Bem Me Quer.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Regina já se acostumara em falar em público, afinal para ser prefeita era necessário tal costume. As cadeiras do salão principal, que ficavam viradas de frente para o palco, estavam quase todas ocupadas. Regina estava atrás das cortinas junto de alguns acionistas e de Aurora, esta que relia alguns papéis.
O palco era praticamente vazio, nele só se localizavam um balcão com o símbolo de Storybrooke marcado na madeira de pinho escura, um microfone apoiado em tal balcão e algumas poucas cadeiras mais para trás.
"Será que já posso ir?" — perguntou Regina, dirigindo a palavra à Aurora, que continuava distraída com os papéis.
Não obteve resposta.
"Aurora?" — Regina insistiu, vendo os moradores sentados em suas respectivas cadeiras, ela vigiava-os através de uma fresta das cortinas vinho escuro.
"Ah, me desculpe.." — Aurora levantou o rosto, deixando os papéis de lado e focando sua íris nos olhos da prefeita. — "Deixe-me ver" — no mesmo instante inclinou-se para perto da morena na intenção de espiar pela cortina também.
"O que acha? Faltam muitos?"
"Não, Regina. Mas acho bom esperar mais um pouco.. Não estou achando o morador novo, nem sua família."
"Morador novo? Ué, mas ele não foi convocado? Teria que estar aqui o mais cedo possível.."
"Sim, eu sei. Mas pegue leve com eles, parecem ser pessoas decentes." — disse, num sorriso.
Regina era uma prefeita levemente autoritária. Cuidava da cidade com tal perfeccionismo que às vezes sufocava os moradores diante de tantas exigências. Mas eles a adoravam no cargo, a cidade era calma e não havia motivo para reclamações.
"Ah, ali está ele.. Chegou!" — disse a secretária, apontando.
Regina seguia com os olhos na direção em que a secretária apontava, o cara era bonito. Vestia uma camisa social vinho e uma calça jeans preta, estava ao lado da esposa e de seu filho pequeno que devia ter lá pelos seus quatro anos de idade. A prefeita voltou os olhos para ele novamente, observando cada movimento deste.
"Qual o nome? — Regina virou-se para Aurora, com o rosto sem expressão. — "O nome dele."
"Robin, se não me engano... Por quê?"
"Por nada." — Regina desviou do assunto — "Bem, acho que já posso subir, então."
"Sim."
Abrindo um canto da cortina, o suficiente para poder passar, lá estava Regina Mills caminhando em direção ao balcão. Parecia nervosa, só não sabia o porquê.
"Senhoras, senhores..."
Todos os olhos viraram-se para o palco, mais precisamente para a prefeita. Aurora estava sentada em uma das cadeiras logo atrás do balcão, ao lado dos acionistas que também já haviam se sentado.
"Abordarei vários assuntos nessa reunião, já que estamos em um novo mandato.. Gostaria de agradecer as lideranças políticas que integraram na nossa campanha.." — e assim Regina iniciou seu discurso.
Robin ficara atento à prefeita, mas não ao que ela dizia. Ele entendia de política, inclusive trabalhava na área de Direito, mas não estava nem um pouco concentrado naquele discurso. Não diante da beleza da mulher que o proferia.
Em compensação Marian, sua esposa, que estava com uma das mãos apoiada na coxa de Robin e com o filho deles no colo, prestava bastante atenção em cada palavra que saía dos lábios de Regina Mills.
"Ao poder legislativo, manteremos uma conduta harmônica e democrática.."– continuava ela.
"O que está achando dela, querido?" — perguntou Marian, acariciando a região do joelho dele.
"É.. Ela parece ser ótima."
"Parece ser ótima? Nossa, me admira você não fazer aquelas análises extensas que está acostumado a fazer.. Ou gostou muito dela ou não prestou atenção no que ela disse."
Ou talvez as duas opções.– pensou Robin. Regina era uma mulher maravilhosamente encantadora, sua postura naquele palco deixava a imagem de uma mulher autoritária e independente logo na primeira impressão. Até a forma como ela posicionava seus pés naqueles Carmen Steffens caros já dizia muito sobre ela. A mulher era tão óbvia assim? Independentemente disso, ele havia se encantado e com certeza, ia querer conhecê-la melhor.
