Bem Vindo à Itaju
5 Capítulo 4
Medo. O medo toma conta do meu corpo. Meu coração acelera e por um milésimo de segundo peso que se eu não morresse pelo impacto do meteoro, morreria pelo susto e pelo medo que me domina. A única coisa que pesei foi gritar para a minha mãe parar, olhando para aquela bola de fogo a única coisa que penso é: vou morrer. Nada mais passa pela minha cabeça. Percebo que minha mão está tremendo, não consigo controlá-la. Tento segurar com a outra mão, porém é inútil. Começo a suar frio. Aperto o botão para que a janela abaixasse. O vento toca em minha pele suada, tento controlar a minha respiração, mas meu corpo está tomado pela adrenalina, nunca em minha vida pensei na morte. Nunca senti essa adrenalina, ela percorre as minhas veias, eu consigo sentir o sangue nas veias do meu corpo a cada milésimo de segundo percorrê-lo. Ouço o som do meu coração como se estivesse ouvindo pelo estetoscópio.
Minha mãe para o carro, assustada mais com o meu grito do que com o meteoro. O carro gira umas duas vezes até parar. Não consigo parar de tremer e suar. Minha visão começa a ficar embaçada, nunca tinha acontecido isso comigo, estou com medo, não o medo do meteoro, mas o medo de morrer cedo. Respiro fundo. É a única coisa que consigo fazer. Olho para a bola de fogo, ela não está tão perto como eu pensei que estivesse.
Mamãe olha para mim. Seu olhar diz: Você está querendo me matar de susto? Você está louca, minha filha está louca. A expressão do seu rosto diz que está decepcionada comigo, não sou boa em ler expressões do corpo, mas se eu perguntasse para qualquer outra pessoa ela diria o mesmo que eu.
— Mas o que foi isso! Vanessa…
Ela para de falar com um barulho alto, muito alto. Olho para a estrada onde vi o meteoro e percebo que ele não está mais lá. A única solução é que ele caiu na estrada, fico aliviada por saber que ele não nos atingiu. Solto a respiração que prendia, até esse momento não tinha percebido que estava o segurando. Minha visão melhora, paro de suar e as batidas do meu coração começão a regular. O alivio toma conta do meu corpo.
— O que foi isso?
A voz da minha mãe está o puro pavor. Ela está com seus olhos cinzas arregalados. Sua respiração está acelerada, nunca vi minha mãe tão… assustada como ela está agora. As suas mãos que estavam no volante agora puxa a tranca da porta. Ela empurra devagar a porta. Da para perceber que minha mãe está com medo de sair. Ela respira fundo antes de colocar os pés no chão. Ela se levanta e olha para frente. A expressão do seu rosto diz que mamãe está assustada. Seu rosto está pálido, como se estivesse vendo um fantasma. Abro a porta para ver o que a deixou tão assustada. Minha mãe parece não perceber que estou saindo do carro.
Olho para a estrada e percebo o porque da reação da mamãe. Se o carro tivesse a um centímetro a mais ele teria caído para o centro da cratera. Respiro fundo mais uma vez por ter avisado a minha mãe.
Sem que a minha mãe perceba, me aproximo da cratera. Olho para ela por alguns segundos, antes de me sentar e tirar as minhas botas marrons de salto alto. Aproveito que estou sentada para entrar dentro da cratera, no inicio não é muito profundo, mas com o tempo vai ficando profundo, e mais profundo, meus pés que estam descalços também mudam de temperatura, o que antes estava frio, a cada passo vai esquentando até que sinto as solas dos meus pés queimarem, mas não estam me incomodando, por incrível que pareça não sinto dor.
Chego próxima o bastante para sentir o calor do meteorito. Sinto o ar quente que ele libera tocar a minha pele e os pelos do meu corpo se arrepiarem. Fecho os olhos. Respiro o ar quente que vão para os meus pulmões, sinto como se a magia tomasse conta de mim. Como se ela percorresse junto com o meu sangue.
Toque-o. Sussurra meu subconsciente. Toque-o. Toque-o. Toque-o. Toque-o. Toque-o. Toque-o. Toque-o. Repetia em minha mente.
Levantei a minha mão. A deixei bem aberta e lentamente toquei o meteorito. Sinto algo me dominar, algo poderoso e puro. Abro os olhos e vejo que o meteorito está a alguns centímetros do meu rosto, a única coisa que vejo é a rocha do meteorito. Mas mesmo assim eu sorri. Coloquei a outra mão, respiro fundo sentindo a energia invadindo o meu corpo. Lentamente fecho os olhos. Os pelos do meu corpo se arrepiam com a energia. Nunca na minha vida me senti tão bem, nada importa. Nem o beijo, nem o telefonema, exatamente nada.
Sinto algo frio tocar o meu ombro. No formato de uma mão, mas frio como o gelo. Abro os olhos e me viro desgrudando-me do meteorito, toda a sensação de paz que a alguns segundos atrás estavam me dominando sumiu, sinto frio. Quando olho para a pessoa que me fez desgrudar do meteorito, percebo que é um garoto deve ter a minha idade ou uma para dois anos a mais. Meu coração começa a acelerar. A adrenalina se espalha pelo meu corpo como a sensação de paz. Tento abrir a boca para perguntar quem ele é, mas não consigo controlar o meu corpo.
— Não tenha medo.
Ele disse, sua voz… Nunca ouvi uma voz tão encantadora e bela quanto a dele em toda a minha vida. A única coisa em que consigo fixar meu olhar é em seus olhos. Seus olhos cinzas conseguem fazer com que meu coração acelere o bastante para saber que o que estou sentindo neste momento é o mesmo que senti quando beijei Mateus… Meus sentimentos estão confusos. Quando beijei Mateus sabia que lá no fundo eu gostava dele. Mas com esse estranho, que não tenho nada com ele, que nunca o vi na vida!… Mas alguma parte de mim diz que já o vi em algum lugar. Mas onde? Tento pensar, porém não consigo me lembrar e também por ele está tão perto de mim dificulta o meu raciocínio.
Engulo em seco. Ele se afasta de mim. E como num passe de mágica consigo me lembrar dele.
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