Belo Vestido
7 Parte I - Capítulo 7
Notas iniciais
CAPÍTULO 7
POV Christina
Como somos em três, os rapazes tiram ímpar ou par para ver quem vai jogar comigo. Roger vence, e eu e Nick temos que fazer dupla.
— Não sou boa, já estou avisando. – Digo em tom humorado.
— Eu me garanto. – Ele dá de ombros. – Tente acompanhar.
Começamos, eu estou com a bola. Bato duas vezes e Roger já a rouba de mim. Eu fico surpresa, não com o fato de ter perdido a bola, isso eu já esperava, mas com o fato de ter acontecido tão depressa. Nick, ao contrário de mim, parecendo ter antecipado os movimentos do amigo, se posiciona atrás dele, e assim que Roger vira, Nick tira a bola dele. Os dois saem correndo e fica perto do garrafão, Nick se desvencilhando a cada investida de Roger. Quase não percebo quando ele faz um movimento falso com a mão direita e, conseguindo enganar a marcação, lança a bola pra mim. Agarro-a, mas fico parada. Ele faz sinal pra que eu arremesse, e a essa altura, Roger já percebeu que a bola é minha. Estava preparada para arremessar, mas assim que a bola sai da minha mão, Roger dá um toco, domina e faz a cesta. Olho para Nick com um pedido de desculpas nos olhos e ele apenas balança a mão para continuarmos. Nick passa a próxima bola que consegue roubar pra mim novamente, dessa vez se ocupando em marcar Roger pra que eu fique livre. Tudo o que eu tenho que fazer é acertar a tabela, mas por algum motivo metafísico, sou capaz de fazer a bola rodar o aro e cair para fora. Como ele imaginou que eu acertaria, afrouxou a marcação em cima do moreno, que aproveita meu erro e faz mais uma cesta. Isso faz Nick arregalar os olhos pra mim, como se desacreditasse que eu pudesse ser tão ruim.
— Eu avisei. – Me defendo.
O cãozinho parece estar assistindo a nossa partida com muito gosto, pois fica quieto e sentado.
Depois da segunda chance desperdiçada, ele resolve fazer as cestas ele mesmo, dando conta de roubar a bola, driblar Roger e acertar de qualquer distância. O jogo segue nesse ritmo, vez ou outra ele ainda passa pra mim, acho que pra não dizer que eu não joguei, mas sempre que isso acontece, o moreno ou dá um toco, ou rouba antes que eu consiga me posicionar para acertar a cesta. Algumas vezes Nick consegue recuperá-la, mas quase sempre, perdemos um ponto. Porém estamos ganhando quando Roger diz que devíamos trocar.
— Ok. – Nick diz, e me dá um sorrisinho como se conseguisse ler minha mente. Roger é realmente um jogador muito bom, mas Nick é até melhor. Ele consegue até consertar minhas cagadas, e só não estava perdendo de lavada porque estava com ele, e agora não estarei mais.
Zeramos a contagem dos pontos, e começamos de novo. Arremesso para Roger, e Nick parece deixar só pra não ser tão fácil assim. Ele e o amigo se enfrentam, e dessa vez Roger consegue driblá-lo e fazer a cesta. De novo, passo a bola pra ele e Nick vai marcá-lo. Pela segunda vez, ele perde para o moreno, e estou no time com a vantagem. Pego a bola mais uma vez para lançá-la ao meu parceiro, e ele está sendo marcado.
— O que aconteceu com a invencibilidade, Nick? – Provoco. Ele me olha incrédulo e em seguida desiste de marcar o outro jogador e caminha até mim.
— Você quer que eu te mostre? – Ele se posiciona com os braços abertos, decidido a não deixar meu passe acontecer.
