Bendita Educação Física
1 Bendita Educação Física
Notas iniciais
(Rukia POV’s)
Que saco! Eu simplesmente detesto Educação Física! Como se não bastasse ter que usar essa roupa horrorosa, ainda tenho que ficar nesse sol tão quente, que só falta fritar meu cérebro, e ainda acaba com meu cabelo. A única coisa boa é ver os meninos sem camisa suando.
Estou aqui, quieta no meu canto, como sempre, fingindo jogar vôlei, mas sempre que a bola vinha pra mim eu saía de perto e fingia que não era comigo. Tava tudo bem, se não fosse a maldita Inoue, aquela chata que vive implicando comigo. Ela sabe que eu não sei jogar e fez questão de mandar a bola pra mim.
Foi tão rápido, que nem tive tempo de desviar, então só me virei de costas, pra ver se a bola não quebrava meu nariz, mas pegou na minha cabeça e eu caí pra frente, de joelhos.
Fui me levantar para dar um belo soco naquela carinha enjoada, mas quando tentei fazer isso, senti uma pontada nos dois joelhos e caí de novo, dessa vez sentada. Só então eu vi que tinha ralado meus dois joelhos e que agora todo mundo estava em volta de mim, me olhando. Todo mundo mesmo, até a Inoue, com um sorriso cínico, e também o Ichigo, o cara mais lindo do mundo. Ele me olhava diretamente nos olhos, visivelmente preocupado.
Nunca fui tão amiga dele, minha timidez não permitia, mas nossos pais eram amigos, então nos víamos sempre e só às vezes nos falávamos, e eu era apaixonada por ele. Óbvio que ele nem suspeitava, mas acho que isso mudou quando só de olhar pra ele eu senti meu rosto ficar quente. Virou o rosto na hora, e tentei me levantar de novo, só que dessa vez ele me segurou, me ajudou a levantar e disse:
- Sr. Aizen, eu vou levar a Rukia pra a enfermaria, ok?
- Claro, e já que essa é a última aula, está dispensado. Aproveite e leve-a para casa. – Ele assentiu. Tentei andar, mas senti outra fisgada nos joelhos, e isso não passou despercebido aos olhos de Ichigo.
- Acho que não está em condições de andar. – Ele foi se abaixar pra passar os braços por trás do meu joelho e me levar nos braços, mas eu o impedi.
- Eu consigo, pode deixar. – Consegui dar um passo devagar, que doeu muito, mas quando fui dar o segundo, vacilei. Ichigo nem pediu permissão, já foi logo me colocando em seus braços. Me senti como uma criancinha, sendo carregada daquele jeito, então fechei logo a cara.
- O que foi?
- Não precisava me carregar desse jeito. Pareço uma criança.
- Mas você tem o tamanho de uma. – Ele riu, mas eu dei soco no peito dele. Aposto que nem doeu, mas era só pra ele parar de me chamar de baixinha, como ele sempre faz. – Que foi, baixinha? Tava só brincando! – Ele continuou rindo.
- Melhor ser baixinha do que ser uma abóbora transgênica. – Já estávamos em frente à enfermaria. Ele ia responder algo, mas Kotetsu Isane, a enfermeira, falou primeiro.
- Nossa, que arranhões! Coloque-a sentada na maca. – Então ele me colocou sentada na primeira maca. Isane começou a limpar os ferimentos, eu eu fiz uma careta de dor, motivo suficiente pra fazer aquela cenoura zombar de mim.
- Qual, é? Vai dizer que uns arranhões desse doem?
- Queria ver se fosse em você. – Ele riu, e eu fechei a cara. Isane já tinha feito os curativos nos dois joelhos, e prendido a gaze com um band-aid da Hello Kitty, porque não tinha esparadrapo. Ela saiu e me deixou sozinho com Ichigo.
Já estava me preparando pra dar um soco nele quando ele começasse a zombar de mim por causa dos band-aids, mas ele simplesmente afagou minha bochecha. Óbvio que eu fiquei super vermelha, e ele riu.
- Você fica tão linda com raiva. – O QUE?! Como assim?! Kurosaki Ichigo dando em cima de mim? Só posso estar sonhando.
Não respondi nada, só sorri um pouco e me levantei. Fui andando em direção à porta, já que os meus joelhos não doíam mais, até que ele me segurou.
- Vai pra onde?
- Pra casa, oras!
- Eu vou te levar em casa. Esqueceu o que o Aizen disse?
- Já posso andar. Pode ir pra casa sossegado, não vou te incomodar.
- Não é incômodo algum, vamos. – Então resolvi ir com ele pra casa.
Depois de alguns minutos de silêncio constrangedor, resolvi falar:
- Porque disse aquilo lá na enfermaria?
- Porque é a verdade, oras! – Ele disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo quase me matar do coração. Fiquei vermelha de novo. Resolvi ficar calada. Não tem o que falar numa hora dessas.
Ficamos em silêncio o caminho inteiro, até que chegamos na minha casa e ele falou.
- Pronto, está entregue.
- Obrigada. Então, a gente se vê amanhã. – Já estava destrancando a porta e ele tocou de leve minha mão, e eu me virei pra ele. Percebi que ele estava assustadoramente perto, e prendi a respiração. Ele se aproximou da minha orelha e sussurrou sedutoramente:
- Posso te perguntar uma coisa? – Ao sentir aquele hálito quente, me arrepiei toda, e ofeguei.
- P-pergunte. – Droga, tenho certeza que eu estou mais vermelha que uma pimenta.
- Se eu te beijasse agora, você acharia ruim? – Meu coração acelerou. Batia tão forte que não estranharia se ele estivesse ouvindo-o bater. Soltei o ar que estava preso e consegui responder.
- P-porque isso agora? Você nunca nem deu a mínima pra mim. – Falei, num fio de voz quase inaudível. Ele me olhou nos olhos, e disse:
- Quem disse que isso é verdade? Você que nunca percebeu, e só hoje eu tive a chance de te dizer isso. – Nem tive tempo de reagir, porque ele me beijou.
Arregalei os olhos ao sentir aqueles lábios macios sobre os meus, mas depois relaxei. Ele pediu passagem com a língua, e eu abri um pouco a boca. Ele estava com o corpo colado ao meu, me abraçando pela cintura, então eu passei os braços pelo pescoço dele.
No começo ele foi um beijo calmo, e ele explorava calmamente cada cantinho da minha boca, e eu descobrindo pela primeira vez o quanto um beijo é bom, até que eu relaxei. Até demais, porque quando o maldito oxigênio faltou, eu percebi que ele já estava com a mão por debaixo da minha blusa, acariciando minhas costas, um pouco acima do que é permitido, e eu arranhado de leve sua nuca. Fiquei morta de vergonha na hora, e me afastei bruscamente.
- Desculpe. – Ele murmurou um pouco envergonhado, mas visivelmente feliz. – Tenho que ir agora, o velho vai ficar preocupado. A gente se vê amanhã.
- Claro. Tchau. – Ele virou as costas para ir embora, mas eu não resisti e puxei ele para outro beijo, mas esse foi mais apaixonado, mais quente, mas dessa vez não passamos dos limites, só o Ichigo que tentou abaixar uma das mãos que estavam em minha cintura, mas eu fingi que não percebi.
Paramos o beijo, por falta de ar, e ele mordeu de leve meu lábio inferior. Então ele sorriu, e sem dizer nada, foi embora.
Entrei em casa e deitei no sofá. Esse com certeza foi uma dia inesquecível.
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