Bem Vindo!
1 Como Terminar o Namoro
Notas iniciais
Uriba: Metamorfos são um lixo. Aposto que se fizessemos uma botacao Sereias Ganhariam de lavada( nao, a sereias tambem nao tem nada haver com a historia)
Aquele estava sendo um péssimo dia. Lia tinha me convidado para ir ao parque para vê-la, só que essa era a última coisa que queria fazer. Ela é minha namorada há um mês e mal consigo entender como ficamos juntos por tanto tempo assim. Com o tempo, em vez de aprender a gostar dela, aprendi a odia-la completamente, mas não havia um jeito bom de se dizer isso para sua namorada e sair batido. Por isso tentei evita-la. Até hoje de manhã. Lia me ligou mais ou menos às sete da manhã e disse:
– Vá até o parque perto da minha casa às duas da tarde, em ponto – Ela é do tipo que gosta de mandar, e sabe convencer qualquer um a escuta-la e obedecer – Não se atrase.
De fato, resolvi não me atrasar. Porque se aprendi algo com aquele mês de namoro é que não era bom desobedece-la. E depois de três semanas sem olhar, falar ou contatar ela. Tudo explodiria nesse nosso encontro. Tudo de uma vez. E eu não ia querer estar lá, mas tinha de estar porque tinha provocado aquilo.
Pensei em como ela alegava gostar de mim. E como, mesmo que raramente, me tratava com carinho. E eu tentava, juro que sim. Mas ela era quase sempre intocável. Não havia forma de lhe dar carinho sem que ela reclamasse. A única coisa que ela queria de mim realmente era a perfeição. O que tentei dar a ela, sem hesitar, durante todo aquele mês. Porém, isso cansa com o passar do tempo, e eu já estava farto de tentar me adaptar aos padrões dela sem pedir nada em troca. Aquele namoro estava definhando desde o inicio, pouco a pouco. O que aconteceria hoje no parque é o que chamar de: o inevitável.
Sendo assim, saí de casa a uma e meia, deixei um bilhete para meus pais que ainda dormiam, dizendo que estaria de volta às duas e meia. E sinceramente eu esperava que fosse menos, porque se eu voltasse a essa hora, significaria que teria que ter passado vinte minutos inteiros com Lia. E eu queria encurtar aquilo o máximo possível.
Quando cheguei ao parque, avistei logo de cara Lia parada parto do lago. O parque da cidade era um grande circulo de grama bem verde, brilhante e reluzente em dias de sol, como esse. Não tinha arvores em abundância, mas sua quantidade era significativa. Contei em media vinte, uma vez que estava com Lia dormindo em meu colo. Mas então ela acordou e tive que parar. No centro havia um outro circulo, que era o lago onde ela estava parada à beira. Remexendo a água.
Com movimentos suaves (Lia era especialista em movimentos suaves, quando queria), a mão dela movia a água de um lado para o outro fazendo pequeninas ondas que se chocavam com um barco de brinquedo de um garotinho do outro lado e fazia o objeto se mover enquanto a criança soltar gritinhos de felicidade, mas Lia parecia longe do presente, distante do garotinho e seu arco de plástico. Com um olhar triste. Eu já havia visto daquela maneira, muitas vezes. Ela fazia movimentos incoerentes, mexendo em o que quer que fosse, que estivesse ao alcance. Sempre que estava triste fazia isso. E pensei que talvez seria realmente ruim de dissesse o que queria lhe dizer, subitamente tive a impressão de que ela desmoronaria. Mas esta era sua mágica. Isso é o que há em Lia que me fez ficar com ela até o momento. Só que aquilo tinha que acabar, seria mentira se dissesse que realmente queria continuar daquele jeito.
Mesmo assim entrei no parque sem que ela me notasse e me afastei um pouco. Era um dia ensolarado e eu não posso ficar muito tempo exposto ao sol por causa da pele exageradamente branca. Não atrapalhou em nada, porque ainda precisava de alguns minutos só para me decidir do que fazer e não queria que ela me visse ainda. Se as coisas saíssem fora do que eu estive prevendo, eu já tinha um plano armado. Pensei por alguns segundos se era a decisão certa a tomar.
