Bem-vindos a Heide
2 O LIMIAR DA INOCÊNCIA
Notas iniciais
CAPÍTULO 2: O LIMIAR DA INOCÊNCIA
A transição entre o cinzento úmido de Forks e a vastidão ofuscante do deserto americano pareceu uma dobra no tempo e no espaço. Após dias de viagem, o sedã preto da corporação atravessou os portões de ferro forjado que ostentavam o brasão minimalista dos Volturi, revelando a miragem de concreto e jardins que era Heide. A temperatura subira drasticamente, e o ar seco carregava um cheiro de areia quente e asfalto novo. Quando o carro parou diante da casa número 104, Bella sentiu um nó de antecipação na garganta. Era uma residência de estilo mid-century modern, com janelas amplas que refletiam o sol poente e um gramado tão perfeitamente verde que parecia pintado à mão.
Edward, transbordando uma energia vibrante que Bella nunca vira em Forks, saltou do carro e deu a volta para abrir a porta para ela. Com um sorriso de garoto travesso e o vigor de um homem que finalmente possuía seu domínio, ele a ergueu nos braços sem esforço.
— Preparada para o primeiro dia do resto das nossas vidas, Senhora Cullen? — ele perguntou, sua voz vibrando contra o peito dela.
— Edward, os vizinhos vão ver! — Bella protestou, embora estivesse rindo, escondendo o rosto no pescoço dele enquanto ele subia os degraus da entrada.
— Que vejam. Que saibam que o homem mais sortudo de Heide acaba de chegar.
Ele chutou a porta principal para abri-la e entrou com ela no colo, rodopiando no centro da sala de estar. A casa era um espetáculo de modernidade: móveis de nogueira, um bar embutido com acabamento em latão e uma cozinha equipada com aparelhos que Bella só vira em catálogos de luxo. Tudo era novo, estéril e promissor. Ele a colocou no chão com delicadeza, mas seus olhos não se desviaram dela, brilhando com a realização de que o isolamento de Heide era, agora, o refúgio privado deles.
A exploração inicial foi interrompida por batidas rítmicas na porta. Ao abrirem, depararam-se com um casal que parecia ter saído de uma ilustração de revista. O homem era alto, com uma postura militar rígida e cabelos loiros que pareciam ouro sob a luz do deserto; a mulher era pequena, quase fada, com cabelos curtos e espetados e olhos que cintilavam com uma vivacidade elétrica.
— Boas-vindas ao setor norte! — exclamou a mulher, estendendo uma torta de maçã cujo aroma de canela preencheu o hall. — Sou Alice Brandon, e este é meu marido, Jasper. Moramos na casa ao lado.
— É um prazer. — Jasper estendeu a mão para Edward, um aperto firme e direto. — Soubemos que o novo químico da divisão de Aro estava chegando. Precisam de ajuda com os caixotes?
— Por enquanto estamos apenas absorvendo o choque de não ver chuva — Edward brincou, aceitando a torta. — Eu sou Edward, e esta é minha esposa, Bella.
Alice entrou, analisando Bella com um olhar clínico, mas caloroso.
— Oh, Bella, você vai amar as festas no clube aos sábados! Temos tanto o que conversar sobre a decoração desta sala. Heide pode ser um pouco... repetitiva se você não colocar sua alma nela.
A visita foi breve, mas deixou um rastro de estranheza em Bella. Alice era doce, mas havia uma precisão em seus movimentos, quase como se estivesse executando uma coreografia. Assim que os Brandon se despediram, o silêncio voltou a reinar, agora carregado pelo peso da noite que se aproximava.
Eles passaram as horas seguintes desempacotando o essencial. No entanto, à medida que o relógio avançava, a descontração da tarde dava lugar a uma timidez paralisante. Na cultura conservadora de 1957, e vindo de famílias tradicionais, a intimidade física era um território inexplorado. Eles nunca haviam passado de beijos apaixonados e toques contidos pelas roupas sob a vigilância dos pais.
No quarto principal, o enorme colchão coberto por lençóis de algodão egípcio parecia um abismo entre eles. Edward estava parado junto à cômoda, evitando olhar diretamente para Bella, que mexia nervosamente na barra de seu vestido de viagem.
— É... uma cama grande — Bella sussurrou, a voz falhando.
Edward pigarreou, sentindo o calor subir pelo colarinho da camisa.
— Bella, eu... eu percebo que estamos ambos um pouco tensos. Talvez algo para relaxar? O bar está abastecido. Vou preparar uma bebida para nós e dar um pouco de espaço para você se organizar. O que acha?
