Believers
4 The Brothers
Notas iniciais

▪Reino do Norte 15/10/1350 — Local desconhecido (23:00)▪
— Que falta de respeito perante a princesa! — reclamou Tenten, as suas mãos encontravam-se atrás das suas costas e os seus pés arrastavam pelo chão, enquanto ela aguardava impacientemente, andando de um lado para o outro, já fazia uma hora desde que as donzelas esperavam pelos guerreiros e nada de eles aparecerem.
Claro que ela estava irritada, especialmente porque quanto mais tempo eles demoravam, maior era o risco de tanto ela como a princesa serem apanhadas.
— Tenha calma Tenten, tenho a certeza de que devem estar a chegar, talvez tenha acontecido alguma coisa.
Hinata colocou as suas mãos sobre os ombros da amiga fazendo-a parar de andar e deu um sorriso para tentar melhorar o humor dela.
— Tem razão! Vamos aguardar mais um pouco, mas não se esqueça que não podemos demorar muito mais tempo, não queremos que o seu pai descubra.
— Tudo bem, Hanabi está a encobrir-nos, ele não vai descobrir.
Mais alguns minutos de espera foram o suficiente para ouvirem passos, quando mais próximos as mulheres puderam ver aqueles que aguardavam.
— Pedimos muitas desculpas pela demora, mas o seu primo quis fazer uma reunião de última hora e claro, não tivemos outra escolha em não ser participar dela. — Karin desculpou-se perante o atraso.
— Claro, não há problema.
— Se me permite princesa, porque nos convocou com tanta urgência? — Shino questionou calmamente.
— Soube que foram convocados para a guerra, creio que não sabem tudo o que ela envolve, assim sendo penso que o meu dever é vos informar de tudo.
— Mas porquê? Nós nem somos realmente soldados...
— É exatamente por isso, Naruto. Eu sinto que posso confiar em vocês, sei que não contaram nada ao meu pai e que o vosso único objetivo é proteger este reino.
— Sendo assim, o que nos tem a informar?
Kiba observa Akamaru deitar-se aos seus pés e desvia o seu olhar, novamente, para Hinata esperando que ela contasse alguma coisa.
— Para começar, por aquilo que ouvi, esta guerra não vai só envolver Konoha, o meu pai convocou Suna para uma reunião, apesar das divergências que existem entre os nossos reinos, tenho a certeza que o rei Gaara fará o certo e estabelecerá um acordo connosco.
— Isso significa que Suna também foi ameaçada?
— Não tenho a certeza disso, o meu pai pode os ter convocado pelo desespero de uma boa aliança para proteger este reino, ou então para aproveitar-se do desespero do outro rei e fazer uma aliança.
— Isto é grave, Itachi está querendo governar o mundo, ele deve ter um bom exército, mas não acho que isso seja o suficiente para enfrentar pelo menos dois reinos sozinho, ele está a esconder algo, ele tem um trunfo. — Shino comentou pensativo.
— Pensei o mesmo! Mas não consigo pensar no que possa ser esse trunfo, até onde sei o sul não estabeleceu nenhuma aliança com ninguém.
A princesa parecia bastante pensativa, assim como todos os que se encontravam naquele local, realmente era algo intrigante, Itachi não seria burro ao ponto de declarar uma guerra se não soubesse que a sua probabilidade de vencer seria maior do que a de perder.
— Precisamos de descobrir o que ele anda a tramar...
— E como pensas em fazer isso, primo?
— A única hipótese seria nos infiltrar-mos no reino do sul.
— Estás doido Naruto?! Isso seria morte certa, lembra-te que ainda tens de passar pela floresta da fronteira, que é guardada pelos guardiões. — Kiba exclama incrédulo com a ideia do amigo.
— É a única solução que conheço, além disso temos uma vantagem, eu conheço Sasuke ele talvez nos possa ajudar e...
— Ajudar? Ele pode estar no lado do irmão, isso é muito arriscado. — a ruiva interrompeu o parente. — Não sei se esse plano é o melhor.
— Pelo contrário, eu concordo com Naruto, não temos muitas hipóteses além dessa, isto pode nos dar um trunfo maior na guerra. — declarou o homem mais misterioso.
