Bem-vindos a Heide
14 O RASTRO DE CINZAS E AREIA
Notas iniciais
CAPÍTULO 14: O RASTRO DE CINZAS E AREIA
O estrondo da Fundação Família ruindo foi apenas o compasso inicial.
Enquanto Edward, Jasper, Alice e Bella, ainda trêmula e lutando contra os resquícios do sedativo, se arrastavam pela areia fria do deserto além dos muros, uma série de detonações secundárias começou a ecoar, fazendo a terra tremer sob seus pés. James não havia planejado apenas uma rota de fuga; ele havia deixado detonadores estrategicamente plantados nos geradores de frequência, nos centros de distribuição de dados e nas principais linhas de gás que alimentavam a própria cidade de Heide.
Em questão de minutos, a utopia de marfim de Aro Volturi virou um inferno de chamas. O clube de campo, os quarteirões simétricos e as calçadas perfeitas foram rasgados por explosões em cadeia, transformando o cenário milimetricamente planejado em uma fogueira colossal sob o céu do deserto. A fumaça preta subia como colunas monstruosas, apagando as estrelas.
— O James... ele garantiu que nada ficasse de pé — Jasper sibilou, a voz rouca enquanto ajudava Edward a carregar Bella para longe do perímetro de calor. — Não há mais sistema de rastreamento, não há mais câmeras. Heide está morta.
— Mas nós ainda estamos na arena — Edward respondeu, os olhos fixos na vastidão escura e hostil do deserto à frente. — Temos que andar. Agora.
Eles começaram a marchar contra o vento cortante da noite, os pés afundando na areia. Bella apoiava-se no ombro de Edward, cada passo sendo uma vitória contra a névoa química em sua mente. Atrás deles, o clarão do incêndio iluminava suas silhuetas, tornando-os alvos fáceis para qualquer um que olhasse de volta.
No entanto, entre as ruínas fumegantes do pavilhão central, a morte não havia sido tão democrática.
Um pedaço de laje de concreto foi empurrado para o lado com um estalo violento. Tossindo por causa da fuligem, mas com o terno de linho preto apenas parcialmente chamuscado, Aro Volturi ergueu-se dos escombros. Seu rosto, geralmente lívido e impassível, estava desfigurado por uma expressão de fúria maníaca. Seus olhos pretos e leitosos refletiam o fogo da destruição de sua obra-prima.
Ao seu lado, três agentes da alta guarda surgiram da fumaça, com os uniformes rasgados, mas empunhando rifles de assalto com visores térmicos intactos. Sulpicia e os outros diretores haviam ficado para trás, consumidos pelo fogo de Victoria, mas Aro continuava de pé. E ele não aceitaria perder o controle.
Aro caminhou até a borda da cratera provocada pela purga térmica e olhou para o duto de escoamento destruído. Seus olhos focaram nas pegadas frescas deixadas na areia logo após a abertura do túnel.
— Eles acham que podem queimar o meu mundo e simplesmente caminhar para a liberdade? — Aro sibilou, a voz saindo como o guincho de uma criatura ferida. Ele apontou o dedo magro em direção à imensidão escura do deserto. — Eles não são fantasmas. São traidores. Cacem-nos. Eu quero o químico e a garota vivos. O resto... deem a eles o mesmo destino de Emmett Hale.
Os três agentes ligaram os visores de infravermelho de seus rifles, cujas luzes verdes cortaram a penumbra. Com a precisão de cães de caça mecânicos, a patrulha de Aro avançou pela areia, iniciando a perseguição implacável pelos quadrantes do deserto.
A quilômetros dali, a marcha dos quatro sobreviventes tornava-se um teste cruel de resistência. O efeito do sedativo finalmente começava a passar, e a mente de Bella clareava, trazendo consigo o peso total do horror das últimas quarenta e oito horas. Rosalie, Emmett, James, Victoria... todos sacrificados para que eles pudessem dar aqueles passos na areia.
— Edward, espere... — Bella pediu, a voz falhando enquanto parava por um segundo, respirando o ar gélido da noite.
Edward parou instantaneamente, envolvendo-a em seus braços, limpando a fuligem da testa dela com o polegar.
— Você está bem? Consegue continuar? — ele perguntou, o olhar transbordando uma preocupação devoradora.
— Eu consigo. Eu preciso — ela respondeu, olhando nos olhos dele, encontrando ali a mesma força dos tempos de Forks. — Mas eles vão nos seguir, não vão? O Aro não morreria tão fácil.
Antes que Edward pudesse responder, Jasper parou abruptamente no topo de uma duna, erguendo a mão para congelar o grupo. Seus olhos de ex-militar estreitaram-se ao olhar para o horizonte atrás deles.
Três feixes sutis de luz verde-escura cortavam a névoa de poeira na base das dunas distantes, movendo-se em uma varredura militar perfeita. Atrás dos feixes, a silhueta esguia e inconfundível de Aro avançava com passos rápidos e predatórios.
O thriller de Heide havia mudado de cenário, mas as regras continuavam as mesmas: um passo em falso, e a redoma os engoliria de vez.
— Eles estão com visores térmicos e nos acharam pelo rastro de calor na areia — Jasper anunciou, sacando a pistola semiautomática e checando o pente na penumbra. Ele olhou para Edward, Alice e Bella. — Não dá mais para correr. O deserto é plano demais. Temos que montar uma linha de emboscada na próxima depressão ou seremos abatidos pelas costas. É matar ou morrer agora.
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