Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo. Leiam as notas finais, por favor!

Após outra noite de sono agitado, Nova foi acordada abruptamente pelas vozes frenéticas de suas colegas de quarto, Lina, Karina e Talia.

Grogue e desorientada, ela lutou para entender as palavras que ouvia, sua mente ainda presa ao reino dos sonhos.

À medida que a consciência despertava na menina, o olhar de Nova percorreu o quarto mal iluminado, tentando discernir a causa da comoção. Ela notou os movimentos agitados de suas colegas de quarto, a cadência frenética de suas vozes e os sinais reveladores de pânico gravados em seus rostos.

"O que está acontecendo?" — ela perguntou.

Era como se o mundo fora do dormitório deles tivesse explodido no caos.

“Eles estão invadindo o Instituto” — Karina respondeu com a voz trêmula.

Sem mais um momento de hesitação, Karina convocou seus poderes que desafiam a gravidade e ergueu-se graciosamente no ar, saindo pela janela e juntando-se à tumultuada briga no pátio do campus.

Lina e Talia logo partiram pela porta, mais rápido que Nova pudesse perceber. De repente, a menina se viu sozinha no quarto.

Sua mente fervilhava com inúmeras perguntas, a incerteza da situação a atormentava. Quem eram os invasores e o que queriam no Instituto Adagnio?

Com a ansiedade correndo por suas veias, Nova moveu-se com passos medidos em direção ao banheiro do dormitório. Cada passo parecia ecoar as dúvidas que atormentavam seus pensamentos. Sua crença no abraço protetor do Instituto fora abalado pela turbulência que se desenrolava além do dormitório.

Enquanto Nova olhava para seu reflexo no banheiro mal iluminado, os estrondos retumbantes da invasão em curso enviaram tremores pelo prédio.

"Talvez eu devesse ir ajudar," ela contemplou, o desejo de se juntar à batalha lá fora puxando no seu senso de dever como Bellatori em treino. Lembrando-a de que ela havia treinado para momentos como esse, para proteger os outros quando eles mais precisarem.

Mas então outra onda de dúvida tomou conta dela.

"O que posso fazer?" — Nova perguntou para si mesma, sua voz apenas um sussurro no silêncio misterioso do banheiro. — "Eu só posso me teletransportar. Não ajudaria em nada. Eu não consegui salvar minha mãe quando ela estava a poucos metros de mim." — pensou.

Lágrimas brotaram de seus olhos enquanto ela lutava com as emoções conflitantes que ameaçavam dominá-la.

Os pensamentos atormentados de Nova giravam num turbilhão de duplipensamentos.

"Eu sou uma Bellatori" — ela murmurou, com a voz trêmula — "é meu dever ajudar." — Ela não podia negar o senso de responsabilidade que acompanhava seu treino.

Mas a dúvida voltou, sussurrando. "Estou apenas em treinamento, no meu primeiro semestre. Não há nada que eu possa fazer que os funcionários do Instituto não saibam fazer melhor. Lina, Karina e Talia foram tolas em pensar que seriam úteis para conter a invasão."

Afogada em dúvidas, Nova mal percebeu quando os sons caóticos da invasão cessaram tão abruptamente quanto haviam começado.

Ela permaneceu no banheiro, sua mente num turbilhão. Seu coração retumbava em seu peito.

Os minutos passaram como horas enquanto ela esperava que suas colegas de quarto voltassem. Quando finalmente o fizeram, seus rostos cansados ​​refletiam a confusão e a exaustão que haviam tomado conta delas. Lina, Karina e Talia entraram no dormitório, seus olhos carregando o peso dos acontecimentos inesperados que acabavam de presenciar.

"Isso foi estranho... e rápido. Rápido demais." — comentou Lina. Suas palavras ecoando o sentimento coletivo.

Mais tarde, o Diretor Tabby convocou todos os alunos para o salão principal, um espaço normalmente reservado para reuniões e anúncios acadêmicos.

Enquanto se reuniam, uma tensão palpável encheu o ar. O diretor deu um passo à frente. Sua voz, autoritária e ao mesmo tempo tranquilizadora, cortou a incerteza que tomava conta do campus.

"Queridos alunos" — começou o diretor Tabby, com um tom comedido, mas caloroso — "Tenho certeza de que todos vocês estão cientes dos eventos que aconteceram hoje cedo. Um pequeno grupo de indivíduos associados ao grupo extremista conhecido como 'Os Jardineiros' tentou invadir nosso campus."

Uma onda de sussurros abafados varreu a multidão, o nome do grupo carregando um ar de notoriedade.

“Pequeno grupo?” Com toda a comoção e com o barulho que foi causado, Nova poderia facilmente afirmar que um esquadrão inteiro havia invadido o campus. E Os Jardineiros? Invadindo um Instituto para Bellatori? A menina se perguntou o motivo.

O Diretor continuou: — “Quero expressar minha gratidão pelas ações rápidas e decisivas tomadas por nossa equipe de segurança, bem como pela bravura demonstrada por alguns de nossos alunos que prestaram sua ajuda durante este incidente”.