— Eu sei que é um enorme risco, mas eu tenho de concordar, é a única solução, sei que não deveria aceitar isto, mas eu quero diminuir o impacto desta guerra já que não a posso travar, então eu prometo que se forem eu vos darei toda a proteção necessária e financiarei tudo aquilo que precisarem para esta missão. — a princesa de cabelos azulados ofereceu a sua ajuda deixando Tenten admirada.
— Princesa, tem a certeza que concorda com isto? Eu posso ajudá-los a atravessar a floresta, conheço a guardiã, mas ir para o sul?
— Tenten, não há outra maneira, eu não me meteria nisto se não fosse necessário, tu bem sabes disso. Se não quiserem ir, tudo bem, mas eu enviarei outros, é o meu povo que está em risco e se for necessário que eu mesma vá, eu irei.
— Não será necessário! Nós os quatro iremos, certo? — o loiro questionou os seus companheiros e estendeu a sua mão, Shino foi o primeiro a colocar a sua sobre a do loiro, sendo imitado por Kiba. — Karin?
— Eu ainda acho uma ideia estúpida, mas se vos deixar ir sozinhos vocês não dão conta, então... — colocou a mão por cima das dos seus companheiros. — ... eu também vou!
— Muito obrigado!
▪Reino do Norte 16/10/1350 — Castelo Hyūga (10:30)▪
Todos no castelo estavam numa euforia, desde que o rumor do inicio da guerra havia surgido todos estavam aflitos esperando qualquer ataque.
Hoje, por volta das 08:00, o rei havia recebido uma carta do sul, Itachi estava declarando a guerra oficialmente, já não era apenas uma ameaça, agora era oficial, eles estavam em guerra, isso significava que o primeiro ataque poderia estar prestes a acontecer, Hiashi não tinha muitas certezas quanto à sua tropa, ele sabia que tinha alguns soldados bastante competentes, como o seu sobrinho, mas por outro lado nem todos estavam bem preparados.
Com o anúncio oficial todos o que se encontravam no castelo ficaram mais nervosos, especialmente o rei nortenho, ele não sabia bem o que fazer, ele não tinha certezas do que Itachi era capaz de fazer então qualquer coisa que pudesse vir da parte dele seria imprevisível, e isso significava que o norte poderia ter mais chances de perder do que ganhar, afinal não tinha como se defender de um ataque que não consegue prever.
Enquanto o Hyūga mais velho se encontrava no seu trono pensando em como poderia agir face ao que está a acontecer, um guarda, que tinha como função vigiar as muralhas, veio anunciar a chegada de três visitantes.
— Meu rei! Os representantes de Suna acabaram de chegar.
— Encaminha-os para a minha sala de reuniões, eu os receberei lá de imediato.
— Sim senhor! Não quer que comunique a mais alguém a chegada do rei Gaara?
— Não é necessário, eu mesmo resolvo o assunto. — o homem assentiu e saiu da vista do mais velho, após fazer uma vénia, Hiashi levantou-se do trono e em passos lentos se dirigiu para a tal sala, seria uma longa conversa.
— Bom dia. — ouviu uma voz calma e tão familiar a ecoar nos seus ouvidos.
— Bom dia! Não esperava recebê-lo tão cedo.
— Viemos o mais rápido possível, sei que o assunto que temos de tratar é de extrema importância. — o homem ruivo apertou a mão do nortenho, sendo imitado pelos seus dois acompanhantes. — Espero que a minha chegada não esteja a causar algum transtorno.
— Claro que não, sentem-se por favor. — exclamou convidando os dois homens e a mulher a sentarem-se na grande mesa, sentando-se no topo desta.
Os três irmão, Gaara, o ruivo, o mais novo e eleito rei após Kankuro, o irmão do meio, ter abdicado do trono por achar não ter capacidades por governar um reino, Temari, a mais velha, apesar de ser uma mulher ela sabe muito sobre política para além de ser a melhor combatente, assim como Kankuro, que Gaara tem no seu exército, daria uma boa rainha se não fossem as leis rígidas de Suna quanto a ter mulheres a governar, no entanto ela é a conselheira de Gaara e é a representante do reino, apesar de muita contestação, já Kankuro lidera o exército como ninguém e é um dos braços direitos do mais novo, os três são uma perfeita combinação no que diz respeito em governar.
