Bem-Vindo ao meu Diário
3 Um dia cansativo
Notas iniciais
Olá Pessoal, sejam Bem-Vindos ao meu Diário.
Depois que eu risquei o Time de Futebol da minha lista, comecei a limpar todas as janelas das salas de aula. Sim, esse foi o meu castigo por quebrar o vidro do ginásio. Mas até que compensou, pois pude ficar olhando as líderes de torcida pela janela. E o melhor é que só tinha eu, elas e a diretora em toda a escola.
Puxa, estava exausto. Limpar todas as janelas das salas é muito mais cansativo do que pensei. Desse dia em diante, comecei a respeitar o trabalho dos faxineiros. Depois de terminar o serviço, peguei minha bolsa e fui para casa. Eu estava morrendo de sono.
Cheguei em casa e minha mãe estava me esperando.... Há horas.
–Fred, o que aconteceu com você? Se perdeu no caminho para casa?
–Eu... Meio que tive um probleminha...
–Tudo bem, depois você me conta. Estou muito atrasada para meu primeiro dia de emprego. Pelo visto vai chover, então não se esqueça de tirar a roupa do varal, ouviu?
Como eu sou filho único, tenho que fazer sozinho todas às tarefas que os filhos fazem. Como ir com os pais no super mercado, arrumar minha cama, lavar a louça, limpar a casa. Sou como um empregado que não é pago. Mas não tenho do que reclamar, meus pais sempre me deram muito amor e o emprego deles é para comprar coisas para mim.
Minha mãe saiu de casa e eu fui direto para o meu quarto, tirar aquela roupa que já estava fedendo e tomar um bom e merecido banho. E foi o que fiz. A água do chuveiro estava tão quentinha que eu fiquei muito tempo embaixo dele. Nem se compara com aquela água suja e gelada da escola. Sai do banheiro com uma toalha presa em volta da cintura e me deitei na minha cama. Meus braços estavam doendo e eu estava com muito sono. Mas como eu sabia que não iria dormir, liguei para o George. Ele ganhou um novo videogame.
–Alô
–Oi George
–Fred, que bom que ligou. Achei que você tinha ficado preso na escola com fantasmas.
É, eu sei o que vocês estão pensando. A mente do George é como a de uma criança. Ele tem cada idéia doida.
–Fantasmas? É sério isso?
–Ué, eu já tive um pesadelo assim. Só que era eu em vez de você. E eram zumbis em vez de fantasmas. Não dormi por três dias.
–Ta, ta, esquece. E o seu novo videogame?
–É muito bom, você tem que vir aqui jogar comigo um dia desses.
–Poxa, iria adorar. Qual videogame que é? Um X-box 360? Um Playstation 4?
–É um Atari.
–O que é isso?
Fala sério, Atari é do tempo do meu pai quando era criança. Nem sabia que fabricavam mais isso. Não é nada inovador.
–Meus pais me deram. Disseram que fazia parte da infância deles e agora irá fazer parte da minha.
–Que legal.
Claro que foi irônico. Por que os pais têm essas coisas de darem algo que fez parte da infância deles para os filhos? Eles não nos amam?
–Bom, mas que tipo de jogo tem? Ação? Corrida? Terror?
–Não. Meus pais disseram que essas coisas eram muito perigosas, então só tem o joguinho do Capitão Sorvete, dos ursinhos carinhosos e da Peepa.
Peepa? Ta de brincadeira? Quase vomitei agora. Escutei um barulho vindo do lado de fora. Estava alto.
–George, depois eu te ligo. Acho que ta caindo uma chuva de meteoros aqui.
Desliguei o telefone e fui até a janela do meu quarto. Olhei para o lado de fora e vi que não era nenhuma chuva de meteoros, era só chuva mesmo. Dei de ombros. Espera um pouco aí... Chuva... Roupas... Varal... Minha mãe vai me matar
Desci correndo as escadas, só de toalha mesmo. Eu precisava salvar aquelas roupas, nem que fizesse o impossível para isso. Corri para o quintal e escorreguei na poça de lama. Agora minha mãe vai me matar pelas roupas e pela toalha. Mas eu não estava nem aí. Tirei uma a uma e fui colocando no meu ombro. Depois, entrei em casa e coloquei as roupas no balde de roupa suja do banheiro. Só precisava dizer para minha mãe que tirei todas e guardei.
Tudo iria dar certo. Entretanto, eu não devia ter me virado. Eu havia sujado todo o piso de lama. Precisava pegar um rodo e me livrar daquelas marcas. A porta se abriu. Torci para que não seja minha mãe, mas nunca tive sorte com esses negócios de torcida. Era ela mesma. Ao ver a bagunça que eu havia feito, me olhou com um olhar furioso. Vi a morte passar diante dos meus olhos naquele momento. Mas por incrível que pareça, a única coisa que ela disse foi:
–Não vou dizer nada. Irei subir, tomar um banho, e quando eu descer, quero tudo arrumado.
Me surpreendi com ela. Não gritou comigo, nem me deixou de castigo e nem me bateu. Seja quem fosse aquela mulher, não era minha mãe.
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