*
Terminada a reunião, todos estavam indo embora para suas respectivas casas. Com exceção dos quatro moradores novos.
Regina descia a pequena escada que ia do palco até a lateral da sala, para aonde ficavam as cadeiras do público, onde a pouco tempo estava tudo lotado. Os cabelos negros tampavam seu rosto, ela olhava para baixo, atentamente, prestando atenção nos degraus pelos quais passava. E quanto à Robin, ele olhava para frente, atentamente, prestando atenção nela.
A prefeita caminhou em direção a um homem muito, muito bonito. Ele a puxou fortemente pela cintura e a deu um beijo rápido na testa.
"Vou falar com os moradores novos agora.. Hoje à noite, lá em casa?"
"Contarei os minutos até dar 20h, mal posso esperar." — disse Graham, num sorriso malicioso.
"Ok, espertinho." — declarou a prefeita, fazendo uma careta, de forma fofa.
Regina virou-se de costas e começou a andar em direção a uma moça, deixando ali um Graham admirado. Ela andava de forma tão sutil, rebolava sem ao menos perceber.
"Olá! Regina, prazer. Você é a..?"
"Ruby e o prazer é todo meu." — disse a jovem, num sorriso ingênuo.
Regina a fitou de cima para baixo, a garota era jovem e usava roupas um tanto indiscretas. Estava com um shorts jeans tão curto que, se não fosse pela camisa xadrez amarrada na cintura, Regina podia jurar que daria para ver a polpa de sua bunda.
"Bem, seja bem vinda à Storybrooke! Vai morar aonde?"
"Dois quarteirões daqui."
"Sozinha, imagino."
Ruby balançou a cabeça, afirmando.
Regina deu uma última olhadela pela garota, novamente a encarando de cima para baixo. Suspirou e vendo que não teria nada mais do que se tratar com a garota, disse:
"Ok, me desculpe dizer mas tenho que ir.. Tenho mais uma família para conversar e já estou exausta."
A garota riu e logo depois se despediu. Virando-se e caminhando em direção a porta que dava de frente para a rua, atravessando por todo aquele extenso salão.
Robin estava sentado, esperando. Marian tinha ido para um outro canto da sala, onde havia um bebedouro, perto de uns guardas. Ela estava morrendo de sede, Roland também.
"Olá, mocinho!" — disse Regina, dirigindo a palavra à Roland — "Qual seu nome, hein?"
A criança estava no colo do pai e quando Regina falou com ele, sua reação foi encolher-se ainda mais, apertando-se contra o peito do pai, escondendo seu rosto com aquelas mãos minúsculas.
"Não tenha vergonha.. Deixo você subir no palco se conversar comigo." — disse Regina, tentando cativá-lo.
"Vamos, filho! A moça está falando com você." — Robin olhava atentamente para Regina, ela era ainda mais bonita de perto.
"Você promete?" — Roland finalmente se manifestou, parecia animado em saber que ia subir no palco.
"Sim, se não fizer bagunça." — prometeu Regina, olhando fixamente para o menino que já balançava o rosto, concordando.
"E meu nome é Roland." — e o menino sorriu, deixando as covinhas ainda mais evidentes em suas bochechas.
"Que nome mais lindo, Roland! O meu é Regina."
"Nome bonito também."
A morena riu estendendo as mãos para Robin logo em seguida, cumprimentando-o.
"Regina Mills."
"Robin de Locksley, a seu dispor."
Regina avistou Marian caminhando até sua direção com um copo de água em sua mão, o qual deu para Roland.
"Sua esposa?" — perguntou para Robin. Ele parecia tão distraído olhando para a mulher a sua frente que nem deu atenção a sua pergunta.
"Em carne e osso! E você.. A prefeita, certo?" — perguntou Marian, caminhando em direção a ela, chegando perto o suficiente para dar-lhe um beijo na bochecha, cumprimentando.
"Sim, é o que parece" — e novamente deu uma risada ingênua, que durou pouco. — "A estadia é permanente?"
"Aham" — respondeu Marian.
Robin continuava com a mesma cara de tonto que estava desde que Regina chegara. Ela era tão gostosa que ele nem podia imaginar. Porra! Aquilo não ia prestar.. Não mesmo.
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