Os irmãos possuíam uma expressão séria e nada amigável, Hiashi não poderia deixar-se intimidar, especialmente por serem os mais novos entre todos os reinos, mesmo que o moreno não tivesse prescindido do seu lugar ao trono, Suna continuaria a ser o reino com o governante mais novo.
— Antes de falar alguma coisa, tenho a dizer que independentemente das suas propostas, eu já tomei a minha decisão, que foi aprovada tanto pelos meus irmãos como pela corte, ambos sabemos como é difícil a minha corte estar de acordo comigo, mas desta vez conseguimos chegar a um concesso. Considere isso como positivo.
— Isso significa que não importa o que eu ofereça, Suna não fará uma aliança com o Norte, certo?
— Ao contrário do que pensa, Hiashi, meu irmão não tem nada contra si, é verdade que já nos prejudicou muito, mas isso não significa que ajudar um reino onde pessoas inocentes vão estar envolvidas numa guerra, seja uma ideia totalmente descartável. — a loira falou séria e determinada. — Estamos dispostos a fazer uma aliança, mas sobre certas condições.
— E quais seriam elas? — perguntou o mais velho nunca desviando o olhar de Gaara, nem mesmo quando a sua irmã havia falado, uma vez que, tal como Suna, ele não era a favor da presença de Temari nestes assuntos.
— A aliança seria estabelecida apenas durante a guerra, qualquer decisão que seja necessária tomar em relação a ela deve ser tomada em conjunto e as nossas tropas devem trabalhar juntas, cada uma obedecendo à outra, já para não falar que os custos, tanto do armamento quanto para a proteção e alimentação dos civis, de ambos os reinos, devem ser divididos.
— Estou curioso, porque haveriam de querer uma aliança de curto prazo? Pensei que eram os percursores da junção das nações.
Kankuro gargalhou alto, realmente Hiashi achava que por serem mais novos os irmãos seriam burros ao ponto de cair na ladainha do mais velho.
— Por favor, não tente jogar connosco, nós sim queremos uma união das nações mas não queremos uma aliança que prejudique o nosso reino, uma aliança com o Norte seria o fim de Suna algo que infelizmente quase constatamos. Quando se cria uma aliança há que ser inteligente, deve-se pensar nos dois lados da moeda e não num só, como Temari referiu só estamos a fazer esta aliança para proteger os mais fracos, para que eles não tenham de enfrentar o caos da guerra ou participar nela.
— Kankuro, as suas palavras são sábias, mas não me convencem, uma aliança para o futuro seria muito mais vantajoso para ambos os reinos.
— Como declarei no inicio estas são as nossas condições, esta é a única proposta que aceitamos, se não a quiser aceitar, tudo bem, cada reino irá enfrentar o seu destino. — Gaara disse reforçando a sua ideia inicial.
— Não sei se isso será vantajoso para mim.
— Não é para si que tem de ser vantajoso, mas sim para o reino. — a mulher pronunciou-se mais uma vez recebendo o olhar frio de Hiashi, o que a fez sorrir de canto. — Tem aqui todas as cartas na mesa, já jogou de mais com elas, ou continua a desperdiçar as suas jogadas jogando errado, ou faz a jogada certa agora e diminui as consequências, é você quem decide.
— Não pedi a sua opinião.
— E eu não me importo com isso e dou na mesma.
— Hiashi o tempo está passando, preciso da sua decisão agora.
— Tudo bem, eu aceito Gaara, mas tudo isso terá de estar escrito.
— Nem eu o queria de outra forma. Kankuro... — o moreno retirou da sua mochila de pano um pergaminho e o abriu estendendo para Hiashi. — Aqui tem, pode ler com toda a atenção, tudo o que falei está aí.
O de olhos perolados leu tudo com a devida atenção, quando acabou de ler o último parágrafo não hesitou em assinar, ele pensara melhor e só tinha de fazer tudo bem durante a guerra para depois obter uma aliança mais forte e duradoura que aquela que estava a assinar, ele só teria de ter Gaara e os irmãos na mão, e ele sabia como fazê-lo.