Os alunos ouviram atentamente, seus olhares apreensivos fixos no Diretor Tabby enquanto ele compartilhava os detalhes.

"Devo enfatizar" — continuou ele, com a voz firme, mas comedida — "que embora esta tenha sido uma invasão em pequena escala, serve como um lembrete claro dos desafios que aguardam cada um de vocês além destas paredes."

Uma sensação de gravidade pairou sobre a sala quando as palavras do Diretor foram absorvidas.

"Como Bellatori em treinamento, vocês estão se preparando para se tornarem os defensores do nosso mundo. Embora os eventos de hoje tenham sido resolvidos com o mínimo de danos, vocês devem entender que desafios maiores e mais perigosos podem esperar por vocês quando vocês se formarem."

O Diretor Tabby fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras assentar entre os alunos.

"Digo isso não para desencorajá-los, mas para garantir que vocês estejam bem cientes do caminho que escolheram. Têm segredos nesse mundo, que vocês nem imaginam.” — falou de forma enigmática. — ”A responsabilidade que vocês carregam é imensa e espero que cada um de vocês se preparem para enfrentá-la com coragem, garra e determinação inabalável."

O salão ficou em silêncio enquanto os alunos absorviam a mensagem do Diretor. Nova não pôde deixar de sentir uma sensação de apreensão.

***

Os tons suaves do crepúsculo iluminavam as ruas tranquilas dos subúrbios de Hunide e Kano, com seu corpo alto e magro, aproximou-se de uma padaria. Seu cabelo loiro na altura dos ombros emoldurava um rosto marcado por arranhões e hematomas.

A campainha acima da porta da padaria tocou suavemente quando ele entrou, anunciando sua chegada ao simpático caixa, um homem que já conhecia bem as visitas regulares do rapaz.

"Boa noite" — o caixa cumprimentou-o alegremente. — "O de sempre, presumo?"

Kano concordou com a cabeça e o caixa trouxe com eficiência o empadão de carne que se tornara um ritual semanal.

Enquanto trocavam gentilezas, o caixa não pôde deixar de notar os sinais visíveis de lesão no rosto de Kano, sua preocupação evidente em sua testa franzida. Ele se aventurou com cautela:

"O que aconteceu com seu rosto? Você está bem?"

"Oh, apenas um pequeno acidente" — o rapaz respondeu com um sorriso triste. — "Nada sério."

Depois de se instalar em uma mesinha perto da janela, Kano começou a comer, mas sua atenção foi atraída para a televisão montada no canto da padaria.

Seus olhos estavam focados no apresentador que relatava os acontecimentos do dia. “...Instituto Adagnio”, começou o apresentador, “onde hoje cedo, uma tentativa de invasão foi frustrada pela resposta rápida dos funcionários da escola e de um grupo de estudantes corajosos”.

Ele ouviu atentamente enquanto as notícias continuavam: "As autoridades acreditam que os invasores estavam associados a um grupo conhecido como 'Os Jardineiros', embora suas verdadeiras identidades permaneçam incertas."

“Horrível como a violência aumentou na nossa cidade, não é?” — o caixa perguntou, puxando assunto.

“É…” — Kano respondeu, com indiferença, dando mais uma mordida. O silêncio retornou a reinar na padaria.

Enquanto Kano terminava seu empadão, uma pontada de culpa tomou conta de sua consciência. Conhecendo seu namorado, Neshiro adoraria ter um empadão esperando por ele depois de um longo dia. Kano virou-se para o caixa e pediu mais um para viagem.

"Sabe, seu namorado tem sorte de ter alguém como você. Sempre pensando nele." — o caixa comentou.

"Bem, ele me aguenta, então é o mínimo que posso fazer." — Kano riu, um leve rubor colorindo suas bochechas enquanto agradecia ao caixa.

No momento em que ele estava saindo da padaria, com a mão na porta, um mendigo se aproximou dele. As roupas esfarrapadas e os olhos cansados ​​do homem revelavam muito sobre sua situação, e ele hesitantemente pediu um pedaço de comida, sua voz pouco mais que um sussurro, como se esperasse ser rejeitado.

Pego de surpresa, o instinto inicial de Kano foi dispensar o mendigo com uma resposta curta.

"Há um abrigo de comida não muito longe daqui" — disse ele, seu tom carente de calor, uma vaga irritação nublando sua voz. Afinal, era uma resposta rotineira que ele já havia dado inúmeras vezes aos necessitados.

Mas a resposta do mendigo estava longe de ser rotineira.

"Eu sei" — ele respondeu com um suspiro pesado — "mas os Bellatori tomaram conta daquele lugar. Eles entram, comem de graça, e não temos nem casas para onde voltar. Você acha que podemos brigar com eles? Não, a gente só aceita e procura outro lugar para comer.”

Kano piscou, surpreso com a amargura na voz do homem e a dura realidade que ele descreveu. Uma pontada de empatia torceu seu peito e, de repente, ele ficou envergonhado de seu julgamento precipitado. Ele enfiou a mão no bolso e tirou dinheiro suficiente para comprar um terceiro empadão para o mendigo, com uma expressão de desculpas.

