Belo Desastre
14 Verdade.
Notas iniciais
Não. Não. Não. Não.
Meu coração batia cada vez mais rápido a medida que seus passos desesperados ficavam mais afastados e eu me lembrei de respirar apenas quando meus pulmões estavam quase explodindo.
Eu tinha estragado tudo. Mas era melhor assim.
Respirei fundo, ainda conseguia ouvir o barulho de sua respiração e o jeito como estava acelerada fez meu peito pesar.
Me acalmei tentando voltar a pensar, se Luce ficasse presa na minha cabeça como... bem, como desde o momento em que eu a conheci, ter espantado-a não vai valer de nada.
Lembrei da manhã, quando quase grudei meu ouvido na porta e peguei cada palavra que aquele detetive meio familiar dissera a ela, a partir desse momento, esperei acordado e fingindo roncar até ouvir ela estava se movendo.
Ela era extremamente inteligente, e corajosa, além de linda, cheirosa e...
Cacete Dragneel!
Minha respiração falhou. Dragneel. Esse era meu sobrenome. No instante em que o li na tela brilhante soube.
E era por isso que eu precisava fugir daquela casa o mais rápido possível, sabia que ela voltaria, mas antes...
Me virei para a cama desarrumada, o notebook estava case caindo, o segurei com uma mão sem me sentar, e cliquei no último e pior link que ali havia.
Aquele era eu, em uma foto de prisão com um uniforme cinzento, eu não tinha expressão alguma no rosto, mas o jeito que olhava para a câmera... pisquei quando minha cabeça latejou e reconsiderei a idéia de me sentar, a cama rangeu quando me joguei em cima dela e eu me preparei para o que viria a seguir.
Aquele era o pior jeito de descobrir sobre o meu passado.
Mas era o único.
As palavras quase jorravam para fora da tela, horríveis, a cada segundo eu torcia mais ainda para que tudo aquilo fosse exagero, mas não era.
Aquele era o site de polícia, tudo ali era verdade.
Inclusive sobre mim e...
–Oque é isso? — Murmurei para mim mesmo quando outra foto apareceu, dessa vez não era um rapaz com cabelos loiros e uma cicatriz na sobrancelha esquerda, seus olhos azuis zombavam e o sorriso perverso mostrava que ele não se arrependia de nada, o mesmo uniforme, no entanto mais gasto e uma mancha no papel de parede ao fundo da imagem que eu duvidei ser sangue.
Logo em baixo, o nome jazia como em um túmulo.
Sting Eucliffe
Apaguei.
~♥~
O fogo crepitava no que um dia havia sido um computador com informações perigosas demais, meus olhos não largavam o fogo.
Tudo havia voltado, quem eu era, oque eu fiz e o por que.
Todos os erros e os acertos, todas as cicatrizes e as traições.
E por pior que fosse...
Eu não me arrependia de nada.
Voltei para dentro da casa e peguei as roupas masculinas que ela guardava na última gaveta do quarto de hóspedes, uma camiseta negra e calças escuras, botas grossas e um casaco de inverno discreto, coloquei minha arma travada em um dos bolsos internos do casaco, junto com metade do dinheiro que eu encontrei, as chaves reservas da casa e uma foto dela.
Luce. Não me desculpe.
Coloquei uma touca e tranquei a casa inteira antes de fechar a porta de entrada atrás de mim, as cinzas do notebook jaziam no jardim da frente juntamente com o cheiro de gasolina.
Respirei fundo e olhei para o céu, com os primeiros raios da manhã nascendo.
Ouvi as sirenes de polícia ao longe e quase dei risada, com o canto de meus olhos pude ver um dos vizinhos me observando por uma fresta de sua janela.
Filho da puta.
Finalmente, dei o primeiro passo para o que um dia foi o nosso lugar e deixei tudo o que era dela para trás, seus toques, seu cheio, seus olhares...
E a medida que eu me distanciava, um sorriso incrivelmente semelhante ao de Sting crescia em meu rosto.
Eu voltaria a ativa.
E farei questão de matar todos que me atrapalharem.
Inclusive você, Lucy.
Eu te amo. Mas você ficou no meu caminho.
E você sabe que esse nunca foi um amor para dois.
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