— Muito bem, foi um prazer estabelecer esta aliança consigo.
▪Reino do Sul 16/10/1350 — Castelo Uchiha (16:30)▪
A futura Uchiha estava do lado de fora do castelo em frente aos portões, ao seu lado estavam os dois guardas que os guardavam. No seu rosto estava um grande sorriso, se Sasuke tivesse do seu lado agora inevitavelmente sorriria por ver a sua amada como não via à meses. A rosada não estava totalmente feliz, afinal ainda havia a vertente da guerra que estava prestes a florescer e de Itachi que não a amava mas que a obriga a casar com ela, mas por outro lado a sua melhor amiga, que também era a sua aia de eleição, estava prestes a chegar da sua viagem secreta, Sakura não poderia estar mais contente por revê-la de novo e acabar com a sua curiosidade.
Após algum tempo de espera a rosada já poderia ouvir o riso de sua amiga que vinha acompanhada por dois rapazes, também eles camponeses como ela, e não se conteve e foi a correr ter com ela, assim que se aproximou abraçou-a fortemente.
— Princesa! Tive tantas saudades suas, nem imagina.
— Ino, claro que imagino, nem sabe a falta que me fez. — declarou sem se largar da loira.
— Tenho tanta coisa para lhe contar! É verdade, estes são o Chouji e o Lee, eles que me acompanharam a viagem toda, eles são conhecidos na aldeia por caçadores.
As duas pararam de se abraçar para encarar os homens.
— Olá! — os dois homens disseram em conjunto sendo respondidos pela princesa.
— Bem rapazes obrigada por tudo, eu fico por aqui, depois eu falo com vocês.
— Ino, não te esqueças daquilo que tens de fazer! — relembrou Lee.
— Não te preocupes, mais uma vez obrigada!
Ino deu um beijo em cada bochecha de cada um deles e despediu-se, sendo convidada por Sakura para entrar no castelo, a princesa ajudou a loira com as suas coisas e as duas, bastante entusiasmadas, foram logo para os apusentos da rosada.
— Fiquei preocupada, não me contaste para onde ias, e dois meses sem te ter foram uma grande agonia!
— Eu sei, eu sei, me desculpe por não ter contado nada, mas não podia até fazer esta viagem.
— Afinal onde foste e porquê?
— Eu fui para o norte, Karui estava lá, Lee e Chouji disseram que ela tinha algo importante para me dizer, algo sobre a minha origem, algo que eu não sabia, e bem a viagem demorou mais tempo porque Karui quis que eu descobrisse as coisas por mim.
— Karui? Mas... tu já tinhas falado com ela antes? E o que é isso da tua origem?
— Não nunca havia falado com ela. — a loira fez uma pausa pensando em como haveria de contar para a amiga o que tinha descoberto. — Ela viu alguma coisa, e ela descobriu que eu era amiga de Chouji e falou com ele para me trazer até ela, eu descobri o que eu sou, princesa!
— Ino, desembucha! O que é que tu és?
▪ Reino do Norte 16/10/1350 — Local desconhecido (20:00) ▪
— A guerra está prestes a começar, eu preciso de ti em Suna. — uma mulher de cabelos ruivos e de pele cor de chocolate dizia enquanto os seus olhos estavam fechados e as suas mãos pairavam por cima das mãos da outra mulher com quem falava.
— Karui, não sei se estou pronta para isso. — disse colocando uma mecha do seu cabelo encaracolado e curto, atrás da sua orelha.
— Eles precisam de ti, ele esteve no reino do sul e agora vai para lá, Suna pode não aguentar e eu não posso sair daqui por causa dos guardiões.
— Como se eu fosse um problema! — reclamou o rapaz de cabelos esbranquiçados. — Não preciso de ti aqui.
— Suigetsu, eu é que sei se precisas ou não, agora vai, tens uma missão a cumprir. — reclamou abrindo os olhos e dirigindo um olhar irritado para o seu amigo que apenas riu.
— Sim, sim eu estou a ir.
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