Fico sem saída e começo a andar para os lados batendo a bola no chão, tentando achar uma brecha, ou correr mais que ele, o que evidentemente é impossível. Roger muda de lugar na quadra, tentando ficar em uma posição mais fácil pra que eu jogue, mas Nick simplesmente não deixa. Ele poderia roubar a bola de uma vez, mas parece que está se divertindo com meu esforço. Tento avançar mesmo com ele na frente, e o que acontece é que eu tento empurrá-lo com o ombro enquanto seguro a bola com o braço oposto, mantendo-a longe dele, mas Nick não se move um centímetro. Ele ri quando solto um suspiro de frustração. Finalmente ele faz um movimento rápido lançando os braços ao redor do meu corpo, quase um abraço e arranca a bola da minha mão. Passa com facilidade por Roger, claro que não tanta quanto passou por mim, e faz mais um ponto, olhando pra mim assim que cai de volta no chão de seu pulo. Bato três palmas ironicamente como resposta. Continuamos o jogo, e fica muito claro que o time vencedor sempre será aquele onde Nick está. Mais vezes acabamos nos enfrentando corpo a corpo, tão perto que às vezes sinto sua respiração na minha nuca ou seu peito subindo e descendo com rapidez. Não consigo sentir seu perfume por estarmos muito suados. Mas nosso contato nunca dura muito, ele sempre se desvencilha assim que consegue o que quer, e sai com a bola pronto para acertar a cesta. Roger até que consegue segurar um pouco a diferença de pontos, mas quando decidimos fazer uma pausa para tomar água, Nick comemora sua óbvia vitória. Quando nos abaixamos para beber a água das torneiras, ele joga uma grande quantidade na cabeça e em seguida chacoalha o cabelo, tentando tirar o excesso de água dos fios e por consequência, me molhando.
— Ei! – Reclamo. Ele percebe o que fez e com um olhar travesso faz um concha com a mão e quando percebo o que vai fazer, corro pra longe dali. Mas ele é mais veloz, e consegue me alcançar. Para minha sorte, a corrida o fez derrubar metade da água que tinha em sua mão, então quando ele puxa a parte de trás da minha camiseta e joga água nas minhas costas, não faz muita diferença. Ele logo volta à quadra, onde Roger está tentando ensinar o cachorro a dar a patinha, me deixando com vontade de revidar.
Vejo uma garrafinha de plástico que está ao lado de uma carteira, provavelmente são de Roger. Aproveito que os dois estão distraídos, e depois de enchê-la até a metade, me aproximo com calma por trás de Nick e puxo sua camiseta, precisando levantar meus pés um pouco pra que a garrafa fique totalmente de ponta cabeça, e consigo despejar quase tudo quando ele se vira bruscamente e olha pra mim claramente chocado. Roger e eu começamos a rir, e ele acaba acompanhando. Mas em poucos segundos, sua expressão se fecha totalmente.
POV Nick
Não consigo entender como e por que esse imbecil tem a coragem de estar aqui. E, aliás, esse nem é o horário em que ele geralmente vem. Além disso, não há mais nunca para ele jogar, pelo menos ainda não chegou. Meu sangue começa a ferver antes mesmo dele chegar até nós.
— E aí? – Ele abre o portão e vai se aproximando. Instintivamente, avanço três passos para me colocar à frente de Christina.
— O que você quer aqui, Yuri? – Roger pergunta com cara de poucos amigos.
— Ué, estamos numa quadra de basquete, não é? Vamos jogar um 2-2. Vocês dois contra a gostosa e eu. – Ele sorri.
Tenho que me controlar pra não dar um soco nele agora mesmo.
— Acho que não vai precisar, já tem um cachorro na quadra. – Christina aponta para o animal que eu até tinha esquecido, deixando todos nós boquiabertos por ter tido a coragem de falar aquilo tão repentinamente.
— Ah, é? E cadela também, pelo visto. – Ele retruca claramente irritado pelo que ela disse, e sua própria fala me tira do sério. Eu avanço pra cima dele.
— Escuta aqui, Yuri, se você falar assim com ela mais uma vez, você vai se ver comigo.
— Sério, Nick? Parece que da última vez que fez isso você ficou sem a garota e quase sem um dente.
— Olha, pode ficar à vontade aí na quadra, Yuri, a gente já ta saindo.
— Não, a gente não tá, não. – Discordo da tentativa de Roger de apaziguar as coisas. – Você é que não devia nem estar aqui.
— Nick, você realmente quer apanhar de novo na frente da mocinha?