Na boa, que se dane!
Senti o estômago revirar de emoção e a visão escurecer por alguns segundos e depois normalizar e me encostei na arvore. Tinha levantado rápido demais. Depois do leve mal-estar se dissipar (apesar do meu estômago ainda estar revirando como um enxame de abelhas, e meu coração estar batendo a mil), me aproximei e a observei por alguns segundos que parecem uma eternidade, até que ela avistou meu reflexo na água do lago e se levantou. E ainda de costas, começou a chorar. Um choro tímido e pausado. Com soluços de hora em hora. Quis abraça-la ou fazer qualquer coisa para que ela parasse. Mas não havia nada. Nada que eu pudesse fazer, pois ela também já sabia qual seria o fim da história. Da nossa história. Não podia prolongar nem minimizar os efeitos daquilo.
– Oi. – Ela disse, finalmente parando de chorar, eu poderia ter um ataque a qualquer segundo debaixo daquele sol e ela sabia disso, mas nenhum de nós se movem, não por não nos importarmos, mas sim porque não queríamos. Éramos covardes demais até para olhar um nos olhos do outro.
– Oi. – respondi focando o chão.
E acho que foi nessa parte em que ela estourou. Minha resposta era o que resultaria no removimento ou não do pino daquela granada, eu escolhi remove-lo antes mesmo de responder.
– Olha Tale – Ela estava tentando se conter. – Eu queria muito que desse certo, a minha maneira. E provavelmente foi nisso que errei não é? Querer que funcionasse do meu jeito. Só que para mim, não tinha outra escolha. Eu não tenho uma lista de escolhas como você, para mim, devo correr de um único modo. O meu modo. E quem quiser que aceite ele, quem não quiser, que saia da frente. Acho que você esta saindo da frente não é mesmo? – Não respondi. – É, acho que é isso então. Mas, saiba que, namorados ou não. Sempre te… Sempre gostei de você. Eu queria ficar ao seu lado, mas meu conjunto de opções finitas não é compatível com o seu, por isso…
Ela sabia falar coisas bonitas.
– Eu nunca quis que terminasse assim – Isso foi mais um comentário para amenizar a situação e ela soltou um risinho, porque sabia tão bem quanto eu que eu queria mais que tudo que acabasse, independente de como ou onde. – Então, boa sorte para você.
E ela saiu. Foi embora, porque sabia que eu tinha terminado. Sem mais palavras, sem mais lagrimas, tinha acabado de um modo simples. Mas eu tinha que garantir que ela não voltasse atrás. Mais que isso, tinha que impedir ela de voltar atrás.
E assim arquitetei meu plano.
Primeiro caminhei calmamente na direção oposta a Lia, sabia que ela tentaria impedir que acabasse daquela maneira, então caminhei como quem estava mal. Mas não do jeito que pessoas que estão tristes, e sim como alguém que realmente está passando mal. Quer dizer, de saúde.
Andei aos trôpegos e avistei uma garota a mais ou menos um metro de onde estava. Seria perfeito. Ela tinha cara de quem ia ajudar.
Olhou para mim e desviou o olhar quando percebeu que eu a encarei sem hesitar. Não conseguia ver como ela era dali por causa da luz do sol sobre mim, tapando minha visão. Então, quando estava bem em frente a ela, encarei-a novamente e pisquei como quem diz: "Entre na dança." e cai no chão fingindo desmaiar. E a garota entendeu, porque me senti sendo puxado para a sombra e ela praguejou com meu peso. Afinal, sou um cara alto e musculoso. Nem exageradamente alto, nem musculoso, as sou. E ela tinha braços finos. Entre abri os olhos para ver onde Lia estava, ela me olhava, primeiramente descrente, depois nervosa. Se virou e voltou a andar, batendo os pés no chão sem olhar mais para trás. Eu diria que no mínimo ela ficou muito brava comigo. Não havia mensagem mais explicita que aquela. A menos que ela acreditasse que eu realmente tinha desmaiado, graças aos meus problemas com o sol, tinha entendido bem o recado.
