Belo Vestido
2 Parte I - Capítulo 2
Notas iniciais
POV Christina
Levanto com o desejo de continuar naquela cama por horas. Quando meu pai disse que esse hotel era bom, não imaginava tanto assim até entrar. Meu pai sempre foi bem rico, podendo pagar coisas desse tipo. Mas isso nunca se refletiu muito na minha vida. Não tivemos muito contato, ele só pagava pensão para minha mãe e apareceu em dois Natais e na minha formatura do ensino fundamental. Depois que minha mãe morreu, eu soube que nosso encontro seria inevitável. Ele é meu único responsável vivo, e apesar de já ter 18 anos, eu devo ficar junto da família, segundo meu terapeuta. Mas eu não tenho nenhuma raiva dele. Nunca tive, pra falar a verdade. Eu nem conseguia sentir sua falta direito, porque não tinha certeza de como era ter sua presença. Mas agora parece que tudo está nos levando para um bom caminho. Espero que eu esteja certa enquanto desço as escadas até o refeitório e me surpreendo ao ver que ele ainda não está lá. Escolho uma mesa para dois perto do balcão de comidas, o que é uma ótima estratégia, mas decido esperá-lo chegar para começar. Fico mexendo no meu anel de 15 anos que ganhei da minha mãe já que não tenho nada para fazer com as mãos. Tive que deixar meu celular carregando, porque aparentemente eu não o conectei corretamente à tomada à noite.
— A senhorita me permite? – Meu pai surge do nada e pede fazendo uma reverência. É bom rir com ele logo de manhã.
— Claro. – Estendo as mãos fazendo duas voltinhas indicando a cadeira à minha frente. Ele agradece e se senta.
— Dormiu bem?
— Muito. Essa cama é ótima!
— É, mesmo, não é? Faz muito tempo que eu não vinha a esse hotel, já tinha me esquecido que como era bom.
— Você viaja bastante? – É estranho demais eu não saber o que meu pai faz pra viver?
— Antes viajava mais. Costumo fazer vários projetos de arquitetura para outras cidades, mas agora dei uma pausa por causa dos preparativos para o casamento. Monica prefere que eu fique em casa para ajudá-la do que dar minha opinião via Facetime. – ele brinca e eu concordo com a cabeça.
Então eu tenho um pai arquiteto.
Ele fala sobre as horas que faltam para chegarmos. Não são muitas, talvez até conseguíssemos ter chegado ontem à noite, mas ele diz que depois que sofreu um acidente por cochilar na pista, não se arrisca mais. Devo admitir que ele está certo. Além disso, se não tivéssemos parado, eu não teria toda essa variedade de comidinhas que estou vendo agora mesmo.
Servimos-nos e comentamos o quanto cada coisa está gostosa. Dou um dos meus pães de queijo para ele experimentar, e em troca ele me dá um pedaço de bolo formigueiro que já tinha acabado quando fui pegar. Alguns minutos depois ele se levanta e pega mais dois pães de queijo.
— Você gostou mesmo. – Comento. Ele nem responde, apenas faz uma cara de apreciação enquanto mastiga. Rio de novo.
— Sabe, não sei se você pensa assim, mas talvez você tenha medo de não ser um bom pai pra mim. – Sinto o clima ficando um pouco mais pesado quando ele abaixa os olhos para mim. – Mas eu gostaria que soubesse que você só precisa ser você mesmo. Eu estou apreciando muito esses pequenos momentos, muito mesmo. E eu também adorei o presente. Ou seja, você está arrasando na tarefa pai. – Sorrio de canto. Ele parece se emocionar, porque coloca sua mão sobre a minha e diz.
— Eu realmente não mereço uma filha como você.
****
Entramos no carro depois de meu pai encerrar a conta no hotel e caímos na estrada mais uma vez. Depois do meu desabafo, sinto que as coisas ficaram mais leves entre nós, e tenho até a liberdade de lhe fazer mais perguntas sobre o trabalho, e quando chegamos no assunto da Mônica, ela comenta novamente o quanto ela está ansiosa pela minha chegada. Peço para ele me contar um pouco sobre como a conheceu.