— Sim, por favor. — Ela sentiu um alívio imediato.
Assim que ele saiu, Bella correu para o banheiro suíte. O coração batia como um pássaro enjaulado. Ela abriu a mala e retirou a camisola de seda branca que Renee comprara em Seattle; era uma peça etérea, com rendas finas no decote e uma transparência sutil que revelava as curvas que ela sempre tentara esconder sob vestidos rodados.
Ela escovou os dentes com vigor, sentindo o hálito de hortelã. No chuveiro, raspou as pernas com urgência, garantindo que cada centímetro de sua pele estivesse macio como cetim. Secou-se e aplicou um perfume de baunilha e jasmim nos pulsos, atrás das orelhas e no colo. Ao se olhar no espelho, vestida naquela seda que deslizava como água pelo seu corpo, ela não viu mais a menina de Forks, mas a esposa de Edward Cullen.
Enquanto isso, na sala, Edward servia dois copos de uísque com as mãos trêmulas. Ele bebeu o seu de um gole só, sentindo o líquido queimar a garganta e acalmar seus nervos. Ele amava Bella com uma intensidade que o assustava, e a perspectiva de finalmente possuí-la, de ser o primeiro e o único, era um misto de êxtase e terror de não ser bom o suficiente.
Quando ele voltou ao quarto, Bella estava sentada na beira da cama. A luz do abajur criava uma aura dourada ao redor dela, e a camisola de seda deixava muito pouco à imaginação. Edward parou na porta, os copos esquecidos em suas mãos.
— Bella... — a voz dele saiu como um gemido baixo. — Você está... você é a coisa mais linda que eu já vi.
Ele caminhou até ela, entregando o copo. Eles beberam em silêncio, os olhos fixos um no outro. O gelo fora quebrado, não pelo álcool, mas pela urgência da adoração mútua. Edward pousou os copos na mesa de cabeceira e sentou-se ao lado dela, tocando o ombro nu de Bella com as pontas dos dedos. A pele dela estava quente e perfumada.
— Eu não quero te machucar. Eu nunca fiz isso, Bella... eu não sei se... — ele começou, a honestidade jovem e crua vindo à tona.
— Eu também não, Edward. Mas eu quero aprender. Com você. Só com você. — Ela guiou a mão dele para o seu rosto.
Edward inclinou-se, capturando os lábios dela com uma doçura que rapidamente se transformou em fome. Ele a deitou nos travesseiros, seu corpo cobrindo o dela com um peso bem-vindo. Suas mãos inexperientes tatearam a seda da camisola, subindo pelas coxas lisas dela, fazendo Bella soltar um suspiro agudo de prazer. Cada toque era uma descoberta. O calor da pele de Edward contra a dela, o cheiro de uísque e masculinidade, o som da respiração dele ficando pesada em seu ouvido.
— Bella, minha Bella... — ele murmurou contra o pescoço dela, seus beijos descendo para o vale de seus seios.
A timidez foi consumida pela necessidade biológica e pelo amor profundo. Entre sussurros de encorajamento e movimentos desajeitados mas intensamente românticos, eles se uniram pela primeira vez sob o céu silencioso do deserto. Foi uma noite de descobertas picantes, onde a inexperiência só serviu para tornar cada sensação mais elétrica. Edward era dedicado, explorando cada centímetro dela com uma reverência que fazia Bella se sentir uma deusa, enquanto ela descobria o poder que tinha sobre ele a cada gemido que arrancava de seus lábios.
Ali, naquela casa perfeita, no coração de um projeto sinistro que eles ainda não compreendiam, Edward e Bella Cullen selaram seu destino em um mar de seda, suor e promessas sussurradas no escuro. Eles eram, enfim, um só.
O sol do deserto filtrava-se pelas persianas horizontais da casa moderna, desenhando listras de luz dourada sobre os lençóis de algodão egípcio ainda desalinhados. Bella despertou com a sensação de um peso morno e reconfortante sobre sua cintura; Edward ainda dormia, sua respiração rítmica e profunda acariciando a nuca dela. A lembrança da noite anterior — a descoberta tímida, o calor das mãos dele e a entrega absoluta — fez um sorriso involuntário surgir em seus lábios. Era domingo, o primeiro dia oficial de suas vidas em Heide, e o silêncio da manhã parecia abençoar a união dos recém-casados.
Sentindo o olhar dela, Edward abriu os olhos devagar, o bronze das íris brilhando com uma adoração imediata. Ele a puxou para mais perto, escondendo o rosto no vão do pescoço de Bella, aspirando o perfume de baunilha que ainda emanava de sua pele.