— Vai à merda!!! – Grito tentando socá-lo, mas Roger está segurando meus dois braços. O idiota aproveita que estou imobilizado e soca meu estômago, até que um policial a paisana que mora pela vizinhança se aproxima. Ele grita alguma coisa que não entendemos, mas Yuri se afasta imediatamente, dizendo:
— Cuidado com a sua sorte, playboyzinho.
O policial pergunta se estamos bem, e eu faço um joia com a mão enquanto Christina agradece.
— Você é idiota? – Empurro Roger pra longe de mim. – Tá do lado de quem? Parecia que tava me segurando pra ele me bater, qual é a sua?
— Você é que deve ser idiota, Nick, porque da última vez que eu deixei você fazer o que queria, vi você quebrar uma costela.
— Sério, isso? – Christina pergunta assustada. – Nick, você é muito briguento, que droga.
— E isso não é da sua conta. – Digo e percebo um mal estar.
Ela não parece se afetar com minhas palavras, mas percebe minha cara estranha.
— Tá sentindo alguma coisa? – Ela se aproxima levando às mãos ao meu rosto quando apenas consigo começar minha frase.
— Não é nad... — E meu estômago se sobra pra fora.
POV Christina
— Que nojo, cara! – Roger se afasta de nós dois. Digo nós dois porque Nick vomitou em cima do meu tênis. A minha sorte é que ele não tinha tomado um bom desjejum, então é só bile e um pouco de água. Não que isso torne menos grosseiro.
— Ok. Acho que agora vamos sair mesmo. – Digo olhando para os céus como se pedisse que um chuveiro brotasse aqui pra eu lavar meu pé.
— Concordo. – Nick balbucia enquanto passa as costas da mão no queixo.
Roger faz a gentileza de levar a coleira pra que eu não precise ficar preocupada com o cachorro lambendo meu sapato. Voltamos até em casa e obrigo Nick a buscar um chinelo pra mim, o que ele faz, mesmo que demorando mais do que eu acharia necessário, assim deixo meu tênis na lavanderia do lado de fora e entro direto para o banho. Por sorte meu pai e Mônica estavam dentro do quarto e não precisamos explicar tudo o que aconteceu. Até porque isso traria sérios problemas para Nick, imagino. Quando estou saindo do banheiro, me olho no espelho e toco-as com a mão. A superfície está quase imperceptível, e imagino que em mais uns dois anos estarei livre delas. Abro a porta e estou ajeitando a toalha na cabeça quando quase esbarro com Nick que estava escorado ao lado da porta.
— Bela voz. – Ele brinca, mostrando que está ali há tempo suficiente para ter me ouvido cantarolar. Chacoalho a cabeça em negação franzindo as sobrancelhas e passo por ele em direção ao meu quarto, feliz por estar com um roupão que cubra meus ombros. Estou prestes a entrar quando ele diz:
— Ah, e desculpa, viu?
— Relaxa, nada que uma soda cáustica não resolva. – Pisco e fecho a porta.
Depois de me trocar, desço a fim de ajudar Mônica com o almoço. Fazemos filé de frango e refogado de legumes. Assim que servimos, Nick aparece com outras roupas de academia. Como já é quase rotina, ele e eu almoçamos na cozinha enquanto Mônica e meu pai comiam na sala. Imagino se antes de eu chegar ele ficava sozinho aqui ou se juntava a eles. E o que mais eles costumavam fazer quando eram apenas três? Gostaria de saber o quanto minha presença pode ter alterado a coisas.
— Só pra você saber, eu não sou tão briguento assim. – Nick fala ao cortar o filé, me despertando de meus devaneios.
Olho pra ele com curiosidade sobre por que disse isso do nada, e ele continua:
— Tipo, você pareceu ficar meio incomodada, né. Mas é que você não conhece o cara, e a gente já teve problemas antes, então... é por isso que perdi a cabeça hoje.
Aceno concordando e não me contenho:
— O que aconteceu entre vocês no passado?
POV Nick
Não é de se admirar que ela tenha me perguntando isso. Apesar de em pouco tempo, já deu pra perceber que Christina é uma garota curiosa, e ela não tem muitas papas na língua mesmo. Ainda assim, não me é natural ser questionado, parece que tudo aconteceu ontem mesmo. Mas decido revelar a ela, com poucos detalhes. De qualquer maneira, não seria a primeira vez do dia em que eu falo sobre esse assunto.