— Bom, ela sempre trabalhou no mesmo escritório que eu tinha com outro sócio. Mas eu nunca havia reparado nela, até uma reunião em que muitos arquivos deram pau bem na hora da apresentação. Ela era apenas a moça do cafezinho, mas se mostrou muito prestativa ao buscar um técnico de informática que estivesse disponível e fazê-lo chegar a tempo de salvar nossa apresentação de projeto para um cliente muito importante. Depois disso, nós sempre conversávamos quando eu chegava para trabalhar. Até que eu desfiz a sociedade e percebi que o único jeito de vê-la de novo seria chamando-a para um encontro Então eu convidei, ela aceitou, e exatamente 1 ano depois ela aceitou novamente, desse vez, meu pedido de casamento.
— Uau. Você conta com tanta empolgação que eu quase me apaixonei por ela também. – brinco.
— Engraçadinha. Mônica realmente merece tudo que eu tenha a dizer sobre ela. Você sabe que não sou uma pessoa muito fácil, nem muito boa, mas com ela eu sinto que posso ser melhor. Assim como com você, hoje de manhã.
— E pode mesmo. – sorrio.
Peço permissão para conectar meu Spotify no carro e no minuto seguinte estamos cantando Billy Joel a plenos pulmões, eu e meu pai, coisa que eu nunca imaginei.
Quando paramos no posto e vejo que meu celular está descarregando, ele diz pra eu procurar um carregador portátil no porta luvas. Assim que o abro, um frasco de perfume masculino e o carregador caem no meu pé. Pego o frasco e, aproveitando que meu pai está pagando o combustível, espirro no ar e me permito sentir o cheiro. E que perfumão da zorra, devo dizer. Pego o carregador e guardo o frasco no lugar. Deixo meu celular carregando e seguimos viagem. Depois de toda a animação, o sono parece voltar pra mim e lentamente adormeço.
****
POV Nick
— Nick! — Minha mãe bate na porta. Nem sei que horas são.
— Que é? — Passo a mão pelos cabelos.
— Pat já chegou. Se arruma e desce.
— E daí que ele chegou? Por que tenho que descer?
— Se arruma e desce. — Ela diz quase brava, mas sei que não está, só não quer explicar.
Mônica e sua mania de repetir sua última frase quando não quer me responder alguma coisa. Levanto, contrariado, entro no banheiro e jogo uma água na cara e nos cabelos, e desço. Olho o relógio no fim do corredor: 11:33. Devo ter apagado ontem mesmo. Quando começo a descer as escadas para a sala, vejo caixas e uma mala no meio dela.
— Que coisas são essas? – Pergunto imaginando que minha mãe consiga me ouvir. Escuto risadas e a porta do carro batendo e me inclino olhando a porta. Vejo Pat, meu carro e uma moça morena de costas.
— Quem é aquela? — Vou à lavanderia, onde minha mãe está. Ela está mexendo com algumas roupas, então sobe a vista para mim e faz uma cara surpresa.
— Nick! Eu disse para se arrumar! — Ela aponta para meu cabelo bagunçado e ainda pingando da água da torneira.
— Olha, eu não vejo necessidade de cerimônias com a chegada do Pat, por isso vim assim, mas não é culpa minha, afinal foi você quem não me contou que ele estava acompanhado. — Digo cutucando-a com o indicador.
— É uma longa história, e você devia ter simplesmente obedecido. — Ela se defende.
Escutamos as vozes de Pat e uma risada da garota com ele.
— Quem é ela? — Insisto.
— Olha, é meio complicado... Não contamos antes porque não queríamos te assustar, acabamos de ficar noivos e mais isso... – Ela fica enrolando.
— Só fala de uma vez, Mônica...
— Tá bom. – ela faz uma pausa curta antes de falar atropeladamente: — Pat tem uma filha.
— É o quê?!
— Sinto muito por não ter te avisado antes, mas agora já foi. Vamos lá pra sala recebê-la.
