Bem Me Quer.
12 Capítulo 12
Notas iniciais
A lua minguante em orna com os afagos do zéfiro nocivo aos cabelos negros que balançavam naquela noite de inverno. Não demonstrava mais toda aquela situação "dona de si" de mais cedo. Andava melancólica, a caminho de um encontro. O homem a esperava onde combinaram, ou melhor, onde ele combinou. Esperava já a algum tempo."Eu não vou" era a frase que reprisava incontáveis vezes na cabeça de Robin, como bomba pulsante. Que inferno! Ela não vem.
Estava frio. Robin encostado no muro de uma casa qualquer, um dos joelhos dobrados com o pé pisando na parede. A um passo de desistir, ouviu o ranger de saltos contudo, ainda desiludido no amor, apostaria até seu escritório que não seria ela. Poderia ser qualquer mulher, exceto Regina.
A pouca claridade causava um efeito mágico. Do ângulo em que Robin estava, via a luz de um poste ao fundo contornando todo o corpo da mulher. Ela andava devagar. Era completamente perceptível sua timidez, o braço direito dobrado com a mão deste segurando o terço médio do braço esquerdo e a cabeça baixa. A onomatopéia, essa mesma onomatopéia responsável pelo barulho que o salto fazia, era música para os ouvidos do loiro, o que de caso contrário e em repetição seria algo irritante. Ele logo reconheceu: era Regina Mills e pronto, escritório apostado! Ela parou a sua frente, desvinculou os braços e balançou a mão vagarosamente no que, em palavras, seria uma espécie de oi. Robin permitiu seus olhos a percorrerem toda a silhueta da mulher por baixo daquele vestido solto e florido, chegando até seus pés onde finalizava toda a aparência em um Jimmy Choo vermelho de salto alto.
"Pensei que não viria." — Ele se permitiu confessar.
"Foi o que eu disse."
Ele sorriu, contente com a ironia."Fico feliz que não cumpriu."
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Não seria exagero algum dizer que Graham passara todos os canais de sua televisão naquela noite. Tudo estava um tédio. Não foi difícil para ela se livrar deste, afinal haviam passado a tarde inteira juntos desde o supermercado. Bastou uma frase explicativa dizendo o quanto estava cansada e que precisaria de dormir por uma eternidade para cobrir aquelas olheiras profundas, que ele respeitou.
Respeitou, sim. Mas diga-se de passagem que nada o impediu de ficar preocupado e ligar uma porrada de vezes para a prefeita.
"Deve estar dormindo." — pensou alto, reclamando. — "Ainda."
Irritado com a falta de satisfação que a morena o dava, desligou o aparelho e também a televisão, visando o seu destino e algo que, com absoluta certeza, o tiraria do calar tedioso da noite. E assim, dormiu.
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Estavam Robin e Regina sentados um do lado do outro no meio-fio. No início ela estava relutante em sentar na calçada mas depois de receber vários adjetivos sinônimos de fresca e outros xingamentos mais, ela considerou que a melhor opção era ceder.
O vento agia em perfeita harmonia com a baixa temperatura daquele solstício de inverno causando arrepios na pele nua da moça. Hood, num gesto de puro cavalheirismo, colocou seu casaco nas costas dela por cima de seus braços. O tempo parecia ter congelado quando, por descuido, Robin percebeu que estava a encarando muito. Um olhar de ternura, com amor nos olhos, a admirando.
"Não me olhe dessa forma." — o desmascarou. Não sei o que ele tinha na cabeça ao pensar que ela não o havia percebido, uma vez que ela o encarava também.
"Como?"
"Como se estivesse tudo bem." — Ela disse e logo abaixou os olhos, fixando certo ponto do asfalto.
Após horas conversando a respeito de definitivamente nada, Robin apoiou uma mão no chão ganhando impulso para se levantar. Ficou de frente para ela e estendeu-lhe a mão direita, num paralelo fiel à noite da praia. Ao se lembrar, Regina hesitou.
"Eu não mordo, Regina." A cara de aflição permaneceu sob a face da prefeita e o loiro se deixou levar para o canto da chateação. Como ela podia fazer tão pouco e o machucar tanto?