— Eu tinha uma namorada e... é até difícil dizer. – Solto uma risada nervosa, à qual ela devolve um sorriso compreensivo. – Ela e o Yuri já tinham estado juntos, antes da gente se conhecer. E um dia em que ela estava assistindo o jogo ele ficou falando muitas besteiras e a gente acabou se batendo.
— E quebrou uma costela fazendo isso? – Ela se lembra do que Roger falou.
— É, mas isso é detalhe. – Desfaço, sorrindo de leve. – E ele também não saiu inteiro, não.
— Ah, vocês homens sempre precisam sair por cima, né. – Ela revira os olhos e ri.
— Só deixando claro que eu não sou pouca coisa.
Estamos rindo quando minha mãe vem deixar seu prato e o de Pat e antes de sair se vira pra mim:
— Querido, Pat está indo trabalhar e eu vou visitar uma amiga, fiquem bem por aqui, ok? – Ela passa a mão no meu cabelo e sorri para nós dois.
— Eu também vou pra academia daqui a pouco, precisa de carona? – Imagino estar fazendo uma coisa boa, mas ela fica emburrada assim que termino de falar.
— E deixar a Chris sozinha aqui, Nick? Que modos são esses?
— Mas... – Eu ia começar a argumentar, porém Mônica nem permite.
— Sem mas, filho, nós precisamos ir, mas você tem que fazer esse favor de fazer companhia.
— Mônica, tá tudo bem, não tem necessidade disso. – Christina tenta ajudar a situação.
— Não, Chris, sem chances, Nick sabe as responsabilidades dele.
— Mas eu fico muito bem sozinha, ele pode ir. – Ela insiste e percebo minha mãe ficar impaciente, então intervenho:
— Ok, ok. Eu fico e vou pra academia assim que um de vocês chegarem. — Não preciso olhar pra minha mãe para perceber que ela ficou satisfeita. Noto que Christina parece querer falar alguma coisa, e faço um sinal pra ela pra deixar tudo como está.
— Muito bem, assim é melhor. – Mônica beija minha cabeça e dá a volta na mesa pra se despedir dela. – Eu volto logo!
Pat grita um “tchau” pra nós da sala, e ambos saem juntos.
— Você não precisa ficar aqui, tá? Bancando a babá. – Ela brinca.
— Tá tudo bem. Eu posso ir mais tarde mesmo. Além disso, não vou ser sua babá, sinto informar. – Me levanto, deixando o prato na pia e ajudando a guardar as sobras na geladeira.
— Estou profundamente decepcionada. – Ela ironiza e começa a lavar a louça.
Subo para o meu quarto e tiro as roupas de malhar, mas deixo-a em cima da cama já que usarei de novo depois. Visto uma calça de moletom e decido que está muito calor pra colocar uma blusa. Lembro-me de ter ouvido Pat comentar alguma coisa sobre o motor da minha moto e desço a fim de dar uma olhada.
Chegando à garagem, a conversa que tive mais cedo com Roger volta à minha mente...
Assim que chegamos em casa minha vontade de vomitar já tinha passado, mas a de devolver o soco em Yuri, não. Christina pediu que eu fosse buscar um chinelo pra ela no quarto enquanto descalçava os tênis ‘contaminados’ na lavanderia. Roger entrou junto comigo, e tão logo nos afastamos da porta, ele começou:
— Nick, cê sabe que ficar arranjando briga desse jeito não te deixa bem na fita com ela, né?
— Do quê você tá falando, cara?
— Qual é, você percebeu que ela não gostou muito do que aconteceu. Ela não deve ser o tipo de garota que se impressiona com um cara valentão.
— E o que te faz pensar que eu esteja me importando em impressioná-la?
— Nick, não me trate como idiota. Qualquer um naquela quadra conseguiria perceber a tensão sexual entre vocês.
— Tensão sexual? O que você é agora, um terapeuta? – Debocho.