— Bom dia, Senhora Cullen — ele sussurrou, a voz rouca pelo sono, enquanto distribuía beijos lentos por seus ombros. — Eu poderia passar a eternidade exatamente assim, sem nunca precisar sair desta cama.
— Bom dia... — Bella respondeu, virando-se nos braços dele para selar seus lábios nos dele. — É estranho não ouvir a chuva de Forks contra a janela, não é? Parece que o mundo lá fora não existe.
Eles ficaram namorando por um tempo, trocando carícias preguiçosas e promessas sussurradas, até que o calor crescente do quarto os impulsionou em direção ao banheiro principal. A banheira de Heide era uma peça de design arrojado, ampla e profunda, já preenchida com água quente e sais aromáticos que Edward fizera questão de preparar.
O vapor rapidamente embaçou os espelhos e as paredes de azulejos claros. Ao entrarem juntos na água, o contato da pele nua de Edward contra a dela despertou novamente a chama que a noite não fora capaz de apagar. Na banheira, a timidez da primeira vez dera lugar a uma curiosidade mais ousada. Edward a sentou em seu colo, as mãos grandes deslizando pelas coxas de Bella sob a água, enquanto os beijos se tornavam mais profundos e urgentes. O som da água transbordando pelas bordas e atingindo o chão ritmava o movimento dos corpos. Edward a possuía com uma intensidade febril, os dedos cravados nos quadris dela, enquanto Bella arqueava as costas, soltando gemidos curtos que ecoavam nas paredes do banheiro. O ápice veio como uma onda avassaladora, deixando-os ofegantes e unidos pelo calor da água e do desejo.
Edward encostou a testa na dela, os cabelos bronzeados molhados e desgrenhados. Ele a envolveu em um abraço apertado, depositando um beijo demorado em seus lábios antes de sussurrar:
— Eu estou oficialmente viciado em você, Bella. Cada centímetro seu... eu nunca vou me cansar disso.
Após o banho, a casa começou a ganhar a alma dos Cullen. Enquanto Bella, vestindo um robe de seda e cantarolando baixinho, preparava o café e fritava bacon na cozinha tecnológica, Edward carregava os últimos livros para as prateleiras de nogueira. Juntos, eles espalharam fotografias em molduras de prata: Charlie e Renee em um natal antigo, Carlisle e Esme sorridentes na varanda da casa de Forks. Bella organizou seus volumes de poesia e clássicos, sentindo que, com cada objeto posicionado, Heide deixava de ser uma estrutura fria para se tornar o lar que Edward lhe prometera.
Pela tarde, o casal decidiu caminhar pela vizinhança para conhecer o setor. Heide sob a luz do dia era ainda mais impressionante. As calçadas eram impecáveis e as famílias pareciam saídas de um catálogo de moda. No final da rua, encontraram Alice e Jasper conversando com outro casal vibrante.
— Bella! Edward! — Alice acenou com sua energia habitual. — Que bom ver vocês fora de casa! Deixem-me apresentar: estes são Rosalie e Emmett Hale.
Rosalie era deslumbrante, com cabelos loiros platinados e uma expressão de orgulho radiante enquanto acariciava uma pequena, mas nítida, barriga de grávida. Emmett, um homem robusto e de sorriso contagiante, envolveu os ombros da esposa com possessividade carinhosa.
— Mais um casal para o nosso clube de domingo — Emmett brincou, apertando a mão de Edward. — Espero que gostem de churrascos, porque aqui em Heide a carne nunca falta.
— É um lugar maravilhoso para criar uma família — Rosalie comentou, seu olhar suavizando ao tocar o próprio ventre. — Tudo o que precisamos está aqui dentro desses portões.
Mais adiante, conheceram os Weber. Angela era doce e parecia um pouco exausta, segurando a pequena Karen, de apenas dois meses, enquanto Ben tentava impedir que Luke, de quatro anos, corresse para longe demais. Angela sorriu para Bella, mas havia um brilho de cansaço profundo em seus olhos que por um segundo destoou da perfeição ao redor.
— É um prazer conhecer vocês — disse Angela suavemente. — Aproveitem a tranquilidade enquanto podem. Heide é perfeita... até que as crianças comecem a correr.
Bella sorriu, observando as famílias. Tudo parecia harmonioso e seguro. Ela apertou a mão de Edward, sentindo-se parte daquela utopia, sem notar que o olhar de Angela Weber se desviou rapidamente para as montanhas distantes, como se estivesse procurando algo que o sol do deserto não conseguia iluminar.
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