"Não olhe para trás, eu não quero te ver.". Era o que dizia meu desmaio falso.
Bem depois de ter certeza de que Lia em hipótese alguma voltaria abri os olhos finalmente e dei de cara com a capa de um livro e mão segurando-o. Era O apanhador no campo de centeio. E as mãos eram pequenas e finas, com dedos proporcionais e unhas pintadas de preto. Cortadas recentemente.
Me sentei e avistei as paginas do livro e suas letras. Depois comecei a reparar em quem o lia, a garota era realmente bonita, como eu tinha constatado de longe. Cabelos pretos e ondulados até o meio das costas, olhos verdes bem claros denunciando uma discrepância de cores com o cabelo. O rosto anguloso com bochechas bem redondas e uma boca rosada. E o mais incrível de tudo. Uma pele clara como a minha, um pouco abastecida de maquiagem, mas perceptivelmente branca. E um anel no dedo anular. Fino e prateado.
Ao perceber que eu a estava encarando se virou para mim e tirou um dos fones que estava usando e me analisou de cima a baixo.
– Obrigado. – Falei olhando nos olhos dela. Eles eram… Sedutores.
– Você é pesado. – Comentou em resposta.
Queria dizer: "Você é fraca e magricela."
Mas na verdade eu não estava querendo sem indelicado com ela. Então só assenti em resposta e me recostei a árvore como ela.
– Você deve ter os mesmo problemas com o sol que eu.
Ela respondeu sem tirar os olhos do livro, com uma voz meio impaciente.
– Talvez – Fechou o livro e me encarou em duvida, como se estivesse tentado descobrir o que fazer comigo. Tive medo de que ela quisesse me enterrar vivo, porque era isso que seu olhar indicava. – Você quer sair comigo não quer?
– O que? Não… Quer dizer, talvez. Na verdade só estava te agradecendo.
– Tem milhões de pessoas nesse parque que poderiam ter te puxado para a sombra. Isso não pode ter sido confidencia.
– Confidencias não existem – Na verdade ela estava completamente errada, eu me senti um completo idiota por estar… Peraí, será que eu estava flertando com ela? Bom, resolvi aproveitar a chance, afinal não é todo dia que se encontra uma garota com aqueles olhos magnéticos e cintilantes. – Hum… Bem, meu pai foi convidado para um cruzeiro amanhã. Se você quiser…
– Claro, mas você não vai conseguir me conquistar com um barco no meio do mar. Que fique claro que só estou dando uma chance. Aproveite. Ah, alias, odeio barcos e não posso ficar muito tempo no sol. Então, não estranhe possíveis desmaios repentinos. Entendeu tudo?
Fiz que sim. Estava sendo a conversa mais estranha da minha vida. Mas era engraçado o jeito como ela se expressava com facilidade e humor sobre o assunto.
– E saiba que não vai conseguir nada se ficar só mexendo a cabeça pelos cantos.
Sorri e fiz que sim de novo só para provoca-la, mas ela voltou ao seu livro segurando o riso e eu expliquei como chegar a minha casa, e pedi a ela que chegasse por volta das seis, pois o navio iria partir as sete e meia. E ela concordou com tudo.
– Esteja pronto às quatro. – Disse com um ar de seriedade que me fez ficar confuso sobre se o ela estava brincado, ou dando um aviso de que chegaria as quatro em ponto na minha casa. Mas resolvi deixar essa surpresa para o dia seguinte.
Me arrependi quando fui acordado pelo meu pai as quatro da manhã, dizendo:
– A menina que você convidou está ai na porta.
Olhei para o despertador. Marcava: 4 horas, 0 minutos, o segundos.
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