Os olhos do mendigo se arregalaram de surpresa ao aceitar a comida, oferecendo um sorriso hesitante, mas agradecido.

Eles ficaram ali por um tempo, compartilhando a refeição simples. O mendigo não pôde deixar de notar os hematomas e arranhões no rosto de Kano, a curiosidade tomando conta dele.

"O que aconteceu com você?" — ele perguntou gentilmente, seu tom cheio de preocupação.

“Oh, não é nada” — disse Kano, tentando minimizar as lesões. — "Apenas um pequeno acidente."

O mendigo assentiu, compreendendo a necessidade de privacidade. Eles continuaram a conversar, discutindo vários assuntos, desde o clima até a vida nos subúrbios de Hunide. Kano sentiu-se surpreendentemente confortável na presença do mendigo, e suas reservas iniciais desapareceram.

Ao se separarem, Kano não pôde deixar de sentir uma sensação de realização. Embora ele possa não ter resolvido todos os seus problemas, hoje ele fez uma pequena diferença na vida de outra pessoa. E, naquele momento, foi o suficiente para levantar seu ânimo, mesmo que apenas um pouco.

Kano voltou para seu pequeno apartamento suburbano, com passos pesados ​​de cansaço. Neshiro, seu namorado há um bom tempo, estava esperando por ele, a preocupação estampada em seu rosto ao observar a aparência machucada de Kano.

"O que aconteceu com você?" — ele perguntou, sua voz tremendo de preocupação enquanto ele se aproximava de Kano e seu fiel cão de estimação latia seguindo de perto ao seu lado.

Kano tentou dar um sorriso tranquilizador, apesar da dor que percorria seu corpo.

“Fui assaltado” — explicou ele, tentando minimizar a situação. — “Mas não se preocupe, o que importa é que estou vivo, certo?” — Foi uma tentativa débil de aliviar a ansiedade de Neshiro, uma explicação que ele conjurou na hora.

No entanto, a preocupação de Neshiro se aprofundou e ele estendeu a mão para tocar suavemente a bochecha machucada de Kano, com os dedos sensíveis e cheios de preocupação.

"Você está bem? Eles levaram alguma coisa? Temos que comprar um celular novo?" — Seus olhos correram ao redor, procurando por algum pertence faltante.

"Não, eles não levaram meu telefone. Só minha carteira.” — Ele deu um tapinha nos bolsos para enfatizar. E então fez um carinho na cabeça do cachorro.

Neshiro franziu a testa em confusão.

"Então por que você não me ligou se ainda tinha o celular? Não ligou para os Bellatori?" — Sua preocupação com a segurança de Kano era evidente em sua voz.

Kano hesitou, seu olhar caindo para o chão.

"Eu... eu não queria preocupar você" — ele admitiu suavemente. — “E eu não queria envolver os Bellatori, você sabe que eles não fariam nada. Tudo aconteceu muito rápido e eu só queria chegar em casa o mais rápido possível.”

Neshiro suspirou, entendendo a relutância de Kano, mas ainda se sentindo desconfortável com a situação.

"Ok, mas pelo menos você está seguro agora."

Ele olhou para o empadão que Kano trouxera.

"E por que você comprou isso? Você foi assaltado, não levaram seu dinheiro?" — questionou.

Kano riu fracamente.

"Bem, é uma longa história. Consegui manter uma pequena quantia de dinheiro escondida, só para garantir. Não queria voltar para casa de mãos vazias depois de tudo. E eu pensei que você ia gostar do empadão.”

Enquanto Neshiro continuava cuidando dos ferimentos de Kano, a televisão ao fundo enchia a sala com os sons de uma reportagem. A transmissão recontou a história dos acontecimentos do dia – as ações heróicas dos funcionários e estudantes do Instituto Adagnio que frustraram uma equipe do grupo criminoso conhecido como “Os Jardineiros”. As imagens mostravam os jovens Bellatori em treinamento, arriscando tudo para proteger o Instituto.

Kano, recostado no sofá, olhou para a tela da televisão e comentou casualmente: “Ah, já vi essa notícia”.

Neshiro não pôde deixar de observar a televisão, sua preocupação se aprofundou ao ver os rostos dos jovens Bellatori que enfrentaram o perigo para proteger sua escola. Ele reconheceu a coragem e o altruísmo em suas ações, mas também trouxe um entendimento implícito entre ele e Kano – o mundo em que viviam estava longe de ser seguro e o perigo espreitava em cada esquina.

Talvez se um Bellatori estivesse por perto para ajudar, seu namorado não tivesse sido assaltado ou tivesse saído ileso.

Notas finais
Alguns pensamentos: A invasão no Instituto ter sido contada de forma abrupta e rápida foi proposital. Eu cogitei em dividir este capítulo em dois, mas preferi mantê-lo assim. Este capítulo marca o fim da parte introdutória da história, daqui em diante, o enredo vai ocorrer com os personagens já apresentados e com as tramas já introduzidas. Espero que vocês gostem. Me digam nos comentários o que estão pensando da fic, enquanto entramos para nossa próxima fase.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.