"Perdão.."
Eis que um silêncio tomou conta do local, deixando ambos alarmados como se estivessem sido torturados no famoso "pau-de-arara" da ditadura militar. Não seria para tanto, claro, mas eles se sentiam exatamente desse modo. Regina tinha em sua mente a idéia tão clara quanto água cristalina de que estava se apaixonando e Robin, já sabia e cada segundo só comprovava a sua certeza.
A quietude permaneceu. Ele, assim como a morena, buscava criatividade para assim puxar algum assunto mas sempre falhavam. Convencido do pequeno fracasso, Robin passou a admirá-la. Como era linda a noite dos olhos de Regina.. As mechas castanho escuro de seu cabelo dançando pelos ares daquela escuridão hibernal. Tudo em seu olhar era poesia. Sua voz! — ele se lembrou, apesar de não ser de seu alcance diante daquele silêncio ensurdecedor — A bela voz era como embalas, embora fosse um ninar diferente. Fosse um ninar que o despertava.
"Topa caminhar comigo?" A convidou.
"Claro."
A marcha era curta, o caminho lhes permitia a vista de pequenas casas tomadas por um jogo de penumbra e escuridão total, algumas ruas cheias de estabelecimentos comerciais. Caminhavam lado a lado, com a distância de um palmo, ela parecia desconfortável, olhando sempre para baixo.
"Você insiste, não?" Robin disse, mais uma vez. Era desgastaste ter que conduzir a conversa toda vez.
"O quê?"
"O silêncio."
"Ora, mas o que você quer?" — Agora ela estava começando a se irritar.
"Desculpe, madame." — Ironizou — "É só que se eu soubesse que seria essa droga, não teria te convidado."
"E por acaso eu pedi para ser chamada?"
O tom de voz de Regina estava aumentando, percebendo isso, Robin se zangava ainda mais. Da mesma forma que com pouco ela o magoava, com menos ainda ela o deixava emputecido. Ela o contemplou, percebendo que ele buscava alguma resposta.
"Você ao menos sabe se defender."
Num segundo, ele já havia elevado a mão direita firme para a região cubital do braço da mulher. Apertando a pele que ficava branca com a marca e pressão de seus dedos nada delicados. Ela levou os olhos até o local de dor, ficando embravecida. O rosto dos dois estavam tão próximos que ela podia sentir a respiração veemente dele. Eles se manterão calados durante algum tempo, olharam-se cautelosamente e não suportando, Regina colocou sua mão livre sobre o peito de Robin e o empurrou. Ou melhor, tentou empurrar.
Ele não saiu do lugar.
A morena começou a dar soquinhos em seu peitoral e por fim ele descansou o pulso, soltando-a. Ela virou-se para a direção oposta, ficando de costas e abandonando a escura Hancock Street. Andando lentamente, ela já havia alcançado a esquina e estava longe da vista de Hood. O que havia acabado de acontecer? Eles realmente brigaram? Por quê? Na certeza de que as paixões tem dessas fases más, resolveu voltar. Torcendo para que ele ainda estivesse lá.
Apertou o passo, começando a correr e ignorando o fato de o vento permitir uma bela visão de suas coxas cada vez que o vestido subia. Dobrou a mesma esquina que a pouco, agora ela podia ver.
Oh céus, ele está lá. Ela agradeceu.
"Robin!" — gritou, chamando a atenção deste que antes estava de costas. Ele parecia aliviado, agora. Ela se aproximou, ele ainda resistente tentando manter a postura superior e evitando ao máximo olhar para a mulher à sua frente. Ao chegar perto, Regina levou a mão até seu queixo e virou seu rosto. — "Robin.."
Ele fechou os olhos com o toque e o som de sua voz. Que benção! Entrelaçaram-se em olhares, o olhar de entrelaçar da mulher sobrevindo o dele.
"Vamos tentar de novo, está bem?"
Ele assentiu. Robin pensava sobre o que aconteceria depois daquilo, era péssima a incerteza. Mas uma coisa era certa, ele sabia que ela não o beijaria. E não podia deixar de admitir que sua boca andava oca e sua língua, míngua sem o calor dos lábios da morena.
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