Bellatori

3 Dias Nublados


Notas iniciais
Primeiras interações de personagens principais. Espero que gostem e se lerem, por favor, deixem um comentário com suas opiniões ♥

Finalmente havia chegado o dia. O sol banhava o campus do Instituto Adagnio em tons quentes e dourados quando o dia começou, o ar denso de expectativa e energia nervosa. Os alunos, ansiosos para iniciar um novo ano letivo, conversavam animadamente enquanto os funcionários se movimentavam para garantir um início tranquilo.

No entanto, sob esta fachada, permanecia uma tensão perturbadora. Fofocas e especulações percorreram a multidão, cada boato mais sensacionalista que o anterior.

Nova, no passado ansiava por este dia com grande desejo, imaginando-o como a realização de seus sonhos. Mas agora, tudo estava tão diferente. Este era o lugar onde a vida de sua mãe foi tragicamente interrompida, talvez até por suas próprias mãos. Os dormitórios que logo se tornariam sua casa eram um lembrete constante do evento sombrio que aconteceu apenas algumas semanas atrás.

Mas agora, talvez ela quisesse uma nova casa. As memórias de seus pais perduravam, e Nova não conseguia escapar da percepção de que não podia mais contar com o conforto da presença de sua mãe. O ambiente familiar da mansão Bauneclair agora parecia uma lembrança cruel do que ela havia perdido, deixando-a com o desejo de um novo começo, longe das lembranças dolorosas.

Reunindo coragem, Nova se aproximou de um funcionário simpático.

“Oi,” — ela começou, com a voz ligeiramente trêmula, falando pela primeira vez em um bom tempo. — “Onde eu encontro as direções para os dormitórios?”

O sorriso caloroso do funcionário e as instruções tranquilizadoras ajudaram a acalmar seus nervos e, com gratidão, Nova partiu em direção ao prédio do dormitório.

***

Em outra parte do campus, Adrian não conseguia escapar de sua própria atmosfera sombria.

A notícia do recente assassinato se espalhou como um incêndio na palha seca e a fofoca estava a todo vapor. Sussurros o seguiam aonde quer que fosse, apresentando-o como o vilão de uma narrativa distorcida.

Estudantes olhavam para o rapaz com olhos cheios de suspeita. Adrian pensou que seus colegas seriam camaradas com o mesmo objetivo: se tornar Bellatori profissionais, mas hoje, eles eram juízes no tribunal da opinião popular.

“Esse é o cara, sabe? Aquele que dizem ter matado aquela mulher...”

"Ouvi dizer que ele tem problemas mentais... Eles deveriam tê-lo levado para uma interrogação."

“Não acredito que ele teve a audácia de ainda aparecer nas aulas...”

Adrian cerrou a mandíbula, cada acusação sussurrada o atingia como uma faca profunda em seu coração. O peso das alegações infundadas caía sobre ele, tornando cada passo mais difícil.

Nas primeiras aulas, ele tentou se concentrar nos professores, se aprofundar nos estudos e afastar os boatos incessantes. Mas era impossível escapar dos olhares acusatórios.

A mente de Adrian viajou para Nova, a filha da mulher que ele foi falsamente acusado de matar. Ele não a via desde o dia do funeral, quando seus caminhos se cruzaram em meio à dor e à raiva. E ele estava tentando evitá-la propositalmente, como ela aconselhou.

A lembrança de suas palavras ainda o assombrava, uma promessa assustadora de que o próximo encontro entre eles não seria amigável.

Mas no fundo ele sabia que ela era a chave para limpar seu nome. Apenas Nova e o Diretor Tabby detinham o poder de provar sua inocência e mesmo assim ela o chamou de assassino.

E à medida que os sussurros ficavam mais altos e a suspeita crescia ao seu redor, Adrian se perguntou se algum dia teria a chance de provar sua inocência para a pessoa que mais importava.

Talvez ele devesse procurar por ela. Não é como se a relação entre eles pudesse piorar.

***

Após um primeiro dia longo, Nova entrou em seu novo dormitório, uma mistura de ansiedade e expectativa enchendo o ar. Ao entrar, seu olhar encontrou os olhos de três jovens sentadas ali, suas expressões variando da curiosidade à introspecção silenciosa. Lina, Karina e Talia – suas novas colegas de quarto. Era a primeira vez delas se encontrando, por alguma coincidência do destino, seus caminhos não se cruzaram o dia inteiro. Mas agora elas podiam se apresentar.

"Olá, sou Lina", a garota com impressionantes olhos magenta se apresentou primeiro, seu olhar firme e intenso. "E esta é Karina", ela continuou.

Karina sorriu calorosamente, mas com um toque de timidez. Por fim, foi a vez de Talia.

“Eu sou Talia,” — ela disse regiamente, sua presença chamando a atenção.

O coração de Nova deu um pulo ao ouvir o nome. A rainha Talia, governante de De Tsona, era sua colega de quarto. Ela nunca imaginou que iria compartilhar algo com alguém de tanta importância.

Claro, Nova não conhecia Talia de verdade. Para ela, Talia era uma daquelas pessoas que você conhecia o nome e a importância, mas se passassem na sua esquina, você não saberia reconhecê-la. Ainda assim, foi um momento animador.

Enquanto continuavam a conversar e compartilhar informações básicas, Nova não pôde deixar de sentir admiração pela diversidade de suas colegas de quarto. A aparência marcante de Lina, a timidez discreta de Karina e a presença real de Talia — era uma mistura fascinante.

À medida que a conversa evoluiu naturalmente, Nova se sentiu pressionada a compartilhar a tragédia que caiu sobre ela, a perda de sua mãe no campus, apenas algumas semanas atrás. O cômodo ficou em silêncio e ela sentiu a simpatia delas.

Simpatia que ela achava que não merecia.

Talia, com sua postura real intacta, se aproximou.

“Eu lamento muito pela sua perda.” — ela começou a tentar oferecer suas condolências à Nova, na esperança de iniciar uma conversa educada e compreensiva.

Mas, a menção de sua falecida mãe provocou uma explosão inesperada de emoção em Nova.

“Desculpe, mas não quero falar mais sobre minha mãe” — a voz de Nova tremia de emoção nua e crua, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. — "Todo mundo só fala disso comigo. Eu sei que ela se foi. Ela nunca mais estará ao meu lado e nunca me verá me tornar uma Bellatori."

Ela não falava com raiva, a emoção era outra, mas nem ela parecia entender. Talvez tristeza, confusão ou frustração?

Talia timidamente pediu desculpas, mas enquanto lágrimas brotavam dos olhos de Nova e, sem esperar por uma resposta ou oferecer uma explicação para sua explosão repentina, a menina pediu licença abruptamente e saiu do dormitório.

Suas colegas de quarto trocaram olhares incertos, sem saber como reagir ao turbilhão emocional que acabavam de testemunhar.

Foi Lina, quem finalmente quebrou o silêncio, seu tom compreensivo.

“Talvez devêssemos dar espaço à ela” — sugeriu ela. — “Ela está carregando um fardo pesado e claramente ainda está lutando para aceitar sua dor.”

As outras concordaram com a cabeça, percebendo que Nova precisava de tempo e apoio para aceitar sua perda e os desafios que tinha pela frente. À medida que as três se acomodavam em suas novas condições de vida, a atmosfera no dormitório permanecia sombria, um lembrete das complexidades que a vida como Bellatori em treino poderia trazer.

Notas finais
As vezes, as nuvens são metafóricas. Até o próximo capítulo.