem ele pensa que é?”. Leila fez uma expressão de curiosidade e voltou o rosto para o menino sentado ao seu lado. “Quem era aquele? O seu avô?” tentou perguntar á ele, mas a expressão do menino estava assustadora. Estava séria e triste.
– Não quer jogar comigo? Continue jogando, você estava indo tão bem.
Leila fez sim com a cabeça e continuou a jogar. Reparou que o homem de cabelos arrumados castanhos entrou na cozinha e começou a conversar com o outro menino loiro, um tanto mais velho do que o outro cujo estava sentado perto dela. Enquanto isso, seus dedos moíam os botões assim como o outro moía, dando leves pulinhos no sofá.
– Isso, tia! Você está indo bem!
“Indo bem? Eu não consigo ver nada!” Pensou Leila, dando um leve sorriso sarcástico. Mas, o que á mais interessava não era aquele vídeo-game estúpido, era a alta discussão dos outros dois na cozinha, parecia ser alta mas era distorcida. “Quem a deixou entrar aqui? Você? Você sabe muito bem o que fazer quando coisas desse tipo acontecem.” O homem disse, em um tom baixo mas um tanto rude. “Não será por muito tempo.” O jovem disse. “S-Sobre o que... que eles estão falando?” Leila perguntou-se preocupada. Aquilo era para ela, ou sobre quem mais estavam falando?
– Tia? Tia, você não está mais jogando. Por que?
Leila permaneceu tentando saber o que aqueles dois malucos na cozinha estavam falando sobre. Ficou em completo silencio, quando ouviu berros vindos da cozinha, que fizeram seus pelos arrepiarem. “EU SEI O QUE DEVO FAZER!! ESTE É O MEU MOTIVO POR ESTAR AQUI, NÃO É?? AMANHÃ, TALVEZ... MAS, NÃO ME LEMBRE!! EU SEI O QUE DEVO FAZER!! EU... SEI!!!” O cara estava gritando, em um tom de voz familiar e zangada. O homem também parecia estar gritando com o rapaz, mas as coisas que ele dizia eram estranhas, como uma língua estrangeira e com a voz um tanto rouca. Até que Leila virou-se para a TV, que agora, estava desligada. O Menino ao seu lado tinha um sorriso no rosto, seus olhos pareciam sugar a alma da pobre jovem, cujo ficou paralisada de medo.
– Tia, você é uma mulher bem legal. Não é tão legal quanto Matt... Assustá-lo até a morte foi divertido. Você devia conhecê-lo. Quando ele me conheceu, ficou com a mesma expressão que você está agora, sabe? Apavorada. Oh... É uma pena que ele não aguentou muito tempo, coitadinho. Eu deixei-o... paranoico. Paranoico á ponto do suicido, acredita? Que figura era aquele rapaz. Tão divertido, tão amigável, tão fraco, tão tolo, tão... humano.
Leila sentiu o seu coração quase sair pela boca, aquela criança, cuja era tão doce e meiga, tinha se tornado assustadora numa inegável rapidez insana. Passos podiam ser ouvidos da cozinha em direção a porta. Era o homem, que parecia estar com raiva, mas mantinha o assustador sorriso alegre. Ele havia encostado o corpo na beira da porta, de olhos fechados. Sua aparência era asiática e o rosto tinhas algumas rugas. Ele suspirou, deu uma risada com a boca fechada e respondeu:
– Sabes que não deverias estar aqui. Este lugar não te pertence, nem a ti, nem a sua família. Deixe esse lugar agora. Saia dessa casa. E não volte nunca mais.
“Você encontrou um terrível destino, não foi?”
Leila levantou-se bruscamente de seu pesadelo, respirando ofegantemente. “Um... Um pesadelo?” perguntou-se desesperada. Seus olhos piscaram varias vezes para checar o quarto negro. Seu coração estava disparado. O mais assustador não foi ter vivenciado aquele terror, nem o menino, nem homem. Mas, sim, o seu final. A ultima frase que fora ouvida havia gritos altos interrompidos bruscamente por ter acordado, e o mais assustador, é que não fora dita pelo homem na porta, e sim por alguém bem mais familiar, bem mais próximo.
– B-Benjamin...
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