— Cara, eu te conheço. Você tem uma garota bonita pra cacete morando dentro da mesma casa que você, e ele não é da sua família. Não vai ignorar uma situação dessas. Você nunca deixou passar nada.
— Isso foi antes da Melissa, Roger. – Paro antes de abrir a porta do quarto dela. – Olha, você sabe que eu fiquei mal, mas não foi só a decepção. Sei lá o que tá acontecendo comigo. – Hesito um pouco antes de revelar o que digo a seguir, porque parece que se eu disser em voz alta, há mais chances de estar certo, e eu não quero estar. Mas Roger merece saber. – Eu saí com outra menina esse semana, e foi como se não tivesse graça nenhuma. Não é mais a mesma coisa. A Melissa realmente ferrou com a minha vida, agora eu nem consigo estar com outra pessoa pra esquecer aquela vaca. – Minha raiva dela parece estar voltando, então Roger segura meu braço e diz:
— Nick, relaxa. Eu sei que foi um merda o que aconteceu, mas ela não faz mais diferença. Você vai seguir em frente, ficar com outra menina que vai te deixar mais feliz, mas não precisa ser agora. Faz pouco tempo que as coisas aconteceram. Quem sabe a Christina pode até te ajudar com isso.
Eu até que estava dando ouvidos ao que ele tava me falando, mas o que foi isso?
— O que você quer dizer? Que ela vai ser a minha recuperação? Roger, se tem uma coisa que eu aprendi com a Melissa é que mulher nenhuma conserta, ou melhora, ou completa a gente. Eu não sirvo pra me apaixonar, nunca servi. O erro foi achar que ela ia ser a exceção, a garota que chega pra mudar e toda essa idiotice. Então não pense que eu vou cair nessa ideia de novo. Você pode ser adepto da filosofia do amor verdadeiro, mas eu só quero conseguir festejar e voltar a estar com alguém por uma noite só. Pode tirar da cabeça qualquer esperança a meu respeito.
— Ok, Nick, como quiser. A vida é sua. Só tô dizendo que a Christina pode ser mais que só um rostinho bonito.
Ele me deixa pra descobrir onde está o par de chinelos dela e desce as escadas de volta. Não trocamos mais muitas palavras até que ele se despede da Chris e vai embora.
Não tenho muito tempo pra repensar o que ele me disse, porque um assovio me faz levantar do chão, onde estou tentando entender o que está errado com o motor. Olho pros lados e depois pra cima e vejo Christina encostada na borda da sacada dela.
Preciso estreitar um pouco meus olhos pra enxergá-la, por causa do sol. Ela parece estar com os cabelos soltos, mas não venta muito, então eles não estão agitados.
— Não tem nada melhor pra fazer que ficar me vendo trabalhar, não? – Brinco.
— Pra você ver como a minha vida tá parada. – Ela devolve. – Trabalhando no quê?
— Minha moto. Parece que o motor tá com problema, mas eu não entendo muito de motos, então não tô conseguindo muita coisa.
— Uau, ele não é uma autoridade de motos, que tipo que cara de 19 anos é você?
— Bem engraçada! Você podia fazer alguma coisa útil e me trazer alguma coisa pra beber, né?
— Tá achando que eu sou sua empregada?
— Tem alguma coisa melhor pra fazer, Christina?
Ela fica me olhando um tempo até que revira os olhos e entra pro quarto.
— Uma limonada seria bom! – Grito.
— Você não tem o direito de escolher! – Ela responde no mesmo tom.
Encosto-me na moto com os braços cruzados, esperando ela chegar. Quando aparece com dois copos na mão, sorrio de ponta a ponta e agradeço.
— Você é muito gentil!
— Considerando que você não merecia nem um pouco, sou mesmo. – Ela dá um gole no próprio copo e eu a observo. Ela tem as bochechas rosadas, talvez por causa do calor. Os cabelos agora estão presos num coque segurado por uma caneta. Ela é muito bonita, não posso dizer o contrário. Talvez Roger não estivesse tão enganado na parte em que disse que eu não devia perder oportunidade.
— O que foi? – Questiona quando percebe que estou olhando demais pra ela.
Balanço a cabeça para os lados tirando importância desse fato.
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