Eu não sei se fico mais chocado com o fato dele ter uma filha ou deles não terem me contado isso. Sigo minha mãe até a sala e esperamos que os dois entrassem, eu ainda boquiaberto.
POV Christina
Acordo quando o carro passa por uma lombada e minha cabeça bate na janela.
— Ai... – massageio o local.
— Eita, desculpa. Da próxima vez, tento apenas chamar seu nome.
— Engraçadinho. Já chegamos? – pergunto quando começo a ver a entrada da cidade.
— Praticamente. Moramos perto da entrada. Vamos chegar bem pra hora do almoço.
Depois de alguns minutos e curvas, chegamos a uma rua bem coberta com árvores altas e meu pai estaciona em frente a um sobrado bege. Demoro um pouco mais a sair do carro enquanto aprecio a entrada. Assim que fecho a porta, ele aponta para duas caixas e diz que vai levá-las pra dentro. Faço um joia e encosto-me ao capô do carro. Olho para as varandas e me pergunto se alguma delas é a do meu quarto. Ele volta, pega duas malas de mão e eu pego a de rodinhas e entramos.
— Só tenha cuidado com os buracos na grama. – ele aponta com a cabeça para alguns montinhos de terra bem ao lado do caminho de pedras por onde passamos. – Mônica estava tentando plantar umas cenouras anteontem, mas parece que os coelhos já passaram por aqui e pisotearam tudo. – eu rio. – É sério, olha isso! Nem parece que alguém fez de propósito. Só não conte pra ela.
Entro no que parece ser a sala de estar e me deparo com duas pessoas nos encarando. Vejo o cara que provavelmente é o filho de Mônica. Ele é alto, cabelo loiro muito bagunçado. Me encarava de um jeito estranho. Curioso e ao mesmo tempo desinteressado. Como se quisesse saber por que eu estava ali e não gostasse disso. Meus olhos inconscientemente desceram para seu abdome, que não era lá grande coisa, mas o fato de ele estar sem camisa me deixava um pouco constrangida. Antes que eu o encarasse por tempo demais, Mônica veio em minha direção e me deu um super abraço.
— Então você é a famosa Christina de quem Patrick tem me falado! Você é até mais bonita do que ele me contou, garota! Como você é alta! Parece ter mais que 17! Seja bem-vinda! — Sorrio o tempo todo, totalmente desconcertada com toda essa simpatia. Ouço meu pai rindo baixinho atrás de nós, provavelmente pela minha falta de jeito. Sinto que estou sendo observada e assim que ela me solta, olho novamente para o garoto, que mantém os olhos firmes em mim. Não sou de fazer longos contatos visuais, então abaixo meu rosto e depois o volto para Mônica sorrindo sem jeito. Acabo tendo que voltar a olhá-lo quando acompanho o olhar dela que o fita insistentemente.
POV Nick
Quando percebo que todos estão olhando pra mim, me toco de que é minha deixa.
— Oi. Nick. – Dou um meio sorriso, que ela retribui um pouco mais generosamente.
— Christina.
Olho discretamente para minha mãe. Ela começa a gesticular insinuando que eu a abrace. Olho para ela deixando claro que não vou fazer isso. Quando Christina percebe nossa comunicação e pensa em se virar, estendo a mão em sua direção para disfarçar. Ela volta a prestar a atenção em mim.
— Bem-vinda. — Sorrio forçadamente. Não me importo se ela percebeu ou não. Ela estende a mão também, e a aperto.
— Obrigada. — Diz desconfiada.
Soltamos as mãos quando minha mãe limpa a garganta.
— Agora vamos dar um volta por aí, Chris, preciso te mostrar a casa. Seu pai pode levar suas malas para o quarto enquanto te mostro a casa. — Pat assente e pega uma das malas.
— Eu ajudo. – Me ofereço e acabo me arrependendo alguns momentos depois ao sentir o peso dessas coisinhas. Depois de quase morrer levando essas toneladas escada acima, vou até meu banheiro. Tiro o resto da roupa e ligo o chuveiro.
Morar aqui estava bom demais para ser verdade. Eu já devia ter adivinhado que Patrick não poderia ser o padrasto perfeito, mesmo. Mônica já tinha me contado uma vez que ele fora casado, mas nem passou pela minha cabeça que tivesse uma filha. Uma filha! Se fosse um filho poderíamos ir a baladas juntos, pegar umas garotas, beber e todo o resto. Mas logo uma garota. Eu realmente tinha muita sorte. Saio do banho, visto uma bermuda preta e uma regata azul marinho. Procuro meu perfume, e não acho. Ainda estou procurando quando Pat aparece na porta.
— Olha, Nick, acho que sua mãe já falou com você, mas...
— Está tudo bem, Pat. Ela é sua filha, é ok — Dou de ombros.
— Eu realmente não sei por que não te contamos antes.
— Adultos são complicados.
— Disse o senhor da simplicidade.
— Você entendeu. — dou de ombros novamente e sorrio de canto. Me agacho e olho em baixo da cama. Onde será que está o maldito perfume?
— Se está procurando seu perfume, está no carro. — Reviro os olhos. Fiquei aqui procurando que nem um trouxa porque me esqueci de ter deixado no porta luvas.
Me levanto, e desço. Ele vem logo atrás de mim. Quando chego na porta apalpo meus bolsos, lembrando-me das chaves e quando me viro e ele as joga na minha direção. As pego no ar, apesar de desprevenido. Ele apenas pisca e sai para os fundos. Caminho descalço até o carro. Abro a porta, pego o perfume no porta-luvas. Quando estou passando pelo jardim para voltar, não vejo um buraco de terra e piso. Meu pé fica totalmente coberto da terra molhada. Suspiro jogando os ombros. Pra quê tudo isso comigo? O dia não podia piorar.
POV Christina
Mônica me fez rodar todo o perímetro da casa. Mostrou a piscina nos fundos que ainda estão terminando de instalar e todo o andar de baixo da casa. Então me deixa na cozinha e sobre para checar meu quarto. Parece meu primeiro dia de aulas, e ela e meu pai são meus professores. Na verdade, isso acaba sendo um pouco sufocante. Escuto um barulho de porta batendo, e vejo pela janela que é Nick fechando o carro.Vejo ele voltando e também o vejo pisando na terra, onde meu pai tinha dito para eu tomar cuidado. Ele suspira jogando os ombros e olha para cima. Não posso evitar rir. Ele chega até a porta e ainda não me vê. Se encosta no vão da porta com o pé sujo levantado para não sujar o chão.
— Puta merda, viu... — Xinga. O que me faz rir de novo, fazendo ele me notar. Me encara de um jeito que chega a dar medo.
— Desculpa... é que, meu pai e eu... quando eu estava chegando... — Tento explicar mas só pioro a situação e ele continua me olhando daquela maneira. — Esquece. — Desisto e paro de rir. Ficamos em silêncio. Ele chacoalha um frasco e espirra em si mesmo. Aquele perfume que eu vi no carro, reconheço o cheiro na hora.
— Sabe onde tá minha mãe? — pergunta sem se dar ao trabalho de olhar para mim.
— Lá em cima. — vejo ele olhando impaciente para o próprio pé sujo. — Se quer um pano ou qualquer coisa, por que não dá a volta e pega na lavanderia?
Ele me lança aquele olhar de novo, um pouco pior dessa vez. Me arrependo imediatamente e encaro o chão. Poucos segundos depois (que mais pareciam a eternidade para mim) Mônica e meu pai param ao pé da escada.
— Pode subir, Chris. — ela diz toda sorridente. Vou andando como se nada tivesse acontecido. Quando chego lá em cima dou uma olhada discreta para a porta, e vejo que Nick não está mais lá.
Entro no meu novo quarto. O papel de parede de uma delas é de corujas, como meu pai tinha me contado e sorrio ternamente. Há uma cama de casal encostada em uma das paredes, com uma colcha azul bebê. Uma penteadeira branca, um armário embutido em toda uma parede, ventilador no teto com lustre, e um tapete gigante no meio do quarto. Além de algumas pelúcias na cama e quadros vazios nas paredes.
— Os quadros estão vazios porque ainda não temos fotos suas, mas assim que tirarmos algumas, mandaremos enquadrar. — meu pai explica.
— Muito legal. – digo ainda admirando o lugar.
— Você gostou? — Mônica não consegue se segurar.
— Sim, sim, é muito bonito, obrigada.
— Ah que bom, eu achei mesmo que você fosse gostar. A cortina verde água na janela foi eu quem escolheu e...
— Querida, acho que a Chris gostaria de comer alguma coisa, foi uma viagem longa. — Meu pai a interrompe antes que desate a falar.
— Ah claro, eu vou lá preparar. — Ela desce correndo. Respiro aliviada.
— Melhor assim? — Ele me pergunta assim que ela sai.
— É. Quero dizer, não é que eu não tenha gostado dela, você sabe, mas eu demoro um pouco pra me acostumar. Me adaptar.
— Eu entendo. Eu sei que a Mônica não costuma perceber quando está exagerando, e ela não faz por mal, mas de qualquer maneira, pode falar comigo.
— Aham. — Saio correndo de repente e me jogo na cama tirando meus sapatos. — Como sabia que eu gosto de camas grandes? — Rio. Ele se senta aos pés da cama.
— Não sabia. É que Nick gosta, então achei que por serem quase da mesma idade, você gostaria também. Vamos descer. Você não está com fome, não? — Ele passa a mão pela barriga e faz uma careta me provocando uma risada.
— Claro que estou. — Saímos do quarto. Quando estamos para descer as escadas, penso em uma coisa que nunca fiz com meu pai na infância, mas sempre tive vontade: — Quem chegar por último é um mamão podre! — grito e saio correndo. Acho que ele demora um pouco para perceber o que está acontecendo, porque ouço sua voz um pouco longe:
— Mamão? De onde você tirou isso? — Ele ri. Chego na sala e corro para a copa. Não paro de correr até me jogar num baquinho em frente à mesa, quase caindo por causa da velocidade. Rio quase histericamente. Não foi algo tão engraçado assim, mas é a primeira vez que faço isso com meu pai, então pra mim é algo fantástico. E para não chorar de emoção, eu rio.
— O que está acontecendo? — Mônica pergunta segurando uma forma de lasanha.
— Sou um mamão. — Papai responde, o que me faz rir mais ainda. — Estou meio velho pra essas coisas. — Comenta ofegante.
— Você acha? — brinco.
— Ai, droga! — Mônica grita e quando percebo o copo de suco está virado na minha direção e eu minhas pernas estão pingando. Por incrível que pareça, começo a rir de novo. — Me desculpa, Chris, desculpa mesmo, eu sinto muito. – Sou obrigada a parar de rir para mandar Mônica parar de se desculpar.
— Mônica, tá tudo bem, foi até engraçado, não precisa ficar assim! É sério, calma. — Ela parece relaxar quando percebe que meu pai está rindo também.
— Tudo bem. Deixa eu pegar um pano pra você na lavanderia...
— Pode deixar, eu vou lá. — Saio da cozinha rindo.
Entro na lavanderia e gelo ao ver Nick. Gelo porque há poucos minutos atrás tive quase certeza de que ele não foi muito com a minha cara. Ele me encara, está sentado num banco de madeira, esfregando um pano no pé que tinha afundado na terra. Afinal de contas, ele seguiu meu conselho. Procuro outro desse em silêncio. Abro alguns armários mas não acho pano algum. Ele dá um assovio curto. Me viro e ele me joga um pano.
— Obrigada. – Sorrio, e ele apenas assente. Molho o pano no tanque e começo a esfregá-lo sobre a mancha na calça. Só tiro o excesso, mas constato que terei de trocar de roupa mesmo. Coloco o pano sobre o tanque e saio discretamente.
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